{"id":4476,"date":"2020-03-12T22:05:18","date_gmt":"2020-03-13T01:05:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4476"},"modified":"2020-03-12T22:06:24","modified_gmt":"2020-03-13T01:06:24","slug":"serra-do-periperi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2020\/03\/12\/serra-do-periperi\/","title":{"rendered":"SERRA DO PERIPERI"},"content":{"rendered":"<p>Poema de autoria do jornalista Jeremias Mac\u00e1rio onde retrata a depreda\u00e7\u00e3o praticada pelos homens contra a Serra do Periperi, em Vit\u00f3ria da Conquista, a qual j\u00e1 foi uma floresta, quando, em torno dela, habitavam os \u00edndios nativos. Um louvor ao Cristo, \u00e0s na\u00e7\u00f5es \u00edndias e \u00e0s suas belezas naturais muito tempo antes da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Deus salve os Mongoi\u00f3s,<\/p>\n<p>filhos das flechas Camacans,<\/p>\n<p>guerreiros da na\u00e7\u00e3o Patax\u00f3s,<\/p>\n<p>irm\u00e3os dos ferozes Imbor\u00e9s,<\/p>\n<p>com seus disfarces em carac\u00f3is,<\/p>\n<p>que levantam no cedo das manh\u00e3s,<\/p>\n<p>para ouvir o conselho dos paj\u00e9s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>El Rei mandou soldados bravos,<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es e o capit\u00e3o Gon\u00e7alves,<\/p>\n<p>que na busca do ouro das matas,<\/p>\n<p>fizeram dos \u00edndios seus escravos,<\/p>\n<p>num massacre chamado Batalha,<\/p>\n<p>onde correu sangue nas cascatas,<\/p>\n<p>deixando a tribo toda humilhada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rasgaram trilhas os bandeirantes,<\/p>\n<p>no pulo da on\u00e7a braba Jaguatirica,<\/p>\n<p>entre o Pau d\u2019arco e a Sucupira,<\/p>\n<p>onde fecunda uma Serra rica,<\/p>\n<p>de fauna e flora que inspira,<\/p>\n<p>a descri\u00e7\u00e3o do Pr\u00edncipe ao sentir,<\/p>\n<p>verdejante floresta do Periperi,<\/p>\n<p>com tantos salves aos habitantes!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desse vasto manto bento protetor,<\/p>\n<p>de cores do Cardeal e de Bem-te-vi,<\/p>\n<p>espiando a abelha fazer sua festa,<\/p>\n<p>entre Angicos e o v\u00f4o do Jabuti,<\/p>\n<p>s\u00f3 ficou o Po\u00e7o Escuro como flor,<\/p>\n<p>de brom\u00e9lia e outra que ainda resta,<\/p>\n<p>e um olho d\u00b4\u00e1gua que virou fiapo,<\/p>\n<p>numa Serra toda rasgada em trapo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O branco com seu p\u00f3 envenenou,<\/p>\n<p>os irm\u00e3os da lua, da terra e do sol;<\/p>\n<p>secou o cora\u00e7\u00e3o do nativo de dor,<\/p>\n<p>na Pedra do Conselho dos Senhores,<\/p>\n<p>onde cantava o Sabi\u00e1 e o Rouxinol,<\/p>\n<p>desde Jib\u00f3ia ao Arraial da Conquista,<\/p>\n<p>cidade que foi chamada das flores,<\/p>\n<p>e inspira\u00e7\u00e3o para o Cristo do artista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e1quinas lambem todo o ch\u00e3o;<\/p>\n<p>cortam a Serra norte-sul do sert\u00e3o,<\/p>\n<p>e todas as ra\u00e7as brancas crioulas,<\/p>\n<p>se esparramam como folhas,<\/p>\n<p>no explorado ch\u00e3o de mis\u00e9ria,<\/p>\n<p>que se vale de cascalhos e areias,<\/p>\n<p>extraindo da flora toda a mat\u00e9ria,<\/p>\n<p>at\u00e9 as \u00faltimas ra\u00edzes de suas veias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Brotam torres com suas propostas,<\/p>\n<p>entre a fuma\u00e7a de fazer asfalto;<\/p>\n<p>e nos zincos das suas encostas,<\/p>\n<p>o pobre do lixo cata comida e a\u00e7o,<\/p>\n<p>num p\u00f4r-do-sol ainda rajado,<\/p>\n<p>no Cristo de Cravo crucificado,<\/p>\n<p>perdoando os homens de cobalto,<\/p>\n<p>que tiraram da Serra seu espinha\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O filho da Serra l\u00e1 nas alturas,<\/p>\n<p>esculpiu solit\u00e1rio suas esculturas;<\/p>\n<p>foi o poeta do metal e da\u00a0 imagem;<\/p>\n<p>sonhou e morreu sem homenagem,<\/p>\n<p>dos mortais id\u00f3latras dos materiais,<\/p>\n<p>que s\u00f3 pensam nos prazeres carnais,<\/p>\n<p>ainda fazendo ao Periperi todo mal,<\/p>\n<p>mesmo com o tal Parque Municipal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poema de autoria do jornalista Jeremias Mac\u00e1rio onde retrata a depreda\u00e7\u00e3o praticada pelos homens contra a Serra do Periperi, em Vit\u00f3ria da Conquista, a qual j\u00e1 foi uma floresta, quando, em torno dela, habitavam os \u00edndios nativos. 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