{"id":5225,"date":"2020-12-05T00:38:42","date_gmt":"2020-12-05T03:38:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5225"},"modified":"2020-12-05T00:38:51","modified_gmt":"2020-12-05T03:38:51","slug":"historia-do-povo-cigano-parte-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/12\/05\/historia-do-povo-cigano-parte-iv\/","title":{"rendered":"&#8220;HIST\u00d3RIA DO POVO CIGANO&#8221; (Parte IV)"},"content":{"rendered":"<p>UM POVO FOR\u00c7ADO A SER SEDENT\u00c1RIO, MAS QUE SEMPRE VIVIA EM CORRERIAS, FUGINDO DOS PRECONCEITOS E DAS LEIS RIGOROSAS PARA SALVAR SUAS IDENTIDADES CULTURAIS. A LIGA\u00c7\u00c3O ENTRE O ROMANI E O HINDI, A VIS\u00c3O DOS MOVIMENTOS ROM\u00c2NTICOS (O FLAMENCO), OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA M\u00daSICA E OS IMPACTOS DA INDUSTRIALIZA\u00c7\u00c3O EM SUA VIDAS.<\/p>\n<p>Um acad\u00eamico h\u00fangaro, de nome Samuel Augustini ah Hortis, fez uma s\u00e9rie de 40 artigos num jornal de seu pa\u00eds, publicados entre 1775\/6, falando sobre a vida cigana. Seu relato concentra-se na Hungria e a na Transilv\u00e2nia, e concluiu que, embora os ciganos tenham muita coisa em comum, j\u00e1 n\u00e3o havia uma na\u00e7\u00e3o homog\u00eanea e nem uma cultura coletiva. Muitos receberam influ\u00eancia de pa\u00edses por onde passaram. Em sua regi\u00e3o, eles viviam em tendas, mas passavam o inverno em cavernas. As cabanas eram mais equipadas.<\/p>\n<p>De acordo com o acad\u00eamico brit\u00e2nico, Angus Fraser, em seu livro \u201cHist\u00f3ria do Povo Cigano\u201d, essa etnia sem na\u00e7\u00e3o usava poucos utens\u00edlios de cozinha, como um pote de barro ou uma frigideira de ferro. Comia carne (at\u00e9 putrefata) ou farin\u00e1ceos simples. Mendigava p\u00e3o e era entusiasta do \u00e1lcool e do tabaco. Tinha apenas uma muda de roupa. Os negociantes de cavalos eram h\u00e1beis e sabiam muito bem impingir um rocim doente por saud\u00e1vel. Adotava a religi\u00e3o do s\u00edtio onde estivesse, mesmo sem tanta f\u00e9.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0952.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5226\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0952.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0952.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0952-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A LIGA\u00c7\u00c3O ENTRE O ROMANI E O HINDI DA \u00cdNDIA<\/p>\n<p>Na verdade, o autor dos artigos, Augustini, como frisou Fraser, n\u00e3o levava muito em conta a moral e a cultura dos ciganos. Dizia que o mal deles estava na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. \u201cOs pais os amavam, mas n\u00e3o os educava\u201d. A s\u00e9rie reconhecia a liga\u00e7\u00e3o entre o Romani e a \u00cdndia. Afirma o escritor do livro que, argumentos mais fortes sobre o Romani foram escritos pelo ingl\u00eas Jacob Bryant, em 1785. Jacob chamou a aten\u00e7\u00e3o para analogias entre o Romani e as l\u00ednguas indo-iranianas, com palavras importadas do grego e do eslav\u00f4nico. O alem\u00e3o Johann Rudiger tamb\u00e9m estabeleceu a liga\u00e7\u00e3o com a \u00cdndia, nomeadamente o Hindi.<\/p>\n<p>No entanto, o escritor Angus Fraser d\u00e1 maior credibilidade para um outro alem\u00e3o, Henrich Grellmann, em seu livro \u201cDie Zigeuner\u201d, publicado em 1783, com uma an\u00e1lise mais coerente. Ele estimou a popula\u00e7\u00e3o cigana em cerca de 800 mil, e de ser profusa na Hungria, Transilv\u00e2nia e por toda pen\u00ednsula Balc\u00e2nica. No resto da Europa, eles eram numerosos na Espanha, na It\u00e1lia e menos na Fran\u00e7a (Als\u00e1cia e Lorena). Eram escassos na Su\u00ed\u00e7a, Pa\u00edses Baixos e na maior parte da Alemanha. Embora muitos tenham se se sedentarizados, e se tornaram escravos na Mold\u00e1via e Val\u00e1quia, a maior parte continuava a vaguear. Existiam divis\u00f5es internas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0953.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5227\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0953.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0953.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0953-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Grellmann n\u00e3o poupou os esc\u00e2ndalos em sua publica\u00e7\u00e3o, ao citar a deprava\u00e7\u00e3o das mulheres ciganas, e at\u00e9 acusa\u00e7\u00f5es de canibalismo. Por\u00e9m, se baseou mais em jornais h\u00fangaros e alem\u00e3es contra 150 ciganos, 41 dos quais ap\u00f3s confiss\u00e3o sob tortura. Estes foram executados por decapita\u00e7\u00e3o, enforcamento, roda e esquartejamento. Fraser destaca que o alem\u00e3o tinha uma cren\u00e7a errada de que o \u00eaxodo dos ciganos da \u00cdndia tinha sido uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 invas\u00e3o por Tamerl\u00e3o, no final do s\u00e9culo XIV. No plano social, Grellmann manifestou-se contra o banimento, como maneira de lidar com os ciganos.<\/p>\n<p>A VIS\u00c3O DOS MOVIMENTOS ROM\u00c2NTICOS<\/p>\n<p>No campo liter\u00e1rio, os ciganos atra\u00edram os movimentos rom\u00e2nticos e o estilo melodram\u00e1tico. Em 1773, a trag\u00e9dia de Goethe Gotz von Berlichingen, colocava um chefe cigano no papel de um nobre selvagem. Os autores come\u00e7aram a colocar os ciganos em contraste com a hipocrisia da vida comum. No s\u00e9culo XIX se propagou que eles eram r\u00e9probos selvagens, com laivos de sobrenatural, de mist\u00e9rio e de crime.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0954.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5228\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0954.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0954.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0954-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nessa linha, Cervantes, em La Gitanilla, criou personagens imagin\u00e1rios onde os ciganos eram respons\u00e1veis por crian\u00e7as perdidas. O estereotipo estava em evid\u00eancia, mas o autor Geoge Borrow procurou transmitir, em sua escrita, algo de verdadeiro. De acordo com Fraser, o Movimento Rom\u00e2ntico se interessou pela cultura popular primitiva, com predile\u00e7\u00e3o pelo ex\u00f3tico, pelo folclore (1846), pelas dan\u00e7as e pelas as m\u00fasicas.<\/p>\n<p>Os ciganos foram arrastados por essa corrente da curiosidade humana. Descobriu-se, como assinala Fraser, que eles eram uma mina de contos, can\u00e7\u00f5es, costumes e supersti\u00e7\u00f5es. No campo da historiografia, o franc\u00eas Paul Bataillard, abriu uma era da hist\u00f3ria antiga dos ciganos na Europa, com uma s\u00e9rie de artigos publicados a partir de 1843.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0955.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5229\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0955.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0955.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/IMG_0955-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na filologia, a l\u00edngua Romani era vista como uma beleza antiga em decad\u00eancia, sucumbindo a diferentes for\u00e7as. O alem\u00e3o August Friedrich Pott foi o primeiro a criar um trabalho cient\u00edfico sobre o Romani, intitulado \u201cDie Zigeuner in Europa und Asien\u201d (Os Ciganos na Europa e na \u00c1sia), em 1844\/5. Como resultado, os anos de 1860 e 1870 foram os mais dedicados aos estudos do Romani na Alemanha.<\/p>\n<p>OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA M\u00daSICA<\/p>\n<p><!--more--> As igrejas protestantes se voltaram para o lado mission\u00e1rio, com af\u00e3 de regenerar os ciganos. Fundaram col\u00f4nias, escolas e oficinas para persuadir os ciganos de ficarem num s\u00f3 lugar. Na Esc\u00f3cia, criou-se at\u00e9 a \u201cSociedade para a Reforma dos Ciganos\u201d, mas foi um fracasso. Os esfor\u00e7os na Pr\u00fassia tamb\u00e9m falharam, mas dentro das fileiras das miss\u00f5es surgiram at\u00e9 alguns mission\u00e1rios ciganos, como Cornelius Smith, que nasceu numa tenda em 1831. Seu filho Gipsy Smith foi um en\u00e9rgico cigano pregador capaz de reunir milhares de pessoas que, a partir de 1880, dirigiu eventos religiosos na Gr\u00e3-Bretanha e no estrangeiro. A ideia era fazer com que os ciganos abandonassem suas caracter\u00edsticas de vida.<\/p>\n<p>Sempre os ciganos foram associados \u00e0 m\u00fasica alegre e \u00e0s dan\u00e7as, e a arte pesou na conquista de uma certa toler\u00e2ncia, como aconteceu com o patriarca Abram Wood, que entrou no Pa\u00eds de Gales, no s\u00e9culo XVIII, e levou consigo um violino. Seus filhos se dedicaram ao instrumento da harpa e foram bem recebidos por quase toda a parte. A queda pela m\u00fasica se evidenciou por toda Europa. Durante o s\u00e9culo XIX, na Hungria, R\u00fassia e Espanha, os ciganos se elevaram ao posto de emin\u00eancias como m\u00fasicos profissionais, ao ponto de quase terem passado a fazer parte da identidade nacional.<\/p>\n<p>Na Hungria, muitos, conhecidos como \u201cromungre\u201d, Rom H\u00fangaros, tornaram-se \u00fateis como menestr\u00e9is. Com a mistura, perderam o contato com sua m\u00fasica pr\u00f3pria e faziam espet\u00e1culos nas aldeias (folclore) e para a nobreza. Em alguns lugares, a m\u00fasica substituiu a metalurgia. Fizeram sucessos em Viena com suas bandas, e suas m\u00fasicas entraram na moda. O primeiro grande nome foi do violonista J\u00e1nos Biharri (1764-1827). Sua orquestra era convidada para os melhores p\u00fablicos, festas e banquetes. No Congresso de Viena, em 1814, tocou para os monarcas e estadistas.<\/p>\n<p>Ele e seus sucessores criaram um idioma musical que passou a fazer parte da tradi\u00e7\u00e3o popular h\u00fangara. Foram eles que melhor preservaram e representaram a m\u00fasica nacional \u201cmagiar\u201d. Alguns grupos tomaram parte, com seus instrumentos, na revolu\u00e7\u00e3o abortada de 1848\/9, que deixou a Hungria submetida ao poder de Viena. Suas famas atravessaram fronteiras a partir da d\u00e9cada de 1850 em boa parte da Europa. Ferene Bunko, maestro-chefe de todos os m\u00fasicos, tocou v\u00e1rias vezes em Paris e em Berlim. Ficaram t\u00e3o respeitados que membros da nobreza aprendiam a tocar com eles. Na R\u00fassia, se apresentaram em saraus realizados pelos favoritos de Catarina, a Grande.<\/p>\n<p>No coro de Orlov, as mulheres tinham o papel principal, e tamb\u00e9m dan\u00e7avam. O instrumento, geralmente usado, era a guitarra russa de sete cordas. Al\u00e9m das can\u00e7\u00f5es camponesas de origem russa, ucraniana e polaca, as sentimentais de compositores russos forneciam o grosso do material. Na Espanha, algumas formas vocais foram mudando de tema. Com o aparecimento do flamenco, s\u00f3 reconhecido como tal no s\u00e9culo XIX, a cultura andaluza sofreu impacto do estilo cigano. O flamenco teve uma longa gesta\u00e7\u00e3o clandestina durante os tempos da repress\u00e3o selvagem.<\/p>\n<p>No seu cerne, estava o \u201ccante jondo\u201d (canto fundo), misturado com elementos bizantinos, \u00e1rabe e cigano. Seus temas falavam de amor, lealdade, orgulho, ci\u00fame, vingan\u00e7a, liberdade, persegui\u00e7\u00e3o, dor e morte, Garcia Lorca descreveu o flamenco como o \u201csom do sangue a jorrar\u201d. A propaga\u00e7\u00e3o do flamenco chegou at\u00e9 a \u00cdndia, P\u00e9rsia, Turquia e no Balc\u00e3s. Grandes int\u00e9rpretes do estilo, por volta do final do s\u00e9culo XVIII, vinham todos de fam\u00edlias ciganas sedent\u00e1rias da regi\u00e3o da Andaluzia, mas a m\u00fasica s\u00f3 adquiriu o r\u00f3tulo mesmo de flamenco no s\u00e9culo XIX. Era um nome que tinha sido dado aos pr\u00f3prios ciganos antes de ser aplicado \u00e0 m\u00fasica que foi cria\u00e7\u00e3o urbana de artistas profissionais nos caf\u00e9s cantantes.<\/p>\n<p>OS IMPACTOS DA INDUSTRIALIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>Entre os anos 1815 e 1914 aconteceram transforma\u00e7\u00f5es intensas na industrializa\u00e7\u00e3o e no campo social que varreram maior parte da Europa. A Inglaterra foi pioneira no deslocamento da vida rural para as cidades de oper\u00e1rios e guarda-livros. O \u00fanico lugar que n\u00e3o houve muitas mudan\u00e7as foi na regi\u00e3o dos Bal\u00e7\u00e3s (tr\u00eas quartos das pessoas ainda eram camponesas). Mesmo com a industrializa\u00e7\u00e3o e a urbaniza\u00e7\u00e3o, o impacto para os ciganos n\u00e3o foi tanto.<\/p>\n<p>Na Espanha e na Hungria, pouco se tinha avan\u00e7ado em termos de mobilidade. Os ciganos formaram col\u00f4nias em v\u00e1rias cidades espanholas. Muitos se juntaram em cavernas escavadas nas encostas do Sacro Monte, em Granada, que serviam at\u00e9 de atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. A despeito dos decretos de Filipe IV e Carlos II, o amor dos ciganos \u00e0 sua pr\u00f3pria sociedade assegurou a sobreviv\u00eancia deles, e at\u00e9 contribuiu para a cultura da Andaluzia.<\/p>\n<p>Na Hungria, a sedentariza\u00e7\u00e3o e a concess\u00e3o de terras ficaram muito a dever, mas o arquiduque Joseph Ludwig (1833-19050), estudioso da l\u00edngua Romani e dos costumes dos ciganos, elaborou uma gram\u00e1tica e instalou uma grande col\u00f4nia perto de Budapeste, e outras quatro em pequenos lugares, com trabalhos agr\u00edcolas, mas n\u00e3o durou muito tempo para se dispersarem.<\/p>\n<p>No censo nacional de 1880, a Hungria, que tinha tr\u00eas vezes mais que o seu tamanho atual (Transilv\u00e2nia, Eslov\u00e1quia e outras regi\u00f5es menores) verificou que dos 275 mil ciganos, 90% eram sedent\u00e1rios, sendo mais de 20 mil semi- sedent\u00e1rios e apenas nove mil n\u00f4mades. Os padr\u00f5es escolares implantados revelaram poucos sinais de integra\u00e7\u00e3o (70% em idade escolar n\u00e3o frequentavam o ensino e 90% eram analfabetos).<\/p>\n<p>Os ciganos sempre preferiram o trabalho aut\u00f4nomo, mesmo com os decretos dos governos de Maria Teresa e Jos\u00e9 II. Eles preferiam a independ\u00eancia e a metalurgia (ferreiros), a mais seguida, vindo depois a constru\u00e7\u00e3o civil. O com\u00e9rcio estava representado nos neg\u00f3cios com cavalos para os homens, e a venda de ambulantes para as mulheres.<\/p>\n<p>No inverno, os ciganos erguiam cabanas, mas as tendas eram as principais habita\u00e7\u00f5es, transportadas em carro\u00e7as puxadas por cavalos. Tamb\u00e9m na Gr\u00e3-Bretanha eles mostravam pouco interesse pelo trabalho assalariado, como em outros pa\u00edses. As leis da Pol\u00edcia Distrital, de 1839 e 1856, deram origem a campanhas for\u00e7adas para expuls\u00e1-los de v\u00e1rios campos. Vadios e ciganos eram acusados de pequenos crimes rurais, embora os registros apontassem para os pr\u00f3prios residentes.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX havia outras comunidades que andavam pelas estradas \u00e0 procura de emprego. Existia tamb\u00e9m uma corrente de imigrantes, inclusive irlandeses que viajavam comercializando vassouras, cestos, cavalos ou biscateiros, funileiros, oleiros e feirantes, bem como os pr\u00f3prios ciganos que ganhavam a vida como vendedores de porta em porta e fazendo consertos variados. Em muitas cidades criaram at\u00e9 comunidades com tendas permanentes, como em Liverpool. Participavam das feiras e das colheitas do l\u00fapulo, e se embriagavam.<\/p>\n<p>Mesmo diante da urbaniza\u00e7\u00e3o e da industrializa\u00e7\u00e3o e outras press\u00f5es europeias, os ciganos foram capazes de manter suas autonomias, explorando as oportunidades criadas pelo pr\u00f3prio sistema dominante. Quando necess\u00e1rio, mudavam da aldeia para cidades, e abandonavam os velhos neg\u00f3cios a favor das novas atividades, sem perder a liberdades e sua identidade \u00e9tnica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM POVO FOR\u00c7ADO A SER SEDENT\u00c1RIO, MAS QUE SEMPRE VIVIA EM CORRERIAS, FUGINDO DOS PRECONCEITOS E DAS LEIS RIGOROSAS PARA SALVAR SUAS IDENTIDADES CULTURAIS. A LIGA\u00c7\u00c3O ENTRE O ROMANI E O HINDI, A VIS\u00c3O DOS MOVIMENTOS ROM\u00c2NTICOS (O FLAMENCO), OS PROTESTANTES E A QUEDA PELA M\u00daSICA E OS IMPACTOS DA INDUSTRIALIZA\u00c7\u00c3O EM SUA VIDAS. 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