{"id":526,"date":"2014-10-01T21:05:50","date_gmt":"2014-10-02T00:05:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=526"},"modified":"2014-10-01T21:06:05","modified_gmt":"2014-10-02T00:06:05","slug":"sobre-nossas-ferrovias-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/10\/01\/sobre-nossas-ferrovias-final\/","title":{"rendered":"SOBRE NOSSAS FERROVIAS (Final)"},"content":{"rendered":"<p>\u201c\u00c1LBUNS DE LEMBRAN\u00c7AS\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador paulistano Jo\u00e3o Em\u00edlio Gerodetti e o jornalista chileno Carlos Cornejo fizeram um levantamento hist\u00f3rico sobre o apogeu dos trens e das estradas de ferro no Brasil. Diz em seu trabalho que durante muitos anos o apito do trem significou desenvolvimento, cultura e civiliza\u00e7\u00e3o. \u201cAo redor das esta\u00e7\u00f5es e pr\u00f3ximos \u00e0 malha ferrovi\u00e1ria, nasceram e cresceram sonhos, amores e cidades\u201d.<\/p>\n<p>O livro \u201cAs Ferrovias do Brasil nos Cart\u00f5es-Postais e \u00c1lbuns de Lembran\u00e7as\u201d foi patrocinado pela Companhia Vale do Rio Doce, atrav\u00e9s da lei de incentivo do Minist\u00e9rio da Cultura.\u00a0 Como declarou o autor e pesquisador, tamb\u00e9m comigo o trem faz parte da minha inf\u00e2ncia. O trem fica sempre na nossa imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Minha pequena Piritiba, nas cercanias da Chapada Diamantina, onde passei pequena parte da inf\u00e2ncia quando ainda moleque, vivia os primeiros anos de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, mas j\u00e1 contava com a linha f\u00e9rrea.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/M\u00e1quinas-paradas-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-527\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/M\u00e1quinas-paradas-C\u00f3pia.jpg\" alt=\"M\u00e1quinas paradas - C\u00f3pia\" width=\"550\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/M\u00e1quinas-paradas-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/M\u00e1quinas-paradas-C\u00f3pia-300x193.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Repito as mesmas palavras do autor: N\u00e3o sei quem veio primeiro. Foi tamb\u00e9m a partir do trem que deixei minha inf\u00e2ncia para estudar em Amargosa, no Semin\u00e1rio Nossa Senhora do Bom Conselho. Ia at\u00e9 Itaberaba no \u201cTrem Groteiro\u201d e, \u00e0s vezes, at\u00e9 Ia\u00e7u. De l\u00e1 seguia de Rural para Amargosa.<\/p>\n<p>O livro traz depoimentos de pessoas que viajaram de trem, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria da implanta\u00e7\u00e3o das ferrovias no pa\u00eds. Campinas \u00e9 lembrada no livro atrav\u00e9s da Esta\u00e7\u00e3o da Companhia Paulista (hoje Esta\u00e7\u00e3o Cultural). Tamb\u00e9m em Piritiba, na Bahia, a Esta\u00e7\u00e3o se transformou num Centro Cultural. Mas, em outras cidades, as velhas instala\u00e7\u00f5es est\u00e3o abandonadas e depredadas, servindo de esconderijo de marginais e drogados.<\/p>\n<p><!--more-->ESCRAVOS NAS FERROVIAS<\/p>\n<p>O sistema ferrovi\u00e1rio baiano \u2013 o meio de transporte mais barato \u2013 est\u00e1 completando 150 anos de instalado, s\u00f3 que quase toda estrutura montada foi desmantelada a partir dos anos 70 e 80 do s\u00e9culo passado para dar lugar \u00e0s estradas de rodagem.<\/p>\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo XIX quando surgiram as primeiras ferrovias no Brasil \u2013 nos Estados Unidos e R\u00fassia essas estradas foram a alavanca do desenvolvimento \u2013 os escravos fugiam das senzalas e, disfar\u00e7ados de homens livres, se incorporavam \u00e0s turmas de trabalho, contratadas pelas companhias americanas e inglesas.<\/p>\n<p>O escravo Bas\u00edlio foi um dos fugitivos de 1868 quando chegou a trabalhar na Estrada de Ferro da Bahia. Depois de 1888, com a Lei que decretou a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, os negros ficaram sem servi\u00e7o nas fazendas e muitos foram trabalhar nas ferrovias.<\/p>\n<p>Muitos deles foram utilizados de forma legal nessas estradas, como Galdino Calmon, que chegou a ser carregador em Mares, na Bahia, e chegou a liderar uma greve por melhorias salariais.<\/p>\n<p>Em 1909, em raz\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o em termos f\u00edsicos e de sal\u00e1rios, greves paralisaram as atividades do transporte ferrovi\u00e1rio de passageiros, resultando em pris\u00f5es dos trabalhadores do setor.<\/p>\n<p>CREA\/BA DISCUTE SISTEMA<\/p>\n<p>Entre muitas discuss\u00f5es realizadas por entidades baianas, visando a revitaliza\u00e7\u00e3o de nossas ferrovias, o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA\/BA) promoveu, h\u00e1 pouco tempo, um debate com t\u00e9cnicos e especialistas do assunto, com apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n<p>Dentre os pontos discutidos, o professor S\u00e9rgio Fraga Santos identificou o agravamento no desenvolvimento das ferrovias, especialmente a partir da privatiza\u00e7\u00e3o da empresa. J\u00e1 o engenheiro Vasco de Azevedo Neto apontou v\u00e1rios benef\u00edcios da ferrovia na economia de custos nos transportes dos produtos. Segundo ele, a ferrovia pode facilitar o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dos Estados Unidos, R\u00fassia e da China, o Brasil est\u00e1 hoje na lanterna desse sistema de transporte, gra\u00e7as \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de grupos pol\u00edticos e econ\u00f4micos contr\u00e1rios ao segmento. Nos debates, ficou constatado que a cada mil quil\u00f4metros quadrados, o Brasil utiliza apenas 3,4 quil\u00f4metros em ferrovias, enquanto EUA usam 29,8 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Quanto a Bahia, embora entidades defendam e lutem pelo retorno dos trens, como a Sociedade Nacional Movimento Trem de Ferro, criada em 1986, n\u00e3o existem projetos de restaura\u00e7\u00e3o das linhas que t\u00eam tra\u00e7ado obsoleto. Uma das reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9 a volta do trem Alagoinhas &#8211; Senhor do Bonfim. O Grupo Germe que realiza discuss\u00f5es com moradores do Sub\u00farbio Ferrovi\u00e1rio de Salvador \u00e9 outra entidade que desenvolve pol\u00edticas de preserva\u00e7\u00e3o do sistema que at\u00e9 1982 funcionou com os trens de passageiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c1LBUNS DE LEMBRAN\u00c7AS\u201d O pesquisador paulistano Jo\u00e3o Em\u00edlio Gerodetti e o jornalista chileno Carlos Cornejo fizeram um levantamento hist\u00f3rico sobre o apogeu dos trens e das estradas de ferro no Brasil. 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