{"id":4503,"date":"2020-03-26T22:48:42","date_gmt":"2020-03-27T01:48:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4503"},"modified":"2020-03-26T22:49:08","modified_gmt":"2020-03-27T01:49:08","slug":"jango-e-eu-memorias-de-um-exilio-sem-volta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/03\/26\/jango-e-eu-memorias-de-um-exilio-sem-volta\/","title":{"rendered":"JANGO E EU &#8211; MEM\u00d3RIAS DE UM EX\u00cdLIO SEM VOLTA"},"content":{"rendered":"<p>Melancolia, saudades da p\u00e1tria, dos tempos da inf\u00e2ncia quando pouca coisa se entende dos acontecimentos, lembran\u00e7as vividas num di\u00e1rio-romance, com passagens pol\u00edticas desde o golpe de abril de 1964 at\u00e9 a morte misteriosa de seu pai, em dezembro de 1976, em \u201cJango e Eu \u2013 Mem\u00f3rias de um Ex\u00edlio sem Volta\u201d, escrito por Jo\u00e3o Vicente Goulart, numa linguagem simples, solta e descontra\u00edda, bem longe das amarras acad\u00eamicas.<\/p>\n<p>\u00c9 um livro que eu diria bem prazeroso para se ler que se passa no Uruguai, na Argentina, Paraguai e tem uns fiapos interessantes na Fran\u00e7a, na Espanha e na Inglaterra. S\u00e3o narrativas espont\u00e2neas, algumas soltas, que, em peda\u00e7os, formam o todo de um tempo dif\u00edcil que marcou nossa hist\u00f3ria brasileira. N\u00e3o precisa que tenha vivido aqueles dias, nem que seja um estudioso do assunto da ditadura. Voc\u00ea vai compreender de uma maneira f\u00e1cil como tudo aconteceu. O leitor faz um passeio relaxante em paisagens n\u00e3o repetidas.<\/p>\n<p>Os grandes homens do s\u00e9culo XX<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0104.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4504\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0104.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0104.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0104-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No pref\u00e1cio do livro, Tarso Genro lembra os grandes homens do s\u00e9culo XX, com os generais Rondon e Lott, os pol\u00edticos e intelectuais Luis Carlos Prestes, Jacob Gorender, Jo\u00e3o Amazonas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, Get\u00falio Vargas, Alberto Pasqualini, An\u00edsio Teixeira, Carlos Nelson Coutinho, Ant\u00f4nio C\u00e2ndido, Leandro Konder, Florestan Fernandes e, em especial, Jo\u00e3o Goulart, o mais avan\u00e7ado, democr\u00e1tico e tolerante.<\/p>\n<p>Conta ainda sobre os trinta dias que ficou na fazenda de Jango, em Tacuaremb\u00f3, no Uruguai, em 1972. Quase 40 anos depois assinou, como ministro da Justi\u00e7a, a anistia de Jango. Destacou que Jango n\u00e3o era socialista, nem comunista e nem pretendia instalar uma ditadura no pa\u00eds. Pretendia implantar a reforma agr\u00e1ria nas terras situadas a dez quil\u00f4metros \u00e0 margem das rodovias. Essa nunca foi feita no Brasil. Ele ainda fundou a Eletrobr\u00e1s; reescalonou a d\u00edvida externa; limitou a sangria da remessa de lucros para o exterior; e abriu rela\u00e7\u00f5es comerciais com a China, pois teve a vis\u00e3o de perceber o potencial daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0106.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4505\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0106.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0106.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0106-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Afirma Tarso Genro que o ex-presidente foi v\u00edtima brutal de difama\u00e7\u00f5es dos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, das arengas das for\u00e7as armadas, da classe m\u00e9dia e da ampla maioria da Igreja Cat\u00f3lica. \u201cA elite direitista detestava ele e o considerava traidor. Falava com os grandes chefes de Estado, como Kennedy, Fidel Castro e Mao Ts\u00e9-tung. Era um social democrata de esquerda num tempo \u201cerrado\u201d. Apenas achava que o capitalismo poderia ser mais justo e evitou uma guerra civil\u201d. O Brasil continuava submisso e atrasado dependente das mat\u00e9rias-primas na exporta\u00e7\u00e3o. Sessenta anos depois permanece o mesmo quadro descrito por Tarso.<\/p>\n<p>O pr\u00f3logo da obra fala do desconhecimento dos fatos que atingiram o pa\u00eds a partir de 1964. O autor ressalta se sentir no dever de contar a hist\u00f3ria de seus dias de ex\u00edlio junto ao pai Jango, sua m\u00e3e Maria Thereza e a irm\u00e3 Denize. Ele relata o dia a dia de uma fam\u00edlia refugiada no ex\u00edlio pol\u00edtico, se situando no per\u00edodo de 1964 a 1976 quando o pai morreu. \u201cO ex\u00edlio nos faz peregrinos\u201d. Essa hist\u00f3ria real da Am\u00e9rica Latina (\u201cVeias Abertas\u201d, de Eduardo Galeano) \u201cchegou at\u00e9 nosso cotidiano dentro de casa\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0108.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4506\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0108.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0108.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0108-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo se inicia quando pisou em terras uruguaias. Mais e mais ditaduras fechavam o cerco. Recorda das constantes persegui\u00e7\u00f5es dos exilados, desaparecimentos e trocas de prisioneiros entre as ditaduras, como se fosse contrabando. \u201cA liberdade \u00e9 uma s\u00f3\u201d \u2013 dizia o seu pai.<\/p>\n<p>Quando tudo come\u00e7ou<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou no dia 31 de mar\u00e7o de 1964, na Granja do Torto, com os rumores do golpe. Os telefonemas eram cada vez mais alarmantes. Darcy Ribeiro, ministro-chefe do Gabinete Civil avisou que Jango estava no Rio de Janeiro. \u201cPela manh\u00e3 j\u00e1 havia malas arrumadas para irmos direto para o aeroporto. N\u00e3o pudemos levar tudo\u201d.<a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0109.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4507\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0109.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0109.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_0109-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Canta, em forma de di\u00e1rio, que ele (Jo\u00e3o Vicente), sua m\u00e3e e a irm\u00e3 sa\u00edram apressados num avi\u00e3o da FAB, que n\u00e3o era o mesmo em que viajavam, em dire\u00e7\u00e3o a Porto Alegre. Deixaram para tr\u00e1s pertences pessoais que nunca foram devolvidos, inclusive joias e documentos p\u00fablicos e privados. Segundo o autor, o governo Jango foi o \u00fanico que n\u00e3o preparou sua sa\u00edda do poder. Depois tiveram que lhe devolver o patrim\u00f4nio que havia sido bloqueado. O voo para Porto Alegre foi demorado. Jango ainda estava em Bras\u00edlia, a caminho do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p><!--more-->O pai ordenou que seguissem viagem para S\u00e3o Borja, sua terra natal. No avi\u00e3o, a m\u00e3e, Denize, o cabeleireiro Virg\u00edlio, a bab\u00e1 Etelvina e ele. \u201cViajamos no DC-3 que conseguiu pousar na Fazenda Rancho Grande, no dia 1\u00ba de abril. L\u00e1 estavam o capataz Am\u00e1lio e os pe\u00f5es armados. Manoel Soares Le\u00f5es, o Maneco, sempre foi o piloto particular de Jango desde 1946.<\/p>\n<p>No outro dia 2 de abril, um jipe militar havia chegado \u00e0 sede da fazenda. Quatro militares levaram ordem do comando para que eles partissem em 24 horas. Ao meio dia, Maneco pousou na pista da fazenda, levando ordens de Jango, que estava em Porto Alegre, tentando resistir, para que levasse sua fam\u00edlia para o Uruguai. O cerco estava se fechando.<\/p>\n<p>Montevid\u00e9u foi a primeira cidade do ex\u00edlio. No livro, Jo\u00e3o Vicente lembra a carreira pol\u00edtica de seu pai desde 1946, e que Jango deixou o territ\u00f3rio nacional como presidente constitucional do Brasil, com 80% da opini\u00e3o p\u00fablica a seu favor. Saiu for\u00e7ado de seus pa\u00eds aos 45 anos.<\/p>\n<p>Enquanto Jango voava do Rio para Bras\u00edlia, as tropas do general Ol\u00edmpio Mour\u00e3o Filho saiam de Juiz de Fora, com a complac\u00eancia do governador de Minas Gerais, Magalh\u00e3es Pinto. Tudo acontecia com o sil\u00eancio de Juscelino, que apoiou Castelo Branco, que prometeu elei\u00e7\u00f5es em 1965. Ao chegar em Bras\u00edlia. Jango foi para a Granja do Torto e depois para o Pal\u00e1cio do Planalto se reunir com Darcy Ribeiro, Waldir Pires, Doutel de Andrade, Raul Riff , Bocai\u00fava Cunha e outros.<\/p>\n<p>Em Bras\u00edlia as tropas estavam aquarteladas, e o general Nicolau Fico tranquilizava Jango.\u00a0 Mais de 170 parlamentares, financiados pela CIA, conspiravam. Ficou acertado que Jango iria para o Rio Grande do Sul onde havia tropas legalistas. Disse Vicente que seu pai come\u00e7ava a desconfiar da trai\u00e7\u00e3o do corpo militar, at\u00e9 do general Amaury Kruel, (Jango era padrinho de seu filho), comandante do segundo ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Na verdade, o comandante queria que Jango fechasse os sindicatos, o Congresso Nacional e prendesse Brizola e Miguel Arraes. Jango preferiu o ex\u00edlio. Foi para o aeroporto, e de l\u00e1, para Porto Alegre. Mandou Darcy fazer um documento informando ao Congresso que iria ao Rio Grande do Sul para resistir na legalidade. No Congresso falava-se em impeachment.<\/p>\n<p>O avi\u00e3o do presidente n\u00e3o conseguia decolar. Estava em andamento uma sabotagem da aeron\u00e1utica. Depois de uma hora esperando, saiu do avi\u00e3o e mandou o comandante preparar um Avro, de dois motores turbo-h\u00e9lice. Depois das seis e meia da noite do dia 31 de mar\u00e7o de 1964 Jango seguiu rumo a Porto Alegre. Nessa mesma hora, sua fam\u00edlia pousava no Rancho Grande, em S\u00e3o Borja. O general Fico mandou suas tropas cercar o Congresso.<\/p>\n<p>De forma covarde, foi feita a legaliza\u00e7\u00e3o do golpe por meio da declara\u00e7\u00e3o de vac\u00e2ncia da presid\u00eancia da Rep\u00fablica pelo senador \u00c1ureo Moura de Andrade, o mesmo que dias antes caminhou na \u201cmarcha da fam\u00edlia\u201d, em S\u00e3o Paulo, com agentes da CIA.<\/p>\n<p>O presidente ainda estava em territ\u00f3rio nacional onde permaneceu por mais quatro dias at\u00e9 nomearem Ranieri Mazzilli. Jango chegou a Porto Alegre no auge da crise. Depois de muitas conversas com militares, preferiu partir para o ex\u00edlio, para n\u00e3o provocar derramamento de sangue, For\u00e7as da esquerda e da direita lhe criticaram por n\u00e3o resistir. O autor do livro indaga por que o Partido Comunista, Brizola, os sindicatos, as ligas camponesas, Arraes e outros n\u00e3o resistiram? Ele julga que for\u00e7as da esquerda, ao criarem dificuldades, queriam dar o golpe. Para ele, as esquerdas desejavam um avan\u00e7o mais r\u00e1pido, enquanto Lacerda, Magalh\u00e3es Pinto e Adhemar de Barros tinham financiamento dos norte-americanos.<\/p>\n<p>\u201cCunhado n\u00e3o \u00e9 parente, Brizola presidente\u201d. Arraes se articulava no Nordeste e JK colocava o slogan \u201cJuscelino 65\u201d. Jango teve que retirar a mensagem de estado de s\u00edtio por falta de apoio das esquerdas. \u201cJango caiu, n\u00e3o por seus erros, mas sim pelos seus acertos\u201d \u2013 declarou Darcy.<\/p>\n<p>Na noite de 1\u00ba de abril, em Porto Alegre, numa reuni\u00e3o conturbada com o general Lad\u00e1rio Telles, o ex\u00e9rcito estava fragmentado. Brizola queria ser ministro da Justi\u00e7a e indicar Lad\u00e1rio para ministro da Guerra. A quarta frota americana j\u00e1 estava posicionada na costa brasileira com fuzileiros navais. Lyindon Johnson comunicava ao seu embaixador Lincoln Gordon que ia reconhecer o novo governo.<\/p>\n<p>Rumo ao Uruguai<\/p>\n<p>Dali iria para o ex\u00edlio, mas antes passou por S\u00e3o Borja, no dia 2 de abril, enquanto a fam\u00edlia sai de Rancho Grande para Uruguai, com o piloto Maneco, e de l\u00e1 retornaria para buscar Jango, que havia falado com dom Alonso Mintegui, em Montevid\u00e9u, para avisar a ida deles para as autoridades uruguaias.<\/p>\n<p>Quando no ex\u00edlio, em 1974 (sempre desejava voltar ao Brasil), dizia para o amigo Pinheiro Neto:\u00a0 \u201cBons amigos, como tu, t\u00eam vindo aqui no Uruguai me recomendar para cuidar da sa\u00fade para preparar-me para a volta, mas digo para Maria Thereza que se prepare para retornar ao meu pa\u00eds vi\u00fava e com netos, pois acho que esta jornada est\u00e1 se tornando longa demais, e eu n\u00e3o retornarei\u201d.<\/p>\n<p>Na viagem para Montevid\u00e9u, os meninos dormiram o tempo todo at\u00e9 o de Melilla. Dona Tereza estava muito nervosa. Jo\u00e3o perguntou: m\u00e3e para onde estamos indo? Para o Uruguai. Onde \u00e9 isto? \u00c9 outro pa\u00eds. De que cor \u00e9 o Uruguai? \u00c9 azul Jo\u00e3o Vicente, e a irm\u00e3: tem banana no Uruguai?<\/p>\n<p>Quando decolava, Maneco comunicava pelo r\u00e1dio que levava a bordo a fam\u00edlia do ex-presidente da Rep\u00fablica. O minist\u00e9rio do Interior j\u00e1 tinha conhecimento, pois o presidente Fernando Crespo j\u00e1 havia autorizado que Jango se exilasse em seu pa\u00eds. As autoridades, no entanto, estavam esperando no aeroporto Internacional de Carrasco. Algu\u00e9m foi a Melilla para liberar os documentos. Maneco retornou no Cesna 310 para pegar Jango, em S\u00e3o Borja, dois dias depois, trazendo tamb\u00e9m o general Argemiro Assis Brasil. Mazzilli j\u00e1 havia al\u00e7ado ao posto de presidente da Rep\u00fablica. Os militares festejavam o primeiro golpe contra a democracia brasileira.<\/p>\n<p>Montevid\u00e9u, com pouco mais de um milh\u00e3o de habitantes, era uma cidade cinzenta com carros velhos dos anos 1946\/47. \u201cFoi como entrar no t\u00fanel do tempo\u201d. A fam\u00edlia tinha o endere\u00e7o de dom Alonso que trabalhava no consulado brasileiro. Morava na Plaza Independ\u00eancia, num edif\u00edcio ao lado do Pal\u00e1cio Salvo onde depois foi morar Leonel Brizola.<\/p>\n<p>Depois de muita espera, chegou um carro velho dirigido por um amigo de dom Alfonso, seu primo Domingos Mintegui. No apartamento, dom Alonso e sua esposa Nela j\u00e1 estavam esperando. Era dois de abril, quando empossaram o presidente da C\u00e2mara, Ranieri Mazzilli. \u201cComemos bolachinhas e tomamos leite\u201d. De l\u00e1 a fam\u00edlia foi para Solymar onde Alonso tinha uma casinha de praia.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito brasileiro j\u00e1 estava ca\u00e7ando Jango em S\u00e3o Borja. Dom Alonso avisou que havia falado com o presidente pela manh\u00e3, e ainda estava em Porto Alegre. O ex\u00e9rcito informava que estava quase prendendo Jango. Ele e o Manco ficaram pulando de lugar em lugar com o avi\u00e3o. Seu Domingos ficou com dona Thereza e os filhos. Em Solymar, dona Nela ficou na casa de uns amigos.<\/p>\n<p>A not\u00edcia n\u00e3o demorou muito a se espalhar que a fam\u00edlia do ex-presidente estava em Solymar. Quando ela voltou das compras j\u00e1 havia um batalh\u00e3o de rep\u00f3rteres na porta. \u201cMeu pai nunca fez tanta falta como naqueles momentos de desespero e afli\u00e7\u00e3o. Aquela foi a entrevista mais triste que ela deu\u201d.<\/p>\n<p>No dia 4 chega Jango<\/p>\n<p>A manh\u00e3 de 4 de abril tinha um c\u00e9u azul brilhante. Havia muita gente do lado de fora da casa. A fam\u00edlia foi almo\u00e7ar na casa de uns vizinhos de dom Mintegui. Depois ele foi \u00e0 base militar de Pando onde pousaria a aeronave que traria o ex-presidente Jo\u00e3o Belchior Marques Goulart.<\/p>\n<p>Depois da fa\u00e7anha de resgatar o presidente, Maneco recebeu a ordem para que voltasse para o Brasil, mas ele se recusou, afirmando que n\u00e3o havia mais condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. \u201cO senhor seria preso. Acabei de receber not\u00edcias de que a pista da grama da Granja S\u00e3o Vicente, em S\u00e3o Borja, foi lavrada com tratores e tomada pelos militares\u201d.<\/p>\n<p>Jango concordou e pediu para que o piloto falasse com Mintegui para providenciar a volta de Assis Brasil, sen\u00e3o seria considerado como desertor. A sa\u00edda de Jango foi agitada. Depois de deixar a fam\u00edlia em Melilla, Maneco voou por mais de duas horas para a fazenda de Santa Luzia, no interior do Rio Grande do Sul, onde Jango estava na companhia do general Assis, esperando a posse de Mazzilli.<\/p>\n<p>Presidente, minha obriga\u00e7\u00e3o como chefe da Casa Militar \u00e9 acompanh\u00e1-lo at\u00e9 o ex\u00edlio, voltar e apresentar-me ao novo governo \u2013 disse Assis, adiantando que Jango n\u00e3o poderia mais continuar em territ\u00f3rio brasileiro, pois seria preso.<\/p>\n<p>Os dois estavam sozinhos sendo perseguidos. Jango queria ficar no Brasil por mais um tempo, numa terrinha que ele tinha em Goi\u00e1s. Assis o advertiu que ele seria preso. Para ele, a posse de Mazzilli foi uma manobra ilegal porque o presidente ainda continuava em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>No di\u00e1logo, Assis explicou que o avi\u00e3o, no qual ele veio de Bras\u00edlia para Porto Alegre, foi sabotado, e a FAB poderia ter abatido o bimotor, tentando convenc\u00ea-lo que n\u00e3o dava mais para ficar no Brasil.<\/p>\n<p>O Cesna 310 estava no dia 3 de abril abastecido para mais de quatro horas de voo. Jango decidiu sair no outro dia, para saber de mais not\u00edcias. Ficaram ouvindo r\u00e1dio at\u00e9 a madrugada. \u00a0Ao amanhecer, tropeiros avisaram que as tropas estavam se aproximando da fazenda Santa Luzia.<\/p>\n<p>Jango ainda pediu a Maneco para pousar em \u201cPesqueiro\u201d, uma pequena \u00e1rea de terra na beira do rio Uruguai, mas era arriscado porque era uma \u00e1rea de 400 metros de ch\u00e3o batido. A sa\u00edda para o ex\u00edlio ficaria comprometida. Mesmo assim, Maneco foi para \u201cPesqueiro\u201d. Jango queria tomar um banho e botar uma gravata. Ainda tinha esperan\u00e7as de ficar.<\/p>\n<p>Depois do banho, Jango ainda pensou em ir para outra fazenda, em Itaqui, e s\u00f3 depois tomaria seu destino. O tempo estava se esgotando. Decolou \u00e0 tarde para a Cinamomo, uma fazenda s\u00f3 de gado. O general estava inquieto. Jango estava melanc\u00f3lico e divagando em suas lembran\u00e7as dos tempos com a m\u00e3e Vicentina, seu pai Vicente e os irm\u00e3os, quando entrou na pol\u00edtica atrav\u00e9s de Vargas e fez carreira mete\u00f3rica at\u00e9 presidente.<\/p>\n<p>Ele tentou ir para outro estado quando j\u00e1 era noite estrelada. Maneco avisou que podia entrar uma frente com vento norte que atrapalharia a rota para Montevid\u00e9u. Por fim, subiram no Cesna 310. A viagem para o Uruguai foi tumultuada e marcada por di\u00e1logos nervosos. Maneco manteve o bimotor em baixa altitude para n\u00e3o ser visto por avi\u00f5es da base de Santa Maria, at\u00e9 entrar no Uruguai e comunicar que estava levando a bordo o ex-presidente.<\/p>\n<p>Viajaram por uma hora e meia at\u00e9 se aproximar do aeroporto de Carrasco, mas recebeu ordem de aterrissar na Base A\u00e9rea Militar de Pando. Foi a\u00ed que Jango deu uma ordem para retornar para o Brasil. Prefiro me entregar aos militares do meu pa\u00eds. Agora \u00e9 imposs\u00edvel \u2013 respondeu Maneco. \u201cN\u00e3o existem mais condi\u00e7\u00f5es de retorno\u201d. Em 4 de abril pousou em solo uruguaio. Jo\u00e3o Vicente descreve em seu livro que eles eram uma fam\u00edlia desterrada.<\/p>\n<p>No Hotel Columbia e a retirada de Brizola<\/p>\n<p>Da praia de Solymar, a fam\u00edlia foi se hospedar no Hotel Columbia, em frente ao rio da Prata. Logo que chegou, Jango se sentiu isolado, sem seus bens (foram bloqueados por um tempo pelas for\u00e7as armadas) e teve que come\u00e7ar tudo de novo.<\/p>\n<p>Meses depois, Leonel Brizola e sua esposa Neuza foram morar no pr\u00e9dio de dom Mintegui, na Plaza Independ\u00eancia. Ele se tornou inimigo de Jango, seu cunhado, por divergir quanto a ideia do ex-presidente de n\u00e3o resistir. Brizola resolveu ficar no Brasil, em 2 de abril para lutar. N\u00e3o conseguiu e teve que se esconder em v\u00e1rios lugares. O ex\u00e9rcito estava em seu encal\u00e7o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Jango chamou Maneco e disse que tinham uma miss\u00e3o perigosa que envolvia sua vida e a da sua fam\u00edlia. Avisou ter recebido not\u00edcias de que Brizola corria perigo de ser preso no Rio Grande do Sul, \u201ce temos que tirar o cara de l\u00e1\u201d. Maneco aceitou ir, contanto que Jango cuidasse de sua fam\u00edlia se alguma coisa lhe acontecesse. O ex-presidente concordou.<\/p>\n<p>Leonel estava escondido no litoral ga\u00facho, e o piloto teria que peg\u00e1-lo numa das praias. \u201cTemos que estudar as mar\u00e9s, presidente, dependendo do dia e da lua para que a faixa de areia esteja seca para aterrissar\u201d. O Skylane 180 seria o ideal por ser mais leve, mas tem menos autonomia que o Cesna 310.<\/p>\n<p>Maneco \u2013 afirmou Jango \u2013 o pessoal do Brasil est\u00e1 imaginando que ele esteja na praia de Imb\u00e9. A opera\u00e7\u00e3o seria feita tr\u00eas dias depois, com algumas modifica\u00e7\u00f5es, como o lugar do pouso, que foi realizado na praia de Pinhal. \u00c0s cinco da manh\u00e3, Maneco decolou no escuro de Punta del Este. Tinha algumas senhas e instru\u00e7\u00f5es. No lugar estabelecido deveria haver tr\u00eas carros e dois caminh\u00f5es de areia como senha de que tudo estava em ordem. Ap\u00f3s um voo rasante, o piloto aterrissou para recolher Brizola, que estaria vestido com uniforme da pol\u00edcia militar.<\/p>\n<p>Maneco seguiu uma rota triangular sobre o mar, voando a baixa altitude quando entrasse em territ\u00f3rio brasileiro. \u00c0s sete da manh\u00e3 j\u00e1 estava na praia de Pinhal. Quando saiu do mar, os caminh\u00f5es n\u00e3o estavam posicionados. Quem falhou foi o Azm\u00faz, ex-presidente do Internacional de Porto Alegre e empres\u00e1rio fornecedor de areia. Tremeu na base e n\u00e3o mandou os ve\u00edculos. Mesmo assim, Maneco n\u00e3o voltou mar adentro. Resolveu dar o rasante, mesmo com o risco de ser abatido. Leonel, ent\u00e3o, saiu de tr\u00e1s das dunas e Maneco o reconheceu. Baixou os trens de pouso e aterrissou na areia, sem desligar os motores. Abriu a porta, e Brizola subiu na cabine e fechou a porta. Decolou novamente no raso mar adentro, refazendo a rota rumo ao ex\u00edlio, no Uruguai.<\/p>\n<p>Bens entregues<\/p>\n<p>Somente no fim de 1964, depois dos inqu\u00e9ritos policiais militares, que nada provaram contra Jango, seus bons foram entregues aos procuradores (Bijuja, Waldir Borges, Wilson Mirza, Lutero Fagundes e Carlos Cunha) para que ele os administrassem. Jango autorizou a Bijuja a vender a fazenda Tacuaremb\u00f3, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Em 1965 comprou sua fazenda, \u00e0 qual deu o nome de El Rinc\u00f3n, para criar e invernar novilhos.<\/p>\n<p>Dizia que o tempo existe para os fortes, que s\u00e3o contra a prepot\u00eancia dos covardes. Para o filho, afirmava que o trabalho \u00e9 a for\u00e7a do homem. \u201cSe tiver que cavar com uma enxada, estarei cavando com os camponeses brasileiros. Se tiver que pegar numa enxada, eu pego\u201d.<\/p>\n<p>Teve bons amigos que lhe ajudaram, como seu ex-ministro Moreira Salles, que lhe emprestou dinheiro nos primeiros meses. Do outro lado, v\u00e1rios pol\u00edticos esperavam as elei\u00e7\u00f5es de 1965, que n\u00e3o houve, como o Juscelino (votou em Castelo Branco) e outros que foram cassados. Ele achava que se tivesse resistido, embora tenha sido chamado de covarde, haveria uma luta prolongada e dividido o pa\u00eds entre norte e sul, como na Cor\u00e9ia e Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Ele era um homem de grande vis\u00e3o empreendedora, simples e determinado. Foi o primeiro a introduzir a planta\u00e7\u00e3o de arroz irrigado no Uruguai e, em suas novas fazendas, agregava produtos, construindo frigor\u00edficos de derivados bovinos e beneficiamento do arroz. Desde 1944, Jango j\u00e1 entregava a Swift Armour, em Livramento, 30 mil novilhos gordos. Desde mo\u00e7o era invernador de gado e entendia muito do ramo.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica e conspira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Enquanto esteve no Hotel Columbia, recebia v\u00e1rios exilados que iam chegando a Montevid\u00e9u. Come\u00e7ou ali a organiza\u00e7\u00e3o dos exilados clandestinos. Outro ponto de encontro era o Caf\u00e9 Sorocabana, na 18 de julho. Falava-se de luta armada, pol\u00edtica e conspira\u00e7\u00e3o. O local logo passou a ser espionado por agentes brasileiros.<\/p>\n<p>Tempos depois, muitos deixaram de ir aos encontros por medo e conveni\u00eancia. Ser amigo de Jango era perigoso. Muitos diziam que ele era subversivo e comunista. \u201cJango sempre esteve convicto de sua luta pelos trabalhadores e pelos mais humildes, e me explicou que esse era o pre\u00e7o a ser pago pelos que lutam por justi\u00e7a social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com uma pesquisa do Ibope, escondida por muito tempo, quando Jango sofreu o golpe, tinham aprova\u00e7\u00e3o da maior parte dos brasileiros e, se concorresse, em 1965, ganharia as elei\u00e7\u00f5es, perdendo apenas em Belo Horizonte e Fortaleza.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia ficou no Hotel Columbia por uns dois meses. Depois alugou um apartamento, em Villla Biarritz, no bairro Pocitos, por interm\u00e9dio de Leoc\u00e1dio Antunes, na rua Leyenda Patria, 2.984, edif\u00edcio Fontainebleau, onde ficou at\u00e9 1971, quando comprou uma casa no Parque de Los Aliados.<\/p>\n<p>Em Pocitos, bairro de classe m\u00e9dia alta, Jango ficou perto dos amigos Waldir Pires (Christina, Wladimir, L\u00eddia, Vivian e Francisco), Darcy Ribeiro, Maneco Le\u00f5es, Ivo Magalh\u00e3es, Neiva Moreira, Cl\u00e1udio Braga e Amaury Silva. Havia o clube Bigu\u00e1 de Villa Biarritz, do qual Jango virou s\u00f3cio. Muito abalado, j\u00e1 na Fran\u00e7a, Wladimir (Filho de Waldir Pires) acabou cometendo suic\u00eddio. Os filhos de Jango foram matriculados no col\u00e9gio ingl\u00eas Erwy School, de tradi\u00e7\u00e3o r\u00edgida. L\u00e1, Jo\u00e3o Vicente fez amizade com v\u00e1rios colegas e frequentavam a praia La Estacada.<\/p>\n<p>Waldir Pires chegou com Darcy em um pequeno avi\u00e3o Cesna 170, que Rubens Paiva lhe conseguira para sair do Brasil. Depois de algum tempo houve ruptura com Brizola por v\u00e1rios motivos, como desacordos patrimoniais, mas a quest\u00e3o principal foi porque Jango n\u00e3o concordava com a luta armada. Houve uma divis\u00e3o entre brizolistas e janguistas.<\/p>\n<p>O ex-presidente n\u00e3o esqueceu o Brasil e sempre insistia em retornar, mas recuava diante da situa\u00e7\u00e3o. Alugou um escrit\u00f3rio na rua Cerro Largo, para come\u00e7ar a trabalhar em alguma coisa. O coronel Azambuja, o Cocota, um dos oficiais do gabinete presidencial, tinha tr\u00e2nsito livre entre Brasil e Uruguai. Foi ele que conduziu Jo\u00e3o Vicente, em 1973, para fazer o alistamento militar em Porto Alegre.<\/p>\n<p>Nas conversas com os exilados, muitos queriam conspirar contra o regime, mas Jango achava isso ilegal dentro do pa\u00eds que lhe concedeu asilo pol\u00edtico. Terminou ficando inimigo do pr\u00f3prio Brizola que organizou a luta armada na Serra Capara\u00f3. Muitos que se exilaram em outros pa\u00edses, como Iugosl\u00e1via, M\u00e9xico, Tchecoslov\u00e1quia e Peru acabaram indo para o Uruguai.<\/p>\n<p>Abrigo aos exilados<\/p>\n<p>Jango procurou o Ivo Magalh\u00e3es, ex-prefeito de Bras\u00edlia, e recomendou que procurasse alguns empres\u00e1rios para abrigar os exilados. Com o Pedoja arrendaram um hotel antigo \u201cAlhambra\u201d, na Ciudad Vieja. O hotel passou a abrigar os companheiros, e Jango mandava dinheiro para pagar as despesas. Pedir a Ivo para dar uma m\u00e3o para Cl\u00e1udio Braga, ex-deputado por Pernambuco.<\/p>\n<p>Os encontros eram acalorados com as mais diversas opini\u00f5es para derrubar a ditadura. Eles queriam que Jango aderisse \u00e0 luta armada, mas ele n\u00e3o concordava por ser uma briga desigual. Isso estava a pleno vapor em 1965. Tudo acontecia mais no Caf\u00e9 Sorocabana.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os secretos brasileiros passaram a frequentar o local. O n\u00facleo de revolucion\u00e1rios queria derrubar o regime com cinco fuzis, duas armas de chumbo e muita coragem. Jango era discriminado, tanto pela direita, que o considerava comunista, amigo de Nikita Kruschev (reatou rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) e Mao (primeiro l\u00edder ocidental a visitar a velha China de um bilh\u00e3o de habitantes), como pela esquerda. Dez anos depois Nixon tamb\u00e9m foi acusado de comunista.<\/p>\n<p>Para a esquerda, ele era um titubeante que n\u00e3o queria fechar o Congresso na lei, ou na marra, nem passar por cima da Constitui\u00e7\u00e3o. A frente nacionalista pregava a ruptura institucional. Jango n\u00e3o aceitava propostas golpistas, s\u00f3 que o senador \u00c1ureo Moura legitimou o golpe.<\/p>\n<p>No ex\u00edlio, alguns parentes de Jango preferiram ficar ao lado do novo governo. Pombo Dornelles e Miguel Macedo, casados com as irm\u00e3s de Jango, ap\u00f3s a derrubada do governo, entraram com uma a\u00e7\u00e3o retroativa ao invent\u00e1rio dos pais Vicente e Vicentina, mortos em 1944 e 1963. Tal a\u00e7\u00e3o acabou arquivada. Pombo depois pediu desculpas. Pouco tempo antes de morrer, em 1976, Jango fez as pazes com Brizola. Waldir passou um tempo estudando franc\u00eas e partiu para Paris onde foi dar aulas. Darcy demorou mais, pois foi convidado a fazer a reforma acad\u00eamica da Universidad de la Rep\u00fablica no Uruguai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Melancolia, saudades da p\u00e1tria, dos tempos da inf\u00e2ncia quando pouca coisa se entende dos acontecimentos, lembran\u00e7as vividas num di\u00e1rio-romance, com passagens pol\u00edticas desde o golpe de abril de 1964 at\u00e9 a morte misteriosa de seu pai, em dezembro de 1976, em \u201cJango e Eu \u2013 Mem\u00f3rias de um Ex\u00edlio sem Volta\u201d, escrito por Jo\u00e3o Vicente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4503"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4503"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4508,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4503\/revisions\/4508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}