{"id":4773,"date":"2020-06-29T23:17:49","date_gmt":"2020-06-30T02:17:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4773"},"modified":"2020-06-29T23:18:05","modified_gmt":"2020-06-30T02:18:05","slug":"ciganos-no-brasil-uma-breve-historia-parte-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/06\/29\/ciganos-no-brasil-uma-breve-historia-parte-final\/","title":{"rendered":"&#8220;CIGANOS NO BRASIL &#8211; UMA BREVE HIST\u00d3RIA&#8221; (PARTE FINAL)"},"content":{"rendered":"<p>AS CORRERIAS E O FIM DO ESCRAVISMO<\/p>\n<p>Fotos divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>As \u201ccorrerias de ciganos\u201d ocorreram por diversos fatores, como o fim do escravismo, quando muitos bandos perderam sua principal atividade econ\u00f4mica, principalmente no Campo de Santana, nas ruas dos Ciganos e no Valongo, no Rio de Janeiro. Com isso, a comunidade foi entrando em decad\u00eancia. Muitos bandos deixaram o Rio rumo a Minas Gerais, aumentando o n\u00famero deles no territ\u00f3rio mineiro. Contribuiu tamb\u00e9m para as correrias, a crise na lavoura canavieira no Nordeste no final do s\u00e9culo XIX, junto com o \u00eaxodo de homens pobres para o Centro-Sul. Foram para Minas, ciganos caldeireiros que trabalhavam no conserto de pe\u00e7as e objetos de lat\u00e3o e de cobre nos engenhos.<\/p>\n<p>Diz Teixeira que entre 1870 e 1930, intelectuais brasileiros acharam que deveriam mudar a configura\u00e7\u00e3o racial do Brasil. Em alguns casos, eram propostas solu\u00e7\u00f5es de eugenia e do exterm\u00ednio de popula\u00e7\u00f5es indesej\u00e1veis, como ind\u00edgenas. Possivelmente, segundo o autor, isso inspirou as a\u00e7\u00f5es policiais mineiras nas Correrias de Ciganos. Surgiram ideias de integrar certas parcelas da popula\u00e7\u00e3o, tentando ordenar o espet\u00e1culo das ra\u00e7as. Para essa gente, formar a ra\u00e7a brasileira significava construir a nacionalidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_171741868-stock-photo-world-festival-of-gypsies.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4774\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_171741868-stock-photo-world-festival-of-gypsies.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_171741868-stock-photo-world-festival-of-gypsies.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_171741868-stock-photo-world-festival-of-gypsies-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essas ideologias voltaram com for\u00e7a no governo atual, eleito em 2018. Os estrangeiros, no entanto, achavam imposs\u00edvel construir uma ra\u00e7a a partir da miscigena\u00e7\u00e3o. Os ciganos sempre estiveram fora do chamado espet\u00e1culo brasileiro das ra\u00e7as. Na Europa, eram vistos como mesti\u00e7os degenerados, enquanto no Brasil como ra\u00e7a maldita e inferior. \u201cEm fins do s\u00e9culo XIX, a persegui\u00e7\u00e3o aos ciganos repercutia as transforma\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da nacionalidade cada vez mais \u201cracializada\u201d. O projeto higienista associou os ciganos \u00e0 mais baixa esc\u00f3ria, caracterizando-os como horda, malta, manada de fac\u00ednoras, desordeiros, sujos, pregui\u00e7osos e vagabundos.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o dos ciganos na economia<\/p>\n<p>Sobre a inser\u00e7\u00e3o dos ciganos na economia, um dos cap\u00edtulos do livro, eles demonstraram habilidades como empreendedores e encontraram brechas no mercado para atuar na venda de escravos (s\u00e9culos XVIII e XIX), de animais, arreios de prata, tecidos e roupas, rel\u00f3gios de ouro, consertadores de caldeiras, quiromantes (buena dicha) e at\u00e9 nas atividades art\u00edsticas de m\u00fasicos, ilusionistas, de saltimbancos e circense. Contam que foram os primeiros artistas que atuaram em Minas Gerais. Como comediantes, chegaram a ser denunciados ao Santo Of\u00edcio, em junho de 1727, pelo bispo do Rio de Janeiro, D. Frei Ant\u00f4nio de Guadalupe. A acusa\u00e7\u00e3o dizia que suas com\u00e9dias e \u00f3peras eram imorais, com afronta aos preceitos da Santa Igreja.<\/p>\n<p>Gilberto Freyre faz men\u00e7\u00e3o aos ciganos como introdutores de animais ex\u00f3ticos nos engenhos e nas feiras nordestinas, acompanhados de meninos que faziam acrobacias sobre cavalos. Usavam ursos verdadeiros, ou ent\u00e3o fingidos, que dan\u00e7avam ao som de pandeiros. Os macacos e macacas eram vestidos de sinh\u00e1s, com la\u00e7os de fitas, que dan\u00e7avam e faziam gra\u00e7as. No interior mineiro, tornaram-se famosos os ursos ciganos. Geralmente, os ciganos que trabalhavam nessa \u00e1rea circense pertenciam ao grupo Rom, vindos da Europa Central.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_79448042-stock-photo-beautiful-gypsy-in-violet-dress.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4775\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_79448042-stock-photo-beautiful-gypsy-in-violet-dress.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_79448042-stock-photo-beautiful-gypsy-in-violet-dress.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/depositphotos_79448042-stock-photo-beautiful-gypsy-in-violet-dress-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os maiores circos pertencentes a fam\u00edlias ciganas no Brasil (Kalderash, Robatini e outras da Hungria, Rom\u00eania e da It\u00e1lia) foram Circo Orlando Orfei, Circo Norte Americano, Circo Nova York e Circo M\u00e9xico. Conta que a numerosa fam\u00edlia Wassilnovitch (trocaram o nome por Silva) chegou ao Brasil atrav\u00e9s do porto de Salvador, com a fam\u00edlia Fran\u00e7ois, na d\u00e9cada de 1880. Suas primeiras apresenta\u00e7\u00f5es foram feitas em pra\u00e7as p\u00fablicas por falta de recursos. O capit\u00e3o Zurka Sbano (Kalderasch), residindo em S\u00e3o Paulo, conta que sua fam\u00edlia se tornou circense em fins do s\u00e9culo XIX. Seu av\u00f4 mascateava e fazia tachos e alambiques<\/p>\n<p>Eles concorriam com o com\u00e9rcio dos mascates portugueses, judeus, da It\u00e1lia, do L\u00edbano e da S\u00edria. Estes procuravam atender pedidos e criar demanda. Os ciganos tinham a facilidade de fazer trocas e criar barganhas. Era dif\u00edcil enganar um cigano. Muitos tinham o truque de transformar pangar\u00e9s em vistosos cavalos de ra\u00e7a. Por isso, eram chamados de embusteiros e trapaceiros. Eram vistos por viajantes memorialistas em Sorocaba, onde funcionou o maior centro de com\u00e9rcio de muares trazidos dos pampas (Prov\u00edncia do Rio Grande de S\u00e3o Pedro do Sul \u2013Viam\u00e3o). Era um dos principais pontos onde os tropeiros de Minas renovavam suas tropas. Havia o estilo cigano de tratar e montar o animal.<\/p>\n<p><!--more-->Os ciganos n\u00e3o tinham suas tarefas mensuradas e realizadas de forma c\u00edclica e rotineira. Nunca estavam sobre a \u00e9gide do rel\u00f3gio, nem consideravam a dura\u00e7\u00e3o dos dias e das noites, e faziam quest\u00e3o de ignorar o tempo abstrato e linear. Na sociedade elitizada, os ricos viam o \u00f3cio como privil\u00e9gio. Os ciganos tamb\u00e9m desfrutavam do \u00f3cio, mas serviam como mau exemplo para os homens laboriosos. A concep\u00e7\u00e3o de vadiagem compreendia tanto a itiner\u00e2ncia quanto a ociosidade, \u201ccomportamentos amea\u00e7adores \u00e0 estabilidade social\u201d. O C\u00f3digo Criminal do Imp\u00e9rio indicava que os vadios deveriam tornar-se \u00fateis e inserir-se no sistema produtivo (existia crise econ\u00f4mica de desemprego). Para os ciganos, tal legisla\u00e7\u00e3o significava que iam sofrer a\u00e7\u00f5es repressivas e violentas. A imagem do n\u00f4made aliava \u00e0 animalidade e \u00e0 divindade, virtude e perigo. Em Minas Gerais, al\u00e9m de mal visto pelo \u00f3cio, o indiv\u00edduo sem eira nem beira, p\u00e9 ligeiro, era associado \u00e0 vadiagem.<\/p>\n<p>Ressalta o autor que entre mendigos, desertores, padres infratores, negras quitandeiras, prostitutas, feiticeiras, ladr\u00f5es, assassinos, fals\u00e1rios, bandidos e garimpeiros, os ciganos era mais um grupo social, mas diferenciado etnicamente, a tornar as ruas mais barulhentos e a promover a desordem. Os primeiros ciganos que chegaram ao continente europeu traziam consigo o h\u00e1bito da pilhagem, comum em certas regi\u00f5es da \u00c1sia onde n\u00e3o era delito. Os Rom continuaram a exercer seu direito \u00e0 pilhagem. Quando um bando chegava a uma cidade, os ladr\u00f5es aproveitavam para praticar seus atos, sabendo que os ciganos iriam levar a culpa.<\/p>\n<p>Acusados de roubar crian\u00e7as<\/p>\n<p>Al\u00e9m das suspeitas de roubos de escravos, os ciganos eram acusados de roubar crian\u00e7as. O autor cita Cervantes que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, criou o tema do roubo de crian\u00e7as pelos ciganos. Ele inaugurou um dos maiores fil\u00f5es da literatura ficcional sobre os ciganos. Acredita-se que eles chegaram a adotar crian\u00e7as que eram fascinadas pelo modo de vida cigana. Houve um caso, em Par\u00e1 de Minas, que um menino fugiu junto com a Companhia Sotero e dele partiu ao descobrir que o cigano ia troc\u00e1-lo por um cavalo.<\/p>\n<p>Muitos artistas pintores fizeram quadros de ciganos, como Jean B. Debret, Flumen Junius, James Wells e memorialistas, que os descrevem como de pele morena cor de cobre, cabelos pretos brilhantes, olhos vivos. Uma jovem cigana foi desenhada com cabelos longos, volumosos e cintura bem torneada. Sua sensualidade \u00e9 ressaltada pelo imenso decote em seu vestido, que d\u00e1 mostra de seios fartos e p\u00e9s descal\u00e7os. As ciganas idealizadas pelos rom\u00e2nticos europeus eram do tipo andaluz, faces rosadas, tez morena e cabelos pretos. Nas pranchas de Debret, de 1823, os homens utilizavam roupas como quaisquer outros de suas classes sociais. Para negociar, usavam a estrat\u00e9gia de oculta\u00e7\u00e3o da identidade.<\/p>\n<p>NA LITERATURA EUROP\u00c9IA E BRASILEIRA<\/p>\n<p>Em \u201cDom Casmurro\u201d, Machado de Assis faz refer\u00eancia \u00e0 cigana na pessoa de Capitu. Desde a Farsa dos Ciganos, escrita por Gil Vicente, em 1521, os ciganos sempre estiveram presentes no teatro portugu\u00eas. No s\u00e9culo XIX, no Brasil, os ciganos foram retratados como figuras rom\u00e2nticas. Tomando como exemplos os modelos ingl\u00eas e franc\u00eas, os autores brasileiros se inspiravam na literatura europeia, valorizando a figura cigana.<\/p>\n<p>A virtude substitui o esc\u00e2ndalo em \u00f3peras, como a Ciganinha, executada na Casa de \u00d3pera de Ouro Preto, em 1771, A Vingan\u00e7a da Cigana, escrita por um brasileiro e apresentado em Lisboa, em 1794.<\/p>\n<p>Segundo Rodrigo Teixeira, a pe\u00e7a A Ciganinha, de autoria desconhecida, se inspirou na novela do mesmo nome, La Gitanilla, de Miguel de Cervantes, escrita em 1607 e publicada em 1613. Nela, os ciganos s\u00e3o qualificados como astutos, ladrones e embusteiros. Em Ouro Preto, foi acentuada a habilidade rom\u00e2ntica da cigana \u201cbuena dicha\u201d.<\/p>\n<p>A express\u00e3o mais famosa deste mito liter\u00e1rio \u00e9 a personagem Carmem, do conto de Prosper M\u00e9rim\u00e9e, publicado em 1847. O escritor j\u00e1 demonstrava seu interesse pelo tema cigano desde 1825, publicando o Th\u00e9atre de Clara Gazul. Na pe\u00e7a, o autor utiliza in\u00fameras palavras do Romani, que eram usadas pelos Rom dos Balc\u00e3s e da Europa Central. Carmem \u00e9 amoral, prostituta, ladra e c\u00famplice de assassinatos.<\/p>\n<p>Os ciganos apareceram na literatura brasileira a partir de 1845, com Martins Pena (a pe\u00e7a O Cigano), e em 1852, com Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, n\u00e3o com aquele romantismo europeu de glamouriza\u00e7\u00e3o. Considerado por muitos como o criador da com\u00e9dia nacional, Luis Carlos Martins Pena (1815-1848) escreveu sobre os costumes da sociedade brasileira durante o primeiro e o segundo reinados. Naquela \u00e9poca, os espet\u00e1culos apresentavam uma pequena com\u00e9dia ap\u00f3s um drama longo.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de personagens ciganas proporcionava \u00f3timos espet\u00e1culos, com m\u00fasicas, dan\u00e7as e roupas ex\u00f3ticas. Abordava-se a corrup\u00e7\u00e3o do poder, dos costumes e os valores morais sociais. Martins frequentou a Academia de Belas Artes, na Corte. Fala-se que ele se inspirou nas pranchas de Debret para escrever O Cigano, mas tamb\u00e9m teve a influ\u00eancia de Gil Vicente em A For\u00e7a das Ciganas.<\/p>\n<p>O texto de Martins apresenta o cigano integrado ao cotidiano do Rio de Janeiro. O personagem Sim\u00e3o \u00e9 um embusteiro, contrabandista e ladr\u00e3o. Greg\u00f3rio \u00e9 um vigia alfandeg\u00e1rio, mas corrupto. Tom\u00e9 um comerciante de objetos usados e roupas de segunda m\u00e3o. Os neg\u00f3cios dos tr\u00eas trambiqueiros incluem o com\u00e9rcio de escravos roubados. A com\u00e9dia foi apresentada pela primeira vez em 15 de julho de 1845, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, apareceu a obra Mem\u00f3rias de um Sargento de Mil\u00edcias, de Manuel Ant\u00f4nio de Almeida, com clara vis\u00e3o depreciativa dos ciganos, principalmente atrav\u00e9s da vidente \u201ca cigana\u201d. \u201cOciosos, trambiqueiros e sem nenhuma caracter\u00edstica louv\u00e1vel, eis os ciganos para o autor, que coloca tais palavras na boca do narrador, um velho sargento de mil\u00edcias\u201d. O \u00fanico tra\u00e7o, n\u00e3o tanto negativo, \u00e9 de que os ciganos s\u00e3o festivos e alegres. Manuel de Almeida (1831-1861) nasceu no Rio, com passagem pela Academia de Belas Artes e sofreu influ\u00eancia do teatro pitoresco de Gil Vicente. Trabalhou no Correio Mercantil onde teve contato com Ant\u00f4nio C\u00e9sar Ramos, um ex-militar portugu\u00eas, que se tornou seu principal informante para as \u201cMem\u00f3rias\u201d, contando sobre a vida do Rio no tempo de D. Jo\u00e3o VI.<\/p>\n<p>Outros autores que trataram sobre os ciganos foram Jo\u00e3o do Rio (Pequenas Profiss\u00f5es e A alma encantadora das ruas); De Guimar\u00e3es Rosa (o conto Zingaresca); Gabriel Garcia Marquez (o Melqu\u00edades, de Cem anos de solid\u00e3o); D.H. Lawrence (A Virgem e o Cigano); Stephen King (romance A Maldi\u00e7\u00e3o do Cigano); e Bartolomeu Campos de Queiroz (Ciganos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS CORRERIAS E O FIM DO ESCRAVISMO Fotos divulga\u00e7\u00e3o As \u201ccorrerias de ciganos\u201d ocorreram por diversos fatores, como o fim do escravismo, quando muitos bandos perderam sua principal atividade econ\u00f4mica, principalmente no Campo de Santana, nas ruas dos Ciganos e no Valongo, no Rio de Janeiro. Com isso, a comunidade foi entrando em decad\u00eancia. 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