{"id":584,"date":"2014-10-23T22:17:42","date_gmt":"2014-10-24T01:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=584"},"modified":"2014-10-23T22:17:54","modified_gmt":"2014-10-24T01:17:54","slug":"balanco-da-copa-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/10\/23\/balanco-da-copa-do-mundo\/","title":{"rendered":"BALAN\u00c7O DA COPA DO MUNDO"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez \u2013 jornalista<\/p>\n<p>Tr\u00eas meses se passaram do final da Copa do Mundo e o governo federal se mant\u00e9m em sil\u00eancio a respeito dos lucros ou perdas proporcionados pelo evento esportivo. A informa\u00e7\u00e3o de que o Brasil sofreu derrotas dentro e fora dos est\u00e1dios foi divulgada h\u00e1 poucos dias por um grupo de conceituadas institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais europ\u00e9ias, lideradas pela su\u00ed\u00e7a Solidor e pela alem\u00e3 Institut Heinrich Boll, revelando o que todo o mundo j\u00e1 sabia, que a FIFA levou para os seus cofres em Genebra R$ 7,5 bilh\u00f5es, livres de impostos.<\/p>\n<p>Aprofundando-se em detalhes, os pesquisadores afirmam que \u201ca Copa realizada no Brasil foi a mais cara de todos os tempos\u201d. O custo aproximado para o governo foi de US$ 13,3 bilh\u00f5es, o que corresponde a R$ 33 bilh\u00f5es. As 12 cidades-sedes herdaram um endividamento de 51%. Os investimentos feitos em obras de infraestrutura urbana, principalmente transporte p\u00fablico, foram desviados para outras finalidades, evidentemente il\u00edcitas.<\/p>\n<p>O estudo dedica um cap\u00edtulo especial aos est\u00e1dios que foram constru\u00eddos ou reformados, todos superfaturados, sendo que quatro deles, os de Manaus, Natal, Cuiab\u00e1 e Bras\u00edlia, foram superdimensionados, passando a figurar na lista dos \u201celefantes brancos\u201d, ao lado do Engenh\u00e3o, constru\u00eddo h\u00e1 cinco anos no Rio de Janeiro e em processo de desgaste em sua estrutura.<\/p>\n<p><!--more-->De acordo com os c\u00e1lculos efetuados, cada assento colocado nos novos est\u00e1dios brasileiros teve um custo de R$15,41 mil, contrastando com os R$ 8,95 mil do Mundial de 2006 na Alemanha, e os R$ 8,2 mil de 2010 na \u00c1frica do Sul. A farra com o dinheiro p\u00fablico fica mais percept\u00edvel com o exemplo que vem da Espanha. H\u00e1 dois anos, o Espanyol de Barcelona empregou cerca de R$ 220 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o daquele que \u00e9 considerado como o mais moderno est\u00e1dio do pa\u00eds, o Cornella \u2013 El Prat, com capacidade para 41 mil pessoas. No Brasil teria custado R$ 1 bilh\u00e3o, valor que foi empregado no \u201cMan\u00e9 Garrincha\u201d, em Bras\u00edlia, e no \u201cItaquer\u00e3o\u201d, erguido em S\u00e3o Paulo para deleite dos corinthianos do Planalto Central.<\/p>\n<p>Ao concluir o relat\u00f3rio, as institui\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias chamam a aten\u00e7\u00e3o da FIFA para os seguintes aspectos, visando os pr\u00f3ximos Mundiais: 1) respeito aos direitos humanos (no Brasil, 250 mil pessoas foram desalojadas de suas moradias para dar lugar aos est\u00e1dios; os \u00f3rg\u00e3os policiais agiram com rigor na repress\u00e3o \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es nos dias de jogos); 2) obedecer a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista do pa\u00eds-sede (oito oper\u00e1rios brasileiros morreram tragicamente nos canteiros de obras dos est\u00e1dios; 250 mil trabalhadores informais foram impedidos de vender suas mercadorias no entorno dos est\u00e1dios); 3) recolher os impostos (aqui, al\u00e9m do privil\u00e9gio fiscal concedido pelo governo, assessores da entidade internacional negociaram ingressos no c\u00e2mbio negro, em preju\u00edzo do torcedor mais pobre).<\/p>\n<p>O setor da constru\u00e7\u00e3o civil, hoje o maior financiador das campanhas eleitorais, e o turismo, foram os que mais lucraram com a Copa do Mundo no Brasil. Claro, muitas pessoas f\u00edsicas disputaram a \u201cgalinha gorda\u201d, lan\u00e7ando em suas contas banc\u00e1rias, aqui e no exterior, o nosso dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez \u2013 jornalista Tr\u00eas meses se passaram do final da Copa do Mundo e o governo federal se mant\u00e9m em sil\u00eancio a respeito dos lucros ou perdas proporcionados pelo evento esportivo. 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