{"id":5100,"date":"2020-10-26T23:44:51","date_gmt":"2020-10-27T02:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5100"},"modified":"2020-10-26T23:45:04","modified_gmt":"2020-10-27T02:45:04","slug":"as-linguas-semiticas-e-a-afro-asiatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/10\/26\/as-linguas-semiticas-e-a-afro-asiatica\/","title":{"rendered":"AS L\u00cdNGUAS SEM\u00cdTICAS E A AFRO-ASI\u00c1TICA"},"content":{"rendered":"<p>De acordo com estudiosos, as l\u00ednguas sem\u00edticas formam apenas uma das seis ou mais ramifica\u00e7\u00f5es de uma fam\u00edlia de l\u00ednguas muito maior que \u00e9 a afro-asi\u00e1tica, localizadas na \u00c1frica. A pr\u00f3pria subfam\u00edlia sem\u00edtica \u00e9 africana (12 de suas 19 l\u00ednguas sobreviventes est\u00e3o restritas \u00e0 Eti\u00f3pia). As l\u00ednguas afro-asi\u00e1ticas surgiram na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Segundo o autor do livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, Jared Diamond, talvez tenham surgido na \u00c1frica as l\u00ednguas faladas pelos autores do Velho e do Novo Testamento e do Alcor\u00e3o, os pilares morais da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, com as tr\u00eas maiores religi\u00f5es crist\u00e3, judaica e isl\u00e3.<\/p>\n<p>SEM L\u00cdNGUAS DISTINTAS<\/p>\n<p>Destaca o cientista que, entre os cinco grupos africanos (negros, brancos, pigmeus, coiss\u00e3s e indon\u00e9sio), apenas os pigmeus n\u00e3o t\u00eam l\u00ednguas distintas. O local de suas origens foi tomado por agricultores invasores, cujas l\u00ednguas foram adotadas por pigmeus sobreviventes. O mesmo ocorreu com os negritos malaios e filipinos, que adotaram l\u00ednguas austro-asi\u00e1ticas e austron\u00e9sia.<\/p>\n<p>Muitos falantes dessas l\u00ednguas, conforme seus estudos, foram subjugados por falantes das l\u00ednguas afro-asi\u00e1tica, ou nigero-congoleses. As coiss\u00e3s ficaram restritas \u00e0 \u00c1frica meridional. Os coiss\u00e3s e suas l\u00ednguas, antes espalhados no extremo norte de sua atual distribui\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, assim como os pigmeus, foram tamb\u00e9m subjugados pelos negros e deixaram legados apenas lingu\u00edsticos de suas presen\u00e7as.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia lingu\u00edstica nigero-congolesa est\u00e1 em toda \u00c1frica Ocidental e pela maior parte da \u00c1frica subequatorial, n\u00e3o oferecendo nenhum ind\u00edcio do lugar onde a fam\u00edlia se originou. No entanto, um pesquisador reconheceu que todas as l\u00ednguas nigero-congolesas da \u00c1frica subequatorial pertencem a um \u00fanico subgrupo chamado de banto, que abrange quase a metade das 1.032 l\u00ednguas nigero-congolesa e mais da metade de seus falantes.<\/p>\n<p>As l\u00ednguas bantas mais caracter\u00edsticas, e as n\u00e3o bantas acumulam-se na \u00e1rea de Camar\u00f5es e da Nig\u00e9ria Oriental. Todos esses dialetos ingleses, na concep\u00e7\u00e3o de Diamond, foram apenas um subgrupo de ordem inferior da fam\u00edlia de l\u00ednguas germ\u00e2nicas. Os demais subgrupos (escandinavas, alem\u00e3s e holandesa) aglomeram-se no noroeste da Europa. O ingl\u00eas surgiu dessa localidade, e de l\u00e1 espalhou-se pelo mundo.<\/p>\n<p>Registros hist\u00f3ricos d\u00e3o conta que o ingl\u00eas foi realmente levado de l\u00e1 para a Inglaterra por invasores anglo-sax\u00f5es nos s\u00e9culos V e VI. Nessa linha de racioc\u00ednio, os quase 200 milh\u00f5es de bantos, praticamente expulsos do mapa da \u00c1frica, surgiram em Camar\u00f5es e na Nig\u00e9ria. No passado, a \u00e1rea ocupada por pigmeus e coiss\u00e3s era bem mais ampla, at\u00e9 serem dominados pelos negros.<\/p>\n<p>QUANDO OS EUROPEUS CHEGARAM<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de alimentos resultou em altas densidades demogr\u00e1ficas, germes, tecnologia, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e outros ingredientes do poder. Quando os europeus chegaram \u00e0 \u00c1frica subsaariana, nos anos 1400, os africanos estavam desenvolvendo cinco grupos de culturas agr\u00edcolas, cada qual cheia de significados para a hist\u00f3ria desse povo.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 A partir de provas arqueol\u00f3gicas, sabe-se que essas culturas foram domesticadas, pela primeira vez, no Crescente F\u00e9rtil (cereais, trigo, cevada) h\u00e1 cerca de 10 mil anos. Essas culturas se espalharam por \u00e1reas adjacentes do norte da \u00c1frica, de clima semelhante, e fincaram suas ra\u00edzes para a ascens\u00e3o da antiga civiliza\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia. Entre elas haviam culturas, como o trigo, cevada, ervilha, o feij\u00e3o e as uvas. O sorgo e o milho se tornaram os principais cereais da maior parte da \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<p>Muitas plantas silvestres s\u00e3o ainda cultivadas na Eti\u00f3pia, como as consideradas narc\u00f3ticos, o ensete parecido com a banana, o noog oleoso, usado para fermentar a sua cerveja nacional, e o cereal de min\u00fasculas sementes chamado teff. Tem ainda o caf\u00e9 que foi domesticado naquele pa\u00eds onde permaneceu restrito \u00e0 sua terra at\u00e9 que teve \u00eaxito na Ar\u00e1bia, e depois no mundo inteiro.<\/p>\n<p>Outras culturas que surgiram no clima \u00famido foi o arroz africano, bem como o inhame, o \u00f3leo de palma e o noz-de-cola que chegaram a outros continentes. Outros grupos do clima \u00famido foram a banana, o inhame asi\u00e1tico e o branco que j\u00e1 estavam disseminados na \u00c1frica subsaariana nos anos 1400. Tem ainda o arroz asi\u00e1tico que estava fixado na costa da \u00c1frica Oriental.<\/p>\n<p>Outra surpresa \u00e9 que todas as culturas nativas da \u00c1frica (as do Sael, da Eti\u00f3pia e da \u00c1frica Ocidental) t\u00eam origem ao norte do equador. Nem um s\u00f3 produto agr\u00edcola africano tem sua origem no sul. \u201cNem os agricultores bantos, nem brancos, herdeiros de milhares de anos de experi\u00eancia, foram capazes de converter plantas nativas do sul da \u00c1frica em cultivos.<\/p>\n<p>SURGIU NO SAARA<\/p>\n<p>O \u00fanico animal que foi domesticado na \u00c1frica foi um p\u00e1ssaro parecido com o peru, chamado com galinha-da-guin\u00e9, ou galinha-d\u00b4angola. Os ancestrais selvagens dos bois, burros, porcos, cachorros e gatos domesticados eram nativos do norte da \u00c1frica, mas tamb\u00e9m do sudeste da \u00c1sia. Tudo indica que os burros e os gatos vieram do Egito. A vaca pode ter sido domesticada na \u00c1frica, na \u00c1sia ou na \u00cdndia. As ovelhas e as cabras africanas foram domesticadas no sudeste da \u00c1sia, bem como as galinhas e os cavalos (R\u00fassia) e os camelos, provavelmente na Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>De acordo com Diamond, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o come\u00e7ou no antigo Vale do Nilo, terra dos fara\u00f3s e das pir\u00e2mides. Na verdade, conforme pesquisas arqueol\u00f3gicas, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos na \u00c1frica surgiu no Saara. Hoje, a maior parte do Saara \u00e9 t\u00e3o seca que nem grama nasce, mas entre 9000 e 4000 a.C., o Saara era mais \u00famido, tinha muitos lagos e ca\u00e7a em abund\u00e2ncia. A atividade pastoril por l\u00e1 \u00e9 anterior a 5.200 a.C., antes da chegada da produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Egito.<\/p>\n<p>As culturas do Novo Mundo, como o milho e o amendoim foram introduzidos na \u00c1frica depois do come\u00e7o do tr\u00e1fego transatl\u00e2ntico de embarca\u00e7\u00f5es (1492) e difundidas ao longo das rotas do com\u00e9rcio, quase sempre carregando seu nome em portugu\u00eas, ou outros estrangeiros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De acordo com estudiosos, as l\u00ednguas sem\u00edticas formam apenas uma das seis ou mais ramifica\u00e7\u00f5es de uma fam\u00edlia de l\u00ednguas muito maior que \u00e9 a afro-asi\u00e1tica, localizadas na \u00c1frica. A pr\u00f3pria subfam\u00edlia sem\u00edtica \u00e9 africana (12 de suas 19 l\u00ednguas sobreviventes est\u00e3o restritas \u00e0 Eti\u00f3pia). As l\u00ednguas afro-asi\u00e1ticas surgiram na \u00c1frica. 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