{"id":4233,"date":"2019-12-18T00:23:57","date_gmt":"2019-12-18T03:23:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4233"},"modified":"2019-12-18T00:25:20","modified_gmt":"2019-12-18T03:25:20","slug":"o-cruzamento-mais-louco-que-ja-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/12\/18\/o-cruzamento-mais-louco-que-ja-vi\/","title":{"rendered":"O CRUZAMENTO MAIS LOUCO QUE J\u00c1 VI"},"content":{"rendered":"<p>Estava eu ali, por acaso, em Marrakechi ou em Casa Blanca, no Marrocos, Islamabad, no Paquist\u00e3o, Cabul, no Afeganist\u00e3o, em Nova D\u00e9lhi, na \u00cdndia dos coches de tr\u00eas rodas entre aquela multid\u00e3o, em Bangcoc, na Tail\u00e2ndia, em Bangladesh, em Colombo, no Siri Lanka, em Cairo, no Egito, em Mianmar, na \u00c1sia, ou em outros pa\u00edses \u00e1rabes e africanos onde o tr\u00e1fego \u00e9 um samba de crioulo doido e de equilibristas numa corda bamba?<\/p>\n<p>De Vit\u00f3ria da Conquista atravessei v\u00e1rios sert\u00f5es secos entre mandacarus, cactos e quiabentos at\u00e9 chegar em Juazeiro da Bahia, terra do \u201cVelho Chico, das frutas irrigadas e tamb\u00e9m do bode. Era final de tarde da \u00faltima quarta-feira, num calor preguento insuport\u00e1vel de rachar a cuca, depois de viajar mais de 800 quil\u00f4metros. Suado e \u201cmorto de cansado\u201d fui logo colocando o carro na garagem do hotel.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9613.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4234\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9613.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9613.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9613-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 uma luta constante por espa\u00e7o no cruzamento mais perigoso e\u00a0 maluco. Fotos de Jeremias Mac\u00e1rio<\/p>\n<p>O corpo pedia uma gelada, mas a primeira obriga\u00e7\u00e3o era visitar minha filha C\u00edntia. L\u00e1 pelas 18 horas sai cheirando e farejando um boteco qualquer para refrescar o esqueleto. N\u00e3o \u00e9 que me deparei num barzinho no cruzamento da Avenida Adolfo Viana com as transversais da rua Ant\u00f4nio Pedro e da Henrique Rocha, no centro! Estava armado o meu palco e pedi logo aquela \u201cloira\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que vou me abancar para relaxar um pouco, e claro, tomar aquela cerveja gelada &#8211; pensei. Da lateral observei o tr\u00e2nsito engrossar o caldo na hora do rach no asfalto ainda quente. Com ainda minha sensibilidade jornal\u00edstica, apesar de meio enferrujado, descobri que estava em frente de um cruzamento mais maluco e louco do Brasil, qui\u00e7\u00e1 do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9615.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4235\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9615.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9615.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9615-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aqui \u00e9 um verdadeiro laborat\u00f3rio de erros, infra\u00e7\u00f5es, imprud\u00eancias e em meio a todos os riscos de acidentes, batidas e atropelamentos \u2013 imaginei comigo mesmo. Lamentei n\u00e3o estar com a minha companheira m\u00e1quina fotogr\u00e1fica para registrar aquela maluquice.<\/p>\n<p>Sem sem\u00e1foro, e s\u00f3 com uma faixa de pedestre na Adolfo Viana, os ve\u00edculos pequenos, caminh\u00f5es, \u00f4nibus, carro\u00e7as, motos, bicicletas, pedestres, praticantes de coper, de skeite e caminhadas entram em cena em todas as dire\u00e7\u00f5es e embola tudo, cada um procurando se defender e driblar a confus\u00e3o. Em frente, direita, esquerda e at\u00e9 os motoqueiros se aventuram na contram\u00e3o pela rua Ant\u00f4nio Pedro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9617.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4236\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9617.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9617.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9617-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cada passagem de pedestre para atravessar o cruzamento maluco \u00e9 um lance de filme de suspense de um atropelamento a qualquer minuto, ou uma batida de ve\u00edculo. Cada um faz sua manobra e seu malabarismo mais arriscados de supera\u00e7\u00f5es, e os \u201catletas\u201d do exerc\u00edcio f\u00edsico correm no meio da avenida entre os carros. Nunca tinha visto tanta loucura num lugar s\u00f3, como num circo de equilibristas no globo da morte. N\u00e3o conseguia parar de olhar o show de perigos, e at\u00e9 a gelada esquentava no copo.<\/p>\n<p>S\u00d3 COM SERRA OU DINAMITE<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9610.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4237\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9610.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9610.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9610-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Depois de um dia sem almo\u00e7ar e comer direito, batendo volante, deu aquela fome e ai pedi mais uma \u00e0 mulher do bar e um tira-gosto de moela. Enquanto isso, me fixava no \u201cespet\u00e1culo\u201d daquela balb\u00fardia onde at\u00e9 cachorros e gatos faziam suas demonstra\u00e7\u00f5es no cruzamento mais doido que j\u00e1 vi. A fome apertava, e a moela nada de sair.<\/p>\n<p>A dona do estabelecimento explicou ter faltado g\u00e1s, mas que aguentasse um pouco e logo o pedido estaria pronto. Mais uns 20 minutos de espera e chegou o petisco, s\u00f3 que tomei um susto danado quando vi aquela moela sapecada na fritura, mais dura que lajedo de bater roupa suja ensaboada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9618.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4238\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9618.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9618.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9618-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tentei cortar com a faca aquela iguaria que sempre \u00e9 cozida por sua forma\u00e7\u00e3o natural, para ficar mais mole e palat\u00e1vel. Desisti de brigar com a moela que s\u00f3 poderia ser cortada com uma serra, ou dinamitada. Para n\u00e3o perder a parada, tracei a farofa e o vinagrete. Nunca tinha visto uma moela fritada daquele jeito. Imposs\u00edvel de comer, principalmente na minha idade. Uma covardia! Imaginei que fazia parte do tr\u00e2nsito maluco. Solicitei um serrote, mas ela nada entendeu.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9608.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4239\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9608.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9608.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9608-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bem, como sou teimoso e n\u00e3o sou de deixar trabalho inacabado, voltei no outro dia ao mesmo bar, no mesmo hor\u00e1rio, com minha m\u00e1quina fotogr\u00e1fica para registrar a lamban\u00e7a, mas nada de moela. Para completar, ainda convidei minhas sobrinhas Iana (jornalista) e Jaissa para testemunhar e assistir ao show do tr\u00e2nsito naquele cruzamento infernal e deixar meu recado para o senhor prefeito, de que fa\u00e7a alguma coisa para que preju\u00edzos e vidas sejam poupados. Evite uma trag\u00e9dia, senhor prefeito!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9604.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4240\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9604.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9604.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/IMG_9604-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O que presenciei \u00e9 simplesmente uma vergonha para uma cidade do porte de Juazeiro, cidade produtiva de Jo\u00e3o Gilberto, onde j\u00e1 fiz muitas noitadas de curti\u00e7\u00f5es com companheiros amigos, e adoro abra\u00e7ar o \u201cVelho Chico\u201d, mesmo maltratado pelos homens, que sempre sugaram de suas riquezas sem revitaliz\u00e1-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava eu ali, por acaso, em Marrakechi ou em Casa Blanca, no Marrocos, Islamabad, no Paquist\u00e3o, Cabul, no Afeganist\u00e3o, em Nova D\u00e9lhi, na \u00cdndia dos coches de tr\u00eas rodas entre aquela multid\u00e3o, em Bangcoc, na Tail\u00e2ndia, em Bangladesh, em Colombo, no Siri Lanka, em Cairo, no Egito, em Mianmar, na \u00c1sia, ou em outros pa\u00edses [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4233"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4233"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4233\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4241,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4233\/revisions\/4241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}