{"id":3988,"date":"2019-09-25T00:53:55","date_gmt":"2019-09-25T03:53:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3988"},"modified":"2019-09-25T00:54:10","modified_gmt":"2019-09-25T03:54:10","slug":"spartacus-e-a-guerra-dos-escravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/09\/25\/spartacus-e-a-guerra-dos-escravos\/","title":{"rendered":"SPARTACUS E A GUERRA DOS ESCRAVOS"},"content":{"rendered":"<p>Muitos j\u00e1 devem ter assistido o famoso filme \u201cSpartacus\u201d, de Stanley Kubrick, baseado numa hist\u00f3ria real da escravid\u00e3o romana pelos idos dos anos 71 a.C., do livro de Howard Fast (1914-2003), um judeu que foi militante pol\u00edtico contra a opress\u00e3o e as injusti\u00e7as. O livro foi adaptado para o cinema em 1960.<\/p>\n<p>Numa linguagem din\u00e2mica e po\u00e9tica, a narrativa da obra prende o leitor do in\u00edcio ao fim, com passagens fortes sobre os escravos que se rebelaram contra seus senhores opressores. Seu l\u00edder \u201cSpartacus\u201d, um tr\u00e1cio, conseguiu reunir mais de 70 mil escravos para guerrear por uma Roma livre e justa onde todos teriam os mesmos direitos.<\/p>\n<p>Prisioneiros de guerra<\/p>\n<p>Diferente da escravid\u00e3o no Brasil, mais de mil anos depois, cujos negros eram apanhados e comprados no continente africano e transportados em navios negreiros, os escravos romanos eram, na verdade, povos das prov\u00edncias da Europa (celtas, gauleses, germanos e outros), \u00c1sia Menor e do Oriente, como do Egito, que se tornaram prisioneiros de guerra, ou foram subjugados durante a forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n<p>Tanto aqui como l\u00e1, os escravos eram duramente castigados, e fica dif\u00edcil avaliar a dimens\u00e3o maior ou menor das torturas impostas. No Imp\u00e9rio Romano muitos deles eram levados acorrentados para as minas escuras de ouro e cobre, e passavam muito tempo sem ver a luz do dia, nus e pouco se alimentando, inclusive crian\u00e7as obrigadas a entrarem em lugares estreitos. Nem precisa dizer que milhares delas morriam, tais como os adultos.<\/p>\n<p>Em Roma daquela \u00e9poca, aqueles que se rebelavam eram crucificados e pendurados nas cruzes, geralmente \u00e0s margens das estradas para servirem de exemplo para os outros. O autor do romance narra, poeticamente, com detalhes, essas cenas degradantes e horr\u00edveis numa viagem feita por amigos, de Roma para C\u00e1pua, uma cidade muito bonita e cobi\u00e7ada pela fabrica\u00e7\u00e3o de seus finos perfumes.<\/p>\n<p>Como relata Howard Fast, os escravos mais fortes e de alto vigor f\u00edsico eram comprados por treinadores de gladiadores e levados para as arenas romanas, para lutarem, como forma de divertir e entreter o povo que era servil ao governante ou imperador. Numa luta de espadas entre dois gladiadores, ou atrav\u00e9s de bigas, s\u00f3 um deles sobrevivia. Existiam tamb\u00e9m negros escravos trazidos da regi\u00e3o de Cartago (Tun\u00edsia) que usavam redes nas lutas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Spartacus, sua mulher e seus companheiros lugares-tenentes (Jud\u00e9ia, \u00c1frica e da G\u00e1lia), de prop\u00f3sito para a obra se tornar mais realista com o tempo, o autor utiliza jovens em viagem, um general, um treinador de gladiador, um tribuno, o pr\u00f3prio C\u00edcero e gentes pobres do povo como principais personagens, mostrando, cada um, seus pontos de vista sobre a pol\u00edtica romana, orgias da \u00e9poca, corrup\u00e7\u00f5es e as canalhices daqueles que estavam no poder.<\/p>\n<p>\u201cA estrada foi aberta em mar\u00e7o e dois meses depois, na metade de maio, Caius Grassus, sua irm\u00e3 Helena e a amiga Cl\u00e1udia Marius prepararam-se para passar uma semana com parentes em C\u00e1pua\u201d&#8230; \u201cAs duas mo\u00e7as viajavam em liteiras abertas, cada uma carregada por quatro escravos estradeiros que podiam fazer 15 quil\u00f4metros num andar suave, sem descansar.\u201d<\/p>\n<p>Souberam antes de partir que iam passar por alguns pontos de puni\u00e7\u00f5es, que, na verdade, eram as crucifica\u00e7\u00f5es de escravos. \u201cN\u00f3s olharemos apenas para a frente\u201d \u2013 disse Helena. Mal se notava um corpo nu masculino pendurado nela.<\/p>\n<p>Acompanhe nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos as narra\u00e7\u00f5es fascinantes do autor que descreve as pen\u00farias dos escravos nas minas da N\u00fabia, e a revolta deles, comandada por Spartacus que, com seu ex\u00e9rcito, venceu muitas batalhas contra os romanos e, por pouco, n\u00e3o invadiu e derrubou o Senado e todo o poder de Roma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos j\u00e1 devem ter assistido o famoso filme \u201cSpartacus\u201d, de Stanley Kubrick, baseado numa hist\u00f3ria real da escravid\u00e3o romana pelos idos dos anos 71 a.C., do livro de Howard Fast (1914-2003), um judeu que foi militante pol\u00edtico contra a opress\u00e3o e as injusti\u00e7as. O livro foi adaptado para o cinema em 1960. 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