{"id":3881,"date":"2019-08-15T00:38:10","date_gmt":"2019-08-15T03:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3881"},"modified":"2019-08-15T00:38:32","modified_gmt":"2019-08-15T03:38:32","slug":"oh-quanta-mediocridade-e-incapacidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/08\/15\/oh-quanta-mediocridade-e-incapacidade\/","title":{"rendered":"OH QUANTA MEDIOCRIDADE E INCAPACIDADE!"},"content":{"rendered":"<p>Vamos aterrar o Pantanal para fazer pastagens, plantar soja, milho e criar boi; derrubar toda floresta amaz\u00f4nica; transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana; colocar uma arma na m\u00e3o de cada cidad\u00e3o para se proteger dos bandidos; pegar o Fundo da Amazonas para indenizar terras dos invasores de reservas de prote\u00e7\u00e3o ambiental; mudar as estat\u00edsticas do Inpe; colocar coron\u00e9is e fazendeiros \u00e0 frente das principais institui\u00e7\u00f5es de pesquisa para alterar os dados; desmentir a ditadura e negar tudo que aconteceu de ruim nela, como as torturas, desaparecimentos e mortes; e ensinar o brasileiro a fazer coc\u00f4 dia sim, dia n\u00e3o.<\/p>\n<p>Oh, Senhor, quanta mediocridade e incapacidade num pa\u00eds de tanta vitalidade e infinitas possibilidades de se tornar uma grande na\u00e7\u00e3o desenvolvida, sem tantas desigualdades sociais, pobreza e mis\u00e9ria! Terminamos um ciclo prolongado de Fernando Henrique e Lula, e entramos agora noutro bem pior, de retrocessos e atrasos, onde um projeto neoliberal atabalhoado de mente colonial se faz prevalecer com maior \u00eanfase. A reforma da Previd\u00eancia Social \u00e9 colocada como salva\u00e7\u00e3o, e depois vamos esquartejar as estatais e vender aos capitalistas estrangeiros a pre\u00e7o de banana.<\/p>\n<p>No lugar disso, o BNDES, que possui a\u00e7\u00f5es em milhares de empresas nacionais e multinacionais poderia vender suas participa\u00e7\u00f5es e, com esse dinheiro, o governo poderia investir em milhares de obras que est\u00e3o paradas pelo Brasil por falta de recursos. Al\u00e9m de concluir a constru\u00e7\u00e3o dessas obras, muitas das quais em estado de sucateamento, esse investimento alavancaria o mercado e geraria milh\u00f5es de empregos, tirando o pa\u00eds da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Sem clima para investidores<\/p>\n<p>Nesse marasmo de mediocridades, no qual navega o Brasil, existe clima para atrairmos investidores de fora? N\u00e3o \u00e9 favorecendo o patronato, massacrando os trabalhadores, abolindo as leis de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, expandindo o uso de agrot\u00f3xicos nas lavouras e acabando com os quilombolas e as reservas ind\u00edgenas que vamos tornar o Brasil competitivo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es desenvolvidas.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o sa\u00edmos da depend\u00eancia dos produtos prim\u00e1rios (cereais, ferro, gr\u00e3os e outros) para conseguirmos saldos na balan\u00e7a comercial (Exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es). Somos grandes fornecedores de tecidos, sapatos, algod\u00e3o, soja, milho, caf\u00e9, carnes, petr\u00f3leo cru e outros alimentos, para adquirirmos produtos industrializados, sobretudo da qu\u00edmica fina, como nos tempos coloniais.<\/p>\n<p>Somos um po\u00e7o de incapacidade, com uma educa\u00e7\u00e3o inadequada e caduca, que nos impede planejar e projetar o pa\u00eds no pante\u00e3o das outras na\u00e7\u00f5es bem mais adiantadas e competitivas. Temos muitas cabe\u00e7as pensantes e talentos adormecidos porque pouco investimos e pesquisas, sem contar a prefer\u00eancia pela mediocridade, principalmente agora que entramos no v\u00e3o seco do retrocesso de extrema-direita que manda destruir o que aos poucos estava sendo constru\u00eddo, por pura birra ideol\u00f3gica. Nesse ritmo de ciclos tortuosos para o pior, estamos todos perdidos, ou somos uma na\u00e7\u00e3o perdida, sem futuro?<\/p>\n<p>Alian\u00e7as monstruosas<\/p>\n<p>Entre mais de vinte anos tivemos ciclos alternados de poder entre dois partidos (PSDB e o PT), que s\u00f3 fizeram brigar entre si e se aliaram com o que existia da pior esp\u00e9cie, de mais sinistro, monstruoso e bizarro. Nunca pensaram, em termos coletivos, construir um Brasil que n\u00e3o fosse hoje um s\u00edmbolo de retrocesso l\u00e1 no exterior. A nossa educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade e o saneamento b\u00e1sico s\u00f3 fizeram regredir. A pobreza extrema e a mis\u00e9ria crescem.<\/p>\n<p>Estamos nesse buraco profundo gra\u00e7as ao oportunismo e a picaretagem individualista deles que s\u00f3 pensaram em tirar proveito pr\u00f3prio para se locupletarem e se manterem no poder. Tudo isso gerou o que \u00e9 de pior. Continuamos com mente colonial de p\u00e9ssimo gosto, e a plateia ignara s\u00f3 faz aplaudir e a xingar a outra parte de satan\u00e1s, sem cair na consci\u00eancia pol\u00edtica de que somos, na verdade, um po\u00e7o de mediocridade e incapacidade num Brasil t\u00e3o grandioso. N\u00e3o passamos de bucha de canh\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o povo briga nas ruas, ao inv\u00e9s de se unir, dando um aval para que este poder de retrocesso se perpetue. Sem a capacidade do pensar coletivo, grupos e indiv\u00edduos se fecham num discurso e numa ret\u00f3rica pragm\u00e1tica, sem perspectivas de mudan\u00e7as. N\u00e3o temos oposi\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7as fortes para reverter este quadro de mediocridade e incapacidade. Como se n\u00e3o bastasse o risco de um autoritarismo, estamos alimentando este ciclo do pior para que ele perdure por mais tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos aterrar o Pantanal para fazer pastagens, plantar soja, milho e criar boi; derrubar toda floresta amaz\u00f4nica; transformar Angra dos Reis numa Cancun mexicana; colocar uma arma na m\u00e3o de cada cidad\u00e3o para se proteger dos bandidos; pegar o Fundo da Amazonas para indenizar terras dos invasores de reservas de prote\u00e7\u00e3o ambiental; mudar as estat\u00edsticas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3881"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3881"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3881\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3882,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3881\/revisions\/3882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}