{"id":4110,"date":"2019-11-14T22:53:47","date_gmt":"2019-11-15T01:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=4110"},"modified":"2019-11-14T22:54:07","modified_gmt":"2019-11-15T01:54:07","slug":"serpentes-que-nunca-morrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/11\/14\/serpentes-que-nunca-morrem\/","title":{"rendered":"SERPENTES QUE NUNCA MORREM"},"content":{"rendered":"<h1>Poema de autoria de Jeremias Mac\u00e1rio<\/h1>\n<h1>Palavras perseguem, desencantam, encantam;<\/h1>\n<p>grudam no canto do c\u00e9rebro e martelam na melodia;<\/p>\n<p>cantam em prosa e verso\u00a0 no compasso da filosofia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aparecem frescas na madrugada de borr\u00f5es fortes;<\/p>\n<p>roubam o espa\u00e7o do amor com pinc\u00e9is de \u00a0sangue;<\/p>\n<p>brotam como ra\u00edzes exuberantes soltas em mangue,<\/p>\n<p>no barco veloz das folhas, cortando como os serrotes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surgem como condes nobres, ou tabar\u00e9us l\u00e1 do norte;<\/p>\n<p>uma cambaleia em fome,\u00a0 balbucia como t\u00edsico pobre;<\/p>\n<p>outra se reparte em fatias e monta o enredo do caixote.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o serpentes de dentes afiados, ou como mastod\u00f4ntico;<\/p>\n<p>podem ser centop\u00e9ias, ou at\u00e9 mesmo um deus plat\u00f4nico,<\/p>\n<p>que sempre querem indicar as veredas da nossa andan\u00e7a;<\/p>\n<p>ferram nossa pele e nos tran\u00e7am com a dor da lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pedem mil perd\u00f5es e aparecem na forma de um isot\u00f4nico,<\/p>\n<p>nos a\u00e7oitam e nos transportam para um mundo catat\u00f4nico;<\/p>\n<p>por vezes nos faz bailar no sal\u00e3o de espelhos da real dan\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chicoteiam nosso esp\u00edrito, ora tranquilas, ora raivosas;<\/p>\n<p>cheiram como as rosas, pela terra germinam e dormem;<\/p>\n<p>duras como as rochas nas hist\u00f3rias de versos e de prosas;<\/p>\n<p>as palavras s\u00e3o serpentes devastadoras que nunca morrem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em poemas de v\u00e1rios temas, nos filmes e nos teoremas,<\/p>\n<p>viram feiticeiras e lendas como as pir\u00e2mides fara\u00f4nicas;<\/p>\n<p>s\u00e3o as \u00a0rom\u00e2nticas e as sem\u00e2nticas das l\u00ednguas rom\u00e2nicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trovas tiradas tiranas da viola do repente do cantador;<\/p>\n<p>no coco, nas emboladas como as trovoadas de sert\u00e3o;<\/p>\n<p>no cordel\u00a0 como fel, falando do Satan\u00e1s e do Senhor;<\/p>\n<p>as palavras revivem o canga\u00e7o do nordestino Lampi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos folclores dos agrestes e nos causos dos coron\u00e9is,<\/p>\n<p>que compram suas patentes e molestam suas meninas,<\/p>\n<p>as palavras cospem brasas nos gatilhos das carabinas,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o como serpentes trai\u00e7oeiras das florestas escuras;<\/p>\n<p>escondidas como sacis e disfar\u00e7adas de \u00edndio curupira;<\/p>\n<p>s\u00e3o os escombros das guerras e as can\u00e7\u00f5es de ternuras;<\/p>\n<p>s\u00e3o os eruditos, cl\u00e1ssicos escritos e do humilde caipira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Percorrem os s\u00e9culos, impregnadas no ditado popular,<\/p>\n<p>vagando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o em nossos pensamentos;<\/p>\n<p>no politicamente correto caem bem no vern\u00e1culo vulgar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poema de autoria de Jeremias Mac\u00e1rio Palavras perseguem, desencantam, encantam; 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