{"id":4998,"date":"2020-09-19T00:53:26","date_gmt":"2020-09-19T03:53:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4998"},"modified":"2020-09-19T00:53:36","modified_gmt":"2020-09-19T03:53:36","slug":"as-invasoes-dos-povos-austranesios-na-australia-e-na-nova-guine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/09\/19\/as-invasoes-dos-povos-austranesios-na-australia-e-na-nova-guine\/","title":{"rendered":"AS INVAS\u00d5ES DOS POVOS AUSTRAN\u00c9SIOS NA AUSTR\u00c1LIA E NA NOVA GUIN\u00c9"},"content":{"rendered":"<p>Em sua viagem de pesquisas pela \u00c1sia, principalmente na Nova Guin\u00e9, o cientista Jared Diamond faz um relato sobre a influ\u00eancia dos austran\u00e9sios (povos origin\u00e1rios do sul da China) entre os povos em torno da Indon\u00e9sia, da Austr\u00e1lia, Nova Guin\u00e9 e em outras ilhas asi\u00e1ticas do Pac\u00edfico at\u00e9 a Polin\u00e9sia. Ele conta sua experi\u00eancia fracassada para trilhar uma subida no deserto australiano a fim de conhecer umas pinturas rupestres, coisa que os abor\u00edgines faziam com facilidade.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a Austr\u00e1lia \u00e9 o continente mais seco, mais plano, mais est\u00e9ril e biologicamente mais pobre entre os outros. Assinala que foi o \u00faltimo continente a ser ocupado pelos europeus que dizimaram os nativos das terras mais temperadas e n\u00e3o chegaram a alcan\u00e7ar a parte mais des\u00e9rtica. At\u00e9 o s\u00e9culo XIX, ali abrigavam as sociedades humanas mais peculiares e a popula\u00e7\u00e3o menos numerosa de todos os continentes.<\/p>\n<p>SEM MARCA DA CIVILIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>\u201cA Austr\u00e1lia \u00e9 o \u00fanico continente onde, nos tempos modernos, todos os povos nativos ainda viviam sem qualquer marca da chamada civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 desprovidos de agricultura, gado bovino, metal, arcos e flechas, aldeias povoadas, tribos centralizadas ou Estados\u201d. Um explorador franc\u00eas chegou a dizer que os australianos s\u00e3o a gente mais miser\u00e1vel do mundo, e os seres humanos mais pr\u00f3ximos das bestas selvagens.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IMG_0780.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4999\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IMG_0780.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IMG_0780.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IMG_0780-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No entanto, 40 mil anos atr\u00e1s, segundo Diamond, as sociedades australianas nativas levavam uma grande vantagem sobre os europeus e povos de outros continentes. Eles desenvolveram ferramentas de pedra e embarca\u00e7\u00f5es mais antigas do mundo. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, os humanos modernos podem ter povoado a Austr\u00e1lia antes de habitarem a Europa Ocidental. Por que, ent\u00e3o, os australianos n\u00e3o conquistaram a Europa?<\/p>\n<p>Ele explica que na Era Glacial, o n\u00edvel do mar baixou muito em rela\u00e7\u00e3o ao atual (mar de Arafura) entre a hoje Austr\u00e1lia e a Nova Guin\u00e9. Quando as l\u00e2minas de \u00e1gua derreteram, h\u00e1 12 e 8 mil anos, o n\u00edvel do mar subiu muito. As sociedades humanas dessas duas massas de terra, antes unidas, se tornaram diferentes uma da outra. A maioria dos papuas da Nova Guin\u00e9 era de lavradores e criadores de porcos. Eram politicamente organizados em tribos.<\/p>\n<p>Diamond constatou que, 40 mil anos tr\u00e1s, essas travessias devem ter sido feitas em balsas de bambu, embarca\u00e7\u00f5es de baixa tecnologia, mas prop\u00edcias para o alto mar, ainda utilizadas no litoral meridional da China de hoje. S\u00f3 nos \u00faltimos milhares de anos encontramos ind\u00edcios seguros na forma de aparecimento de porcos e c\u00e3es oriundos da \u00c1sia, respectivamente na Nova Guin\u00e9 e na Austr\u00e1lia. Antes n\u00e3o existiam provas da chegada de seres humanos pela \u00c1sia.<\/p>\n<p>Quando os europeus come\u00e7aram a colonizar a Nova Guin\u00e9, no final do s\u00e9culo XIX, os nativos eram analfabetos, usavam ferramentas de pedra e n\u00e3o eram organizados em Estados, ou tribos centralizadas. Para Diamond, o povo australiano e o da Nova Guin\u00e9 representa um enigma dentro de outro enigma. Os abor\u00edgines s\u00e3o diferentes dos europeus, por isso, muitos estudiosos consideraram um elo perdido entre os macacos e os seres humanos.<\/p>\n<p>Mil\u00eanios de isolamento, e as l\u00ednguas modernas abor\u00edgines australianas e as do grupo principal da Nova Guin\u00e9 (papuas) n\u00e3o revelam qualquer rela\u00e7\u00e3o com outra l\u00edngua asi\u00e1tica. \u201cEstudos gen\u00e9ticos sugerem que os abor\u00edgines da Austr\u00e1lia e os montanheses da Nova Guin\u00e9 s\u00e3o um pouco mais parecidos com os asi\u00e1ticos modernos do que com os povos de outros continentes\u201d.<\/p>\n<p>Depois de 40 mil anos, os australianos continuavam ca\u00e7adores-coletores, mas, o surpreendente \u00e9 que o continente possui as mais ricas reservas de ferro e de alum\u00ednio do mundo, bem como de cobre, estanho, chumbo e zinco.<\/p>\n<p>ASI\u00c1TICOS FORA DA CHINA E O ISOLAMENTO<\/p>\n<p>O pesquisador destaca que os primeiros colonos asi\u00e1ticos da Grande Austr\u00e1lia tiveram muito tempo para se tornarem diferentes de seus primos asi\u00e1ticos, que n\u00e3o sa\u00edram de casa, com trocas gen\u00e9ticas limitadas. Em sua an\u00e1lise, o tronco familiar original do sudeste da \u00c1sia, do qual derivavam os colonos da Austr\u00e1lia, foi sendo substitu\u00eddo por outros asi\u00e1ticos que se espalharam fora da China.<\/p>\n<p>Os cabelos crespos dos papuas contrasta com o liso ou ondulado dos australianos. As duas l\u00ednguas n\u00e3o t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com a asi\u00e1tica, nem entre elas. Todas essas diverg\u00eancias, de acordo com Jared, refletem o longo per\u00edodo de isolamento em ambientes diferentes. Estudos de p\u00f3len atestam o grande desmatamento dos vales, h\u00e1 cinco mil anos, indicando a destrui\u00e7\u00e3o das florestas para a agricultura em Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Como o inhame branco e a banana s\u00e3o nativas do sudeste da \u00c1sia, supunha-se que outras culturas das regi\u00f5es montanhosas da Nova Guin\u00e9 vieram tamb\u00e9m de l\u00e1. Percebeu-se, entretanto, que os ancestrais silvestres da cana-de-a\u00e7\u00facar, dos vegetais folhosos e dos talos comest\u00edveis s\u00e3o esp\u00e9cies da Nova Guin\u00e9. O inhame branco \u00e9 nativo da Nova Guin\u00e9 e da \u00c1sia. Admite-se agora que a agricultura surgiu nas \u00e1reas montanhosas da Nova Guin\u00e9 pela domestica\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>\u201cA Nova Guin\u00e9, portanto, junta-se ao Crescente F\u00e9rtil, \u00e0 China e a algumas outras regi\u00f5es como um dos centros mundiais de origens independentes da domestica\u00e7\u00e3o de plantas. Os tr\u00eas elementos estrangeiros na produ\u00e7\u00e3o de alimentos das regi\u00f5es montanhosas, conforme notaram os primeiros exploradores europeus, eram as galinhas, os porcos e as batatas-doces.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sua viagem de pesquisas pela \u00c1sia, principalmente na Nova Guin\u00e9, o cientista Jared Diamond faz um relato sobre a influ\u00eancia dos austran\u00e9sios (povos origin\u00e1rios do sul da China) entre os povos em torno da Indon\u00e9sia, da Austr\u00e1lia, Nova Guin\u00e9 e em outras ilhas asi\u00e1ticas do Pac\u00edfico at\u00e9 a Polin\u00e9sia. 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