{"id":522,"date":"2014-09-30T22:54:42","date_gmt":"2014-10-01T01:54:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=522"},"modified":"2014-09-30T22:54:51","modified_gmt":"2014-10-01T01:54:51","slug":"itamar-indica-e-comenta-artigo-de-orlando-senna-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/09\/30\/itamar-indica-e-comenta-artigo-de-orlando-senna-2\/","title":{"rendered":"ITAMAR INDICA E COMENTA ARTIGO DE ORLANDO SENNA"},"content":{"rendered":"<p>Faltam poucos dias para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do Brasil e n\u00e3o creio que, at\u00e9 l\u00e1, apare\u00e7am novidades importantes sobre a quest\u00e3o audiovisual, seja nas manifesta\u00e7\u00f5es do setor, seja nos programas de governo das principais candidatas, Dilma e Marina. Os artistas, trabalhadores e empres\u00e1rios do ramo fizeram sugest\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es, as mais recentes no Festival de Bras\u00edlia (o documento \u201cPor uma primavera do audiovisual brasileiro\u201d, com divulga\u00e7\u00e3o na internet). As candidatas n\u00e3o fizeram mudan\u00e7as no que j\u00e1 estava dito em seus planos de governo, tamb\u00e9m bastante divulgados e resenhados neste blog, onde dediquei dois artigos sobre o assunto.<\/p>\n<p>A minha opini\u00e3o \u00e9 que o pr\u00f3ximo governo deve fortalecer ainda mais a Ancine-Ag\u00eancia Nacional de Cinema e sua pol\u00edtica de expans\u00e3o da atividade e, ao mesmo tempo, debelar a crise de crescimento da institui\u00e7\u00e3o, promovendo ajustes preventivos e cir\u00fargicos principalmente no que se refere \u00e0 burocracia; que a prioridade da ag\u00eancia seja a veicula\u00e7\u00e3o do conte\u00fado brasileiro em todas as m\u00eddias; que a Secretaria do Audiovisual do Minist\u00e9rio da Cultura volte a ter import\u00e2ncia estrat\u00e9gica e pol\u00edtica, com foco na cultura audiovisual e exercendo complementaridade com a Ancine, com foco no mercado; que o novo governo tenha a plena compreens\u00e3o da import\u00e2ncia medular do audiovisual na economia e nas soberanias nacionais no s\u00e9culo que vivemos e a intelig\u00eancia de promover um marco regulat\u00f3rio da atividade, abrangente, contempor\u00e2neo e democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>E que a aposta maior seja no poder de cria\u00e7\u00e3o, inven\u00e7\u00e3o e coragem de nossos artistas. Disto tive mais uma prova contundente nos \u00faltimos dias, participando do 47\u00ba Festival de Bras\u00edlia do Cinema Brasileiro. A curadoria do festival decidiu selecionar para a premia\u00e7\u00e3o oficial apenas filmes representativos da mais recente onda art\u00edstica nacional, uma gera\u00e7\u00e3o com novas propostas quando ainda estamos saboreando a onda anterior, o impactante cinema de Cl\u00e1udio Assis, Karim Ainoux, S\u00e9rgio Machado, Marcelo Gomes, L\u00edrio Ferreira, Paulo Caldas, Cl\u00e9ber Mendon\u00e7a Filho, Hilton Lacerda, Cao Guimar\u00e3es, Jos\u00e9 Padilha e outros brilhantes cineastas.<\/p>\n<p><!--more-->A nov\u00edssima onda radicaliza a experimenta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, abole totalmente os limites entre realidade e fic\u00e7\u00e3o, elabora uma sofisticada populariza\u00e7\u00e3o da linguagem que se confunde com amadorismo (no sentido de fazer com amor), levam ao extremo a incorpora\u00e7\u00e3o dos baixos or\u00e7amentos a essa linguagem, levam o espectador a exageros de risos e l\u00e1grimas. \u201cCinema de risco\u201d ou \u201co nicho mais experimental do cinema brasileiro\u201d, como definiu o cr\u00edtico Luiz Zanin. \u201cA est\u00e9tica da sucata\u201d, como disse o ator e poeta Emmanuel Cavalcanti.<\/p>\n<p>A maioria dos nov\u00edssimos cineastas s\u00e3o oriundos da baixa classe m\u00e9dia e das periferias, alguns da classe m\u00e9dia, mas o tema \u00e9 sempre um Brasil profundo. N\u00e3o tenho espa\u00e7o para dizer tudo que me vai na alma sobre essa turma, nem sobre todos os filmes exibidos. Acho que foi mais um Festival de Bras\u00edlia \u201chist\u00f3rico\u201d, como outros que aconteceram nesse evento caracterizado pela politiza\u00e7\u00e3o (linguagem \u00e9 pol\u00edtica). O enorme entusiasmo dos espectadores brasilienses e as d\u00favidas de intelectuais e cineastas veteranos autorizam essa profecia. Sugiro que voc\u00eas vejam, o quanto antes, os dois filmes mais premiados pelo j\u00fari oficial: a efervescente met\u00e1fora <em>Brasil S\/A<\/em> de Marcelo Pedroso e o mix de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e crua realidade <em>Branco sai. Preto fica<\/em> de Adirley Queir\u00f3s, grande vencedor do festival.<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o? O papo dessa turma \u00e9 diferente. Adirley disse \u00e0 m\u00eddia que seu filme pode ser visto por sete bilh\u00f5es de pessoas (referindo-se \u00e0s redes sociais, claro) mas tamb\u00e9m vai vender c\u00f3pias nas feiras populares. Grana para produ\u00e7\u00e3o? \u00c9 um papo mais diferente ainda. O \u00faltimo ato da turma no festival foi dividir o pr\u00eamio de melhor filme, 250 mil reais, por todos os seis concorrentes de longa-metragem. Foi uma como\u00e7\u00e3o na plateia. Nunca coisa igual aconteceu antes no cinema brasileiro, qui\u00e7\u00e1 no cinema universal.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p>Coment\u00e1rio de Itamar:<\/p>\n<p>Saliento que o avan\u00e7o observado e divulgado no setor do Cinema e Audiovisual no Brasil, durante os governos de Lula e Dilma, se deve em muito \u00e0 passagem de Orlando Senna nos cargos de Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008).<\/p>\n<p>Alguns Dados Biogr\u00e1ficos: Itamar e Orlando Senna<\/p>\n<p>Orlando Senna nasceu em Afr\u00e2nio Peixoto, munic\u00edpio de Len\u00e7\u00f3is Bahia. Jornalista, roteirista, escritor e cineasta, premiado nos festivais de Cannes, Figueira da Foz, Taormina, P\u00e9saro, Havana, Porto Rico, Brasilia, Rio Cine. Entre seus filmes mais conhecidos est\u00e3o Diamante Bruto e o cl\u00e1ssico do cinema brasileiro, Iracema. Foi diretor da Escola Internacional de Cinema e Televis\u00e3o de San Antonio de los Ba\u00f1os e do Instituto Drag\u00e3o do Mar, Secret\u00e1rio Nacional do Audiovisual (2003\/2007) e Diretor Geral da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 TV Brasil (2007\/2008). Atualmente e presidente da TAL \u2013 Televis\u00e3o Am\u00e9rica Latina e membro do Conselho Superior da Fundacion del Nuevo Cine Latinoamericano.<\/p>\n<p>Itamar Pereira de Aguiar nasceu em Iraquara &#8211; Bahia; concluiu o Gin\u00e1sio e Escola Normal em Len\u00e7\u00f3is, onde foi Diretor de Col\u00e9gio do 1\u00ba e 2\u00ba graus (1974\/1979); graduado em Filosofia, pela UFBA em 1979; Mestre em 1999 e Doutor em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 2007, pela PUC\/SP; P\u00f3s doutorando em Ci\u00eancias Sociais \u2013 Antropologia \u2013 pela UNESP campus de Mar\u00edlia \u2013 SP. Professor Titula da Universidade Estadual do Sudoeste do Estado da Bahia \u2013 UESB; elaborou com outros colegas os projetos e liderou o processo de cria\u00e7\u00e3o dos cursos de Licenciatura em Filosofia, Cinema e Audiovisual\/UESB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faltam poucos dias para as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do Brasil e n\u00e3o creio que, at\u00e9 l\u00e1, apare\u00e7am novidades importantes sobre a quest\u00e3o audiovisual, seja nas manifesta\u00e7\u00f5es do setor, seja nos programas de governo das principais candidatas, Dilma e Marina. 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