{"id":3879,"date":"2019-08-14T02:03:58","date_gmt":"2019-08-14T05:03:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3879"},"modified":"2019-08-14T02:04:08","modified_gmt":"2019-08-14T05:04:08","slug":"sangue-e-miseria-no-imperio-do-iii-seculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/08\/14\/sangue-e-miseria-no-imperio-do-iii-seculo\/","title":{"rendered":"SANGUE E MIS\u00c9RIA NO IMP\u00c9RIO DO III S\u00c9CULO"},"content":{"rendered":"<p>Novo per\u00edodo de sangue e mis\u00e9ria se inicia no reinado do imperador C\u00f4modo (180 a 192 d.C.), filho de Marco Aur\u00e9lio, colocando fim ao despotismo esclarecido. A principal caracter\u00edstica foi o controle do poder pelo ex\u00e9rcito que, como senhor absoluto, decide o destino do Estado. C\u00f4modo foi um segundo Nero, ou Domiciano, lembrando os piores governantes das dinastias J\u00falio-Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p>Logo apareceu uma forte oposi\u00e7\u00e3o, tendo como causa mais imediata a paz com os germ\u00e2nicos, feita por C\u00f4modo e considerada como trai\u00e7oeira e vergonhosa pelas classes superiores. Como em 69 d.C. o \u00eaxito da conspira\u00e7\u00e3o provocou uma guerra civil.<\/p>\n<p>L\u00facio Severo e sua dedica\u00e7\u00e3o ao ex\u00e9rcito<\/p>\n<p>Com a morte de Comodo, os ex\u00e9rcitos elevaram-se seus favoritos ao poder. O Senado elegeu H\u00e9lvio Perfinax para o trono, mas foi logo assassinado pela guarda pretoriana, corrompida e vendeu a sucess\u00e3o a D\u00eddio Juliano, mas os ex\u00e9rcitos recusaram a aceitar o ditame, e L\u00facio S\u00e9pt\u00edmo Severo, comandante da Pan\u00f4nia,\u00a0 marchou sobre Roma com seus il\u00edrios e tr\u00e1cios, adiantando-se aos seus rivais Cl\u00f3dio Albino e Pesc\u00eanio N\u00edger, que comandavam poderosos ex\u00e9rcitos da Gr\u00e3-Bretanha e S\u00edria.<\/p>\n<p>Severo derrotou os pretorianos e tomou Roma sem luta. Enganou Albino, prometendo fazer dele seu herdeiro e aproveitou os erros cometidos por Pesc\u00eanio. Depois acertou contas com todos que n\u00e3o estavam ao seu favor em Roma, na It\u00e1lia e nas prov\u00edncias, condenando-os \u00e0 morte e confiscando suas propriedades.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o estava a fim de restaurar as tradi\u00e7\u00f5es de Augusto e intitulou-se filho de Marco Aur\u00e9lio e sucessor da linha dos Antoninos. Suas ideias ficaram gravadas nas \u00faltimas palavras endere\u00e7adas aos seus filhos Caracala e Geta, \u201cEnriquecei os soldados e zombai do resto\u201d. Seu poder baseava-se na dedica\u00e7\u00e3o dos soldados \u00e0 sua pessoa. Toda sua aten\u00e7\u00e3o voltou-se para o ex\u00e9rcito. Desconfiava da aristocracia, mantendo-a \u00e0 dist\u00e2ncia por meio de seus guardas semib\u00e1rbaros e da legi\u00e3o parta.<\/p>\n<p>Em seus atos lan\u00e7ou as bases da pol\u00edtica pela qual a classe senatorial seria afastada dos comandos militares e dos governos provinciais. No lugar colocou seus oficiais do ex\u00e9rcito. Apesar de tudo, Severo n\u00e3o conseguiu impor derrota aos partos, nem concluir o dom\u00ednio da Gr\u00e3-Bretanha, onde morreu em 211 d.C. no meio de uma prolongada luta contra os habitantes das terras altas da Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>Seu herdeiro Caracala livrou-se do irm\u00e3o com quem dividia o trono, mas perdeu a vida em 216 d. C., t\u00e3o logo procurou utilizar o ex\u00e9rcito para uma luta contra os partos. O ex\u00e9rcito proclamou ent\u00e3o Macrino, mas traiu-o ao descobrir que ele pretendia p\u00f4r fim \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares e reduzir seus sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>As Mulheres no Poder<\/p>\n<p>As mulheres que moravam no pal\u00e1cio eram s\u00edrias, aparentadas com J\u00falia Domna, mulher de Severo, e pertencente \u00e0 fam\u00edlia dos reis sacerdotes de \u00cameso. Essas mulheres ambiciosas aproveitaram do descontentamento entre os soldados. J\u00falia Mesa, com suas filhas Sonemias e Mam\u00e9ia, conquistou uma parte do ex\u00e9rcito s\u00edrio e derrotou Macrino, colocando no trono o filho de Sonemias chamado de V\u00e1rio Avito, principal sacerdote de um deus-sol com o nome de Elag\u00e1balo, nome esse por ele adotado.<\/p>\n<p>O reinado dos parentes s\u00edrios foi um dos mais tristes da hist\u00f3ria. Elag\u00e1balo ou Heliog\u00e1balo, era um fan\u00e1tico religioso e introduziu em Roma os h\u00e1bitos de sua teocracia s\u00edria. Ent\u00e3o, as princesas s\u00edrias tomaram medidas para conservar o poder, e quando Heliog\u00e1balo foi assassinado pelos soldados, elas colocaram no trono Alexiano, filho de Mam\u00e9ia, mais moderado. Como imperador tomou o nome de Marco Aur\u00e9lio Severo Alexandre. Entretanto, o ex\u00e9rcito tinha mais for\u00e7a que Alexandre, Os sass\u00e2nidas dos reis persas invadiram as prov\u00edncias romanas. Uma campanha contra os germanos custou a vida do imperador, morto pelos pr\u00f3prios soldados em 235 d.C.<\/p>\n<p>Os motins militares e os saques<\/p>\n<p><!--more--> Diz o autor do livro que o Imp\u00e9rio se tornou joguete dos soldados. Os diferentes ex\u00e9rcitos proclamavam seus comandantes imperadores, depondo-os ao menor pretexto, e usavam sua for\u00e7a para saquear as pac\u00edficas e pr\u00f3speras prov\u00edncias. Entre 235 e 285 d.C. houve 26 imperadores, dos quais apenas um teve morte natural. Sempre ocorriam motins militares.<\/p>\n<p>Devido as condi\u00e7\u00f5es internas, as fronteiras eram sempre invadidas. Formaram-se fortes alian\u00e7as de tribos germ\u00e2nicas, com o plano de tomar as prov\u00edncias na Europa. Os sax\u00f4nios saquearam as costas da Gr\u00e3-Bretanha e da G\u00e1lia. Um poderoso reinado dos godos e s\u00e1rmatas, no sul da R\u00fassia, avan\u00e7ava na dire\u00e7\u00e3o do baixo Dan\u00fabio contra as prov\u00edncias orientais.<\/p>\n<p>A dinastia sass\u00e2nida da P\u00e9rsia, no lugar do reino dos partos, tornou-se num inimigo das combalidas energias de Roma. O extremo da decad\u00eancia ocorreu com Valeriano e seu filho Galieno, entre 253 e 268 d.C. Valeriano foi aprisionado pelos persas. Sob Galieno, a G\u00e1lia e a rica cidade comercial de Palmira, na S\u00edria, organizaram seus territ\u00f3rios como independentes. Em 258 d.C., Marco C\u00e1ssio P\u00f3stumo era governador da G\u00e1lia. Em Palmira, Odenato lutou em defesa do Oriente contra os persas.<\/p>\n<p>Quanto mais degenerava a situa\u00e7\u00e3o de Roma, mais ainda aumentava a press\u00e3o contra suas fronteiras. Entre o povo, crescia o sentimento de que era necess\u00e1rio defender o Imp\u00e9rio e restaurar a unidade. Os soldados tamb\u00e9m come\u00e7aram a mostrar maior empenho na luta contra os b\u00e1rbaros, com maior disciplina como queria o imperador.<\/p>\n<p>Se um imperador era assassinado, seu sucessor demonstrava, para com os ex\u00e9rcitos, a mesma firmeza que custara a vida de seu antecessor, exigindo disciplina e ordem. Os pr\u00f3prios imperadores deram seu exemplo de autosacrif\u00edcio. O primeiro nessa linha foi Cl\u00e1udio, conhecido como o \u201cG\u00f3tico\u201d, de 268 a 270 d.C., impondo aos godos uma derrota contra a fronteira do Dan\u00fabio.<\/p>\n<p>Aureliano, que reinou durante cinco anos, defendeu o Dan\u00fabio e a It\u00e1lia contra os germanos e restaurou a unidade do Imp\u00e9rio por meio de um ex\u00e9rcito que fundiu num s\u00f3. A G\u00e1lia e a S\u00edria voltaram a fazer parte do Estado. Probo (278-282), Caro e seu filho Carino lutaram, com \u00eaxito nas fronteiras. Ap\u00f3s as mortes de Probo e Caro pelos seus soldados, o ex\u00e9rcito proclamou Caio Val\u00e9rio Diocleciano como imperador em 284 d.C. Com ele, o Estado pode descansar das lutas internas.<\/p>\n<p>Em parte, as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas contribu\u00edram para esta crise. O povo estava mais interessado nas quest\u00f5es relacionadas com a vida interior. Nos dois primeiros s\u00e9culos, os imperadores deram apoio aos arrendat\u00e1rios e, por isso, o campo deixou de ser submisso e encontrou voz para defender seus direitos contra a press\u00e3o dos capitalistas e os desmandos dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ex\u00e9rcitos de homens atrasados<\/p>\n<p>Outra modifica\u00e7\u00e3o foi quanto ao ex\u00e9rcito e, com Augusto, consistia em naturais da It\u00e1lia e em cidad\u00e3os romanos residentes nas prov\u00edncias civilizadas de onde vinha a maioria dos legion\u00e1rios. O ex\u00e9rcito ainda representava os habitantes mais esclarecidos. Com Adriano, os soldados eram recrutados nas prov\u00edncias onde estavam situados os campos permanentes.<\/p>\n<p>Muitos fugiam da obriga\u00e7\u00e3o militar e, por isso, os ex\u00e9rcitos (legi\u00f5es e os destacamentos auxiliares) foram formados de trabalhadores agr\u00edcolas das prov\u00edncias, de homens que haviam trabalhado em territ\u00f3rios urbanos. A profiss\u00e3o tornava-se heredit\u00e1ria. Os homens viviam nos campos fortificados e os filhos normalmente escolhiam a profiss\u00e3o paterna.<\/p>\n<p>Para se defender dos b\u00e1rbaros, Roma precisava de novos recrutas e milhares. Muitos tombaram nas batalhas e outros eram dizimados pela peste, atingindo mais as classes inferiores que iam para a fileiras.<\/p>\n<p>Os imperadores preferiam empregar a camada mais primitiva (trabalhadores do campo e pastores das prov\u00edncias, como tr\u00e1cios, il\u00edrios, espanh\u00f3is, mouros, homens do norte da G\u00e1lia, da \u00c1sia Menor e da S\u00edria). O ex\u00e9rcito passou a representar a parte menos civilizada.<\/p>\n<p>As despesas do Estado aumentavam devido a mais soldados que recebiam maiores sal\u00e1rios. O ex\u00e9rcito de funcion\u00e1rios tamb\u00e9m cresceu. Ai, o Estado aumentou os impostos, principalmente dos cultivadores do solo e criadores de rebanhos (arrendat\u00e1rios das grandes propriedades).<\/p>\n<p>Os Ex\u00e9rcitos Pilhavam as Cidades<\/p>\n<p>No per\u00edodo de revolu\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo III, o ex\u00e9rcito e seus chefes tornaram-se senhores do Imp\u00e9rio. Os t\u00edteres esperavam grandes sal\u00e1rios, e a impunidade para realizarem pilhagens, especialmente nas cidades ricas, das quais os soldados sentiam inveja e \u00f3dio. O ex\u00e9rcito pretendia a aboli\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios das classes superiores, exigindo que os soldados tivessem acesso aos postos mais altos.<\/p>\n<p>Nas guerras, os imperadores precisavam de mais dinheiro. Se faltava, eles arrancavam \u00e0 for\u00e7a do povo. Por isso os impostos acumularam-se no s\u00e9culo III, bem como as requisi\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias. As exig\u00eancias eram apresentadas aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis (conselhos municipais, corpora\u00e7\u00f5es de mercadores, artes\u00e3os) pelos recolhimentos e n\u00e3o ao povo. Os conselhos avaliavam os impostos a serem pagos pela popula\u00e7\u00e3o, e seus bens constitu\u00edam a garantia.<\/p>\n<p>Deprecia\u00e7\u00e3o da moeda<\/p>\n<p>No s\u00e9culo III, o Estado elevava as exig\u00eancias. O com\u00e9rcio estava estrangulado pelas guerras constantes e pelas invas\u00f5es dos b\u00e1rbaros. A ind\u00fastria abandonava as ferramentas, e os ex\u00e9rcitos dos candidatos ao trono pilhavam todas cidades e aldeias. Os imperadores e os ex\u00e9rcitos necessitavam de mais dinheiro, cereais, couros, metais e bestas de cargas. Sem grana, os imperadores emitiam grande quantidade de moedas.<\/p>\n<p>Sem bastante metal precioso, fundiam ouro com prata, prata com cobre e o cobre com chumbo, degradando a moeda e arruinando homens de fortuna. O tesouro tornou-se numa vasta f\u00e1brica de dinheiro vil. A popula\u00e7\u00e3o civil apoiava um ou outro dos pretendentes ao trono, esperando que algu\u00e9m pudesse p\u00f4r fim \u00e0 confus\u00e3o e restabelecesse a ordem.<\/p>\n<p>No entanto, o ex\u00e9rcito, ansioso pelo dinheiro e pelo saque, derrubava imperador ap\u00f3s imperador, piorando mais ainda a situa\u00e7\u00e3o. O ex\u00e9rcito consistia de pequenos propriet\u00e1rios, e foi essa classe que sofreu com a crise financeira. Ela atribu\u00eda suas desgra\u00e7as aos funcion\u00e1rios e \u00e0 aristocracia das cidades. O povo do campo reclamava contra a opress\u00e3o exercida pelos magistrados, funcion\u00e1rios e oficiais do ex\u00e9rcito, e manifestava esperan\u00e7a no imperador.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o privilegiada de todos os cidad\u00e3os romanos desapareceu. O imperador tornou-se um d\u00e9spota, baseado em seu ex\u00e9rcito. Em 212 d.C., no reinado de Caracala, os direitos de cidadania foram estendidos a toda popula\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio. Tal medida significou a ru\u00edna do Estado, do Senado e do povo de Roma. O Senado j\u00e1 n\u00e3o tinha vez nos assuntos p\u00fablicos, e havia perdido todos os privil\u00e9gios pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos vest\u00edgios da liberdade civil se foram. Passou a vigorar o reinado da espolia\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia, contra o qual nem os melhores imperadores puderam lutar. \u00a0A arte n\u00e3o produzia qualquer trabalho de import\u00e2ncia, e a literatura entrou em decad\u00eancia. Por\u00e9m, o retrato na escultura e na pintura atingiu grandes n\u00edveis, com intenso realismo.\u00a0 Em meio \u00e0 decad\u00eancia da arte antiga, toma o seu lugar a arte crist\u00e3, produzindo suas primeiras obras primas liter\u00e1rias. Ela elabora novos tipos de escultura e pintura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo per\u00edodo de sangue e mis\u00e9ria se inicia no reinado do imperador C\u00f4modo (180 a 192 d.C.), filho de Marco Aur\u00e9lio, colocando fim ao despotismo esclarecido. A principal caracter\u00edstica foi o controle do poder pelo ex\u00e9rcito que, como senhor absoluto, decide o destino do Estado. 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