{"id":5817,"date":"2021-06-29T23:35:43","date_gmt":"2021-06-30T02:35:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5817"},"modified":"2021-06-29T23:35:56","modified_gmt":"2021-06-30T02:35:56","slug":"remanso-uma-comunidade-magico-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/06\/29\/remanso-uma-comunidade-magico-religiosa\/","title":{"rendered":"REMANSO &#8211; UMA COMUNIDADE M\u00c1GICO RELIGIOSA"},"content":{"rendered":"<p>O FANT\u00c1STICO APOIADO EM UMA MUNDIVID\u00caNCIA AFRO-DESCENDENTE \u2013 ASPECTOS DAS AMBI\u00caNCIAS SOCIAIS, GEOGR\u00c1FICAS E HIST\u00d3RICAS.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2045.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5818\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2045.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2045.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2045-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Estou lendo e gostando do livro dos meus amigos acad\u00eamicos Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que tem como objeto de estudo a comunidade de Remanso, em Len\u00e7\u00f3is, encravado na Chapada Diamantina. Os professores fazem uma distin\u00e7\u00e3o muito clara do que seja uma comunidade quilombola e afro-brasileira, objeto de estudo de Remanso, confundido com a primeira classifica\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o da obra, a professora Graziela de Lourdes Novato Ferreira, ressalta que os pr\u00f3prios autores informam que o grupo n\u00e3o se autorreconhece como quilombola e faz refer\u00eancia como \u201cterra de heran\u00e7a\u201d. Os professores usam a nomenclatura comunidade auto-ind\u00edgena brasileira. Quilombo nasce dos negros fugidos das chibatas dos patr\u00f5es que se refugiavam em algum lugar. Trata-se de um movimento de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>No caso de Remanso, s\u00e3o pessoas remanescentes dos garimpos de diamantes, que tamb\u00e9m subsistem da pecu\u00e1ria e da agricultura. \u201c Remanso \u00e9 uma comunidade com caracter\u00edsticas de preserva\u00e7\u00e3o de valores culturais pr\u00f3prios de um pertencimento ao arqu\u00e9tipo das popula\u00e7\u00f5es da Chapada Diamantina. Traz fortes elementos ligados ao processo de garimpagem do diamante. Sua viv\u00eancia e tradi\u00e7\u00f5es se traduzem num m\u00edstico cultural e religioso&#8230;\u201dOs autores s\u00e3o defensores da preserva\u00e7\u00e3o \u00e9tico-culturais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora explica que Itamar, em suas conversas sempre fala dos tra\u00e7ados dos caminhos, capaz de nos fazer viajar por um universo m\u00e1gico-po\u00e9tico, com seus apaixonados relatos sobre Len\u00e7\u00f3is e sobre a manifesta\u00e7\u00e3o religiosa, denominada de Jar\u00ea, um candombl\u00e9 dos encantados caboclos, que se d\u00e1 sob o toque da viola. \u201cVejo uma presen\u00e7a ind\u00edgena a\u00ed muito forte, salve os caboclos! Orix\u00e1s, caboclos e encantados que agregam elementos ind\u00edgenas e cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>Itamar conceitua que o Jar\u00ea demonstra a pluralidade das express\u00f5es religiosas neste nosso \u201csert\u00e3o profundo\u201d. No pref\u00e1cio do livro, editado pela Universidade Estadual de Feira de Santana, Josildeth Gomes fala das lavras diamantinas e diz que a obra \u00e9 o resultado do esfor\u00e7o de dois apaixonados pelo mundo do garimpo que n\u00e3o chegaram \u00e0s lavras em busca do diamante, mas que se tornaram garimpeiros da alma e de cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele classifica Remanso como uma comunidade garimpeira afro-ind\u00edgena. Diz que os autores procuram esclarecer que Remanso \u00e9 uma comunidade resultante da ocupa\u00e7\u00e3o de negros, provavelmente de origem banto, que se deslocaram no s\u00e9culo XVIII para a regi\u00e3o direita dos Marimbus, um imenso pantanal existente na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Jar\u00ea \u00e9 uma express\u00e3o religiosa de origem africana que cultua orix\u00e1s e caboclos, um candombl\u00e9 de caboclos, ou candombl\u00e9 do sert\u00e3o.\u00a0 Nessa religi\u00e3o, o Caboclo Boiadeiro ocupa o lugar de maior destaque no Jar\u00ea de Remanso, mas faz seu ritual \u00e9 feito atrav\u00e9s do vaqueiro cuidador do gado. O Boiadeiro \u00e9 mais o dono da fazenda e da boiada.<\/p>\n<p>Ao lado do Boiadeiro, os caboclos Sete Serras e o Tomba Morro fazem parte dos personagens mais representativos da cultura da Chapada. O primeiro numa alus\u00e3o \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, aos mist\u00e9rios da mata. O segundo na presen\u00e7a do jagun\u00e7o arruaceiro briguento.<\/p>\n<p>Nas considera\u00e7\u00f5es iniciais, o professor Itamar faz uma viagem sobre o tempo dos coron\u00e9is (Hor\u00e1cio de Matos) e o papel dos jagun\u00e7os como servidores dos mandantes do poder na \u00e9poca, muito diferente dos cangaceiros. Ele tra\u00e7a um mapa geogr\u00e1fico da regi\u00e3o com seus munic\u00edpios, grutas e principais rios que formam o marimbus.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2046.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5819\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2046.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2046.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/IMG_2046-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O leitor \u00e9 fisgado pelas hist\u00f3rias do coronel Hor\u00e1cio de Matos, um dos mais famosos do sert\u00e3o nordestino, esp\u00e9cie de governador do interior dentro de um estado. Descreve sobre a cria\u00e7\u00e3o da vila de Jacobina, em 5 de agosto de 1720, por determina\u00e7\u00e3o do rei. Jacobina abrangia uma vasta regi\u00e3o que ia do Arraial da Conquista, das Minas Gerais, Cachoeira, Ilh\u00e9us e o Vale do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Em sua introdu\u00e7\u00e3o, Itamar descreve a estrutura coronelista da \u00e9poca, sobre os donos de garimpos, lapid\u00e1rios, pedristas, campamgueiros, bamb\u00farrios e demais comerciantes de pedras, Cita v\u00e1rios pesquisadores do assunto, como Am\u00e9rico Chagas, Ol\u00edmpio Barbosa, Walfrido Moraes, dentre outros.<\/p>\n<p>Em 1906, quando os diamantes estavam esgotados. Itamar lembra da cria\u00e7\u00e3o do de um dos primeiros col\u00e9gios do interior em \\ponte Nova (Wagner) por mission\u00e1rios presbiterianos, de onde sa\u00edram grandes cabe\u00e7as intelectuais. Tem tamb\u00e9m as hist\u00f3rias dos valentes Jo\u00e3o Requisado que enfrentava do alto da serra as tropas do Governo do Estado, do curador Z\u00e9 Rodrigues, o tenente Zacarias, do deputado, poeta e intelectual Manoel Alc\u00e2ntera de Carvalho, Hor\u00e1cio de Matos e do jagun\u00e7o Montalv\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o hist\u00f3rias empolgantes que despertam a curiosidade do leitor, \u00e1vido pelos causos contados pelos nossos ancestrais e que serviram de subs\u00eddios para pesquisadores e estudiosos. Quem j\u00e1 ouviu fala do livro de S\u00e3o Supriano da Capa Preta? De acordo com a lenda, a reza era capaz de transformar o \u201cdevoto\u201d numa moita, num touco, num animal e tantos outros seres. Possu\u00eda o encantamento de tornar invis\u00edveis o jagun\u00e7o, o valente ou o coronel aos olhos dos seus inimigos. Leia que \u00e9 muito interessante o trabalho de Ronaldo e Itamar. .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O FANT\u00c1STICO APOIADO EM UMA MUNDIVID\u00caNCIA AFRO-DESCENDENTE \u2013 ASPECTOS DAS AMBI\u00caNCIAS SOCIAIS, GEOGR\u00c1FICAS E HIST\u00d3RICAS. Estou lendo e gostando do livro dos meus amigos acad\u00eamicos Ronaldo Senna e Itamar Aguiar, que tem como objeto de estudo a comunidade de Remanso, em Len\u00e7\u00f3is, encravado na Chapada Diamantina. 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