{"id":4688,"date":"2020-05-25T23:57:25","date_gmt":"2020-05-26T02:57:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4688"},"modified":"2020-05-25T23:57:37","modified_gmt":"2020-05-26T02:57:37","slug":"a-vida-secreta-de-fidel-as-revelacoes-de-seu-guarda-costas-pessoal-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/05\/25\/a-vida-secreta-de-fidel-as-revelacoes-de-seu-guarda-costas-pessoal-final\/","title":{"rendered":"A VIDA SECRETA DE FIDEL &#8211; AS REVELA\u00c7\u00d5ES DE SEU GUARDA-COSTAS PESSOAL (FINAL)"},"content":{"rendered":"<p>Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo do livro diz, o autor Juan Reinaldo S\u00e1nchez revela a vida do el comandante de Cuba, falando de sua dinastia, da escolta, dos guerrilheiros do mundo, a revolu\u00e7\u00e3o de Fidel na Nicar\u00e1gua, sua viagem a Moscou, a mania das grava\u00e7\u00f5es, a obsess\u00e3o venezuelana, sua fortuna e Fidel em Angola com sua arte da guerra. Confessa que foi testemunho de tudo, principalmente durante dezessete anos em que foi guarda-costas pessoal do homem que foi um mito. Jura que tudo \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Sobre sua dinastia, afirma que Fidel casou uma primeira vez com a burguesa Mirta D\u00edaz-Balart, e uma segunda com a professora Dalia Soto del Valle. Enganou a primeira com a bela Naty Revuelta e a segunda com a camarada Celia S\u00e1nchez. Ao rol de conquista, acrescenta outras amantes, como Juana Vera, \u201cJuanita\u201d, sua int\u00e9rprete oficial e coronel do Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0294.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4689\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0294.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0294.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0294-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fidel viveu anos na clandestinidade e abriu um fosso entre sua vida p\u00fablica e privada. Diz o autor da obra, que os cubanos s\u00f3 foram conhecer D\u00e1lia, sua mulher desde 1961, em 2006, quando gravemente doente confiou as r\u00e9deas do poder ao seu irm\u00e3o Raul. Durante as grandes ocasi\u00f5es nacionais, era Vilma Esp\u00edn, esposa de Raul, quem aparecia ao lado do comandante, fazendo o papel de primeira dama. Ela era presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Mulheres Cubanas.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um perigoso comunista<\/p>\n<p>S\u00e1nchez salienta que seu chefe desempenhava mal seu papel de pai. Fala do primog\u00eanito Fidelito, que nasceu em 1949 de Mirta D\u00edaz-Balart, ligada diretamente ao regime de Batista. El comandante ainda era um estudante de direito. Depois de triunfar em 1959, Fidel, ao lado de Fidelito, encenou num canal de televis\u00e3o norte-americana de que n\u00e3o era um perigoso comunista, mas um bom pai de fam\u00edlia como qualquer outro ianque.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0295.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4690\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0295.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0295.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0295-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dez anos depois, Fidelito foi para a R\u00fassia com o pseud\u00f4nimo de Jos\u00e9 Raul e l\u00e1 se casou com a bela Natalia Smirnova e teve tr\u00eas filhos. Fez f\u00edsica nuclear e, quando retornou a Havana, em 1970, foi nomeado pelo pai como chefe da Comiss\u00e3o Cubana de Energia At\u00f4mica, criada em 1980. Em 1992 foi demitido e rebaixado ao cargo de funcion\u00e1rio conselheiro das quest\u00f5es energ\u00e9ticas,<\/p>\n<p>Seu meio irm\u00e3o, Jorge \u00c1ngel, tamb\u00e9m nascido em 1949 e fruto de uma aventura amorosa do pai com Maria Laborde, \u00e9 o mais desconhecido. O comandante, como afian\u00e7ou S\u00e1nchez, sempre manteve dist\u00e2ncia desse filho. Seu grande amor foi Nat\u00e1lia Revuelta, a mulher mais linda da capital. Quando esteve preso, em 1953, na penitenci\u00e1ria Isla de Pinos, ela sempre o visitava. Em 1956, Natalia deu \u00e0 luz, Alina, \u00fanica filha mulher do l\u00edder. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o, Fidel continuou visitando a bela Naty, como era chamada.<\/p>\n<p>Nos anos 60, Alina e a m\u00e3e foram enviados a Paris por ordem do comandante. De volta a Havana, aos 14 anos, mostrou-se rebelde e com a inten\u00e7\u00e3o de deixar Cuba. Suas rela\u00e7\u00f5es com o pai sempre foram tempestuosas. Tronou-se modelo. Certo dia fez um comercial do Rum Havana Club de biqu\u00edni.<\/p>\n<p>Filha e irm\u00e3 fogem de Cuba<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0297.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4691\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0297.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0297.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/IMG_0297-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O pai ficou furioso. A filha sempre tentou fugir de Cuba e Fidel colocou agentes secretos em sua cola, em 1993. Dois anos depois ela saiu clandestinamente de Cuba, usando uma peruca e um falso passaporte espanhol. Primeiro foi para Madrid. Foi um esc\u00e2ndalo, como da sua quarta irm\u00e3 Juanita, em 1964 (eram seis irm\u00e3os).<\/p>\n<p>Depois de Mirta e Naty, veio Dalia Soto del Valle, em 1961, ano da invas\u00e3o da Baia dos Porcos. Com ela, teve cinco filhos, Alexis, Alex, Alejandro, Ant\u00f4nio e Angelito. O pai nunca gostou do Fidelito, do Jorge \u00c1ngel e Alina. Ele teve, segundo o autor da obra, mais quatro outros filhos ileg\u00edtimos.<\/p>\n<p>A resid\u00eancia de Punto Cero<\/p>\n<p>Em sua narra\u00e7\u00e3o, S\u00e1nchez tamb\u00e9m descreve a resid\u00eancia de Punto Cero, um terreno de trinta hectares, onde morava com Dalia e os filhos. Era uma casa senhoril. Ele faz um paralelo sobre a abund\u00e2ncia e o luxo da fam\u00edlia de Fidel (cozinheiros, empregados e jardineiros) com os tempos dif\u00edceis de racionamento de comida dos cubanos. Diz que cada membro da fam\u00edlia tinha sua pr\u00f3pria vaca para que o gosto pessoal de cada um pudesse ser satisfeito.<\/p>\n<p>\u201cO jantar do comandante compunha-se de peixe grelhado, frutos do mar, frango, ovelha, presunto pata negra, mas nunca carne de gado. Dos costumes, quando um dos filhos queria falar com o pai, tinha primeiro que passar por Dalia, e o marido marcava um hor\u00e1rio que lhe conviesse. Os filhos s\u00f3 aproximaram um pouco dele durante sua convalescen\u00e7a, em 2006, quando esteve \u00e0 beira da morte, e os cubanos nada sabiam. Um s\u00f3sia fazia o papel do comandante para enganar o povo de que ele estava bem.<\/p>\n<p><!--more--> Ele conta a hist\u00f3ria do famoso Roberto Vesco, foragido dos Estados Unidos por ter fraudado o fisco em 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Estava em Cuba. Os ianques descobriram, e S\u00e0nchez imagina que Fidel deve ter pedido um bom dinheiro para manter o bandido em Cuba. Mais tarde, o comandante resolveu se livrar do incomodo, condenando a treze anos de pris\u00e3o. Foi assim que morreu, em 2007, sem os americanos por as m\u00e3os nele.<\/p>\n<p>Trai\u00e7\u00e3o da mulher e sua escolta<\/p>\n<p>S\u00e0nchez lembra da viagem de Fidel pelo pa\u00eds, quando cortou as rela\u00e7\u00f5es com Dalia, dormindo em v\u00e1rias das vinte casas em que possu\u00eda. Isto aconteceu porque Fidel descobriu a trai\u00e7\u00e3o da mulher com um membro da escolta, chamado Jorge, que logo saiu de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na verdade, como narra o autor da obra, Fidel considerava sua escolta como verdadeira fam\u00edlia. Era com seus guarda-costas que festejava as datas nacionais de 1\u00ba de janeiro, 13 de agosto (anivers\u00e1rio de Fidel)\u00a0 e 26 de julho, o dia do in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o anti-Batista. Participavam da festan\u00e7a, entre outros, seu assistente Jos\u00e9 Pep\u00edn Naranjo, Ant\u00f4nio Jim\u00e9nez, amigo ge\u00f3grafo e Manuel Pineiro, o grande espi\u00e3o, chamado de Barbarroja.<\/p>\n<p>Sobre o temperamento do chefe, S\u00e1nchez declara que era um astuto, obstinado e que tinha uma convic\u00e7\u00e3o s\u00f3lida de que todos os meios s\u00e3o bons para chegar aos seus fins, inclusive com mentiras. Como Stalin, contava sempre suas hist\u00f3rias de vantagens e todos riam e acreditavam.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a do comandante<\/p>\n<p>Depois do triunfo, Fidel substituiu seus guarda-costas guerrilheiros por militantes do Partido Socialista Popular. Foi quando entraram em cena Alfredo Gamonal e Jos\u00e9 Abrantes. O comandante era bem protegido, principalmente quando viajava para as prov\u00edncias e para o exterior. Contava sempre com um refor\u00e7o, al\u00e9m dos guarda-costas, o chamado segundo anel. Eram oficiais da contraespionagem.<\/p>\n<p>Todos os agentes da informa\u00e7\u00e3o eram mobilizados, inclusive dois que tinham sangue \u201cA negativo\u201d, o tipo do el jefe. e seu s\u00f3sia (pouco parecido com ele) Silvino \u00c1lvarez. Ele foi muito utilizado em 1983 e 1992 quando Fidel ficou gravemente enfermo. O falso Fidel passava na limusine presidencial (banco de tr\u00e1s) nos principais pontos de Havana, acenando para o povo.<\/p>\n<p>Quando Fidel ia diariamente ao Pal\u00e1cio da Revolu\u00e7\u00e3o, saindo de Punto Cero, o itiner\u00e1rio utilizado mudava no \u00faltimo minuto, de modo que nem mesmo os pr\u00f3prios guarda-costas sabiam o caminho escolhido pelo chefe da escolta. Os tr\u00eas carros do cortejo mudavam o tempo todo de posi\u00e7\u00e3o, para que ningu\u00e9m soubesse em que ve\u00edculo estava el l\u00edder m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>A frota sempre era renovada. S\u00e1nchez conta que ao fim da VI C\u00fapula do Movimento dos N\u00e3o Alinhados, ocorrida em setembro de 1979, em Havana, o presidente iraquiano Saddam Hussein ofereceu ao colega cubano uma Mercdes-Benz 560 blindado que trouxera consigo de Bagd\u00e1. Um dos ve\u00edculos tinha uma geladeira com refrigerantes, cervejas, garrafas de \u00e1gua e leite de vaca, um litro de leite de cabra e iogurtes naturais ou de lim\u00e3o, um dos preferidos do jefe. O bagageiro do Mercdes presidencial sempre guardava uma mala preta com uma Kalashnikov AKM, com cinco carregadores de quarenta cartuchos. Esse fuzil era a arma pessoal de Fidel, a qual ele utilizava nos exerc\u00edcios de tiro e sempre levava para casa \u00e0 noite.<\/p>\n<p>Em seu livro, revela ainda que era ele, o guarda-costas pessoal, quem alugava casas ou reservas nos hot\u00e9is. Com uma mala de dinheiro vivo, \u201ccheguei a comprar algumas casas, especialmente na \u00c1frica, quando julgava que esta seria a melhor maneira de garantir a seguran\u00e7a de Fidel durante a noite\u201d.<\/p>\n<p>Destaca o guarda-costas, que foi promovido a tenente em 1979, a capit\u00e3o em 1983, a major em 1987 e a tenente-coronel em 1991. \u201cSempre procurei fazer bem o meu trabalho. Quando me perguntavam o que representava Fidel para mim, se um pai, dizia que ele era um deus. Acreditava em tudo que ele dizia e teria morrido por ele. Seguia cegamente nos nobres ideais da Revolu\u00e7\u00e3o. Abri os olhos mais tarde\u201d.<\/p>\n<p>Confessa que dentro da escolta, o conv\u00edvio era excelente, ao menos durante o per\u00edodo do reinado de Domingo Mainet, isto \u00e9, antes da chegada, em 1987, de seu imbecil sucessor Jos\u00e9 Delgado Castro, o mais incapaz dos chefes. Na realidade, \u201co verdadeiro chefe da escolta de Fidel era ele mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Em nosso trabalho, assinalou que sempre analis\u00e1vamos todas as tentativas de atentados, exitosas ou n\u00e3o contra chefes de Estado ou personalidades, como John e Robert Kennedy (1963 e 1968), Anast\u00e1sio Somoza (1980), Jo\u00e3o Paulo II (1981), Indira Gandhi (1984), dentre outros. Naqueles tempos da Guerra Fria, \u201cnossa preocupa\u00e7\u00e3o era imaginar, prever, antecipar e evitar qualquer tipo de ataque ao el comandante, principalmente nos anos 80 quando Ronald Reagan jurou derrubar o comunismo internacional. De tempos em tempos, um motorista da Unidade 160 era designado para testar a bebida de Fidel\u201d.<\/p>\n<p>Em sua obra, S\u00e1nchez fala sobre o apoio de Cuba \u00e0s guerrilhas no mundo, especialmente na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica. Descreve sobre o campo de treinamento de guerrilheiros de Punto Cero de Guanabo, com salas de aula, im\u00f3veis resid\u00eancias, cantina para servir 600 refei\u00e7\u00f5es por hora e uma pedreira para detona\u00e7\u00e3o de explosivos, entre outras instala\u00e7\u00f5es. Assegura que 90% dos l\u00edderes das guerrilhas latino-americanas passaram por l\u00e1. O per\u00edodo de ouro do campo se deu na virada da d\u00e9cada de 70 para a de 1980. Recebeu soldados de v\u00e1rias partes do mundo, como militantes terroristas do movimento separatista basco Eta, do IRA (Irlanda), Panteras Negras e da Frente Popular para Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina. A inten\u00e7\u00e3o de Fidel, segundo ele, era exportar sua revolu\u00e7\u00e3o para todo mundo, de acordo com a teoria castrista do foco, o foquismo, popularizada por Che Guevara.<\/p>\n<p>O livro traz tamb\u00e9m a participa\u00e7\u00e3o de Cuba na revolu\u00e7\u00e3o de Nicar\u00e1gua, que derrubou Somoza em julho de 1979. Foi onde Fidel saboreou uma grande vit\u00f3ria depois de duas d\u00e9cadas de esfor\u00e7os. Um ano depois, Fidel passou uma semana percorrendo toda Nicar\u00e1gua, na companhia do espi\u00e3o Barbarroja e o escritor colombiano Gabriel Garcia M\u00e1rquez, como fez outrora no Chile de Salvador Allende. A revolu\u00e7\u00e3o sandinista foi logo prejudicada por dissens\u00f5es no governo de Daniel Ortega pelo seu vi\u00e9s autorit\u00e1rio. De 1982 a 87, o pa\u00eds mergulhou numa guerra civil, compar\u00e1vel a que inflamava El Salvador.<\/p>\n<p>Em Angola e seu cl\u00e3<\/p>\n<p>S\u00e1nchez faz outro relato sobre a viagem de Fidel a Moscou, no auge dos anos 80, quando o Reagan financiava os Contra da Nicar\u00e1gua e, na \u00c1frica, mandava seus soldados para Angola em apoio a Jonas Savimbi, da Unita \u2013Uni\u00e3o Nacional para Liberta\u00e7\u00e3o Total de Angola. Cuba e os russos apoiavam o governo marxista. O autor conta que na R\u00fassia a pobreza soltava aos olhos, principalmente no campo, como na \u00e9poca da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>No que tange ao cl\u00e3 de Raul, o guarda-costas afirma que el comandante fazia pouco caso da fam\u00edlia e lembra de seu irm\u00e3o Ram\u00f3n Castro, diretor do Plano Especial de Valle de Picadura. Seu pai, de descend\u00eancia espanhola, \u00c1ngel Castro, era propriet\u00e1rio de terra e se casou com Lina. Tiveram sete filhos, Angelita, Ram\u00f3n, Fidel, Ra\u00fal, Juanita, Enma e Agustina. Dizem que Fidel e Ra\u00fal n\u00e3o tiveram o mesmo pai biol\u00f3gico. \u00c1ngel era um pai severo e violento, conforme comentam. Fidel era o mais talentoso, carism\u00e1tico, comunicativo, de vis\u00e3o pol\u00edtica e for\u00e7a de persuas\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre comentavam que Raul tudo fazia para agradar o irm\u00e3o. Executou traidores e inimigos e presidiu pelot\u00f5es de fuzilamento. Historiadores falam que ele tinha mais sangue nas m\u00e3os do que Fidel. Raul conheceu Vilma Esp\u00edn ainda na guerrilha quando tinha 27 anos e se casaram depois do triunfo da Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mania de grava\u00e7\u00f5es e a crise Mariel<\/p>\n<p>Durante todo seu tempo de comando, Fidel tinha mania de mandar gravar tudo, inclusive chefes de Estado, reuni\u00f5es e eventos pol\u00edticos. Em seu gabinete, de forma camuflada, havia uma caixa com toda parafern\u00e1lia para gravar as conversas. Em sua obsess\u00e3o, gravava at\u00e9 suas conversas privadas no exterior. Mandava instalar microfones, c\u00e2maras nas casas, apartamentos, carros, gabinetes, f\u00e1bricas e ruas de Cuba. Tudo era feito pelo Departamento T\u00e9cnico da Pol\u00edcia Secreta. Os ministros e generais eram vigiados por ele,<\/p>\n<p>Na obra, S\u00e1nchez d\u00e1 destaque \u00e0 crise Mariel, em abril de 1980, quando cinco cubanos for\u00e7aram a entrada da Embaixada do Peru para pedir asilo pol\u00edtico. Sob protesto de Fidel, eles conseguiram, e o comandante mandou retirar a prote\u00e7\u00e3o da frente da embaixada. O resultado foi que 750 cubanos e depois 10 mil invadiram o terreno da miss\u00e3o diplom\u00e1tica. A ocupa\u00e7\u00e3o se transformou em uma crise humanit\u00e1ria de grandes propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois de tr\u00eas semanas de queda de bra\u00e7o e negocia\u00e7\u00f5es com Lima e Washington, 100 mil cubanos receberam autoriza\u00e7\u00e3o para se exilar nos Estados Unidos. Antes disso, Fidel transferiu seu gabinete para dentro do gabinete do diretor da contraespionagem, perto da embaixada, e mandou instalar c\u00e2maras para acompanhar tudo. Ordenou a instala\u00e7\u00e3o de duas ambul\u00e2ncias ao lado da embaixada para atender os reclusos que precisavam de cuidados. Metade dos m\u00e9dicos era oficiais da informa\u00e7\u00e3o. Enviou ao local falsos candidatos ao ex\u00edlio, que simulavam mal-estar e eram recebidos na ambul\u00e2ncia pelos falsos m\u00e9dicos. Eles recebiam as \u00faltimas instru\u00e7\u00f5es de Fidel, para semear a disc\u00f3rdia entre os refugiados.<\/p>\n<p>Depois de semanas, Fidel autorizou milhares de cubanos a ir ao porto da cidade de Mariel para embarcar para a Fl\u00f3rida. Diziam que ele aproveitou para esvaziar as pris\u00f5es e se livrar de milhares de pessoas perigosas. N\u00e3o contente, Fidel mobilizou uma multid\u00e3o hostil no Porto de Mariel para humilhar os exilados com cusparadas e socos.<\/p>\n<p>Por fim, o guarda-costas descreve sobre a obsess\u00e3o de seu chefe pela Venezuela e sua amizade com o escritor Gabriel Garcia M\u00e1rquez, com o qual pretendia transform\u00e1-lo em presidente da Col\u00f4mbia. Com a Venezuela, seu maior desejo era ter o petr\u00f3leo. Conseguiu ascend\u00eancia ao se aproximar do coronel Hugo Chaves que galgou o poder em 1999. O autor se reporta \u00e0 fortuna do monarca, sempre negada pelo comandante. Descreve sobre seus graves problemas de sa\u00fade nos anos de 1983, 1992 e em 2006 quando cedeu as r\u00e9deas do poder para seu irm\u00e3o Raul. Com problemas de ordem digestiva, sempre era atendido no quarto andar do Pal\u00e1cio onde ficava sua cl\u00ednica particular.<\/p>\n<p>O livro, \u201cA Vida Secreta de Fidel\u201d fez um destaque sobre a participa\u00e7\u00e3o de Cuba na guerra de Angola, de 1975 a 1992, para onde o comandante enviou 200 a 300 mil combatentes. Nos momentos mais dif\u00edceis, Fidel comandou seus soldados e oficiais de dentro de seu gabinete, numa dist\u00e2ncia de 10 mil quil\u00f4metros. Cuba apoiava o l\u00edder marxista Agostinho Neto, do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola. Em setembro de 1975 Agostinho venceu e tomou Luanda. Em 1977, Fidel fez sua viagem triunfal pelas terras angolanas, mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava totalmente sob controle. Logo depois veio a guerra civil at\u00e9 1992.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo do livro diz, o autor Juan Reinaldo S\u00e1nchez revela a vida do el comandante de Cuba, falando de sua dinastia, da escolta, dos guerrilheiros do mundo, a revolu\u00e7\u00e3o de Fidel na Nicar\u00e1gua, sua viagem a Moscou, a mania das grava\u00e7\u00f5es, a obsess\u00e3o venezuelana, sua fortuna e Fidel em Angola com sua [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4688"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4688"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4688\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4692,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4688\/revisions\/4692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4688"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4688"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4688"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}