{"id":5036,"date":"2020-10-06T00:04:59","date_gmt":"2020-10-06T03:04:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5036"},"modified":"2020-10-06T00:05:15","modified_gmt":"2020-10-06T03:05:15","slug":"uma-comparacao-entre-as-sociedades-eurasianas-e-amerindias-a-partir-de-1492","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/10\/06\/uma-comparacao-entre-as-sociedades-eurasianas-e-amerindias-a-partir-de-1492\/","title":{"rendered":"UMA COMPARA\u00c7\u00c3O ENTRE AS SOCIEDADES EURASIANAS E AMER\u00cdNDIAS A PARTIR DE 1492"},"content":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cA Colis\u00e3o dos Hemisf\u00e9rios\u201d, o cientista e pesquisador Jared Diamond, em seu livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, fala do encontro dos povos amer\u00edndios e eurasianos, dizendo que tudo come\u00e7ou quando o ex\u00e9rcito de Pizarro capturou o imperador inca Ataualpa, governante absoluto do maior, mais rico, mais populoso e avan\u00e7ado Estado americano nativo.<\/p>\n<p>Destaca que a diferen\u00e7a mais marcante entre a produ\u00e7\u00e3o de alimentos americana e a eurasiana eram as esp\u00e9cies de grandes mam\u00edferos dom\u00e9sticos. At\u00e9 que as rodas hidr\u00e1ulicas e os cataventos come\u00e7assem a substituir os mam\u00edferos da Eur\u00e1sia na \u00e9poca medieval, esses grandes animais tamb\u00e9m foram fonte principal da for\u00e7a industrial, movendo os moinhos e puxando \u00e1gua.<\/p>\n<p>A LHAMA\/ALPACA<\/p>\n<p>Quanto as Am\u00e9ricas, s\u00f3 existia a Lhama\/Alpaca numa pequena \u00e1rea dos Andes. Embora sua carne e l\u00e3 fossem aproveitados e utilizadas para o transporte de mercadorias, nunca produziu leite para o consumo humano, n\u00e3o carregava o nativo, n\u00e3o puxava arado, nem servia como fonte de energia.<\/p>\n<p>De acordo com Jared, existem muitas diferen\u00e7as entre os amer\u00edndios e os eurasianos, em parte causada pela extin\u00e7\u00e3o da maioria das esp\u00e9cies da Am\u00e9rica do Norte e do Sul. N\u00e3o fosse isso, a hist\u00f3ria moderna poderia ter tomado outro rumo. Quando Cortez desembarcou na costa mexicana, em 1519, poderia ter sido mandado de volta ao mar pelos milhares de nativos montados em seus cavalos.<\/p>\n<p>\u201cEssas extin\u00e7\u00f5es acabaram deixando a Eur\u00e1sia com muito mais candidatos selvagens \u00e0 domestica\u00e7\u00e3o do que as Am\u00e9ricas. Os dois hemisf\u00e9rios haviam domesticado pequenos mam\u00edferos. O peru, porquinho-da-\u00edndia, o pato-do mato e o c\u00e3o nas Am\u00e9ricas. Galinhas, gansos, patos, gatos, c\u00e3es, abelhas e bichos-da-seda na Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>O autor da obra conta que, em 1492, a agricultura estava difundida na Eur\u00e1sia. Entre os ca\u00e7adores-coletores estavam os ainos do norte do Jap\u00e3o, as sociedades siberianas sem renas e os pequenos grupos espalhados pelas florestas da \u00cdndia e do sudeste da \u00c1sia, comerciando com vizinhos. A agricultura tamb\u00e9m estava nas Am\u00e9ricas, mas os ca\u00e7adores ocupavam espa\u00e7os maiores do que na Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica do Sul, as plan\u00edcies canadenses e parte setentrional da Am\u00e9rica do Norte n\u00e3o tinham produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Depois da chegada dos europeus, essas partes passaram a ser produtivas, inclusive o trigo no Canad\u00e1, na Argentina e no Chile na zona temperada. A inexist\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de alimentos era em raz\u00e3o da escassez de animais, de plantas dom\u00e9sticas e as barreiras geogr\u00e1ficas e ecol\u00f3gicas nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Essas terras tornaram-se produtivas para os colonos europeus e tamb\u00e9m para amer\u00edndios, assim que os invasores introduziram culturas agr\u00edcolas e animais dom\u00e9sticos. Nas regi\u00f5es das Am\u00e9ricas, a agricultura era refreada por desvantagens em face da lavoura eurasiana. O milho das Am\u00e9ricas tinha baixo teor proteico, em vez dos cereais da Eur\u00e1sia. Contava ainda o trabalho manual individual, em vez de amplas semeaduras com o arado.<\/p>\n<p>MAIS CALORIAS<\/p>\n<p>\u201cEssas diferen\u00e7as sugerem que a agricultura eurasiana, a partir de 1492, deve ter produzido, na m\u00e9dia, mais calorias e prote\u00ednas por homem\/hora trabalhada do que a amer\u00edndia. Essas diferen\u00e7as representam causa importante e decisiva das desigualdades entre as duas sociedades\u201d. Entre os fatores imediatos por tr\u00e1s das conquistas, o mais importante inclu\u00eda diferen\u00e7as nos germes, na tecnologia, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e na escrita. Os germes foram os que mais pesaram.<\/p>\n<p>Contra os germes, como a gripe, var\u00edola, sarampo, peste bub\u00f4nica, tuberculose, tifo, c\u00f3lera e mal\u00e1rias, os eurasianos desenvolveram resist\u00eancia. Foram os maiores assassinos da hist\u00f3ria que contaminaram os amer\u00edndios, os quais contra\u00edram poucos micr\u00f3bios porque as aldeias s\u00f3 surgiram milhares de anos depois de seu aparecimento na Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>Outro motivo dos amer\u00edndios serem livres dessas doen\u00e7as \u00e9 que as regi\u00f5es dos Andes, a Mesoam\u00e9rica e o sudeste dos Estados Unidos n\u00e3o eram ligadas entre si por um com\u00e9rcio volumoso como o que levou a peste, a gripe e a var\u00edola da \u00c1sia para a Europa.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as tecnol\u00f3gicas entre um hemisf\u00e9rio e outro estavam na hist\u00f3ria mais longa da Eur\u00e1sia com sociedades populosas, economicamente especializadas, politicamente centralizada, baseada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, interagindo e competindo entre si.<\/p>\n<p>CINCO \u00c1REAS DA TECNOLOGIA<\/p>\n<p>Nesse aspecto, o autor destaca cinco \u00e1reas da tecnologia, como os metais (cobre, bronze e o ferro), que eram usados para fabricar ferramentas nas sociedades eurasianas complexas a partir de 1492. Nos Andes ainda se usava a pedra, a madeira e o osso. O cobre era limitado.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o de superioridade era a tecnologia militar. As armas europeias eram espadas de a\u00e7o, lan\u00e7as, punhais, de fogo e artilharia, enquanto os amer\u00edndios utilizavam bast\u00f5es e machados de pedra e madeira, fundas, arcos, flechas e armaduras acolchoadas.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, os eurasianos tinham uma vantagem, imensa nas suas fontes de energia para operar as m\u00e1quinas. Outro avan\u00e7o era o uso de animais (cavalos e burros), para puxar arados e girar as rodas para moer gr\u00e3os, irrigar e drenar os campos.<\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o industrial, baseada na for\u00e7a da \u00e1gua e do vento, j\u00e1 havia come\u00e7ado na era medieval, bem antes da utiliza\u00e7\u00e3o do vapor como energia no s\u00e9culo XVIII, na Inglaterra. Ainda na \u00e1rea da tecnologia, Jared cita o transporte mar\u00edtimo. Muitas sociedades eurasianas criaram grandes embarca\u00e7\u00f5es, capazes de navegar contra o vento e cruzar o oceano, bem equipadas (b\u00fassolas, lemes de poupa e canh\u00f5es).<\/p>\n<p>As duas sociedades eram diferentes no que tange \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. No final da Idade M\u00e9dia, a maior parte da Eur\u00e1sia j\u00e1 era governada por Estados organizados, como dos Habsburgo, otomano, chineses, mogol\u00a0 na \u00cdndia e o mongol em seu auge no s\u00e9culo XIII.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cA Colis\u00e3o dos Hemisf\u00e9rios\u201d, o cientista e pesquisador Jared Diamond, em seu livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, fala do encontro dos povos amer\u00edndios e eurasianos, dizendo que tudo come\u00e7ou quando o ex\u00e9rcito de Pizarro capturou o imperador inca Ataualpa, governante absoluto do maior, mais rico, mais populoso e avan\u00e7ado Estado americano nativo. 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