{"id":3736,"date":"2019-06-17T23:53:44","date_gmt":"2019-06-18T02:53:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3736"},"modified":"2019-06-17T23:53:56","modified_gmt":"2019-06-18T02:53:56","slug":"a-democracia-dos-generais-e-um-pais-em-decadencia-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/06\/17\/a-democracia-dos-generais-e-um-pais-em-decadencia-cultural\/","title":{"rendered":"A DEMOCRACIA DOS GENERAIS E UM PA\u00cdS EM DECAD\u00caNCIA CULTURAL"},"content":{"rendered":"<p>O capit\u00e3o-presidente est\u00e1 agora voltando aos est\u00e1dios de futebol e, em declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica, se vangloriou que est\u00e1 sendo aplaudido como o general M\u00e9dici quando do tempo duro da ditadura civil-militar no in\u00edcio dos anos 70. Que triste lembran\u00e7a de mais uma apologia a um regime de opress\u00e3o! Enquanto ele constru\u00eda as arenas e ia aos est\u00e1dios, presos pol\u00edticos estavam sendo torturados e mortos nos por\u00f5es dos Dops e nos quarteis das for\u00e7as armadas.<\/p>\n<p>Nessa democracia dos generais em que estamos vivendo, quase 50 anos depois, lament\u00e1vel constatar que quase ningu\u00e9m sabe mais do que aconteceu naquela \u00e9poca, nem quem era o general M\u00e9dici, especialmente os frequentadores dos est\u00e1dios onde o \u201cBoz\u00f3\u201d passou a frequentar e recebeu aplausos. Sem cultura, o nosso povo vai sendo tragado pela decad\u00eancia de um pa\u00eds sem mem\u00f3ria. Ele, pelo menos, deveria respeitar a dor das fam\u00edlias que perderam seus entes queridos.<\/p>\n<p>A esta altura da minha idade queria ver um pa\u00eds educado, altivo, instru\u00eddo e n\u00e3o engolindo e aceitando barbaridades, improp\u00e9rios e bravatas preconceituosas. N\u00e3o queria ver meu povo se afundando na ignor\u00e2ncia porque temos um presidente que n\u00e3o valoriza a educa\u00e7\u00e3o, a ci\u00eancia e o conhecimento. Instiga as pessoas a viverem nas trevas do saber.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria ver a flores da nossa cultura t\u00e3o murchas, sem mais falarem. N\u00e3o queria ver o povo de armas na m\u00e3o, mas cada um com um livro na m\u00e3o. N\u00e3o queria ver gente morrendo nos corredores dos hospitais por falta de atendimento m\u00e9dico. N\u00e3o queria ver crian\u00e7as, adultos e idosos pisando nos esgotos \u00e0 c\u00e9u aberto por falta de saneamento b\u00e1sico. N\u00e3o queria ver tantas epidemias de mosquitos e doen\u00e7as que n\u00e3o deveriam mais existir.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria ver meu pa\u00eds sendo vendido e torrado no mercado a pre\u00e7o de banana, aumentando mais ainda a legi\u00e3o de desempregados. N\u00e3o queria ver tanto \u00f3dio e intoler\u00e2ncia, tanta bestialidade e irracionalidade. N\u00e3o queria ver tantos \u00edndices negativos e tanta desigualdade social, com milh\u00f5es vivendo na extrema pobreza. N\u00e3o queria ver as pessoas catando alimento nos caminh\u00f5es de lixo. N\u00e3o queria ver tanta aliena\u00e7\u00e3o e tanto desprezo \u00e0 cultura, como se ela fosse um tumor maligno.<\/p>\n<p>LAN\u00c7AMENTO<\/p>\n<p>Na sexta-feira passada (dia 14) lancei meu novo livro \u201cANDAN\u00c7AS\u201d, na Casa Regis Pacheco, e senti ang\u00fastia, fracasso e alegria ao mesmo tempo. Foi uma noite cultural de lan\u00e7amento da obra, do nosso CD Sarau e apresenta\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas da artista Elizabeth David. Ang\u00fastia tive por ver t\u00e3o pouca gente naquele recinto, n\u00e3o que eu me considere uma celebridade famosa, como das redes sociais e das tvs..<\/p>\n<p>N\u00e3o somos uma banda de sertanejo, de arrocha, de pagode e sofr\u00eancia que atrai mais de 60 mil pessoa enlouquecidas e hist\u00e9ricas, mas senti a falta de segmentos que se dizem mais representativos da nossa sociedade, como da Secretaria de Cultura, de algum vereador, de algum deputado, de entidades da \u00e1rea, da Prefeitura Municipal, os quais em tempos passados se sentiam no dever e na obriga\u00e7\u00e3o de incentivar, apoiar e estimular a cultura.<\/p>\n<p>\u00c9 um grande mito dizer que Vit\u00f3ria da Conquista \u00e9 uma cidade cultural, e ainda mais que \u00e9 uma su\u00ed\u00e7a baiana, s\u00f3 porque teve e ainda tem uns poucos que se destacaram nas artes e nos estudos. Algu\u00e9m a\u00ed pode at\u00e9 estar dizendo que estou querendo ser admirado ou coisa assim, mas falo tamb\u00e9m no que tenho visto em outras atividades culturais. O artista desta terra \u00e9 pouco prestigiado.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, me senti alegre e com orgulho de ter realizado mais um \u00e1rduo trabalho com apoio de amigos que assinaram o livro colaborativo na esp\u00e9cie de uma pr\u00e9-venda. Demorou, mas fiquei satisfeito por ter cumprido com minha miss\u00e3o. Senti como se fosse mais um resistente na trincheira em defesa da cultura e do conhecimento. O \u201cParto\u201d foi muito dif\u00edcil, mas est\u00e1 a\u00ed \u201cAndan\u00e7as\u201d \u00a0para quem tiver interesse de apreciar a sua leitura de causos, contos, prosas e poemas.<\/p>\n<p>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O capit\u00e3o-presidente est\u00e1 agora voltando aos est\u00e1dios de futebol e, em declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica, se vangloriou que est\u00e1 sendo aplaudido como o general M\u00e9dici quando do tempo duro da ditadura civil-militar no in\u00edcio dos anos 70. Que triste lembran\u00e7a de mais uma apologia a um regime de opress\u00e3o! 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