{"id":5491,"date":"2021-03-11T22:44:51","date_gmt":"2021-03-12T01:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5491"},"modified":"2021-03-11T22:45:07","modified_gmt":"2021-03-12T01:45:07","slug":"as-vacinas-e-o-genio-pasteur-que-revolucionou-a-arte-da-cura-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2021\/03\/11\/as-vacinas-e-o-genio-pasteur-que-revolucionou-a-arte-da-cura-final\/","title":{"rendered":"AS VACINAS E O G\u00caNIO PASTEUR QUE REVOLUCIONOU A ARTE DA CURA (Final)"},"content":{"rendered":"<p>Durante a Idade M\u00e9dia, as epidemias da peste bub\u00f4nica, var\u00edola, tifo e outras doen\u00e7as devastaram as grandes cidades da Europa. O primeiro passo para o controle foi o saneamento e a higieniza\u00e7\u00e3o, vindo em seguida a vacina\u00e7\u00e3o em massa do povo. Os recursos da medicina ainda eram prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>As primeiras inocula\u00e7\u00f5es de vacinas s\u00f3 vieram acontecer por volta de 1796 pelo ingl\u00eas ruralista Edward Jenner, o inventor da vacina contra a var\u00edola (p\u00fastula), que foi erradicada em 1980, ou seja, 184 anos depois. Ainda estudante, em 1771, Jenner observou que a mulheres que ordenhavam as vacas contraiam a doen\u00e7a, da\u00ed a palavra vacina de o latim ser derivada vacca.<\/p>\n<p>L\u00cdQUIDO DAS BOLHAS<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1520.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5492\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1520.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1520.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1520-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1796, o cientista recolheu um l\u00edquido das bolhas das m\u00e3os das leiteiras e introduziu na pele de um rapaz volunt\u00e1rio que ficou imune \u00e0 doen\u00e7a. Em 1885, o franc\u00eas Louis Pasteur, o g\u00eanio das vacinas por ter aperfei\u00e7oado outras, em parceria com o patologista alem\u00e3o Robert Koch, criou a vacina contra a raiva, transmitida ao homem pela mordedura de um animal infectado. Conta que em vida ele frequentava o campo para tratar de doen\u00e7as de animais e orientar os agricultores de como se proteger delas.<\/p>\n<p>Somente pela metade do s\u00e9culo XX se descobriu que as doen\u00e7as infecciosas eram em decorr\u00eancia dos germes e n\u00e3o do ar impuro como se pensava, isso gra\u00e7as aos estudos de Pasteur. Atrav\u00e9s de muitas pesquisas, se concluiu ser poss\u00edvel preparar vacinas atrav\u00e9s das culturas de microrganismos mort\u00edferos.<\/p>\n<p>Ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, a partir da d\u00e9cada de 20, se assistiu o desenvolvimento de vacinas contra a tuberculose, difteria, t\u00e9tano, tifo, c\u00f3lera e a febre amarela. Essas doen\u00e7as sempre atingiram os pa\u00edses mais pobres dos continentes africano e as Am\u00e9ricas do Sul e Central, caso mais espec\u00edfico da poliomielite e do sarampo. Muitas na\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o colheram os avan\u00e7os da ci\u00eancia nesse campo por descren\u00e7a na ci\u00eancia ou por falta de recursos financeiros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1517.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5493\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1517.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1517.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/IMG_1517-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 1888, Pierre Paul \u00c9mile, colega de Pasteur, demonstrou que \u00e9 uma toxina produzida pela bact\u00e9ria da difteria que provoca os sintomas graves. Em 1890\/91, Emil Adolf e Kitasato conseguiram criar as antitoxinas contra a difteria e o t\u00e9tano. A vacina da difteria s\u00f3 veio a ser comercializada em 1892. Esperou-se mais 40 anos at\u00e9 que fosse preparada uma vacina que protegesse as crian\u00e7as saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>No final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, era generalizada na Europa e Am\u00e9rica do Norte a contra\u00e7\u00e3o da tuberculose durante a inf\u00e2ncia. A primeira vacina contra a tuberculose s\u00f3 veio em 1906 por L\u00e9on Calmette e Camille Gu\u00e9rin, investigadores do Instituto Pasteur, para ser utilizada em gado. Foi aplicada pela primeira vez em crian\u00e7as, na Fran\u00e7a, no ano de 1922.<\/p>\n<p>VACINA\u00c7\u00c3O CONTRA A VAR\u00cdOLA<\/p>\n<p>Uma das grandes vit\u00f3rias da ci\u00eancia foi a vacina\u00e7\u00e3o contra a var\u00edola. No s\u00e9culo XVIII praticamente todas as crian\u00e7as contraiam a var\u00edola, com mortandade de cerca de 30% das atingidas. A vacina\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreu em princ\u00edpios do s\u00e9culo XIX na Europa Ocidental. Ela, no entanto, permaneceu end\u00eamica na \u00c1frica e na \u00c1sia, at\u00e9 depois da II Guerra Mundial, tendo a \u00cdndia e a Indon\u00e9sia sofrido surtos maci\u00e7os.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 50, a poliomielite era a mais temida. A primeira vacina foi preparada pelo m\u00e9dico Jonas Salk, de Pittsburgh, e utilizada em 1954. Ela continha o v\u00edrus da p\u00f3lio. Tr\u00eas anos depois, o virologista Albert Bruce Sabin deu in\u00edcio \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus vivo da p\u00f3lio.<\/p>\n<p><!--more--> \u00a0Em 1960, Jonh Enders produziu a vacina contra o sarampo que ainda permanece na \u00c1frica, \u00c1sia e nas Am\u00e9ricas. Em 1962, o m\u00e9dico Thomas Weller produziu a vacina contra a rub\u00e9ola destinada \u00e0s mulheres. Em 1970, inicia-se a vacina\u00e7\u00e3o em massa em crian\u00e7as contra a difteria, p\u00f3lio, tosse convulsa, tuberculose, sarampo, t\u00e9tano e outras doen\u00e7as.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade promoveu uma campanha forte nas d\u00e9cadas de 60 e 70 visando erradicar a var\u00edola atrav\u00e9s da vacina\u00e7\u00e3o em massa no mundo. Em 1978, uma fot\u00f3grafa brit\u00e2nica contraiu a doen\u00e7a atrav\u00e9s do laborat\u00f3rio onde trabalhava, vindo a falecer, mas um parente seu que se contaminou, se recuperou.<\/p>\n<p>PASTEUR E SEUS TRABALHOS<\/p>\n<p>Os trabalhos de Pasteur revolucionaram a arte da cura, apesar de n\u00e3o ser m\u00e9dico. Nasceu, em Dole, na Fran\u00e7a, em 1822, e cresceu em Arbois. Faleceu em setembro de 1895. Os hospitais t\u00eam pisos de cer\u00e2mica, paredes de azulejos e camas pintadas de branco gra\u00e7as aos ensinamentos de higieniza\u00e7\u00e3o do cientista. Ele criou a microbiologia<\/p>\n<p>Certa vez ele disse \u201cse eu tivesse a honra de ser cirurgi\u00e3o, s\u00f3 usaria gaze, bandagens e esponjas submetidas previamente a uma temperatura de 130\u00ba a 150\u00ba C\u201d. Pasteur sempre foi um homem da terra. Aos 20 anos, se interessou pelas aulas de qu\u00edmica do professor Jean Dumas, de quem se tornou ajudante e formou-se nessa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Aos domingos, o estudioso utilizava o laborat\u00f3rio do mestre. Em 1884 se tornou professor da universidade de Estrasburgo, e era muito exigente e r\u00edgido com os alunos, tanto que teve muitos embates e intrigas entre eles. Viveu quatro anos ao lado do Rio Reno. Em 1952, fundou a Faculdade de Lile, e abriu as portas da escola para pesquisas nas ruas, no campo e para as f\u00e1bricas. Criou v\u00e1rios laborat\u00f3rios nesses locais.<\/p>\n<p>Com o bom senso que parece ter herdado de seus av\u00f3s camponeses, p\u00f4s fim aos problemas na fermenta\u00e7\u00e3o do vinho, da cerveja, as doen\u00e7as do bicho-da-seda e do gado. Assim chegou aos grandes temas da sa\u00fade humana. Ele inventou o m\u00e9todo da pasteuriza\u00e7\u00e3o, desenvolvendo a teoria da gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>INSALUBRIDADE NA AGRICULTURA<\/p>\n<p>Em 1864, proferiu uma palestra na Sorbone diante de v\u00e1rias personalidades, inclusive do presidente franc\u00eas, e ao final foi ovacionado por toda Paris. Cat\u00f3lico conservador, seu campo de trabalho se baseava na ordem, no m\u00e9todo e na limpeza. Em 1868, sofreu seu primeiro ataque de apoplexia e ficou com o lado esquerdo paralisado, mas n\u00e3o parou com suas atividades como cientista, resolvendo problemas de insalubridade na agricultura.<\/p>\n<p>Em sua lida, incentivou a aplica\u00e7\u00e3o de vacinas em galinhas e ovelhas. Em 1881, demonstrou a efic\u00e1cia da vacina contra o carb\u00fanculo. Mediante sua a\u00e7\u00e3o, em 1885, 350 pessoas receberam tratamento contra a raiva. Em sua homenagem, foi inaugurado, em 1888, o Instituto Pasteur, que cuida at\u00e9 hoje da produ\u00e7\u00e3o de vacinas contra a raiva e outras doen\u00e7as infecciosas.<\/p>\n<p>Em 1921, os cientistas Calmette e Camille desenvolveram, no Instituto, suas vacinas contra a tuberculose. Em 1923, Gaston L\u00e9on Ramon criou a vacina contra a difteria, al\u00e9m do soro antitet\u00e2nico. Existem hoje pelo mundo cerca de 30 dessa institui\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a Idade M\u00e9dia, as epidemias da peste bub\u00f4nica, var\u00edola, tifo e outras doen\u00e7as devastaram as grandes cidades da Europa. O primeiro passo para o controle foi o saneamento e a higieniza\u00e7\u00e3o, vindo em seguida a vacina\u00e7\u00e3o em massa do povo. Os recursos da medicina ainda eram prec\u00e1rios. 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