{"id":5156,"date":"2020-11-11T22:33:19","date_gmt":"2020-11-12T01:33:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5156"},"modified":"2020-11-11T22:34:01","modified_gmt":"2020-11-12T01:34:01","slug":"o-futuro-da-historia-humana-como-ciencia-que-o-brasil-renega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/11\/11\/o-futuro-da-historia-humana-como-ciencia-que-o-brasil-renega\/","title":{"rendered":"&#8220;O FUTURO DA HIST\u00d3RIA HUMANA COMO CI\u00caNCIA&#8221;, QUE O BRASIL RENEGA"},"content":{"rendered":"<p>\u201cEm tempos antigos, grande parte do Crescente F\u00e9rtil (Iraque entre os rios Eufrates e Tigre) e da regi\u00e3o mediterr\u00e2nea oriental, incluindo a Gr\u00e9cia, eram cobertas de florestas. A transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, de um bosque f\u00e9rtil em arbustos carcomidos ou desertos foi esclarecida por paleobot\u00e2nicos e arque\u00f3logos. Suas florestas foram derrubadas para a agricultura, ou cortadas para a obten\u00e7\u00e3o de madeira para constru\u00e7\u00e3o, ou queimadas como lenha. Por causa da baixa pluviosidade e, consequentemente, baixa produtividade prim\u00e1ria (poucas chuvas), a recupera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguia acompanha o ritmo de sua destrui\u00e7\u00e3o, principalmente pela presen\u00e7a de muitas cabras pastando. Sem as \u00e1rvores e a cobertura de grama, sobreveio a eros\u00e3o, e os vales encheram-se de lodo, enquanto a agricultura de irriga\u00e7\u00e3o, num ambiente de baixa pluviosidade, favorecia a saliniza\u00e7\u00e3o. Esses processos que come\u00e7aram na era neol\u00edtica, continuaram nos tempos modernos. Por exemplo, as \u00faltimas florestas perto da antiga capital de Petra, na moderna Jord\u00e2nia, foram derrubadas pelos turcos otomanos durante a constru\u00e7\u00e3o da rodovia de Hejaz, pouco antes da Primeira Guerra Mundial\u201d.<\/p>\n<p>\u201cGrandes \u00e1reas do antigo Crescente F\u00e9rtil s\u00e3o agora des\u00e9rticas, semides\u00e9rticas, estepes, solos muito erodidos ou salinizados, impr\u00f3prios para a agricultura. A atual riqueza ef\u00eamera de alguns pa\u00edses da regi\u00e3o, baseadas num \u00fanico recurso n\u00e3o-renov\u00e1vel \u2013 o petr\u00f3leo &#8211;\u00a0 oculta a pobreza fundamental que vem de longa data\u201d. O Saara africano tamb\u00e9m j\u00e1 foi f\u00e9rtil, rico em \u00e1gua, agricult\u00e1vel e abundante em animais silvestres. A depreda\u00e7\u00e3o transformou a regi\u00e3o num dos maiores desertos do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0880.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5157\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0880.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0880.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0880-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>PANTANAL E AMAZ\u00d4NIA EM DESERTOS<\/p>\n<p>Estes textos foram extra\u00eddos do livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, do autor cientista e pesquisador Jared Diamond, mas podem servir de exemplo e li\u00e7\u00e3o para o Brasil de hoje que est\u00e1 derrubando e queimando suas florestas, principalmente do Pantanal e da Amaz\u00f4nia. No ritmo de destrui\u00e7\u00e3o, num futuro n\u00e3o muito longo, essas regi\u00f5es podem se transforma em desertos depois de serem usadas para planta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e pastagens para cria\u00e7\u00e3o de gado. N\u00e3o mais haver\u00e1 \u00e1gua em abund\u00e2ncia e animais silvestres. O problema \u00e9 que os b\u00e1rbaros de hoje negam a ci\u00eancia, o aquecimento global e querem que tudo arda em chamas e cinzas, tudo pelo dinheiro, pelo capital.<\/p>\n<p>Quanto ao Crescente F\u00e9rtil, Diamond afirma que cometeram um suic\u00eddio ecol\u00f3gico, destruindo sua pr\u00f3pria base de recursos. Destaca que a Europa setentrional e ocidental foi poupada deste destino, porque tiveram a sorte de viver em um ambiente mais resistente, com mais chuvas, em que a vegeta\u00e7\u00e3o volta a crescer depressa. Para o pesquisador, a diferen\u00e7a nos ambientes de cada povo dita as regras. \u201cAs desigualdades nem sempre podem ser atribu\u00eddas \u00e0 diferen\u00e7a inata dos pr\u00f3prios povos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com ele, se as popula\u00e7\u00f5es da Austr\u00e1lia abor\u00edgine e da Eur\u00e1sia tivessem sido trocadas durante o fim da era pleistocena, os abor\u00edgines australianos originais seriam hoje os ocupantes da maior parte das Am\u00e9ricas e da Austr\u00e1lia, assim como da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>Como exemplo disso, ele cita o que aconteceu quando os agricultores europeus foram transferidos para a Groel\u00e2ndia, ou para as Grandes Plan\u00edcies dos Estados Unidos, e quando os produtores da China foram para as ilhas Chatham, as florestas tropicais do Born\u00e9u, ou os solos vulc\u00e2nicos de Java e Hava\u00ed. Os testes confirmaram que os mesmos povos ancestrais terminaram extintos, ou voltaram a viver como ca\u00e7adores-coletores.<\/p>\n<p>AS DIFEREN\u00c7AS CONTINENTAIS<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0879.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5158\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0879.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"345\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0879.jpg 230w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/IMG_0879-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A mesma coisa ocorreu com os ca\u00e7adores-coletores abor\u00edgines da Austr\u00e1lia quando foram transferidos para as ilhas Flinders, ou para a Tasm\u00e2nia. Acabaram extintos. \u201cOs continentes diferem em in\u00fameras caracter\u00edsticas ambientais que afetam as trajet\u00f3rias das sociedades humanas. O primeiro conjunto consiste nas diferen\u00e7as continentais entre as esp\u00e9cies selvagens de plantas e animais dispon\u00edveis como material inicial para a domestica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos era decisiva para acumular excedentes que poderiam alimentar os especialistas n\u00e3o-produtores, e para a forma\u00e7\u00e3o de grandes popula\u00e7\u00f5es que disfrutam de uma vantagem militar, antes de qualquer vantagem tecnol\u00f3gica e pol\u00edtica. Sobre as extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies selvagens candidatas \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o, Diamond concluiu que elas foram muito mais graves na Austr\u00e1lia e nas Am\u00e9ricas do que na Eur\u00e1sia e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Outro fator de diferen\u00e7as que afetam as trajet\u00f3rias humanas, conforme seus estudos, est\u00e1 naqueles que influem no ritmo de difus\u00e3o e migra\u00e7\u00e3o que variava muito entre os continentes. \u00a0Foi muito mais r\u00e1pido na Eur\u00e1sia. Outro fator que influi \u00e9 a facilidade de difus\u00e3o intercontinental, que era vari\u00e1vel. Alguns continentes s\u00e3o mais isolados do quer outros. Nos \u00faltimos seus mil anos ela foi mais f\u00e1cil da Eur\u00e1sia para a \u00c1frica subsaariana. O quarto e \u00faltimo fator \u00e9 formado pelas diferen\u00e7as continentais em \u00e1rea, ou tamanho da popula\u00e7\u00e3o total. Uma \u00e1rea maior, ou uma popula\u00e7\u00e3o maior, significam mais inventores potenciais e mais sociedades competindo entre si.<\/p>\n<p>Para Diamond, foi isso que ocorreu com os pigmeus africanos e com muitas outras popula\u00e7\u00f5es de ca\u00e7adores-coletores expulsas por agricultores. Em contrapartida, o mesmo aconteceu com os conservadores produtores escandinavos na Groel\u00e2ndia, substitu\u00eddos por ca\u00e7adores esquim\u00f3s, cujos m\u00e9todos de subsist\u00eancia e tecnologia eram muito superiores aos dos escandinavos nas condi\u00e7\u00f5es existentes na Groel\u00e2ndia.<\/p>\n<p>CONDI\u00c7\u00d5ES AMBIENTAIS<\/p>\n<p><!--more--> Na sua avalia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, alguns ambientes oferecem mais materiais para come\u00e7ar e condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para a utiliza\u00e7\u00e3o dos inventos, do que outras. \u201cUm historiador que tivesse vivido em qualquer per\u00edodo entre 8.500 a.C. e 1450, e que tivesse tentado prever as futuras trajet\u00f3rias hist\u00f3ricas, teria considerado o predom\u00ednio europeu como o resultado menos prov\u00e1vel, pois a Europa era a mais atrasada das tr\u00eas regi\u00f5es do Velho Mundo durante grande parte desses dez mil anos\u201d.<\/p>\n<p>De 8.500 a.C. at\u00e9 a ascens\u00e3o da Gr\u00e9cia, e em seguida a da It\u00e1lia, depois de 500 a.C., quase todas as principais inova\u00e7\u00f5es na Eur\u00e1sia ocidental surgiram no Crescente F\u00e9rtil, ou perto dele. At\u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o dos moinhos movidos a \u00e1gua, depois do ano 900, a Europa n\u00e3o deu nenhuma contribui\u00e7\u00e3o importante para a tecnologia, ou a civiliza\u00e7\u00e3o do Velho Mundo. A Europa era uma receptora dos progressos do mediterr\u00e2neo oriental do Crescente F\u00e9rtil e da China \u2013 conforme destaca o autor do livro.<\/p>\n<p>Ele completa que, mesmo no per\u00edodo de 1.000 a 1450, o fluxo predominante de ci\u00eancia e tecnologia era para a Europa, a partir das sociedades isl\u00e2micas que se estendiam da \u00cdndia ao norte da \u00c1frica, e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Um dos fatores imediatos da ascens\u00e3o da Europa foi o desenvolvimento da classe mercantil, o capitalismo e a patente para proteger as inova\u00e7\u00f5es. Outro fator foi a sua tradi\u00e7\u00e3o grega-judaico-crist\u00e3 de investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Depois que perdeu suas vantagens, como regi\u00e3o de concentra\u00e7\u00e3o de plantas e de animais silvestres, o Crescente F\u00e9rtil n\u00e3o contava com outras instigantes de ordem geogr\u00e1fica. \u00a0Sem as vantagens, houve mudan\u00e7a de imp\u00e9rios poderosos para o oeste. \u00a0Ap\u00f3s a ascens\u00e3o dos estados, no quarto mil\u00eanio antes de Cristo, o centro do poder permaneceu no Crescente F\u00e9rtil, alternando-se entre imp\u00e9rios, como da Babil\u00f4nia, os hititas, a Ass\u00edria e a P\u00e9rsia.<\/p>\n<p>Coma conquista pela Gr\u00e9cia de todas as sociedades avan\u00e7adas, do leste da Gr\u00e9cia \u00e0 \u00cdndia, sob o comando de Alexandre, o Grande, no final do s\u00e9culo IV a.C., o poder fez sua primeira mudan\u00e7a para o oeste. Hoje, grandes \u00e1reas produtoras de alimentos s\u00e3o agora des\u00e9rticas. \u00a0Foi assim que o Crescente F\u00e9rtil perdeu sua lideran\u00e7a inicial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa.<\/p>\n<p>Outro ponto abordado pelo cientista \u00e9 quanto aos efeitos desencadeados pela desuni\u00e3o que ocorreu na Europa com os efeitos advindos da unidade da China. Esses efeitos prejudiciais foram desencadeados na China moderna durante a Revolu\u00e7\u00e3o Cultural, nas d\u00e9cadas de 1960 e 70. Por outro lado, a Europa nunca chegou a uma unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Por que a China perdeu a primazia pol\u00edtica e tecnol\u00f3gica para a Europa? A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 na unidade cr\u00f4nica da China e a desuni\u00e3o cr\u00f4nica na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEm tempos antigos, grande parte do Crescente F\u00e9rtil (Iraque entre os rios Eufrates e Tigre) e da regi\u00e3o mediterr\u00e2nea oriental, incluindo a Gr\u00e9cia, eram cobertas de florestas. A transforma\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, de um bosque f\u00e9rtil em arbustos carcomidos ou desertos foi esclarecida por paleobot\u00e2nicos e arque\u00f3logos. 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