{"id":4725,"date":"2020-06-11T22:12:24","date_gmt":"2020-06-12T01:12:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4725"},"modified":"2020-06-11T22:12:33","modified_gmt":"2020-06-12T01:12:33","slug":"fronteiras-das-barbaries","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/06\/11\/fronteiras-das-barbaries\/","title":{"rendered":"FRONTEIRAS DAS BARB\u00c1RIES"},"content":{"rendered":"<p>De Jeremias Mac\u00e1rio, em homenagem a Camilo de Jesus Lima.<\/p>\n<p>Deixa essa gente avan\u00e7ar a fronteira, gente!<\/p>\n<p>Deixa essa gente ir em frente com sua dor!<\/p>\n<p>Abra os espa\u00e7os de a\u00e7os e baixe as armas!<\/p>\n<p>Idosos, crian\u00e7as e a gente de toda idade;<\/p>\n<p>S\u00e3o filhos dos bombardeios do horror;<\/p>\n<p>Gente do mar revolto e da terra quente,<\/p>\n<p>Faminta de olhos tristes e m\u00e3os desarmadas,<\/p>\n<p>P\u00e9s que se arrastam em busca da liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olha aquela gente, mo\u00e7o, que mira o poente!<\/p>\n<p>Sente como vem em dire\u00e7\u00e3o da nossa gente?<\/p>\n<p>Como o povo do deserto fugindo do Fara\u00f3;<\/p>\n<p>Uns com seus filhos e outros andando s\u00f3,<\/p>\n<p>Cortando mares, montes, cercas e serras;<\/p>\n<p>Passos apressados para fugir da barb\u00e1rie,<\/p>\n<p>Do \u00f3dio \u00e9tnico-religioso de \u201csantas guerras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Abra a fronteira pra essa gente atravessar!<\/p>\n<p>Gente que vem da espada dos templ\u00e1rios!<\/p>\n<p>Como sangria do terror nazista mao\u00edsta,<\/p>\n<p>Do poder radical do deus fundamentalista,<\/p>\n<p>Que n\u00e3o porta len\u00e7os revolucion\u00e1rios;<\/p>\n<p>S\u00f3 mochilas com as saudades do seu lar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mundo vai ser todo murado e cercado!<\/p>\n<p>Como fazendas fortalezas latifundi\u00e1rias,<\/p>\n<p>E quem n\u00e3o tiver terra, gente, vai ser boiada;<\/p>\n<p>Viver como escravo e comer a ra\u00e7\u00e3o dada,<\/p>\n<p>Como palestino perseguido na Faixa de Gaza;<\/p>\n<p>Latino clandestino entre o M\u00e9xico e a estrada;<\/p>\n<p>Haitiano na Amaz\u00f4nia pra vagar numa Plaza,<\/p>\n<p>E todo refugiado como p\u00e1rias nas ferrovi\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As l\u00e1grimas se misturam \u00e0s poeiras,<\/p>\n<p>No rosto daquele solit\u00e1rio menino,<\/p>\n<p>Sa\u00eddo dos escombros das antigas ru\u00ednas,<\/p>\n<p>Da linha de fogo das mortais fronteiras,<\/p>\n<p>Do ch\u00e3o lend\u00e1rio e m\u00edtico do bedu\u00edno,<\/p>\n<p>Onde um dia gerou o filho real ungido,<\/p>\n<p>Para pregar conviv\u00eancia sem conflito,<\/p>\n<p>E poder desbravar seu sonho sem finito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Das profecias dos tempos os sinais:<\/p>\n<p>A marcha de horrores estarrece o mundo,<\/p>\n<p>Vinda das montanhas \u00e1ridas em chamas;<\/p>\n<p>Cruza al\u00e9m-mar das profundas sepulturas,<\/p>\n<p>Para cobrar d\u00edvida do passado de usuras,<\/p>\n<p>Dos exploradores dos miser\u00e1veis sal\u00e1rios,<\/p>\n<p>Em nome de seus b\u00e1rbaros cru\u00e9is ide\u00e1rios,<\/p>\n<p>De expandir seus territ\u00f3rios imperiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Deixem que os vivos das longas andan\u00e7as,<\/p>\n<p>Vindos dos por\u00f5es dos barcos sufocantes,<\/p>\n<p>Deste dantesco inferno dos mil dem\u00f4nios,<\/p>\n<p>Derrubem essas amaldi\u00e7oadas fronteiras;<\/p>\n<p>Sigam em dire\u00e7\u00e3o de seus novos horizontes,<\/p>\n<p>Para acalentar o choro e curar as feridas,<\/p>\n<p>Nascidas do ventre de suas p\u00e1trias partidas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>L\u00e1 vem gente avexada pra fazer a travessia!<\/p>\n<p>N\u00e3o para guerrear por dom\u00ednio de etnia,<\/p>\n<p>Nem para detonar as igrejas e as mesquitas;<\/p>\n<p>L\u00e1 vem gente que s\u00f3 pede por passagem!<\/p>\n<p>Numa hom\u00e9rica viagem sem eiras nem beiras,<\/p>\n<p>Como ventania que n\u00e3o teme o sol e o frio;<\/p>\n<p>Sem tanques, sem bombas, s\u00edmbolos ou fuzil;<\/p>\n<p>Gente que s\u00f3 quer atravessar as fronteiras!<\/p>\n<p>Gente que s\u00f3 quer passar por essas gentes,<\/p>\n<p>Das cercas farpadas e de armas nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem \u00e9 essa gente vinda da \u00c1frica e da \u00c1sia?<\/p>\n<p>Navega perdida pelo Mediterr\u00e2neo e o Egeu,<\/p>\n<p>Nos mares revoltos do Olimpo de Prometeu,<\/p>\n<p>Para ingressar na Gr\u00e9cia dos s\u00e1bios fil\u00f3sofos,<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia dos c\u00e9sares romanos conquistadores,<\/p>\n<p>Que sai da S\u00edria, L\u00edbia, Sud\u00e3o e da Turquia,<\/p>\n<p>Em longa jornada at\u00e9 a Cro\u00e1cia e a Hungria,<\/p>\n<p>Que se amontoa nas esta\u00e7\u00f5es chiques de trem;<\/p>\n<p>Pendura e se espreme nos macios vag\u00f5es,<\/p>\n<p>Como se fosse para campos de concentra\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p>Gente que morre em frigor\u00edficos de caminh\u00f5es,<\/p>\n<p>Para a Inglaterra, Fran\u00e7a, \u00c1ustria e Alemanha,<\/p>\n<p>Pa\u00edses que dessa pobre gente se envergonha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 esta t\u00e3o f\u00fatil primitiva,<\/p>\n<p>Que solta foguetes acima espa\u00e7os lunares;<\/p>\n<p>Investe bilh\u00f5es com bombas nucleares,<\/p>\n<p>Como sempre fez o letal ianque do norte,<\/p>\n<p>Que exterminou toda sua gente \u00edndia nativa,<\/p>\n<p>E agora cala e deixa essa gente \u00e0 pr\u00f3pria sorte?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 esta t\u00e3o hip\u00f3crita crist\u00e3,<\/p>\n<p>Que aponta o outro lado como o eixo do mal;<\/p>\n<p>Trata os mul\u00e7umanos como se fossem animais,<\/p>\n<p>Atirando dos muros sanduiches e gazes letais?<\/p>\n<p>\u00c9 uma civiliza\u00e7\u00e3o individualista e ainda pag\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 esta uma civiliza\u00e7\u00e3o com a mente s\u00e3;<\/p>\n<p>Nem \u00e9 a minha, nem dos que rogam por paz,<\/p>\n<p>Mas a deles que vendem uma hist\u00f3ria irreal,<\/p>\n<p>E invade na\u00e7\u00f5es s\u00f3 para aumentar o cabedal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 esta da crian\u00e7a morta a boiar,<\/p>\n<p>Nas ondas da praia vindas do outro lado de l\u00e1,<\/p>\n<p>De um mar de tormentas de l\u00e1grimas a derramar,<\/p>\n<p>Em plena era tecnol\u00f3gica assassina irracional,<\/p>\n<p>Que n\u00e3o aprendeu com o fim do imp\u00e9rio romano,<\/p>\n<p>Com o tempo da opress\u00e3o do reino Otomano,<\/p>\n<p>Com a brutal Cruzada das iras religiosas,<\/p>\n<p>Com as c\u00e2maras de g\u00e1s de seres em fornalhas,<\/p>\n<p>Com as inquisi\u00e7\u00f5es das fogueiras criminosas,<\/p>\n<p>Com os czares e tiranos bestas feras canalhas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 esta amedrontada e dividida;<\/p>\n<p>Desumana que caminha para a destrui\u00e7\u00e3o fatal,<\/p>\n<p>Que fez um pacto com o diabo pelo vil metal,<\/p>\n<p>Que criou os filosofismos e outros tantos ismos,<\/p>\n<p>Numa hist\u00f3ria banhada de sangue e barbarismos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como j\u00e1 disse uma vez o grande poeta da terra:<\/p>\n<p>\u201cMe solta gente que eu quero atravessar a fronteira\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Jeremias Mac\u00e1rio, em homenagem a Camilo de Jesus Lima. Deixa essa gente avan\u00e7ar a fronteira, gente! Deixa essa gente ir em frente com sua dor! Abra os espa\u00e7os de a\u00e7os e baixe as armas! 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