{"id":4756,"date":"2020-06-22T23:57:13","date_gmt":"2020-06-23T02:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4756"},"modified":"2020-06-22T23:57:39","modified_gmt":"2020-06-23T02:57:39","slug":"ciganos-no-brasil-uma-breve-historia-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/06\/22\/ciganos-no-brasil-uma-breve-historia-parte-iii\/","title":{"rendered":"&#8220;CIGANOS NO BRASIL &#8211; UMA BREVE HIST\u00d3RIA&#8221; (PARTE III)"},"content":{"rendered":"<p>UM CIGANO NA PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 teve presidentes nordestino (pau-de-arara), ga\u00facho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, agora um s\u00e1dico capit\u00e3o, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek que construiu Bras\u00edlia, que virou um covil de ladr\u00f5es, mas n\u00e3o por culpa da na\u00e7\u00e3o cigana.<\/p>\n<p>Quem revelou esta curiosidade, que eu nem sabia, foi o autor do livro \u201cCiganos no Brasil \u2013 Uma Breve Hist\u00f3ria\u201d, de Rodrigo Corr\u00eaa Teixeira. J\u00e1 vimos que os Calon, ou Kal\u00e9, vieram da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e aqui se aportaram desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>O grupo Rom, ou Roma<\/p>\n<p>No entanto, na primeira metade do s\u00e9culo XIX, o Brasil recebeu o grupo Rom, ou Roma, da Europa do Leste, com suas fam\u00edlias. De acordo com informa\u00e7\u00f5es, o Rom que mais cedo chegou ao territ\u00f3rio mineiro foi Jan Nepomuscky Kubitschek, que trabalhou comO marceneiro no Serro e em Diamantina.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0407.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4757\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0407.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0407.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0407-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sua alcunha era \u201cJo\u00e3o Alem\u00e3o\u201d, um imigrante vindo da Bo\u00eamia, parte do Imp\u00e9rio Austro-H\u00fangaro, que deve ter entrado no Brasil, segundo Teixeira, por volta de 1830-1835, casando-se pouco depois com a brasileira Teresa Maria de Jesus, que teve dois filhos, Jo\u00e3o Nepomuceno Kubitschek, um destacado pol\u00edtico (chegou a ser senador). O segundo filho foi Augusto Elias Kubitschek, um comerciante com escassos recursos que viveu toda sua vida em Diamantina.<\/p>\n<p>Augusto foi primeiro suplente de subdelegado de pol\u00edcia em 1889 e teve uma filha de nome J\u00falia Kubitschek, que viria a ser a m\u00e3e de Juscelino Kubitschek (1902-1976) e se tornou presidente da Rep\u00fablica no per\u00edodo de 1956 a 1960, com o apelido de JK. Com sua boemia e veia art\u00edstica, foi um cigano, ou descendente de ciganos Rom.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0410.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4758\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0410.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0410.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/IMG_0410-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que a partir de 1865, quando foi abolida a escravid\u00e3o cigana na atual Rom\u00eania, na d\u00e9cada de 30, \u201chavia entrado em Minas Gerais um cigano Rom\u201d. Os historiadores n\u00e3o citam essa passagem de que Juscelino era um cigano imigrante do Leste Europeu.<\/p>\n<p>De acordo com o autor da obra, somente a partir da segunda metade do s\u00e9culo XIX, os Rom vieram em n\u00famero significativo para o Brasil, provenientes da It\u00e1lia, Alemanha, dos Balc\u00e3s e da Europa Central. O escritor James W. Wells, em seu livro publicado, em 1886, identifica como sendo romenos (Rom) os ciganos de Contendas, que entraram em 1873. Aponta ainda que em maio de 1899, chegou \u00e0 cidade de Palmyra um bando de cerca de 40 ciganos, composto de indiv\u00edduos de nacionalidade italiana e grega.<\/p>\n<p>Acredita-se que esses Rom vieram em maior quantidade no final do s\u00e9culo XIX, juntamente com a primeira onda migrat\u00f3ria de italianos, alem\u00e3es, poloneses, russos e gregos, apesar da pol\u00edcia portu\u00e1ria ter proibido o desembarque de ciganos em territ\u00f3rio brasileiro. Eles se disfar\u00e7avam e entravam como imigrantes, com nomes diferentes.<\/p>\n<p>Saltimbancos e criminosos<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Muitos tornaram-se saltimbancos, apresentando animais amestrados (ursos, macacos, c\u00e3es). O chefe de um dos grupos, homem alto e corpulento de cabelos cumpridos chegou a ser detido. N\u00e3o sabendo se explicar em portugu\u00eas e outra l\u00edngua, terminou por fazer exibi\u00e7\u00f5es no p\u00e1tio da cadeia. Existem referencias tamb\u00e9m a ciganos oriundos da S\u00e9rvia, da fam\u00edlia Anovich, Ivanovich e Petrovich.<\/p>\n<p>Nas p\u00e1ginas policiais dos jornais, as not\u00edcias consideram os ciganos como criminosos, ladr\u00f5es e z\u00edngaros (velhacos), e as ciganas como \u201cbruxas\u201d trambiqueiras que enganam o povo praticando a quiromancia, furtando e mendigando. At\u00e9 os intelectuais foram preconceituosos em seus escritos. Um recorte do Di\u00e1rio da Bahia, de janeiro de 1935, informa que a cidade estava infestada de ciganos e cita, nominalmente, as fam\u00edlias Michlos e Ducas, de origem n\u00e3o declarada.<\/p>\n<p>Um artigo de jornal do Rio de Janeiro, de 1936. destaca que, em raz\u00e3o do servi\u00e7o da pol\u00edcia na capital, muitas col\u00f4nias se transferiram para o interior, mas ainda existem alguns n\u00facleos de z\u00edngaros da Gr\u00e9cia e da Iugosl\u00e1via. Estes ficavam num botequim da Rua Senador Pompeu, na maior ociosidade. S\u00f3 as mulheres trabalhavam, iludindo a boa f\u00e9 das pessoas \u00e0 custa da \u201cbuena dicha\u201d (leitura das raias das m\u00e3os). Os da Gr\u00e9cia viviam no Meyer e s\u00e3o mais prestativos. Os homens trabalham como consertadores de caldeir\u00f5es e panelas. As mulheres se ocupam com a leitura da sorte. Suas casas n\u00e3o t\u00eam mob\u00edlia, mas tapetes velhos e imundos e dormem no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Ciganos em Minas e as posturas<\/p>\n<p>As Posturas Municipais regulamentavam o alinhamento das constru\u00e7\u00f5es, a sa\u00fade p\u00fablica, a assist\u00eancia social e outras leis. A partir desse modelo, as prefeituras organizavam seus c\u00f3digos de acordo com suas pr\u00f3prias necessidades. Em Minas, apesar das posturas elaboradas desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, como as de Ouro Preto, \u00e9 a partir das reformula\u00e7\u00f5es nas c\u00e2maras, implantadas em 1828, que elas s\u00e3o organizadas sistematicamente. As de Mariana, Sabar\u00e1 e Queluz, as posturas foram feitas em 1829.<\/p>\n<p>Afirma o autor, cuja pesquisa contemplou todo o conjunto de posturas, que o artigo do c\u00f3digo de Parahybuna, de 1857, relaciona os ciganos. O \u00faltimo c\u00f3digo de que se tomou conhecimento \u00e9 o de Dores da Boa Esperan\u00e7a, de 1895, que j\u00e1 apresentava men\u00e7\u00f5es aos ciganos. \u201cAssim totalizaram-se 61 Posturas Municipais com artigos contra os ciganos, at\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>O C\u00f3digo de Mariana (17\/09\/1829), apontado por muitos como modelo, n\u00e3o citava os ciganos, bem como as Posturas de Ouro Preto, de 1720-1826 e de 1830-1837. No entanto, apareceram artigos contra ciganos nas Posturas de Sabar\u00e1 e Queluz. Nos c\u00f3digos da metade do s\u00e9culo XIX, os munic\u00edpios colocam os ciganos como indiv\u00edduos suspeitos por barganhar escravos e animais adquiridos ilicitamente. No final do s\u00e9culo, a presen\u00e7a deles nas cidades \u00e9 amea\u00e7adora \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica. As medidas eram cada vez mais repressivas, buscando retirar os ciganos das ruas e envi\u00e1-los para outras cidades vizinhas.<\/p>\n<p>Os ciganos sempre ocupavam os espa\u00e7os mais insalubres e fora do per\u00edmetro urbano por causa do cerceamento \u00e0 liberdade de movimenta\u00e7\u00e3o e do controle de suas a\u00e7\u00f5es. A presen\u00e7a deles era uma afronta \u00e0 ordem m\u00e9dica e \u00e0 sa\u00fade, e a sociedade os associava \u00e0 irracionalidade, aos modos rudes, ao atraso cultural e ao analfabetismo. \u201cPerambulando por ruelas e becos malcheirosos, ciganos pobres com suas crian\u00e7as esfarrapadas, comp\u00f5em a feiura da cena urbana\u201d.<\/p>\n<p>Dentro do projeto civilizat\u00f3rio, n\u00e3o era conceb\u00edvel a movimenta\u00e7\u00e3o dos ciganos, a p\u00e9 e a cavalo pelo espa\u00e7o p\u00fablico. Fixar-se num determinado lugar era um dos primeiros objetivos da disciplina. Como indica o artigo 111 das posturas da C\u00e2mara de Sabar\u00e1 (1829), os ciganos tamb\u00e9m acampavam em fazendas pr\u00f3ximas \u00e0 cidade, onde havia mais liberdade e espa\u00e7o para a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Explica o autor, que os espa\u00e7os privados deles se confundiam com o p\u00fablico devido ao modo de vida ao ar livre, onde as barracas deixavam ver seu interior. Por isso, eram associados \u00e0 imundice e \u00e0 imoralidade. Desde a col\u00f4nia, a mulher cigana tinha um comportamento oposto ao da mulher branca das camadas superiores que vivia confinada em casa. A cigana ia e vinha pelas ruas para ler a sorte e disputava, como a negra, a aten\u00e7\u00e3o dos pedestres. Os homens iam para barganhar e fazer seus neg\u00f3cios. Aproveitavam o espa\u00e7o para se informar de prov\u00e1veis a\u00e7\u00f5es policiais. A maioria caracterizava-se pela pobreza. Nunca eram considerados pobres, mas um grupo \u00e9tnico diferenciado, uma ra\u00e7a de ladr\u00f5es, sujos e pregui\u00e7osos \u2013 destaca Rodrigo Teixeira.<\/p>\n<p>Em seu estudo, observa que o artigo 295 do C\u00f3digo Criminal do Imp\u00e9rio (1830) referia-se aos vadios de forma geral, mas as Posturas Municipais especificavam a preocupa\u00e7\u00e3o com os ciganos. Mesmo assim, os ciganos n\u00f4mades continuaram vagando de cidade em cidade, pelas ruas durante todo s\u00e9culo XIX. Sempre queriam ter o direito de ir e vir, em qualquer parte, em busca de subsist\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEm geral, a forma mineira cigana de apropria\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o seria guiada por uma racionalidade civilizat\u00f3ria sedent\u00e1ria, enquanto a do cigano direcionada por uma racionalidade comunit\u00e1ria e pelo nomadismo\u201d, que facilita a estrat\u00e9gia de invisibilidade e da fluidez entre as brechas que a sociedade deixa em aberto. Uma estrat\u00e9gia para a manuten\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9tnica.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do autor do trabalho, a territorialidade cigana se manifesta em diversas escalas, como as tendas, o acampamento, a cidade, os itiner\u00e1rios e as regi\u00f5es como espa\u00e7os com os quais os ciganos estabelecem diferentes e complexas rela\u00e7\u00f5es. Onde acampavam, eles chegavam e saiam sazonalmente (havia algumas fam\u00edlias sedent\u00e1rias). Muitas vezes procuravam locais de dif\u00edcil acesso, para evitar que a pol\u00edcia os encontrassem. Pelos caminhos mais isolados, n\u00e3o encontravam com a ocasional hospitalidade dos donos das fazendas e s\u00edtios.<\/p>\n<p>\u201cCorrerias de Ciganos\u201d em Minas<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo \u201cCorrerias de Ciganos\u201d em Minas Gerais no s\u00e9culo XIX, Rodrigo Teixeira relata as invas\u00f5es, e cita o dicion\u00e1rio de Ant\u00f4nio de Moraes Filho que traduz correria como sendo uma assaltada repentina de inimigos, que v\u00e3o correr a terra, e as autoridades encaravam eles como perturbadores da ordem. Na \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, a pol\u00edcia mineira executou v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es de combate aos ciganos e informa que teve o maior n\u00famero de baixas em servi\u00e7o durante os confrontos. De Ouro Preto partiam as Brigadas Policiais.<\/p>\n<p>O chefe de pol\u00edcia do estado os transcrevia como desligados das agremia\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias, como fora dos sentimentos patri\u00f3ticos e divorciados das mais rudimentares no\u00e7\u00f5es de dever c\u00edvico. Assim, s\u00e3o tratados como apol\u00edticos, sem p\u00e1tria, sem religi\u00e3o, sem lei e incivilizados. Como \u201cforasteiros\u201d, s\u00e3o vistos com extremo temor, pois se apresentam \u201cde armas na m\u00e3o, conduzindo muni\u00e7\u00f5es de guerra\u201d, semeando o \u201cterror por toda parte\u201d, \u201cvivendo at\u00e9 aqui dos roubos e pelos roubos\u201d.<\/p>\n<p>Ser cigano era estar sob suspeita para a pol\u00edcia\u2013 assinala o escritor. Por isso, eram presos, torturados; tinham seus bens confiscados e enfrentavam tiroteios apenas por serem ciganos. Cita que, na localidade de Fonseca, \u201cinvadida e saqueada\u201d por ciganos, morreram o bravo alferes Symphoriano Alves dos Passos e uma pra\u00e7a. N\u00e3o foi feita refer\u00eancia a ciganos vitimados.<\/p>\n<p>Ao comentar a morte do alferes, o chefe de pol\u00edcia n\u00e3o poupa preconceitos, chamando os ciganos de v\u00e2ndalos, chefiados por criminosos de homic\u00eddios. Conta que o confronto contra a \u201chorda de ciganos\u201d, foi capitaneado por Deolindo de Souza, desertor da Brigada do Rio de Janeiro, mas existe controv\u00e9rsia. H\u00e1 a possibilidade de Deolindo ser cigano de nascimento e de ter se casado com uma cigana.<\/p>\n<p>Outro lugar que recebeu grande contingente da for\u00e7a policial foi a Zona da Mata, desde que os ciganos \u201cinfestavam diversas localidades, cometendo \u201ctoda sorte de depreda\u00e7\u00f5es\u201d. Muitas persegui\u00e7\u00f5es surgiam gratuitamente, sem acusa\u00e7\u00e3o de delitos. A pol\u00edcia ia ao encal\u00e7o deles por serem ciganos, como ficou comprovado em v\u00e1rios epis\u00f3dios. Quando realizavam dilig\u00eancias, eram convocados paisanos. A inten\u00e7\u00e3o era expuls\u00e1-los para fora dos limites do munic\u00edpio, fazendo uso da viol\u00eancia, como ocorreu em S\u00e3o Jo\u00e3o Nepomuceno, Ub\u00e1, Muzambinho e Ponte Nova. A pol\u00edcia tocava eles para o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Quando presos e escorra\u00e7ados, os bens eram confiscados e leiloados em benef\u00edcio dos cofres do Tesouro. A apreens\u00e3o era feita sob a alega\u00e7\u00e3o dos bens serem roubados. Eram encontrados rel\u00f3gios de ouro, arreios de prata e at\u00e9 roupas. Revela o autor em sua pesquisa, que os jornais, a partir de 1881 at\u00e9 1897, divulgaram uma s\u00e9rie de not\u00edcias intituladas \u201cCorrerias de Ciganos\u201d, \u201cBandos de Ciganos\u201d e \u201cCiganos\u201d, com acusa\u00e7\u00f5es de sequestro de uma ing\u00eanua mo\u00e7a e roubos de animais. Nestas mat\u00e9rias, o texto aproximava-se bastante dos textos policiais. Sempre elogiavam as atua\u00e7\u00f5es das for\u00e7as policiais. Em 1886, por exemplo, o Liberal Mineiro acusa \u201cuma tro\u00e7a de ciganos, que tem percorrido diversos pontos da prov\u00edncia\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UM CIGANO NA PRESID\u00caNCIA DA REP\u00daBLICA O Brasil j\u00e1 teve presidentes nordestino (pau-de-arara), ga\u00facho fazendeiro, mineiros, paulistas, marechal das Alagoas, generais da ditadura civil-militar, agora um s\u00e1dico capit\u00e3o, mas poucos sabem de um presidente-cigano, Juscelino Kubitschek que construiu Bras\u00edlia, que virou um covil de ladr\u00f5es, mas n\u00e3o por culpa da na\u00e7\u00e3o cigana. 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