{"id":5267,"date":"2020-12-22T23:58:42","date_gmt":"2020-12-23T02:58:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5267"},"modified":"2020-12-22T23:59:01","modified_gmt":"2020-12-23T02:59:01","slug":"o-que-e-mesmo-a-liberdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/12\/22\/o-que-e-mesmo-a-liberdade\/","title":{"rendered":"O QUE \u00c9 MESMO A LIBERDADE?"},"content":{"rendered":"<p>A vencedora do Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2015, a escritora russa Svetlana Aleksi\u00e9vitch, em seu livro \u201cO Fim do Homem Sovi\u00e9tico\u201d, ao lembrar dos duros tempos de mais de 70 anos do regime comunista, questiona o entendimento que se fazia sobre liberdade ap\u00f3s a Perestroika (abertura pol\u00edtica), institu\u00edda por Mikhail Gorbatch\u00f3v, entre 1985 a 1991.<\/p>\n<p>Para emitir sua opini\u00e3o sobre o assunto, ela antes cita a abertura dos arquivos desde os tempos de Stalin a partir da d\u00e9cada de 20. \u201cDevemos arrastar conosco 90 milh\u00f5es dos cem que povoam a R\u00fassia Sovi\u00e9tica. Com os demais \u00e9 imposs\u00edvel falar: \u00c9 preciso destru\u00ed-los. (Zin\u00f3viev, 1918).<\/p>\n<p>\u201cMoscou est\u00e1 literalmente morrendo de fome\u201d &#8211; professor Kuznetsov a Tr\u00f3stski. \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 fome. Quando Tito tomou Jerusal\u00e9m, as m\u00e3es judias comeram seus pr\u00f3prios filhos. Quando eu fizer suas m\u00e3es comerem os pr\u00f3prios filhos, a\u00ed voc\u00ea pode vir e dizer: Estamos morrendo de fome\u201d (Tr\u00f3stski, 1919).<\/p>\n<p>FICAVAM CALADAS<\/p>\n<p>Bem, quanto a Perestroika, a escritora diz que as pessoas liam os jornais e as revistas e ficavam caladas. \u201cMuitos encararam a verdade e a liberdade como inimigas. N\u00e3o conhecemos nosso pa\u00eds&#8230;\u201d isso foi em 1991. \u201cFui um participante da grande batalha perdida pela renova\u00e7\u00e3o real da vida\u201d. Isso foi escrito por um homem que passou dezessete anos nos campos stalinistas.<\/p>\n<p>Quando veio a liberdade, Svetlana assinala que havia mais pessoas que se irritavam com a liberdade. \u201cCada uma se sentia v\u00edtima, mas n\u00e3o c\u00famplice\u201d. \u201cOnde \u00e9 que estava a liberdade? S\u00f3 na cozinha onde continuavam xingando o governo, como de costume\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA R\u00fassia mudou, e odiou a si mesmo por ter mudado\u201d. O mongol im\u00f3vel, como assim escreveu Marx sobre a R\u00fassia. \u201cPouco tempo se passou, e n\u00f3s mesmos nos curvamos sob o seu fardo, porque ningu\u00e9m nos ensinou o que era a liberdade. S\u00f3 nos ensinou a morrer pela liberdade\u201d.<\/p>\n<p>Quando chegou o capitalismo, ela destaca que a liberdade acabou sendo a reabilita\u00e7\u00e3o da pequena burguesia. \u201cA liberdade de Sua Majestade, o Consumo\u201d. \u201cNingu\u00e9m fala mais de ideal; falam de cr\u00e9dito, de porcentagem, de c\u00e2mbio; n\u00e3o ganham mais dinheiro, agora \u201cfaziam\u201d, lucravam\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu perguntava para todos com quem me encontrava: O que \u00e9 a liberdade? Para os pais, a liberdade \u00e9 a aus\u00eancia do medo. Para os filhos, \u201c\u00e9 o amor; a liberdade interna \u00e9 o valor absoluto; quando voc\u00ea n\u00e3o tem medo de seus desejos: \u00e9 ter muito dinheiro, porque, ent\u00e3o, voc\u00ea ter\u00e1 tudo; quando voc\u00ea consegue viver de maneira a n\u00e3o pensar na liberdade. Liberdade \u00e9 o normal\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 perguntando de liberdade? \u201d \u00c9 s\u00f3 passar no nosso mercado; tem a vodca que voc\u00ea quiser aos montes, queijo e peixe. Tem banana. Quem precisa de mais liberdade? Isso aqui \u00e9 o bastante\u201d. Na \u201cA Lenda do Grande Inquisidor\u201d, de Dostoi\u00e9vski, h\u00e1 um debate sobre liberdade. Sobre o fato de que o caminho da liberdade \u00e9 dif\u00edcil, penoso e tr\u00e1gico.<\/p>\n<p>O tempo todo o ser humano deve escolher: \u201ca liberdade ou o bem-estar e a ordem na vida: a liberdade com sofrimento ou a felicidade sem liberdade. A maioria das pessoas escolhe o segundo caminho\u201d, responde a escritora. \u201cOs alunos de hoje j\u00e1 descobriram, j\u00e1 sentiram na pele o que \u00e9 o capitalismo: Desigualdade, pobreza e riqueza descarada\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Eles sonham com sua pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o. Usam camisetas vermelhas com retratos de L\u00eanin e Che Guevara. H\u00e1 um novo culto a Stalin que aniquilou mais pessoas que Hitler. Por que um novo culto a Stalin? \u2013 Indaga a escritora. Ideais antiquadas est\u00e3o de volta: do Grande Imp\u00e9rio da m\u00e3o de ferro, do caminho peculiar da R\u00fassia. O presidente tem o mesmo poder do secret\u00e1rio-geral. Absoluto. Em vez do marxismo-leninismo, a Igreja Ortodoxa. Existe o partido do poder, que copia o partido comunista.<\/p>\n<p>Sobre as barricadas e as manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas contra o poder constitu\u00eddo, ela finaliza a fala sobre liberdade, afirmando que encontrou na rua jovens usando camisetas com a foice e o martelo e o retrato de L\u00eanin. Ser\u00e1 que eles sabem o que comunismo\u201d?<\/p>\n<p>No Brasil de hoje encontramos imbecis com as camisetas pedindo \u201cInterven\u00e7\u00e3o Militar\u201d, numa alus\u00e3o \u00e0 ditadura. Ser\u00e1 que eles hoje sabem o que foi a ditadura, que prendeu, torturou, desapareceu e matou centenas de pessoas que lutaram pela liberdade? O que \u00e9 mesmo a liberdade?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vencedora do Pr\u00eamio Nobel de Literatura de 2015, a escritora russa Svetlana Aleksi\u00e9vitch, em seu livro \u201cO Fim do Homem Sovi\u00e9tico\u201d, ao lembrar dos duros tempos de mais de 70 anos do regime comunista, questiona o entendimento que se fazia sobre liberdade ap\u00f3s a Perestroika (abertura pol\u00edtica), institu\u00edda por Mikhail Gorbatch\u00f3v, entre 1985 a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5267"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5268,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5267\/revisions\/5268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5267"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5267"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5267"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}