{"id":3895,"date":"2019-08-20T22:26:16","date_gmt":"2019-08-21T01:26:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3895"},"modified":"2019-08-20T22:26:27","modified_gmt":"2019-08-21T01:26:27","slug":"a-escorcha-contra-o-povo-romano-no-reinado-de-diocleciano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/08\/20\/a-escorcha-contra-o-povo-romano-no-reinado-de-diocleciano\/","title":{"rendered":"A ESCORCHA CONTRA O POVO ROMANO NO REINADO DE DIOCLECIANO"},"content":{"rendered":"<p>Entre o s\u00e9culo III da era crist\u00e3, Diocleciano restaurou a ordem por algum tempo e defendeu o Estado contra os inimigos externos. P\u00f4s em pr\u00e1tica um programa de reformas da vida p\u00fablico, mas atrav\u00e9s do sacrif\u00edcio do povo com a eleva\u00e7\u00e3o de impostos e taxas para sustentar o ex\u00e9rcito durante as guerras.<\/p>\n<p>A sociedade estava desgastada e o imperador conseguiu manter firme seu reinado. O mundo ansiava pela paz, mas ele queria fortalecer o Estado, reformar os m\u00e9todos e regenerar o ex\u00e9rcito degradado, atrasado, corrupto e de mercen\u00e1rios.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo III os imperadores j\u00e1 eram monarcas absolutos, como no Oriente, e o Senado virou um conselho municipal da capital. Apenas o ex\u00e9rcito participava da vida p\u00fablica, e o imperador ainda tinha de obedecer \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es dos soldados que escolhiam os governantes.<\/p>\n<p>CORTARAM OS LA\u00c7OS<\/p>\n<p>Diante desse quadro, v\u00e1rias prov\u00edncias cortaram os la\u00e7os com o Estado, procurando viver de forma independente com imperadores pr\u00f3prios. Diocleciano introduziu o governo conjunto que existia antes. Para a regi\u00e3o Ocidental nomeou Val\u00e9rio Maximiano e cada um adotava um l\u00edder militar. Os filhos adotivos recebiam o t\u00edtulo de C\u00e9sar e podiam suceder o governante.<\/p>\n<p>O trono continuou sendo a magistratura suprema, levando em conta \u201cO Melhor dos Melhores\u201d, onde o imperador tornava-se senhor e deus. Todos tinham de prostrar-se de joelhos e beijar a ponta do seu manto. Sua principal jun\u00e7\u00e3o era comandar o ex\u00e9rcito e conviver com os soldados onde houvesse perigo.<\/p>\n<p>Os soldados eram recrutados entre o povo mais atrasado, e os mais estimulados eram os germanos. As melhores tropas, geralmente de b\u00e1rbaros, ficavam aquarteladas perto das capitais dos quatro governantes (dois Augustos e dois C\u00e9sares).<\/p>\n<p>Em seu governo, foram criadas divis\u00f5es especiais \u00e0 base da guarda pretoriana. A fun\u00e7\u00e3o era policiar as fronteiras. Na verdade, era uma guarni\u00e7\u00e3o de colonos com obriga\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria do servi\u00e7o militar. Existiam ainda as frotas mar\u00edtimas e as tribos b\u00e1rbaras ligadas a Roma por tratados.<\/p>\n<p>CRESCIMENTO DO EX\u00c9RCITO<\/p>\n<p>Com essas mudan\u00e7as, o ex\u00e9rcito cresceu muito. Qualquer soldado poderia ser promovido a guarda, ao posto de oficial comandante, comandante de uma for\u00e7a independente, de todas as tropas de uma prov\u00edncia, e ainda comandante-chefe do ex\u00e9rcito. Dessa forma, surgiu uma nova aristocracia, baseada no servi\u00e7o militar e p\u00fablico. As figuras mais destacadas eram os b\u00e1rbaros germanos. Na verdade, era um ex\u00e9rcito de mercen\u00e1rios, e os soldados eram servos do Estado, mas tinham pagamento de sal\u00e1rios e direito de ocupar a terra.<\/p>\n<p>No entanto, a lei que exigia o servi\u00e7o militar n\u00e3o foi abolida, se bem que muitos fugiam desse compromisso. Os imperadores mantiveram a legisla\u00e7\u00e3o nos s\u00e9culos III e IV. A lei permitia criar novo imposto para quem n\u00e3o servia. Era chamado o \u201couro dos recrutas\u201d.<\/p>\n<p>Dioceses, vicarius e agentes secretos<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio foi dividido em 101 prov\u00edncias que, por sua vez, formavam grupos menores (as 17 dioceses) e quatro praefecturae (prefeito pretoriano). Cada diocese era governada por um vicarius, e cada prov\u00edncia por um governador. Havia ainda a pol\u00edcia secreta (agente in rebus) com a fun\u00e7\u00e3o de proteger o imperador. Chefiava a pol\u00edcia secreta um quarto ministro, o da corte (magister oficiorum).<\/p>\n<p>A baixa educa\u00e7\u00e3o e moral dos oficiais e dos funcion\u00e1rios levavam a pr\u00e1ticas inadequadas de suborno e corrup\u00e7\u00e3o. O peso disso repousava nos ombros do povo j\u00e1 muito empobrecido pelas guerras civis do s\u00e9culo III atrav\u00e9s das cobran\u00e7as de impostos, taxas sobre a terra, para sustentar os soldados.<\/p>\n<p>Tropas de cargas e carro\u00e7as tinham que ser fornecidas pelo povo. Os conselhos municipais e os grandes propriet\u00e1rios eram respons\u00e1veis pelo pagamento das taxas e os trabalhos for\u00e7ados. Nem assim a situa\u00e7\u00e3o melhorou muito com a reforma e a aparente ordem. O pa\u00eds estava reduzido \u00e0 mendicidade, e o povo n\u00e3o aguentava mais tanta escorcha.<\/p>\n<p><!--more-->FUGIR DO PAGAMENTO<\/p>\n<p>Todos os habitantes passaram a responder por essas obriga\u00e7\u00f5es. Muitos procuravam fugir do pagamento, e a popula\u00e7\u00e3o ficou proibida de sair das cidades e for\u00e7ados a cumprir as exig\u00eancias imperiais. Muitos mudaram de domic\u00edlios e ocupa\u00e7\u00e3o profissional. O Estado obrigou os trabalhadores a n\u00e3o deixarem a terra, e transformou-os em servos. Outros eram obrigados a trabalhar para os grandes propriet\u00e1rios, como ocorria no Oriente.<\/p>\n<p>Nas ind\u00fastrias e oficinas, o governo exigia o fornecimento de artigos a pre\u00e7os n\u00e3o compensat\u00f3rios, e obrigava os sindicatos a serem respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o da ordem. Se falhava, o Estado nacionalizava certos setores e lucrava com o trabalho for\u00e7ado dos servos. Estabeleceu a igualdade entre a maioria, pois todos eram mendigos e escravos.<\/p>\n<p>Os pequenos arrendat\u00e1rios pagavam as mesmas taxas ao dono da terra. Os trabalhadores do solo atrasaram o pagamento, e os senhores arrendat\u00e1rios se arruinaram. Os camponeses fugiram, e os grandes abandonaram as propriedades, que se tornaram incultas e deixaram de proporcionar rendimentos.<\/p>\n<p>Servos e suborno<\/p>\n<p>O Estado transformou os camponeses em servos e exigiu dos senhores que pagassem as taxas. Ai, entrou o suborno atrav\u00e9s da influ\u00eancia de algum senhor com algu\u00e9m da corte, ou um general. Aqueles que podiam buscavam ref\u00fagio nessas propriedades, preferindo a escravid\u00e3o a um grande homem do que ficar ref\u00e9m do Estado.<\/p>\n<p>Foi esse tipo de vida criado por Diocleciano. Ele tentou a magistratura do povo romano, e o despotismo oriental. Suas reformas desmoronaram-se. Ap\u00f3s abdicar, viveu o bastante para ver a repeti\u00e7\u00e3o da guerra civil entre Augustos e C\u00e9sares.<\/p>\n<p>Constantino e a religi\u00e3o oficial<\/p>\n<p>O vencedor foi Constantino que definiu a autoridade central durante s\u00e9culos. Abandonou a ideia de que o imperador era o primeiro magistrado do povo. O trono tornou-se heredit\u00e1rio da fam\u00edlia, mas nos mesmos moldes do despotismo oriental.<\/p>\n<p>A dinastia era apoiada pelo ex\u00e9rcito e pela religi\u00e3o como \u00fanica san\u00e7\u00e3o conceb\u00edvel do poder desp\u00f3tico. O culto ao imperado na era Augusto transformou-se numa simples institui\u00e7\u00e3o estatal, sem liga\u00e7\u00e3o com a religi\u00e3o. N\u00e3o havia san\u00e7\u00e3o religiosa, mas liga\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe com o Senado e o povo.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo III isso desapareceu e, foi natural que os imperadores procurassem aproximar sua autoridade da mais poderosa corrente religiosa prevalecente entre os soldados, o cristianismo. Constantino procurou criar uma \u00fanica religi\u00e3o, obtendo dela o apoio \u00e0 autoridade imperial.<\/p>\n<p>Teve \u00eaxito, mas, se tivesse criado um poder desp\u00f3tico ligado \u00e0 religi\u00e3o, porque o velho Estado deixou de existir em seu reinado, sendo substitu\u00eddo por um novo sistema que deveria governar tanto o Oriente como o Ocidente, n\u00e3o teria a monarquia pela gra\u00e7a de Deus. Ele viu a morte do ideal da cidadania e da liberdade. Na monarquia j\u00e1 n\u00e3o havia mais lugar para os povos das cidades-estados da Gr\u00e9cia e da It\u00e1lia. Em seu lugar, estavam os s\u00faditos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre o s\u00e9culo III da era crist\u00e3, Diocleciano restaurou a ordem por algum tempo e defendeu o Estado contra os inimigos externos. P\u00f4s em pr\u00e1tica um programa de reformas da vida p\u00fablico, mas atrav\u00e9s do sacrif\u00edcio do povo com a eleva\u00e7\u00e3o de impostos e taxas para sustentar o ex\u00e9rcito durante as guerras. A sociedade estava [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3895"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3895"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3895\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3896,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3895\/revisions\/3896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}