{"id":3822,"date":"2019-07-23T23:40:41","date_gmt":"2019-07-24T02:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3822"},"modified":"2019-07-23T23:40:53","modified_gmt":"2019-07-24T02:40:53","slug":"as-provincias-romanas-na-era-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/07\/23\/as-provincias-romanas-na-era-crista\/","title":{"rendered":"AS PROV\u00cdNCIAS ROMANAS NA ERA CRIST\u00c3"},"content":{"rendered":"<p>Os sucessores de Augusto na era crist\u00e3 procuraram manter uma paz permanente, sem guerra externa e revolu\u00e7\u00e3o interna na It\u00e1lia e nas prov\u00edncias. Com base na Idade Hel\u00eanica, de acordo com o autor de \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d, M. Rostovtzeff, Roma teve a miss\u00e3o de receber o maior n\u00famero de povos na civiliza\u00e7\u00e3o plantada pelo Oriente, regada pelos gregos.<\/p>\n<p>Nos dois s\u00e9culos de paz (1 e 11), Espanha, Gr\u00e3-Bretanha, G\u00e1lia, parte da Germ\u00e2nia, norte da pen\u00ednsula balc\u00e2nica e litoral norte da \u00c1frica absorveram tal civiliza\u00e7\u00e3o em sua forma ocidental. \u201cO Imp\u00e9rio Romano nunca tentou ser um Estado mundial do tipo nacional. Houve sempre a busca por manter a estrutura, mesmo durante os choques do III s\u00e9culo. Essa cultura era a mesma\u00a0 toda parte, a de associa\u00e7\u00e3o de homens com h\u00e1bitos e interesses comuns.<\/p>\n<p>Base da vida social e econ\u00f4mica<\/p>\n<p>No Imp\u00e9rio, as cidades tornaram-se a base da vida social e econ\u00f4mica em todas as partes, inclusive onde as popula\u00e7\u00f5es nativas levavam uma vida tribal, e na Espanha onde s\u00f3 existiam cidades gregas ou fen\u00edcias no litoral e leste. O mesmo acontecia na \u00c1frica nas cidades fen\u00edcias pertencentes ao per\u00edodo da supremacia cartaginesa. Poucas foram fundadas por colonos italianos, e sim pela popula\u00e7\u00e3o nativa, viando pertencer a um Estado organizado.<\/p>\n<p>No fim da guerra social de 89 a.C., todas as cidades italianas eram habitadas por cidad\u00e3os romanos e todas possu\u00edam um governo pr\u00f3prio com rela\u00e7\u00f5es id\u00eanticas com Roma. A forma habitual de comunidade nas prov\u00edncias era a cidade habitada pelos provinciais, sob a supervis\u00e3o de um governador romano que pagava impostos sobre a terra a Roma.<\/p>\n<p>As cidades aliadas de Roma gozavam de privil\u00e9gios assegurado pelos tratados, como a isen\u00e7\u00e3o de imposto (immunitas). Qualquer comunidade provincial tinha tr\u00eas possibilidades, tais como, ser colocada no n\u00edvel das comunidades aliadas e um autogoverno; receber direitos de col\u00f4nia romana ou latina; ou ser inclu\u00edda na categoria de \u201cmunicipia romanos\u201d. O Imp\u00e9rio tornou-se, aos poucos, uma vasta federa\u00e7\u00e3o de cidades, num Estado \u00danico.<\/p>\n<p>Quatro partes<\/p>\n<p>O Imp\u00e9rio podia ser dividido em quatro partes, com base no hist\u00f3rico das diferentes prov\u00edncias. Primeiro, um grupo celta (G\u00e1lia, Espanha, Gr\u00e3-Bretanha e as \u00e1reas alpinas). Em seguida, Cartago (Sardenha, \u00c1frica, Num\u00eddia e Maurit\u00e2nia). Terceiro lugar, a regi\u00e3o do Dan\u00fabio (il\u00edrios, tr\u00e1cios e celtas). E, Finalmente, a \u00c1sia Menor e S\u00edria.<\/p>\n<p>No caso dos celtas, antes da conquista predominava um sistema tribal, governado pelas fam\u00edlias nobres. A primeira regi\u00e3o celta anexada foi a costa sul da Espanha e da G\u00e1lia. Nela foi feita a instala\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias (cidades fortificadas habitadas por romanos, principalmente soldados). Esses postos atra\u00edram as classes superiores das popula\u00e7\u00f5es nativas e parte dos menos favorecidos (artes\u00e3os, pequenos comerciante e trabalhadores do transporte e da constru\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Anexa\u00e7\u00f5es mais amplas foram feitas depois por C\u00e9sar (Espanha) e por Augusto na regi\u00e3o alpina, enquanto a Gr\u00e3-Bretanha era conquistada por Cl\u00e1udio e seus sucessores. C\u00e9sar dividiu os territ\u00f3rios em distritos administrativos (aldeias) onde a popula\u00e7\u00e3o pudesse se concentrar para o culto da deusa Roma e do imperador romano.<\/p>\n<p>A aristocracia tamb\u00e9m dirigia, como dominante, a vida local das tribos, sob controle dos governadores romanos, legados do imperador. Aos poucos, os centros se transformaram em cidades, parecendo com as gregas e italianas, adquirindo as formas externas e a subst\u00e2ncia de autogoverno, como o sistema social da Cidade-Estado. As civitas celtas evolu\u00edram para a cidade romana, podendo receber t\u00edtulos e privil\u00e9gios de um municipium.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o na \u00c1frica<\/p>\n<p>A \u00c1frica tamb\u00e9m foi pass\u00edvel de coloniza\u00e7\u00e3o. Colonos italianos reuniram-se aos poucos nas cidades fen\u00edcias e berberes j\u00e1 existentes. Durante as guerras civis e no Imp\u00e9rio, algumas delas foram colonizadas com veteranos romanos, aos quais o governo fez consider\u00e1veis doa\u00e7\u00f5es de terras. A popula\u00e7\u00e3o aumentou, a aldeia se organizou como cidade e tornou-se centro natural de um territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o de Cartago e suas aliadas, a nova prov\u00edncia da \u00c1frica atraiu a aten\u00e7\u00e3o dos grandes capitalistas romanos, que cultivavam parte das terras com o trabalho escravo, tal como na It\u00e1lia. Empregavam tamb\u00e9m os nativos e os colonos italianos, para os quais concediam arrendamentos tempor\u00e1rios ou permanentes, desde que transformassem o solo inculto em cereais e hortas.<\/p>\n<p>Os maiores propriet\u00e1rios foram os chefes revolucion\u00e1rios durante as guerras civis, e depois os imperadores. No in\u00edcio do Imp\u00e9rio, o conflito com o Senado transferiu para o imperador as vastas propriedades dos senadores condenados e executados, at\u00e9 que ele chegou a possuir grande parte do territ\u00f3rio africano.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do litoral il\u00edrio-adri\u00e1tico foi igual ao da Espanha e G\u00e1lia. O il\u00edrico foi uma das mais antigas prov\u00edncias romanas, pois cidades gregas j\u00e1 existiam ali muito antes. Quanto aos tr\u00e1cios, a popula\u00e7\u00e3o possu\u00eda em comum a terra cultivada.<\/p>\n<p>Fronteiras militares<\/p>\n<p>Todos territ\u00f3rios estavam cercados por uma s\u00e9rie de fronteiras militares, formando uma linha do Mar Negro ao longo do Dan\u00fabio, e dali ao Reno at\u00e9 o mar do Norte. Uma fronteira semelhante defendia a Gr\u00e3-Bretanha romana da Esc\u00f3cia independente, e a prov\u00edncia da \u00c1frica dos n\u00f4mades do deserto e das tribos selvagens das montanhas do Marrocos.<\/p>\n<p>Cerca de meio milh\u00e3o de homens, recrutados da It\u00e1lia e suas prov\u00edncias para um servi\u00e7o militar de 20 a 25 anos, estava acampado nos diferentes pontos dessa linha em campos fortificados permanentes, numa vida de soldados em quart\u00e9is. Havia mulheres, algumas casadas regularmente ou irregular, pois os casamentos no ex\u00e9rcito, embora ilegais, eram tolerados.<\/p>\n<p>A canabae se transformava em aldeia, e esta em cidade, origem de muitas que hoje conhecemos no Reno e no Dan\u00fabio, como Col\u00f4nia, Mog\u00fancia, Estrasburgo, Viena e Budapeste.<\/p>\n<p>Mais complicado no Oriente<\/p>\n<p>No Oriente, a vida era mais complicada. O Imp\u00e9rio \u00a0Romano nada de novo introduziu na Gr\u00e9cia, exceto a pobreza e a paraliza\u00e7\u00e3o de toda atividade pol\u00edtica. A Gr\u00e9cia continuava como territ\u00f3rio de muitas cidades. O Imp\u00e9rio n\u00e3o fez muito tamb\u00e9m pela \u00c1sia Menor e a S\u00edria. Nelas existiam tr\u00eas esp\u00e9cies de comunidades.<\/p>\n<p>A cidade grega, o templo grego-oriental, propriet\u00e1rios de terras, escravos e servos e grande n\u00famero de distritos, pertencentes ao senhor do Oriente.Na S\u00edria e Palestina, o habitante t\u00edpico da aldeia n\u00e3o era o escravo nem o servo, mas o pequeno propriet\u00e1rio livre. Muitos templos foram transformados em cidades gregas. O Egito continuou nos mesmos moldes dos Ptolomeus, mas o imperador era dono absoluto. Alexandria permaneceu como a \u00fanica grande cidade, a segunda do Imp\u00e9rio. Imitando Ptolomais, Adriano fundou Antin\u00f3polis, em mem\u00f3ria de seu favorito Antino, afogado no Nilo.<\/p>\n<p>No Egito houve r\u00e1pido crescimento dos propriet\u00e1rios, comerciantes, industriais e empreiteiros. Todos exploravam a popula\u00e7\u00e3o nativa, os fel\u00e1s que, na maioria, viviam nas terras pertencentes ao Estado e aristocratas. Em geral, a massa do povo vivia sob o jugo romano, como nos tempos dos fara\u00f3s e dos Ptolomeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sucessores de Augusto na era crist\u00e3 procuraram manter uma paz permanente, sem guerra externa e revolu\u00e7\u00e3o interna na It\u00e1lia e nas prov\u00edncias. Com base na Idade Hel\u00eanica, de acordo com o autor de \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d, M. 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