{"id":5280,"date":"2020-12-28T23:02:17","date_gmt":"2020-12-29T02:02:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5280"},"modified":"2020-12-28T23:04:34","modified_gmt":"2020-12-29T02:04:34","slug":"ciganos-do-passadoespiritos-do-presente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/12\/28\/ciganos-do-passadoespiritos-do-presente\/","title":{"rendered":"&#8220;CIGANOS DO PASSADO\/ESP\u00cdRITOS DO PRESENTE&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Numa linguagem po\u00e9tica e sens\u00edvel, sem entrar em detalhes sobre a hist\u00f3ria e as origens do seu povo, mas narrando h\u00e1bitos e costumes, a cigana Ana da Cigana Natasha, em sua obra \u201cCiganos do Passado\/Esp\u00edritos do Presente\u201d entra no mundo dos esp\u00edritos de v\u00e1rias fam\u00edlias que viveram entre os s\u00e9culos XVI a XIX, contando como se vestiam, seus adere\u00e7os e magias, bem como, as especialidades deles no retorno ao mundo de sua gente.<\/p>\n<p>De origem russa, desde que veio morar no Brasil, Ana cuida dos esp\u00edritos ciganos como lhe foi ensinado pelos seus antepassados. Ela joga as cartas desenhadas com os antigos s\u00edmbolos da fam\u00edlia e os seixos rolados da R\u00fassia, al\u00e9m de ministrar diversos cursos sobre temas ciganos. O livro \u00e9 composto de hist\u00f3rias que ela escutou dos mais velhos, principalmente do seu kaku (anci\u00e3o, s\u00e1bio e mestre).<\/p>\n<p>TRADI\u00c7\u00d5ES E RELIGIOSIDADES<\/p>\n<p>Mesmo mantendo suas tradi\u00e7\u00f5es culturais, os ciganos t\u00eam suas religiosidades e s\u00e3o muitos ligados \u00e0 natureza, com rituais de folhas parecidos com a umbanda. Sua maior protetora \u00e9 Santa Sara, que n\u00e3o chegou a ser canonizada pela Igreja Cat\u00f3lica. Ela era a 10\u00aa filha de um casal de religi\u00e3o igual a dos israelitas. Ana conta que aos 14 anos teve uma vis\u00e3o e descobriu que teria que ajudar o seu povo que estava sendo perseguido.<\/p>\n<p>Ainda pequena, sua fam\u00edlia decidiu correr o mundo e foi nessas viagens que Sara conheceu os ciganos e \u201ca vid\u00eancia veio mais forte\u201d. Decidiu, ent\u00e3o, abandonar a fam\u00edlia e acompanhar os ciganos, e sempre os ajudava a fugir das persegui\u00e7\u00f5es. No sul da Fran\u00e7a, em Camargue, tornou-se rainha da terra e passou a ser uma sacerdotisa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_1053.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5281\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_1053.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_1053.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_1053-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No lugar em que ela viveu at\u00e9 a sua morte e sepultada, foi erguida a Igreja de Santa Sara em Santes Maries de La Mer. Todos os anos. No come\u00e7o de maio, outros autores e pesquisadores falam nos dias 24 e 25 de mar\u00e7o, acontece as comemora\u00e7\u00f5es e peregrina\u00e7\u00f5es em louvor \u00e0 santa, com prociss\u00e3o e festa na par\u00f3quia. Aqui no Brasil, os ciganos s\u00e3o devotos de Nossa Senhora Aparecida.<\/p>\n<p>RITUAL DO CASAMENTO<\/p>\n<p>Sobre as tradi\u00e7\u00f5es de seu povo, Ana fala dos rituais de casamento e da morte. Diz ela que entre os antigos, o pai escolhe o marido para a filha e a esposa cuida de arranjar uma noiva para o filho. No entanto, existem estudiosos que asseguram que em tribos mais modernas, os casais t\u00eam sua op\u00e7\u00e3o de aceitar ou n\u00e3o a decis\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p>De acordo com Natasha, no dia do casamento, o acampamento \u00e9 todo arrumado para a grande festa. As carro\u00e7as formam um grande c\u00edrculo e no meio uma fogueira sagrada \u00e9 acesa. Num canto \u00e9 armado uma tenda e, dentro dela, posta uma mesa coberta com uma toalha de linho branco bordado pelas m\u00e3os da m\u00e3e da noiva.<\/p>\n<p>Na mesa s\u00e3o colocadas v\u00e1rias comidas, doces e o tradicional leit\u00e3o assado com frutas por cima. Enquanto isso, dentro da carro\u00e7a a noiva ainda se apronta. Os violinos come\u00e7am a tocar as melodias ciganas. A cortina da carro\u00e7a se abre e dentro dela sai a noiva, vestida com uma roupa rebordada com pedras coloridas. Na cabe\u00e7a traz uma tiara de flores do campo; nas orelhas, argolas de ouro; no pesco\u00e7o, muitos colares de pedras coloridas; nos pulsos, pulseiras de ouro; e, nos dedos, an\u00e9is de ouro com pedras preciosas.<\/p>\n<p>Quando a lua cheia aparece no c\u00e9u, os noivos s\u00e3o levados at\u00e9 a fogueira. A noiva pelas ciganas mais velhas, e o noivo pelos mais idosos. O mais velho de todos \u00e9 convidado para proceder a cerim\u00f4nia. Ele junta as m\u00e3os dos noivos e recita uma ora\u00e7\u00e3o. A seguir, separa as m\u00e3os dos dois. Pega um punhal de ouro e come\u00e7a a falar umas palavras m\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Em seguida, faz-se um corte de dois cent\u00edmetros no pulso do noivo e outro no da noiva e une os sangues. Volta, ent\u00e3o, a fazer a ora\u00e7\u00e3o da jun\u00e7\u00e3o do sangue, amarrando no pulso de cada um deles um len\u00e7o vermelho, dizendo palavras de ben\u00e7\u00e3o. Depois, o velho cigano pega um p\u00e3o, que foi feito no dia anterior ao casamento pela m\u00e3e da noiva e o corta em duas partes iguais. Coloca cada peda\u00e7o do p\u00e3o na m\u00e3o de cada um. Junta as m\u00e3os e volta a dizer uma ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois disso, retira o p\u00e3o das m\u00e3os e as amarras com um cip\u00f3 do mato e diz: Est\u00e1 aqui a uni\u00e3o do trigo que representa a mulher e o homem. Que a noiva tenha respeito ao seu marido, pois ele \u00e9 seu dono at\u00e9 a morte. Daqui para frente \u00e9s uma senhora e ter\u00e1s de dar obedi\u00eancia total ao seu marido e \u00e0 fam\u00edlia dele. Em continuidade \u00e0 cerim\u00f4nia, \u00e9 trazida uma bandeja dourada, com uma ta\u00e7a grande de cristal, que o pai do noivo \u00e9 obrigado a dar de presente ao casal para esse ritual do desapego.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a mulher \u00e9 automaticamente propriedade da fam\u00edlia do marido e ir\u00e1 morar junto com o grupo dele. O casal de noivos bebe o vinho da ta\u00e7a e o homem a quebra, jogando para tr\u00e1s deles. A festa do casamento continua com todos dan\u00e7ando, comendo e bebendo.<\/p>\n<p>Em certo momento, a shuvani (mulher mais velho do grupo) ordena que os noivos v\u00e3o para a sua carro\u00e7a. L\u00e1 dentro, come\u00e7a o primeiro ato sexual, ap\u00f3s o qual ser\u00e1 feita a prova da virgindade da noiva. Passadas algumas horas, a shuvani vai buscar o len\u00e7ol onde os dois consumaram o ato. Forma-se um c\u00edrculo em torno da fogueira, e a shuvani mostra a todos o len\u00e7ol com o sangue da virgindade da noiva. A partir do dia do casamento, ela passa a usar um len\u00e7o sobre os cabelos, marca das mulheres casadas.<\/p>\n<p>RITUAL DA MORTE E DOS ESP\u00cdRITOS<\/p>\n<p>Quanto a morte, quando a pessoa se encontra em estado grave, as tendas s\u00e3o armadas em c\u00edrculo, em cujo centro faz-se uma fogueira. A m\u00fasica parece pedir a Deus uma cura. Numa tenda, um grupo de mulheres faz suas previs\u00f5es. Depois da pessoa morta, come\u00e7am a preparar as comidas preferidas do esp\u00edrito que se foi. Tudo \u00e9 feito com festa e alegria, com violinos a tocar.<\/p>\n<p>As mulheres ou os homens lavam o corpo do falecido com \u00e1gua de uma fonte, misturada com flores, ouro, prata, moedas antigas e atuais. Assim \u00e9 feito o ritual da purifica\u00e7\u00e3o. Todos falam de coisas bonitas para que o esp\u00edrito retorne \u00e0 terra em forma de luz.<\/p>\n<p>O corpo \u00e9 sempre sepultado debaixo de uma \u00e1rvore frondosa. Sobre a terra \u00e9 derramado vinho tinto para que o esp\u00edrito siga sua viagem satisfeito. Pesquisadores ressaltam que muitas tribos costumam queimar os pertences do morto. Natasha conta que o ritual do banquete ao homenageado \u00e9 repetido at\u00e9 que se completem sete anos da sua desencarna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O livro de Ana tamb\u00e9m traz receitas culin\u00e1rias que ela transcreve de seus antepassados, na maioria doces, bolos e outras comidas com nomes ciganos, como Papo-de-Anjo Cigano, M\u00e3e-Benta Cigana, Bolo do Sol, Bolachinhas Ciganas, Salada Cigana, Mojito Cigano, dentre outros. No mais, ela narra sobre esp\u00edritos de diversas fam\u00edlias ciganas que viveram no passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa linguagem po\u00e9tica e sens\u00edvel, sem entrar em detalhes sobre a hist\u00f3ria e as origens do seu povo, mas narrando h\u00e1bitos e costumes, a cigana Ana da Cigana Natasha, em sua obra \u201cCiganos do Passado\/Esp\u00edritos do Presente\u201d entra no mundo dos esp\u00edritos de v\u00e1rias fam\u00edlias que viveram entre os s\u00e9culos XVI a XIX, contando como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5280"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5280"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5284,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5280\/revisions\/5284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}