{"id":4894,"date":"2020-08-11T00:39:31","date_gmt":"2020-08-11T03:39:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4894"},"modified":"2020-08-11T00:39:41","modified_gmt":"2020-08-11T03:39:41","slug":"os-germes-sao-bem-mais-inteligentes-do-que-os-negacionistas-da-ciencia-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/08\/11\/os-germes-sao-bem-mais-inteligentes-do-que-os-negacionistas-da-ciencia-ii\/","title":{"rendered":"OS GERMES S\u00c3O BEM MAIS INTELIGENTES DO QUE OS NEGACIONISTAS DA CI\u00caNCIA (II)"},"content":{"rendered":"<p>A IMPORT\u00c2NCIA DOS MICR\u00d3BIOS NA CONQUISTA DO NOVO MUNDO<\/p>\n<p>O autor do livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, de Jared Diamond, assinala que \u201ca import\u00e2ncia dos micr\u00f3bios na hist\u00f3ria humana \u00e9 bem ilustrada pelas conquistas europeias e o despovoamento do Novo Mundo\u201d. De acordo com a conclus\u00e3o do cientista, muito mais amer\u00edndios morreram abatidos pelos germes eurasianos do que pelas armas e espadas europeias nos campos de batalha.<\/p>\n<p>Cita, como exemplo, que em 1519, Cortez desembarcou na costa do M\u00e9xico com 600 espanh\u00f3is a fim de conquistar o imp\u00e9rio com uma popula\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es. Cortez atacou a capital Tenochtitl\u00e1n e depois recuou por ter perdido dois ter\u00e7os da sua gente na luta.<\/p>\n<p>A VAR\u00cdOLA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0520.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4895\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0520.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0520.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0520-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No retorno violento, os astecas n\u00e3o eram mais ing\u00eanuos e guerrearam com tenacidade. O que deu aos espanh\u00f3is uma vantagem foi a var\u00edola, que chegou ao M\u00e9xico em 1520, atrav\u00e9s de um escravo contaminado procedente de Cuba. A epidemia matou quase metade dos astecas, incluindo o imperador Cuitl\u00e1huac. A doen\u00e7a exterminava os astecas e poupava os espanh\u00f3is.<\/p>\n<p>Narra o bi\u00f3logo Diamond, que Pizarro foi tamb\u00e9m ajudado por um acaso quando desembarcou na costa do Peru, em 1531, com 168 homens para ocupar o Imp\u00e9rio Inca formado por milh\u00f5es de habitantes. A var\u00edola havia chegado por terra em 1526 e dizimado grande parte da popula\u00e7\u00e3o inca, incluindo o imperador Huayna C\u00e1pac e seu sucessor. Por um tempo, o trono ficou desocupado por causa da guerra civil provocada pelos dois filhos de Huayna. Pizarro explorou esses pontos para conquistar o imp\u00e9rio dividido.<\/p>\n<p>Quando Colombo chegou, em 1492, a Am\u00e9rica do Norte abrigava aldeias ind\u00edgenas populosas no vale do Mississippi, um dos melhores terrenos para a agricultura. Ali, os conquistadores n\u00e3o contribu\u00edram diretamente para a destrui\u00e7\u00e3o da sociedade, mas os germes eurasianos que se disseminaram antes na regi\u00e3o. Hernando Soto, o primeiro a chegar ao sudeste dos Estados Unidos, em 1540, encontrou em sua marcha aldeias ind\u00edgenas abandonadas porque a popula\u00e7\u00e3o havia morrido em epidemias, propagadas pelos \u00edndios do litoral infectados pelos espanh\u00f3is. Quando os colonos franceses chegaram no trecho do Mississippi, no final do s\u00e9culo XVII, quase todos os ind\u00edgenas j\u00e1 haviam desaparecido.<\/p>\n<p>OS PRINCIPAIS ASSASSINOS<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0525.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4896\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0525.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0525.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/IMG_0525-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica do Norte ensinavam nas escolas que o territ\u00f3rio era ocupado por cerca de um milh\u00e3o de \u00edndios, mas, na verdade, existiam 20 milh\u00f5es. \u201cPara o Novo Mundo, estima-se que o decl\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nos dois primeiros s\u00e9culos posteriores \u00e0 chegada de Colombo tenha sido de 95%. Os primeiros assassinos do Novo Mundo foram os germes aos quais os \u00edndios foram expostos e n\u00e3o tinham resist\u00eancia imunol\u00f3gica. \u201cVar\u00edola, gripe, sarampo e tifo disputavam o primeiro lugar entre os assassinos\u201d. Como se n\u00e3o bastassem, vieram ainda a difteria, mal\u00e1ria, caxumba, coqueluche, peste, tuberculose e a febre amarela.<\/p>\n<p>Tenochtitl\u00e1n era uma das capitais mais populosas do mundo, e por que n\u00e3o tinha germes esperando pelos espanh\u00f3is? \u2013 indaga o cientista. Uma das respostas \u00e9 que os tr\u00eas centros americanos mais densamente povoados, o Andes, a Meso\u00e1merica e o vale do Mississipi nunca se interligaram por um com\u00e9rcio regular que os transformassem em terreno prop\u00edcio para a prolifera\u00e7\u00e3o de micr\u00f3bios. como aconteceu na Europa, norte da \u00c1frica, \u00cdndia e China no per\u00edodo romano.<\/p>\n<p>\u201cVimos que as doen\u00e7as de multid\u00e3o eurasianas se desenvolveram a partir das doen\u00e7as dos rebanhos domesticados. Enquanto muitos deles existiam na Eur\u00e1sia, apenas cinco foram domesticados nas Am\u00e9ricas, como o peru no M\u00e9xico e no sudeste dos Estados Unidos, a lhama\/alpaca e o porquinho-da- \u00edndia nos Andes, o pato-do-mato na Am\u00e9rica do Sul e o cachorro em todo continente\u201d.<\/p>\n<p>Essa escassez extrema de animais domesticados no Novo Mundo reflete a falta de material selvagem inicial. Cerca de 80% dos grandes mam\u00edferos selvagens das Am\u00e9ricas foram extintos no final da \u00faltima Era Glacial, por volta de 13 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Os germes, segundo o estudioso, desempenharam um papel-chave no exterm\u00ednio dos povos nativos em muitas outras partes do mundo, incluindo os habitantes das ilhas do Pac\u00edfico, os abor\u00edgenes australianos e os coiss\u00e3s da \u00c1frica Meridional.<\/p>\n<p>Um dos exemplos \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da ilha Hispaniola (Grandes Antilhas) caiu de cerca de oito milh\u00f5es na chegada de Colombo para zero por volta de 1535. O sarampo chegou a Fiji com a volta de um chefe fijiano depois de uma visita \u00e0 Austr\u00e1lia, em 1875.<\/p>\n<p>O PAPEL DOS GERMES<\/p>\n<p>A s\u00edfilis, gonorreia, tuberculose e a gripe, que chegaram juntos com o navegador\u00a0 James Cook, em 1779, seguida de uma grande epidemia de febre tifoide, em 1804, e outras epidemias secund\u00e1rias, reduziram a popula\u00e7\u00e3o do Hava\u00ed de meio milh\u00e3o de habitantes para 84 mil, em 1853, ano em que chegou a var\u00edola e acabou matando cerca de dez mil sobreviventes. \u201cEmbora o Novo Mundo e a Austr\u00e1lia n\u00e3o tivessem doen\u00e7as epid\u00eamicas nativas \u00e0 espera dos europeus, a \u00c1sia tropical, a \u00c1frica, a Indon\u00e9sia e a Nova Guin\u00e9 tinham. A mal\u00e1ria no Velho Mundo, o c\u00f3lera no sudeste da \u00c1sia e a febre amarela na \u00c1frica eram e ainda s\u00e3o os assassinos tropicais mais not\u00f3rios. Tudo explica porque a divis\u00e3o colonial europeia da Nova Guin\u00e9 e de grandes partes da \u00c1frica s\u00f3 foi feita 400 anos depois do come\u00e7o da divis\u00e3o europeia do Novo Mundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os europeus tinham uma grande vantagem em termos de armas, tecnologia e organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre a maioria dos povos n\u00e3o-europeus que conquistaram, mas os germes desenvolveram papel importante no dom\u00ednio a partir da prolongada conviv\u00eancia com os animais dom\u00e9sticos. As armas, por si s\u00f3, n\u00e3o explicam as conquistas.<\/p>\n<p>Para quase todas as doen\u00e7as, algumas pessoas s\u00e3o geneticamente mais resistentes que outras. \u201cNuma epidemia, as pessoas com genes resistentes \u00e0quele micr\u00f3bio em particular t\u00eam mais probabilidade de sobreviver do que aquelas que n\u00e3o t\u00eam esses genes\u201d. O cientista destaca como exemplos dessas defesas gen\u00e9ticas, as prote\u00e7\u00f5es que os genes da anemia falciforme e da fibrose c\u00edstica podem dar a negros africanos, judeus asquenazes (origem europeia central ou oriental) e europeus do norte contra a mal\u00e1ria, a tub\u00e9rculos e as diarreias bacterianas, respectivamente.<\/p>\n<p>Descreve o bi\u00f3logo que as epidemias de c\u00f3lera ocorreram a intervalos mais longos, e a epidemia peruana de 1991 foi a primeira a atingir o Novo Mundo no s\u00e9culo XX. A grande epidemia da hist\u00f3ria da humanidade foi a gripe espanhola, que matou 21 milh\u00f5es de pessoas no fim da Primeira Guerra Mundial. A peste negra (bub\u00f4nica) matou um quarto da popula\u00e7\u00e3o da Europa entre 1346 a 1352, com o n\u00famero de mortes chegando a 70% em algumas cidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A IMPORT\u00c2NCIA DOS MICR\u00d3BIOS NA CONQUISTA DO NOVO MUNDO O autor do livro \u201cArmas, Germes e A\u00e7o\u201d, de Jared Diamond, assinala que \u201ca import\u00e2ncia dos micr\u00f3bios na hist\u00f3ria humana \u00e9 bem ilustrada pelas conquistas europeias e o despovoamento do Novo Mundo\u201d. 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