{"id":3847,"date":"2019-08-01T01:18:19","date_gmt":"2019-08-01T04:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3847"},"modified":"2019-08-01T01:18:39","modified_gmt":"2019-08-01T04:18:39","slug":"o-imperio-romano-nos-dois-seculos-da-era-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/08\/01\/o-imperio-romano-nos-dois-seculos-da-era-crista\/","title":{"rendered":"O IMP\u00c9RIO ROMANO NOS DOIS S\u00c9CULOS DA ERA CRIST\u00c3"},"content":{"rendered":"<p>Dentre os sucessores de Augusto que mantiveram o Imp\u00e9rio mais met\u00f3dico nos dois primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, Cl\u00e1udio, Vespasiano e Adriano realizaram um trabalho mais frut\u00edfero. Tudo se concentrava nas m\u00e3os do imperador atrav\u00e9s de um Escrit\u00f3rio Central (editos, cartas, finan\u00e7as, peti\u00e7\u00f5es), e os chefes de departamento assumiam o car\u00e1ter de ministros. As decis\u00f5es dos tribunais eram presididas pelo imperador, funcionando como juiz de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os diferentes ramos dos assuntos, o Escrit\u00f3rio Central dividia-se em departamentos, e cada um era supervisionado por um chefe ( liberto ou servo pessoal). A partir de Oto passou a ser por um funcion\u00e1rio (rationibus) da classe equestre. O mais importante era o departamento das finan\u00e7as, incluindo as propriedades do imperador (rationes).<\/p>\n<p>O papel dos magistrados<\/p>\n<p>O s\u00fadito comum, com exce\u00e7\u00e3o do habitante da capital, estava muito menos em contato com os representantes do governo do que em qualquer Estado moderno. Os magistrados eletivos da comunidade faziam a ponte entre o homem da rua e o Estado. Eles tinham completo controle da cidade e seus assuntos. Eram ju\u00edzes de primeira instancia e davam ordens \u00e0 pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Atuavam ainda como agentes do governo na estipula\u00e7\u00e3o e coleta dos impostos, e impunham ao povo outras obriga\u00e7\u00f5es, como a constru\u00e7\u00e3o e a conserva\u00e7\u00e3o das estradas, o transporte dos funcion\u00e1rios, dos bens e do correio do governo. O imperador vigiava todos os atos dos governadores e estes sabiam que nas reuni\u00f5es anuais estavam sujeitos a queixas contra atos violentos e ilegais praticados por eles no poder.<\/p>\n<p>Neste per\u00edodo, grandes n\u00fameros das cidades estavam mergulhados em d\u00edvidas, incapazes de administrar suas finan\u00e7as. Ent\u00e3o, foram criadas comiss\u00f5es para estudar os fatos. No tempo de Trajano, inspetores (curatores) passaram a exercer tal fun\u00e7\u00e3o, cobrando provid\u00eancias das autoridades municipais. S\u00f3 uns poucos departamentos eram controlados pelos imperadores, que cuidavam de suas imensas fortunas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos agentes, outro grande n\u00famero de procuradores, atuando nas provinciais, recolhia tamb\u00e9m impostos diretos e supervisionava as receitas e as despesas, incluindo o pagamento do ex\u00e9rcito e o custo da administra\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio estatal. Eles eram numerosos e ricos no Egito. Com o tempo, os imperadores resolveram estender a cobran\u00e7a de impostos sobre heran\u00e7as, escravos libertados, leil\u00f5es e sobre importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es. A princ\u00edpio, eram fiscais especiais e depois a tarefa passou a ser exercida por funcion\u00e1rio nomeados pelos imperadores.<\/p>\n<p>Ex\u00e9rcito de soldados e funcion\u00e1rios<\/p>\n<p>Com o tempo, o imperador viu-se n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 frente de um ex\u00e9rcito de soldados, mas tamb\u00e9m de funcion\u00e1rios nomeados, pagos e julgados por ele. Em \u00e9pocas remotas, os postos mais altos pertenciam \u00e0s classes equestres (vir egregius, ou vir perfectissimus), e as fun\u00e7\u00f5es inferiores exercidas pelos libertos e escravos. O t\u00edtulo de vir clar\u00edssimus era reservado aos senadores.<\/p>\n<p>Os equestres recebiam entre 60 mil a 300 mil sest\u00e9rcios e podiam tornar-se\u00a0 comandantes da guarda pretoriana (praefctus praetorio), ou governador do Egito, e at\u00e9 mesmo controlador do fornecimento de cereais (paefectus annonae). Podiam ainda comandar o corpo de bombeiros, ou servir como procuradores nas prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Como pontifex m\u00e1ximo, o imperador era o chefe da regi\u00e3o estatal, sendo venerado em todo o Imp\u00e9rio. No entanto, a vida religiosa de seus s\u00faditos n\u00e3o era afetada pelo Estado. Ele n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o direta com a administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a e com a codifica\u00e7\u00e3o do Direito Civil ou Criminal. Essas fun\u00e7\u00f5es eram dos tribunais locais, tanto na It\u00e1lia como nas prov\u00edncias. O Direito Romano e os c\u00f3digos penais por vezes entravam, em conflito, especialmente na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>Como governador de muitas prov\u00edncias, o imperador no papel de apela\u00e7\u00e3o, proferia senten\u00e7as nos casos mais importantes. Como chefe do ex\u00e9rcito, elaborava as principais regras do Direito Militar e, como chefe da administra\u00e7\u00e3o financeira, fazia com que os procuradores elaborassem um esquema de rela\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n<p>O Direito Romano<\/p>\n<p><!--more-->Assim foi se formando a estrutura geral do Direito Romano sob o imp\u00e9rio, e foi codificado mais tarde por dois imperadores, Teod\u00f3sio\u00a0 e Justiniano. A responsabilidade do imperador se limitava \u00e0 defesa das fronteiras e ao policiamento dos mares.<\/p>\n<p>A ordem dentro do Estado era mantida pelas organiza\u00e7\u00f5es municipais atrav\u00e9s da pol\u00edcia local. A seguran\u00e7a e a ordem das estradas militares eram garantidas pelos destacamentos de soldados e a uma pol\u00edcia militar estacionada nos pontos mais perigosos. Os soldados tamb\u00e9m vigiavam as pessoas com atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica suspeita. A pol\u00edcia secreta aumentou bastante no governo de Adriano.<\/p>\n<p>Rede de estradas<\/p>\n<p>Os imperadores criaram uma rede de estradas como a humanidade n\u00e3o havia nunca sonhado. Era dever da autoridade locai abrir estradas menos importantes, e o imperador o mantinha em observa\u00e7\u00e3o. Roma era a filha mimada, com f\u00f3runs espa\u00e7osos, cercados de esplendidos templos e edif\u00edcios p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o gratuita de p\u00e3o<\/p>\n<p>Seguindo o passo de Pompeu, os novos senhores de Roma transformaram o Campo de Marte numa fileira de majestosos edif\u00edcios em mem\u00f3ria dos mortos, cercados de parques. Os imperadores puseram em pr\u00e1tica uma s\u00e9rie de medida sistem\u00e1ticas de higiene e controle policial. Controlavam e supervisionavam os aquedutos e canais de drenagem para proteger as cidades das enchentes. Refor\u00e7aram as margens do Tibre e constru\u00edram um cais de pedra. Determinaram que as ruas fossem varridas e mantidas a ordem. Organizaram o abastecimento de alimento e regulamentaram a distribui\u00e7\u00e3o gratuita de p\u00e3o, como institui\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Outra preocupa\u00e7\u00e3o dele era no sentido de que o povo tivesse divers\u00e3o permanente e mantidos os estabelecimentos de banho para a hora de lazer. No entanto, o governo imperial pouco e preocupava com a educa\u00e7\u00e3o popular, como h\u00e1 muitos anos acontece no Brasil e na Am\u00e9rica de hoje. O povo tinha que cuidar da educa\u00e7\u00e3o de seus filhos.<\/p>\n<p>Todas escolas possu\u00edam gin\u00e1sios, nos quais os jovens recebiam preparo f\u00edsico e mentais, bem como biblioteca p\u00fablica com livros em n\u00fameros suficientes. Os f\u00f3runs, edif\u00edcios p\u00fablicos e os templos eram verdadeiros museus de escultura e pintura. Os jogos e competi\u00e7\u00f5es mantinham o interesse dos jovens pelo atletismo, m\u00fasica e dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Essas vantagens, entretanto, se limitavam \u00e0s classes superiores e \u00e0 cidade. As autoridades municipais davam pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0s aldeias e ao filho do pobre. Os imperadores pouco faziam pela educa\u00e7\u00e3o dos jovens. Mantinham em Roma algumas bibliotecas. Financiavam a biblioteca e o museu de Alexandria, Patrocinavam somente os homens de destaque na ci\u00eancia, literatura e na arte<\/p>\n<p>Eles mantinham esses homens isolados da vida intelectual, com uma rigorosa censura sobre todos escritos considerados sediciosos. Somente quando a pobre come\u00e7ou a colocar em perigo as institui\u00e7\u00f5es, os imperadores come\u00e7aram a se preocupar\u00a0 e a pagar certo n\u00famero de metres e professores. Era esse o sistema de governo do Imp\u00e9rio Romano. Dava incentivo \u00e0 unidade local (cidade de governo pr\u00f3prio). Por\u00e9m, aos poucos, isso foi substitu\u00eddo\u00a0 pelo agente e servo do imperador\u00a0 Esse processo teve in\u00edcio\u00a0 nos dois primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, e n\u00e3o foi muito adiante com os problemas pol\u00edticos\u00a0 e sociais que Roma passou a atravessar no s\u00e9culo III.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentre os sucessores de Augusto que mantiveram o Imp\u00e9rio mais met\u00f3dico nos dois primeiros s\u00e9culos da era crist\u00e3, Cl\u00e1udio, Vespasiano e Adriano realizaram um trabalho mais frut\u00edfero. Tudo se concentrava nas m\u00e3os do imperador atrav\u00e9s de um Escrit\u00f3rio Central (editos, cartas, finan\u00e7as, peti\u00e7\u00f5es), e os chefes de departamento assumiam o car\u00e1ter de ministros. 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