{"id":5002,"date":"2020-09-22T00:45:23","date_gmt":"2020-09-22T03:45:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=5002"},"modified":"2020-09-22T00:45:52","modified_gmt":"2020-09-22T03:45:52","slug":"como-a-china-tornou-se-chinesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/09\/22\/como-a-china-tornou-se-chinesa\/","title":{"rendered":"&#8220;COMO A CHINA TORNOU-SE CHINESA&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quando os europeus chegaram em 1930 em nova Guin\u00e9 ficaram surpresos ao ver paisagens semelhantes \u00e0 da Holanda. Viram extensos vales completamente desmatados e pontilhados de aldeias, e campos drenados e cercados para a produ\u00e7\u00e3o intensiva de alimentos. Os papuas das plan\u00edcies e do litoral s\u00e3o alde\u00f5es que dependem muito do peixe, enquanto os que vivem em terrenos secos sobrevivem cultivando a banana e o inhame, complementando com a ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Em sua hist\u00f3ria, os habitantes da Nova Guin\u00e9 sofreram v\u00e1rios golpes biol\u00f3gicos e geogr\u00e1ficos que dificultaram seu desenvolvimento, como o fato das zonas centrais das montanhas serem as \u00fanicas \u00e1reas ideais para a produ\u00e7\u00e3o intensiva de alimentos. A popula\u00e7\u00e3o nunca passou de um milh\u00e3o at\u00e9 que os europeus levaram para l\u00e1 a medicina e puseram fim \u00e0s guerras entre as tribos.<\/p>\n<p>NOVA GUIN\u00c9 N\u00c3O PODE AVAN\u00c7AR<\/p>\n<p>Com essas descri\u00e7\u00f5es o autor do livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, Jared Diamond diz que, com cerca de um milh\u00e3o de pessoas, Nova Guin\u00e9 n\u00e3o pode avan\u00e7ar muito na tecnologia, na escrita e no sistema de pol\u00edtica, como ocorreu no Crescente F\u00e9rtil, na China, nos Andes e na Mesoam\u00e9rica, com milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Antes de entrar no cap\u00edtulo \u201cComo a China Tornou-se Chinesa\u201d, o cientista faz uma viagem por nova Guin\u00e9 e afirma que ela tem a maior concentra\u00e7\u00e3o de idiomas do mundo. Mil das seis mil l\u00ednguas do mundo abarrotam uma \u00e1rea pouco maior que a do Texas. S\u00e3o divididas em v\u00e1rias fam\u00edlias lingu\u00edsticas t\u00e3o diferentes como o ingl\u00eas do chin\u00eas.<\/p>\n<p>Ele fala dos vizinhos, como os abor\u00edgines australianos ca\u00e7adores-coletores que quase nada tinham a oferecer aos papuas, bem como as ilhotas Bismarck e Salom\u00e3o. Sobre a Indon\u00e9sia, esta foi ocupada por produtores de alimentos origin\u00e1rios da \u00c1sia que de l\u00e1 partiram para Nova Guin\u00e9 e outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Os chamados austran\u00e9sios (origem da China) se estabeleceram nas ilhas oeste, norte e leste da Nova Guin\u00e9 onde introduziram a cer\u00e2mica, as galinhas e, provavelmente, c\u00e3es e porcos. Nos \u00faltimos mil anos, o com\u00e9rcio ligou Nova Guin\u00e9 \u00e0s comunidades mais avan\u00e7adas de Java e da China.<\/p>\n<p>Nova Guin\u00e9 exportava plumas de aves e especiarias e recebia mercadorias, como artigos de luxo e porcelana do sudeste da \u00c1sia. Isso n\u00e3o havia acontecido at\u00e9 1511 quando os portugueses chegaram \u00e0s ilhas Molucas e interceptaram os avan\u00e7os da Indon\u00e9sia. A coloniza\u00e7\u00e3o deixou um exterm\u00ednio de mam\u00edferos, tanto em Nova Guin\u00e9 como na Austr\u00e1lia. O \u00fanico mam\u00edfero domesticado de fora foi o cachorro da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Diamond descreve a situa\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica na Austr\u00e1lia, de terras est\u00e9reis e de secas implac\u00e1veis. Por causa desses fatores, a agricultura l\u00e1 continua at\u00e9 hoje sendo um neg\u00f3cio arriscado. Algumas plantas como o inhame, o inhame branco e araruta s\u00e3o cultivadas em Nova Guin\u00e9, mas crescem tamb\u00e9m no norte da Austr\u00e1lia, que t\u00eam pastagens favor\u00e1veis aos cangurus. Os abor\u00edgines ficavam nas regi\u00f5es mais \u00famidas e mais produtivas, mas os europeus os expulsaram de suas terras, com matan\u00e7as generalizadas.<\/p>\n<p>Mesmo com terras in\u00f3spitas, a Austr\u00e1lia conseguia fazer colheitas de sementes de milhete silvestre (fam\u00edlia do sorgo), que era a base da agricultura chinesa antiga. As ferramentas usadas, como a faca de pedra e o rebolo eram semelhantes \u00e0s inventadas de forma independente no Crescente F\u00e9rtil. A situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica limitou a popula\u00e7\u00e3o de ca\u00e7adores na Austr\u00e1lia. Com isso, possu\u00eda bem menos inventores potenciais que os milh\u00f5es da China e da Mesoam\u00e9rica.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0 Nas \u00e9pocas do Pleistoceno o n\u00edvel do mar estava baixo (estreito de Bass que separa a Tasm\u00e2nia da Austr\u00e1lia) e isso proporcionou a distribui\u00e7\u00e3o pelo continente. Quando o estreito foi inundado h\u00e1 dez mil anos, a popula\u00e7\u00e3o da Tasm\u00e2nia ficou totalmente isolada. Quando foram encontrados pelos europeus, em 1642, sua cultura era simples como qualquer outro povo moderno. Os trezentos mil ca\u00e7adores australianos eram bem mais numerosos e menos isolados que os tasmanianos.<\/p>\n<p>Quanto a Austr\u00e1lia, Diamond destaca que n\u00e3o existem provas de que qualquer tecnologia nova tenha chegado por l\u00e1, vinda da Indon\u00e9sia, depois da coloniza\u00e7\u00e3o inicial h\u00e1 40 mil anos, at\u00e9 o aparecimento do dingo (cachorro), por volta de 1500 a.C. O dingo chegou no auge da expans\u00e3o austron\u00e9sia, a partir do sul da China, atrav\u00e9s da Indon\u00e9sia. Nos tempos hist\u00f3ricos, a Austr\u00e1lia era visitada por canoas vindas do distrito de Macassar, das ilhas indon\u00e9sias at\u00e9 que o governo australiano proibir os contatos, em 1907.<\/p>\n<p>Do outro lado da estreita faixa de \u00e1gua, conhecido como estreito de Torres, agricultores da Nova Guin\u00e9 (l\u00ednguas papuas) tinham porcos, cer\u00e2mica, arcos e flechas. Eles encontraram ca\u00e7adores australianos (l\u00ednguas australianas) e n\u00e3o tinham os mesmos objetos dos papuas. Haviam visitas comerciais regulares, mas essas atividades eram alternadas com a guerra, com a finalidade de ca\u00e7ar e capturar mulheres para servirem de esposas. Apesar da dilui\u00e7\u00e3o da cultura da Nova Guin\u00e9, um pouco de influ\u00eancia chegou \u00e0 Austr\u00e1lia, como anz\u00f3is de concha e as canoas.<\/p>\n<p>Poucas caracter\u00edsticas da Nova Guin\u00e9 se difundiu na Austr\u00e1lia. Se tivesse ocorrido contatos entre os agricultores das montanhas da Nova Guin\u00e9 com os abor\u00edgines das montanhas do sudeste da Austr\u00e1lia, poderia ter ocorrida transfer\u00eancia intensiva na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. No entanto, essas montanhas s\u00e3o separadas por mais de tr\u00eas mil quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>Um navegante portugu\u00eas descobriu a Nova Guin\u00e9, em 1526. A Holanda ocupou a metade ocidental, em 1828, e a Inglaterra e a Alemanha dividiram a metade oriental, em 1884. Os europeus demoraram muito tempo para penetrar no interior, mas. em 960, os governos haviam estabelecido o controle pol\u00edtico na maior parte da Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Eram os europeus que tinham embarca\u00e7\u00f5es para atravessar o oceano e b\u00fassolas para viajar, os sistemas de escrita e as impressoras para produzir mapas. No entanto, at\u00e9 hoje os papuas ocupam a maior parte do territ\u00f3rio. Isso contrasta com a Austr\u00e1lia e \u00c1frica do Sul. O que dificultou a expans\u00e3o maior dos europeus em Nova Guin\u00e9 foram a mal\u00e1ria e as doen\u00e7as tropicais.<\/p>\n<p>Como as doen\u00e7as infecciosas do continente asi\u00e1tico estavam instaladas na Indon\u00e9sia, os papuas ficaram expostos durante muito tempo e criaram mais resist\u00eancia aos germes eurasianos do que os abor\u00edgines australianos. As culturas agr\u00edcolas europeias e o gado bovino n\u00e3o se desenvolveram bem no ambiente da Nova Guin\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os europeus chegaram em 1930 em nova Guin\u00e9 ficaram surpresos ao ver paisagens semelhantes \u00e0 da Holanda. Viram extensos vales completamente desmatados e pontilhados de aldeias, e campos drenados e cercados para a produ\u00e7\u00e3o intensiva de alimentos. 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