{"id":3797,"date":"2019-07-10T22:37:46","date_gmt":"2019-07-11T01:37:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3797"},"modified":"2019-07-10T22:37:57","modified_gmt":"2019-07-11T01:37:57","slug":"0-despotismo-dos-favios-e-antoninos-em-meio-a-intrigas-crimes-e-escandalos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/07\/10\/0-despotismo-dos-favios-e-antoninos-em-meio-a-intrigas-crimes-e-escandalos\/","title":{"rendered":"0 DESPOTISMO DOS F\u00c1VIOS E ANTONINOS EM MEIO A INTRIGAS, CRIMES E ESC\u00c2NDALOS"},"content":{"rendered":"<p>Cresceu entre as classes dirigentes do imp\u00e9rio, depois de Augusto, uma forte oposi\u00e7\u00e3o ao principado como institui\u00e7\u00e3o, tudo por causa das intrigas, crimes e esc\u00e2ndalos de seus sucessores, conforme relata o autor de \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d, M. Rostovtzeff.<\/p>\n<p>Para os estoicos era falso considerar o principado como algo que pretendesse apenas gratificar a ambi\u00e7\u00e3o pessoal, ou como um despotismo baseado na viol\u00eancia e na for\u00e7a, como no caso de Nero.<\/p>\n<p>O governante n\u00e3o era um senhor, mas um servo da humanidade e devia trabalhar para o bem de todos, e n\u00e3o em prol de seus interesses pr\u00f3prios e de sua manuten\u00e7\u00e3o no poder, de acordo com a concep\u00e7\u00e3o estoica, teoria sustentada pelos c\u00ednicos da Idade Hel\u00eanica.<\/p>\n<p>A Monarquia e o \u201cmelhor homem\u201d<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_8470.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3798\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_8470.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_8470.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/IMG_8470-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os acontecimentos que se seguiram depois de Nero provaram, por\u00e9m, que a monarquia era inevit\u00e1vel, e que s\u00f3 essa forma de governo era reconhecida pela massa do povo e pelo ex\u00e9rcito. Da\u00ed, o surgimento de uma nova dinastia no trono n\u00e3o chegou a provocar protestos da sociedade romana. Os homens esperavam um principado regenerado nas m\u00e3os do melhor entre os melhores senadores, dentro da Constitui\u00e7\u00e3o, mas sem preju\u00edzos para as classes superiores.<\/p>\n<p>Os reinados de Vespasiano e do seu filho Tito por doze anos procuraram seguir o principado de Augusto e tentaram recuperar o Estado, principalmente as finan\u00e7as, arruinadas pelas extravag\u00e2ncias de Nero e pelo custo da guerra civil de 69 e 70 da nossa era.<\/p>\n<p>Domiciano, entretanto, filho mais novo de Vespasiano rejeitou a teoria do \u201cMelhor homem\u201d e imprimiu em todo os seus atos a natureza absoluta do poder e a condi\u00e7\u00e3o sagrada de sua pessoa. Confiava apenas no ex\u00e9rcito, que subornou com um aumento consider\u00e1vel de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O descontentamento do Senado foi esmagado com crueldade, sob alega\u00e7\u00e3o de combate aos fil\u00f3sofos, ou seja, a todos aqueles que apoiavam e pregavam uma nova teoria de rela\u00e7\u00e3o adequada entre os governantes e seus s\u00faditos. Os fil\u00f3sofos, como Dion Cris\u00f3stomo, expulsos de Roma, atacavam a tirania.<\/p>\n<p>V\u00edtima de uma conspira\u00e7\u00e3o palaciana, Domiciano foi morto num acidente provocado. Para suced\u00ea-lo, o Senado e os ex\u00e9rcitos proclamaram Caio Coceio Nerva, pertencente \u00e0 antiga e nobre fam\u00edlia romana, que reinou de 96 a 98 (j\u00e1 era idoso). Uma de suas primeiras a\u00e7\u00f5es foi adotar Marco \u00dalpio Trajano, de fam\u00edlia romana residente na Espanha.<\/p>\n<p><!--more--> Com Nerva e Trajano tem in\u00edcio um novo cap\u00edtulo da hist\u00f3ria do principado, com harmonia entre a autoridade suprema e a comunidade. Em troca, os princeps aceitavam a teoria estoica do poder imperial, se comprometendo a respeitar os sentimentos e a manter os privil\u00e9gios da classe dominante. O Senado aceitou tornar-se apenas num \u00f3rg\u00e3o consultivo do imperador.<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o substituiu a heran\u00e7a e os imperadores tentavam, honestamente, escolher para seus sucessores os melhores homens, ou os jovens mais promissores da aristocracia. Deu bons resultados, e Roma nunca teve uma sucess\u00e3o de governantes capazes, honestos, trabalhadores e patriotas como nos primeiros 75 anos do s\u00e9culo II. Os imperadores diferiam da nobreza pelo car\u00e1ter, temperamento e origem. Colocaram em pr\u00e1tica o bem-estar de seus s\u00faditos.<\/p>\n<p>Trajano reinou de 98 a 117 e foi o mais not\u00e1vel, depois de Augusto. Foi grande g\u00eanio militar, um estadista de vis\u00e3o e grande administrador. O Imp\u00e9rio era pr\u00f3spero e seus recursos inesgot\u00e1veis, mas a p\u00e1tria sofria com as lutas din\u00e1sticas e, ao se helenizar, perdia a antiga for\u00e7a militar e a unidade. Na Tr\u00e1cia, a D\u00e1cia representava uma cunha no cora\u00e7\u00e3o da Germ\u00e2nia. Precisava-se de uma pol\u00edtica de ataque combinada com a defesa.<\/p>\n<p>Trajano levou isso em considera\u00e7\u00e3o. Suas campanhas na D\u00e1cia e na P\u00e1rtia constitu\u00edram avan\u00e7os, com objetivo de estender as fronteiras at\u00e9 o limite m\u00e1ximo. Venceu a D\u00e1cia que se transformou numa prov\u00edncia romana.<\/p>\n<p>No Oriente anexou a Ar\u00e1bia e obteve duas grandes vit\u00f3rias sobre os partos que lhe permitiram a conquista da Arm\u00eania, Ass\u00edria e a Babil\u00f4nia. Seus planos foram interrompidos por uma rebeli\u00e3o na Mesopot\u00e2mia e um levante dos judeus na S\u00edria e no Egito.<\/p>\n<p>Trajano foi substitu\u00eddo por P\u00fablio \u00c9lio Adriano, tamb\u00e9m um espanhol, e reinou de 117 a 138, mas tinha estilo diferente. Trajano foi defensor r\u00edgido das antigas tradi\u00e7\u00f5es romanas e seguiu os passos de Augusto, enquanto Adriano foi mais cosmopolita e grande viajante. Onde ia procurava estudar as ru\u00ednas das antiguidades e tentou dominar os mist\u00e9rios do Egito. Viveu por longo tempo em Atenas e na \u00c1sia Menor, inteirado com as classes cultas da Gr\u00e9cia. Exigia alto padr\u00e3o e disciplina do ex\u00e9rcito romano, e ampliou os direitos e melhorar as finan\u00e7as das prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Do seu sucessor Antonino Pio, segundo o autor do livro, pouco se sabe, mas dizem historiadores que foi um homem dedicado ao progresso do Estado. Reinou de 138 a 161 e deixou o trono para Marco Aur\u00e9lio que governou de 161 a 180 da nossa era.<\/p>\n<p>Marco Aur\u00e9lio e seu filho C\u00f4modo<\/p>\n<p>Quando a amea\u00e7a externa \u00e0s fronteiras pareceu colocar em segundo plano os outros assuntos, e quando a peste enfraqueceu o poder dos romanos, ele surge como o mais aut\u00eantico defensor da teoria estoica, de que a condi\u00e7\u00e3o real \u00e9 um dever e algo como um mart\u00edrio.<\/p>\n<p>Reservou sua aten\u00e7\u00e3o aos problemas da filosofia, especialmente \u00e0s quest\u00f5es com a moral e a religi\u00e3o. Dedicou-se \u00e0 salva\u00e7\u00e3o e fortalecimento do Imp\u00e9rio. Em \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u2019 deixou um quadro vivo da sua vida interior. Seus maiores problemas foram sua esposa, seu indolente colega L\u00facio Vero e seu filho C\u00f4modo.<\/p>\n<p>Marco Aur\u00e9lio marchou em pessoa contra os germanos e s\u00e1rmatas. Vencendo batalhas ap\u00f3s batalha, conseguiu expuls\u00e1-los para o outro lado da fronteira e desfechar uma s\u00e9rie de golpes no Dan\u00fabio e na D\u00e1cia. Um motim chefiado por \u00c1vido Cassio na S\u00edria e complica\u00e7\u00f5es militares na \u00c1frica impediram de completar a tarefa. Al\u00e9m do mais, estourou novamente uma guerra no Dan\u00fabio, iniciando uma exaustiva luta, mas Marco Aur\u00e9lio n\u00e3o conseguiu lev\u00e1-la at\u00e9 o fim, pois morreu no Dan\u00fabio no ano de 180.<\/p>\n<p>Seu principal erro foi entregar o reino para seu filho que n\u00e3o tinha simpatia pelo ideal paterno e dos predecessores do pai. Reinou de 180 a 192 e repetiu os excessos das m\u00e1s \u00e9pocas antigas, como o despotismo do primeiro s\u00e9culo e o absolutismo de Domiciano.<\/p>\n<p>A \u00e1rdua empresa de estender as fronteiras foi rejeitada pelo seu filho C\u00f4modo, que preferiu sacrificar os interesses da p\u00e1tria e fazer a paz com os germanos. Isso s\u00f3 fez adiar por pouco tempo a luta.<\/p>\n<p>A idade dos Antoninos se caracterizou por uma interrup\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica externa, do tipo defensiva sem ser passiva, mesmo anexando novos territ\u00f3rios capazes de receber a civiliza\u00e7\u00e3o greco-romana.<\/p>\n<p>Germanos e partos<\/p>\n<p>O trabalho iniciado por Sila, Pompeu, C\u00e9sar e Augusto, que era transformar Roma num Estado mundial dividido em distritos militares, chegava ao seu fim. O Imp\u00e9rio estava cercado por um anel de fortalezas, na Gr\u00e3-Bretanha, no Reno, Dan\u00fabio, Eufrates, na \u00c1frica, no Egito e na Ar\u00e1bia. No entanto, as rela\u00e7\u00f5es entre Roma, os germanos e os partos n\u00e3o eram boas.<\/p>\n<p>Diz o autor do livro que os germanos haviam aprendido muito com os romanos, copiado suas t\u00e1ticas militares e conheciam tanto os pontos fracos como os fortes no sistema romano de fronteiras armadas. Os partos achavam que Roma n\u00e3o era invenc\u00edvel, e o Eufrates n\u00e3o era barreira intranspon\u00edvel.<\/p>\n<p>As tribos germ\u00e2nicas (Reno e Dan\u00fabio) j\u00e1 haviam intensificado uma press\u00e3o no reinado de Domiciano que deu tratamento especial aos seus ex\u00e9rcitos. Como o servi\u00e7o militar tornou-se mais dif\u00edcil, caiando o n\u00famero de volunt\u00e1rios, o imp\u00e9rio teve que tornar mais atraente o servi\u00e7o, com o aumento dos sal\u00e1rios. O dom\u00ednio na Germ\u00e2nia se mostrava uma tarefa complicada. A op\u00e7\u00e3o era voltar a uma pol\u00edtica apenas defensiva, ou continuar com as a\u00e7\u00f5es de C\u00e9sar e Augusto, mostrando aos vizinhos o poder das armas romanas.<\/p>\n<p>Na defensiva<\/p>\n<p>Adriano, no entanto, preferiu a defensiva \u00e0 ofensiva e tentou a diplomacia com o povo vizinho. Devolveu \u00e0 P\u00e1rtia quase todas as conquistas orientais de Trajano, com exce\u00e7\u00e3o da Ar\u00e1bia. Como defesa, construiu fortalezas armadas na maioria das fronteiras.<\/p>\n<p>A conquista da Germ\u00e2nia teria levado a um choque com os eslavos e finlandeses, e a da P\u00e1rtia teria lan\u00e7ado Roma contra iranianos e mong\u00f3is. Adriano conseguiu notar que a for\u00e7a criadora do velho mundo estava em decad\u00eancia, da\u00ed ter adotado uma pol\u00edtica defensiva, assegurando um per\u00edodo de paz.<\/p>\n<p>Os problemas voltaram a ocupar Marco Aur\u00e9lio, pois a conquista da Germ\u00e2nia n\u00e3o foi consolidada. A pol\u00edtica pac\u00edfica de Adriano e Antonino foi interpretada pelos germanos como sinal de fraqueza e como um convite \u00e0 invas\u00e3o. Foi isso que ocorreu no reinado de Marco Aur\u00e9lio. Ele ca\u00edram obre a fronteira do Dan\u00fabio com uma for\u00e7a total e rolaram qual onda at\u00e9 a fronteira italiana. Os ex\u00e9rcitos romanos estavam ocupados no Eufrates e ainda trouxeram consigo de volta uma peste que devastou a It\u00e1lia e algumas prov\u00edncias por muitos anos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a brilhante era dos Fl\u00e1vios, houve uma esterilidade na literatura e na arte. As d\u00e9cadas que se seguiram deixaram de produzir um \u00fanico grande escritor. Adriano era um grande conhecedor e amante da arte. Construiu muito, inclusive edifica\u00e7\u00f5es espl\u00eandidas em Atenas. Com seu etilo cl\u00e1ssico e arca\u00edsmo ecl\u00e9tico, fez monumentos em honra a Trajano na It\u00e1lia, como o Templo de V\u00eanus, o F\u00f3rum e a magn\u00edfica vila em T\u00edvoli.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresceu entre as classes dirigentes do imp\u00e9rio, depois de Augusto, uma forte oposi\u00e7\u00e3o ao principado como institui\u00e7\u00e3o, tudo por causa das intrigas, crimes e esc\u00e2ndalos de seus sucessores, conforme relata o autor de \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d, M. Rostovtzeff. 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