{"id":5116,"date":"2020-11-03T01:20:47","date_gmt":"2020-11-03T04:20:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5116"},"modified":"2020-11-03T01:20:59","modified_gmt":"2020-11-03T04:20:59","slug":"as-culturas-domesticadas-e-as-linguas-ancestrais-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/11\/03\/as-culturas-domesticadas-e-as-linguas-ancestrais-da-africa\/","title":{"rendered":"AS CULTURAS DOMESTICADAS E AS L\u00cdNGUAS ANCESTRAIS DA \u00c1FRICA"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com o pesquisador Jared Diamond, as culturas da \u00c1frica Ocidental foram domesticadas primeiro. Depois vieram as da Indon\u00e9sia e, por \u00faltimo, as dos europeus. O historiador Christopher Ehret empregou a abordagem lingu\u00edstica para determinar a sequ\u00eancia em que as plantas e animais domesticados foram utilizados pelos povos de cada fam\u00edlia lingu\u00edstica africana.<\/p>\n<p>Em sua dedu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, Diamond escreve em seu livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7os\u201d, que os povos que estavam domesticando sorgo e milhete no Saara milhares de anos atr\u00e1s, falavam as l\u00ednguas ancestrais das l\u00ednguas Nilo-saarianas modernas. As evid\u00eancias permitem ter uma ideia da exist\u00eancia de tr\u00eas l\u00ednguas, como a Nilo-saariana, nigero-congol\u00eas e afro-asi\u00e1tica. A \u00c1frica abriga hoje 1.500 l\u00ednguas, incluindo a l\u00edngua austron\u00e9sia de Madagascar.<\/p>\n<p>\u00cdNDIA E EGITO \u00e0 COSTA DA \u00c1FRICA<\/p>\n<p>H\u00e1 milhares de anos, segundo um observador comerciante, existia um pr\u00f3spero com\u00e9rcio mar\u00edtimo que ligava a \u00cdndia e o Egito \u00e0 costa da \u00c1frica Oriental. Com a expans\u00e3o do Isl\u00e3, depois de 800, o com\u00e9rcio no Oceano \u00cdndico passa a ser arqueologicamente bem documentado por grandes quantidades de produtos como cer\u00e2mica, vidros e porcelana do Oriente M\u00e9dio e da China, encontrados em povoa\u00e7\u00f5es no litoral da \u00c1frica Oriental<\/p>\n<p>Quando o navegante portugu\u00eas Vasco da Gama, tornou-se o primeiro europeu a contornar o cabo sul da \u00c1frica, alcan\u00e7ando a costa do Qu\u00eania, em 1498, encontrou povoa\u00e7\u00f5es swahilis dedicadas ao com\u00e9rcio, e levou um timoneiro para gui\u00e1-lo naquela rota direta para a \u00cdndia. Havia um com\u00e9rcio intenso entre a \u00cdndia e a Indon\u00e9sia.<\/p>\n<p>A \u00c1frica Subsaariana nem sempre foi um continente negro, como pensamos hoje. Os pigmeus espalhavam-se pela floresta tropical da \u00c1frica Central, enquanto os coiss\u00e3s se localizavam nas \u00e1reas secas da \u00c1frica Subequatorial. Em Z\u00e2mbia, no norte da zona ocupada pelos coiss\u00e3s, os arque\u00f3logos acharam cr\u00e2nios de humanos semelhantes aos coiss\u00e3s modernos, assim como ferramentas de pedra parecidas com aquelas que eles ainda estavam fazendo a \u00e9poca em que os europeus chegaram \u00e0 \u00c1frica Meridional.<\/p>\n<p>A OCUPA\u00c7\u00c3O DOS BANTOS<\/p>\n<p>Como os bantos tomaram o lugar dos coiss\u00e3s do norte, ind\u00edcios sugerem que a expans\u00e3o dos ancestrais dos agricultores desse povo das savanas no interior da \u00c1frica Ocidental para o sul, em sua floresta litor\u00e2nea mais \u00famida, pode ter come\u00e7ado por volta de 3.000 a.C. Os bantos criavam gado e mantinham culturas, como o inhame. N\u00e3o conheciam o metal e ainda se dedicavam muito \u00e0 ca\u00e7a, \u00e0 pesca e \u00e0 coleta. \u00c1 medida que os bantos se espalhavam pela zona da floresta equatorial da bacia do Congo, faziam hortas e aumentavam em quantidade. Come\u00e7aram a subjugar os pigmeus ca\u00e7adores-coletores.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica Oriental, os bantos obtiveram o milhete e o sorgo, bem como o gado bovino de seus vizinhos nilo-saarianos e afro-asi\u00e1ticos. Os historiadores quase sempre acharam que o conhecimento da metalurgia chegou \u00e0 \u00c1frica Subsaariana a partir do norte. Por outro lado, a fundi\u00e7\u00e3o do cobre j\u00e1 era feita no Saara e no Sael, desde 2.000 a.C.<\/p>\n<p>Os ferreiros africanos descobriram como conseguir temperaturas nos fornos de suas aldeias e fabricar a\u00e7o mais de 2000 antes dos fornos do inventor ingl\u00eas Henry Bessemer, no s\u00e9culo XIX, na Europa e na Am\u00e9rica. Quando aprenderam a usar o metal, os bantos formaram um pacote militar-industrial insuper\u00e1vel na \u00c1frica subequatorial.<\/p>\n<p>Em poucos s\u00e9culos, num dos avan\u00e7os mais r\u00e1pidos da pr\u00e9-hist\u00f3ria, os agricultores bantos tinham limpado todo caminho at\u00e9 Natal na costa oriental da \u00c1frica do Sul. Segundo o pesquisador, certamente foram estabelecidas rela\u00e7\u00f5es comerciais e de casamento entre os coiss\u00e3s e os agricultores bantos. No entanto, sempre os bantos ocuparam a maior parte do espa\u00e7o anterior dos coiss\u00e3s.<\/p>\n<p>Os povos bantos do extremo sul, os xosas, foram at\u00e9 o Rio do Peixe, na costa sul da \u00c1frica do Sul, 800 quil\u00f4metros a leste da cidade do Cabo. Em 1652, ano em que os holandeses chegaram \u00e0 cidade do Cabo, trazendo suas culturas adequadas \u00e0s chuvas de inverno origin\u00e1rias do Oriente Pr\u00f3ximo, os xosas ainda n\u00e3o haviam ultrapassado o Rio do Peixe.<\/p>\n<p>OS BRANCOS E OS XOSAS<\/p>\n<p>Depois que os brancos sul-africanos mataram, contaminaram ou expulsaram as popula\u00e7\u00f5es coiss\u00e3s do Cabo, eles podiam alegar que haviam ocupado o Cabo antes dos bantos, e assim reivindicar direitos anteriores. Embora os europeus pudessem abastecer suas tropas atrav\u00e9s do Cabo, foram necess\u00e1rias nove guerras e 175 anos para que seus ex\u00e9rcitos subjugassem os xosas.<\/p>\n<p><!--more--> A \u00c1frica foi o \u00fanico ber\u00e7o da evolu\u00e7\u00e3o humana durante milh\u00f5es de anos, como talvez tenha sido a p\u00e1tria do Homo Sapiens anatomicamente moderno. A \u00c1frica possui a maior diversidade humana do mundo. Do mesmo jeito do encontro com os amer\u00edndios, os europeus que chegaram \u00e0 \u00c1frica, levaram a tripla vantagem de armas,\u00a0 de outras tecnologias, da alfabetiza\u00e7\u00e3o e da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necess\u00e1rios para sustentar os programa de explora\u00e7\u00e3o e conquistas.<\/p>\n<p>Quatro anos depois de Vasco da Gama chegar \u00e0 costa oriental da \u00c1frica, em 1498, ele voltou com uma frota cheia de canh\u00f5es para for\u00e7ar a rendi\u00e7\u00e3o do povo mais importante da \u00c1frica Oriental, Kilwa, que controlava o com\u00e9rcio de ouro do Zimb\u00e1bue.<\/p>\n<p>As vacas, as cabras, as ovelhas, os porcos, os cavalos nativos da Eur\u00e1sia estavam entre as poucas esp\u00e9cies de grandes animais selvagens que passaram em todos os testes de domestica\u00e7\u00e3o, como d\u00f3cil, submisso, imune a doen\u00e7as e crescimento r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Conforme explica o autor do livro, se os rinocerontes e os hipop\u00f3tamos da \u00c1frica tivessem sido domesticados, n\u00e3o s\u00f3 teriam alimentado os ex\u00e9rcitos, mas tamb\u00e9m constitu\u00eddo uma cavalaria imbat\u00edvel para atravessar as fileiras de cavaleiros europeus.<\/p>\n<p>AS VANTAGENS DA EUR\u00c1SIA<\/p>\n<p>O Sael, a Eti\u00f3pia e a \u00c1frica Ocidental produziram culturas nativas, mas com muito menos variedades do que as cultivadas na Eur\u00e1sia, que sempre levou a maior vantagem em termos de domestica\u00e7\u00e3o de plantas e animais. Outro fator por tr\u00e1s do ritmo mais lento no desenvolvimento da \u00c1frica em compara\u00e7\u00e3o com a Eur\u00e1sia, \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o diferente dos eixos principais destes continentes. O eixo principal da \u00c1frica \u00e9 norte-sul e o da Eur\u00e1sia \u00e9 leste-oeste.<\/p>\n<p>O trigo e a cevada do Egito s\u00f3 chegaram ao clima mediterr\u00e2neo no Cabo da Boa Esperan\u00e7a quando os europeus os levaram, em 1652, e os coiss\u00e3s nunca desenvolveram a agricultura. \u00a0Embora os cavalos j\u00e1 tivessem chegado ao Egito por volta de 1.800 a.C., e provocado a modifica\u00e7\u00e3o da guerra norte-africana logo depois disso, eles s\u00f3 cruzaram o Saara para impedir a ascens\u00e3o de reinos africanos ocidentais com cavalaria montada no primeiro mil\u00eanio, e nunca seguiram para o sul onde existia a mosca africana ts\u00e9-ts\u00e9.<\/p>\n<p>A tecnologia humana foi igualmente lenta para se expandir para o eixo norte-sul da \u00c1frica. A cer\u00e2mica, registrada no Sud\u00e3o e no Saara, por volta de 8000 a.C., s\u00f3 chegou ao Cabo por volta do ano I \u201cA coloniza\u00e7\u00e3o europeia da \u00c1frica nada teve a ver com as diferen\u00e7as entre os povos africanos e europeus, como presumem os racistas brancos. Ela ocorreu em virtude de acidentes geogr\u00e1ficos e biogeogr\u00e1ficos, particularmente, as diferen\u00e7as entre as \u00e1reas dos continentes, os eixos e o conjunto de esp\u00e9cies de plantas e animais selvagens\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com o pesquisador Jared Diamond, as culturas da \u00c1frica Ocidental foram domesticadas primeiro. Depois vieram as da Indon\u00e9sia e, por \u00faltimo, as dos europeus. O historiador Christopher Ehret empregou a abordagem lingu\u00edstica para determinar a sequ\u00eancia em que as plantas e animais domesticados foram utilizados pelos povos de cada fam\u00edlia lingu\u00edstica africana. 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