{"id":3835,"date":"2019-07-26T00:36:24","date_gmt":"2019-07-26T03:36:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3835"},"modified":"2019-07-26T00:36:53","modified_gmt":"2019-07-26T03:36:53","slug":"a-cultura-ausente-da-festa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/07\/26\/a-cultura-ausente-da-festa\/","title":{"rendered":"A CULTURA AUSENTE DA FESTA"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>Caro leitor, \u00e9 conceb\u00edvel que se promova uma festa em homenagem ao filho mais cultuado de uma cidade e, nos discursos, com vi\u00e9s pol\u00edtico, o nome do homenageado foi omitido? Os que ocuparam o palanque e se dirigiram a uma plateia, previamente escolhida, na inaugura\u00e7\u00e3o do aeroporto, batizado com o nome de Glauber Rocha (1939-1981), \u201cemporcalharam a mem\u00f3ria de quem difundiu a cultura nacional\u201d, como escreveu Henrique Cavalleiro, filho mais velho do cineasta conquistense, falecido h\u00e1 38 anos.<\/p>\n<p>A revolta de Henrique foi acompanhada por suas irm\u00e3s, que se recusaram a comparecer ao ato de inaugura\u00e7\u00e3o. Paloma Rocha justificou a aus\u00eancia, condenando o que classificou como oportunismo pol\u00edtico do presidente Jair Bolsonaro \u201ccom o uso indevido do nome de meu pai, o que considero como mais um golpe contra a cultura brasileira, hoje amea\u00e7ada pela censura\u201d.<\/p>\n<p>Avra Rocha manifestou sua recusa em vir a Vit\u00f3ria da Conquista, reclamando, atrav\u00e9s das redes sociais, da \u201cinten\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de se utilizar o nome do meu pai num projeto onde a cultura e a dignidade humana s\u00e3o manchadas por uma consci\u00eancia s\u00f3rdida\u201d. Observou Avra que, nesse ano em que Glauber faria 80 anos, \u201cfaz-se necess\u00e1rio recordar a vis\u00e3o de um Brasil liberto, como ele sempre sonhou\u201d.<\/p>\n<p>A ofensiva contra a cultura nacional externada no ato do \u00faltimo dia 23 tamb\u00e9m foi comentada por outra descendente de um baiano que engrandeceu o nome do nosso pa\u00eds no exterior. Paloma, filha de Jorge Amado (1912-2001), ao fazer o lan\u00e7amento da Festa Liter\u00e1ria Internacional do Pelourinho (Flipel\u00f4), considerou um insulto ao povo baiano ter sido alijado da cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>Num passado recente, Jorge Amado, Glauber Rocha, Monteiro Lobato e Paulo Coelho, foram perseguidos \u2013 presos, torturados, censurados e exilados \u2013 por governos inimigos da cultura. Nos dias atuais j\u00e1 se notam no horizonte sinais de intimida\u00e7\u00e3o. No caso, a supress\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, a filtragem a que ser\u00e3o submetidas obras do cinema nacional, e a prov\u00e1vel revoga\u00e7\u00e3o da Lei Rouanet.<\/p>\n<p>A LITERATURA<\/p>\n<p>Nessa atual fase de falta de incentivo \u00e0 cultura, a literatura, observo, tem sido a mais desamparada. O escritor \u00e9 obrigado a lutar contra os pre\u00e7os cobrados pelas gr\u00e1ficas; as exig\u00eancias das editoras, a internet; a divulga\u00e7\u00e3o pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o; a literatura portuguesa deixou de fazer parte do curr\u00edculo do ensino fundamental nas escolas p\u00fablicas; e o fechamento de livrarias.<\/p>\n<p>Na verdade, o brasileiro n\u00e3o tem o h\u00e1bito da leitura. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Leitura, nossos conterr\u00e2neos leem em m\u00e9dia um livro por ano, enquanto chilenos, uruguaios e argentinos leem quatro: nos pa\u00edses desenvolvidos a m\u00e9dia \u00e9 de 20. Essa diferen\u00e7a se reflete no n\u00famero de livrarias. O setor no Brasil vive sua maior crise, com as redes Saraiva e Cultura em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Nos \u00faltimos dez anos foram fechadas 21 mil lojas no Brasil. O n\u00famero de estabelecimentos em atividade \u00e9 menor do que Buenos Aires, capital da Argentina.<\/p>\n<p>\u201cANDAN\u00c7AS\u201d EM CONQUISTA<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/DSC_7268.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3836\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/DSC_7268.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/DSC_7268.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/DSC_7268-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Conquistense por ado\u00e7\u00e3o, o baiano de Piritiba Jeremias Mac\u00e1rio, com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em jornalismo, chefiou a Sucursal de \u201cA Tarde\u201d, por mais de uma d\u00e9cada, em Vit\u00f3ria da Conquista. Nesse per\u00edodo, enriqueceu a cultura do sudoeste baiano, divulgando, atrav\u00e9s do jornal de maior circula\u00e7\u00e3o do Nordeste, as atividades culturais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Seu amor \u00e0 arte levou-o a criar o espa\u00e7o cultural \u201cA Estrada\u201d, a promover saraus liter\u00e1rios, a editar o blog \u201caestrada\u201d e a lan\u00e7ar quatro livros.<\/p>\n<p>Ultimamente, Jeremias vem sendo mais uma v\u00edtima da crise que desabou sobre a cultura e do n\u00e3o reconhecimento de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o desta cidade, principalmente daqueles que se beneficiaram do jornalista que ele foi, por mais de 30 anos.<\/p>\n<p>Para conseguir levar sua \u00faltima obra \u2013 \u201cAndan\u00e7as \u2013 aos leitores, Jeremias se transformou num mascate liter\u00e1rio, percorrendo o sert\u00e3o baiano. Imita, mais de meio s\u00e9culo depois, o cordelista Jos\u00e9 Gomes (1907-1964), conhecido como Cu\u00edca de Santo Amaro. O irreverente trovador, temido pelos pol\u00edticos, vendia os seus cord\u00e9is nas ruas e ladeiras de Salvador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista Caro leitor, \u00e9 conceb\u00edvel que se promova uma festa em homenagem ao filho mais cultuado de uma cidade e, nos discursos, com vi\u00e9s pol\u00edtico, o nome do homenageado foi omitido? 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