{"id":3723,"date":"2019-06-11T23:55:36","date_gmt":"2019-06-12T02:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3723"},"modified":"2019-06-11T23:55:46","modified_gmt":"2019-06-12T02:55:46","slug":"ainda-sobre-cinema-novo-no-sarau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/06\/11\/ainda-sobre-cinema-novo-no-sarau\/","title":{"rendered":"AINDA SOBRE CINEMA NOVO NO SARAU"},"content":{"rendered":"<p>Das figuras importantes influenciadoras do Cinema Novo deixamos de citar na mat\u00e9ria sobre o \u201cSarau a Estrada\u201d, os nomes de Cac\u00e1 Diegues, Roberto Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga), Walter Lima J\u00fanior (Menino de Engenho), Triguerinho Neto, Walter da Silveira e Lima Barreto, sem contar o filme Limite entre os mais listados pelos entrevistados e pesquisadores no livro \u201cA Gera\u00e7\u00e3o Cinema Novo, de Pedro Simonard.<\/p>\n<p>Em sua obra, o autor fala do isolamento e da consagra\u00e7\u00e3o do movimento, quando o grupo se desligou da sua classe de origem ao criticar a Chanchada pela sua xenofilia e identifica\u00e7\u00e3o com a cultura norte-americana e europeia. O povo n\u00e3o se sentia representado por esses jovens intelectuais que diziam que ele agia erradamente. O p\u00fablico que era todo urbano n\u00e3o ia ver os filmes do Cinema Novo.<\/p>\n<p>Ressalta o autor, que a classe m\u00e9dia e a burguesia n\u00e3o viam os filmes porque n\u00e3o gostavam da imagem do Brasil que lhes era mostrada. Entre 1961\/62, a Cinemateca Brasileira exibiu filmes cl\u00e1ssicos no Sindicato da Constru\u00e7\u00e3o Civil de S\u00e3o Paulo, e os oper\u00e1rios n\u00e3o mostraram interesse, mas o document\u00e1rio\u00a0 Zuyderzee, de Joris Ivens, sobre o processo de constru\u00e7\u00e3o de um dique na Holanda, teve grande repercuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os temas do Cinema Novo n\u00e3o despertavam interesse nos oper\u00e1rios. Pedro Simonard diz que o Cinema Novo era um movimento end\u00f3geno. Os diretores exibiram seus filmes em importantes festivais internacionais. Somente a partir dai, a classe m\u00e9dia passou a demonstrar maior receptividade porque tinha o aval dos intelectuais dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o foi suficiente para abocanhar\u00a0 maior fatia do mercado exibidor brasileiro, nem desalienar o povo. Sem isso, n\u00e3o seria poss\u00edvel combater o imperialismo e o colonialismo cultural, nem criar o novo homem. Para fugir do isolamento, os cinemanovistas passaram a participar das elabora\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas estatais, porque com a ditadura seria imposs\u00edvel tomar o Estado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe de 64, segundo Simonard, o movimento viu-se obrigado a buscar apoio do Estado autorit\u00e1rio que censurava suas produ\u00e7\u00f5es e dificultava a exibi\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o dos filmes. Nessa conjuntura, uma das principais aliadas foi a Comiss\u00e3o de Apoio \u00e0 Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica, criada, em 1963, no governo de Carlos Lacerda.<\/p>\n<p>No entanto, o decreto trazia regras que definiam um controle ideol\u00f3gico para a produ\u00e7\u00e3o. Muitos filmes foram produzidos pela Comiss\u00e3o, como Desafio, de Paulo C\u00e9sar Saraceni, O Padre e a Mo\u00e7a, de Joaquim Pedro de Andrade, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos e Menino de Engenho, de Walter Lima.\u00a0 Premiou Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Garrinha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro e Porto das Caixas, de Saraceni.<\/p>\n<p>\u201cNunca os cineastas brasileiros alcan\u00e7aram tanto respeito e foram ouvidos t\u00e3o amplamente por setores importantes da sociedade quanto neste per\u00edodo\u201d disse, ao destacar que em 14 anos (1950-1964) formou-se no Brasil, principalmente, no Rio de Janeiro, uma gera\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, produzindo filmes comprometidos com a realidade brasileira.<\/p>\n<p>As cr\u00edticas \u00e0 Vera Cruz e \u00e0 Chanchada marcaram posi\u00e7\u00e3o contra tudo quanto foi feito em cinema at\u00e9 ent\u00e3o. Outro sucesso foi criar uma incipiente ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica no pa\u00eds, formando-se uma m\u00e3o-de-obra especializada. \u00d3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es financeiras, estatais ou privadas, come\u00e7aram a ajudar o Cinema Novo.<\/p>\n<p>Entretanto, Simonardo aponta alguns fatores que prejudicaram o desenvolvimento do Cinema Novo, como a tradi\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica do intelectual brasileiro que encarava o povo como um grupo sem vontade pr\u00f3pria; ter se colocado como dono da verdade de que o povo tinha que ser conscientizado; n\u00e3o ter elaborado uma pol\u00edtica de distribui\u00e7\u00e3o; e ter encarado o grande p\u00fablico de maneira preconceituosa numa rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3o \u00fanica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das figuras importantes influenciadoras do Cinema Novo deixamos de citar na mat\u00e9ria sobre o \u201cSarau a Estrada\u201d, os nomes de Cac\u00e1 Diegues, Roberto Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga), Walter Lima J\u00fanior (Menino de Engenho), Triguerinho Neto, Walter da Silveira e Lima Barreto, sem contar o filme Limite entre os mais listados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3723"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3724,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3723\/revisions\/3724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}