{"id":3699,"date":"2019-06-04T22:20:01","date_gmt":"2019-06-05T01:20:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3699"},"modified":"2019-06-04T22:20:15","modified_gmt":"2019-06-05T01:20:15","slug":"religiao-e-arte-a-dinastia-julio-claudia-e-o-despotismo-dos-flavios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/06\/04\/religiao-e-arte-a-dinastia-julio-claudia-e-o-despotismo-dos-flavios\/","title":{"rendered":"RELIGI\u00c3O E ARTE, A DINASTIA J\u00daLIO-CL\u00c1UDIA E O DESPOTISMO DOS FL\u00c1VIOS"},"content":{"rendered":"<p>As linhas principais de Augusto no seu principado foram seguidas pelos seus sucessores Tib\u00e9rio Cl\u00e1udio Nero, Cal\u00edgula, Cl\u00e1udio, Nero, os quatro imperadores do ano 69 a.C. (Galba, Oto, Vit\u00e9lio e Fl\u00e1vio Vespasiano), Tito, Domiciano, Caio Nerva, Marco Trajano, P\u00fablio \u00c9lio Adriano (os dois espanh\u00f3is), Antonino Pio, Marco Aur\u00e9lio e C\u00f4modo, seu filho.<\/p>\n<p>Durante o reinado de mais de 40 anos do imperator Augusto, a paz e a prosperidade se instalaram, e os homens deixaram de se interessar pelo Estado. A ideia da liberdade c\u00edvica tornar-se insepar\u00e1vel. O \u201cevangelho\u201d de submiss\u00e3o pregado por Hor\u00e1cio passou a ser uma caracter\u00edstica nova, n\u00e3o bem recebida. No mundo antigo, a popula\u00e7\u00e3o nunca atingiu um modo de pensar cient\u00edfico e racionalista, conforme descreveu o historiador M. Rostovtzeff em \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d.<\/p>\n<p>O ESTOICISMO<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_8465.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3700\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_8465.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_8465.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/IMG_8465-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A filoso0fia, especialmente o estoicismo, como ressalta o autor, se adapta \u00e0 religi\u00e3o. Dessa liga\u00e7\u00e3o surgiram novas doutrinas, como o neopitagorismo, com seu interesse predominante na vida futura, e at\u00e9 mesmo o epicurismo realista. Tanto o estoicismo como o neopitagorismo deram forma claramente religiosa a seus dogmas e reduziram a filosofia a um sistema mais religioso.<\/p>\n<p>Na era Augusto, o estoicismo foi o mais difundido, por ser mais flex\u00edvel, l\u00f3gico e f\u00e1cil de dominar. Antes, entre os romanos, havia se adaptado \u00e0 cren\u00e7a na perfei\u00e7\u00e3o de sua Constitui\u00e7\u00e3o, ou seja, no sistema que a oligarquia da cidade-Estado dominava o mundo. O estoicismo no Imp\u00e9rio Romano reformula sua doutrina pol\u00edtica, retornando ao princ\u00edpio de Zen\u00e3o e Crispo.<\/p>\n<p>Sustentava que a monarquia, quando o monarca fosse o melhor homem de um Estado, proporciona a melhor margem de liberdade interior ao indiv\u00edduo. O que importa \u00e9 o aperfei\u00e7oamento moral, fruto de uma disciplina rigorosa, de forte sentimento de dever para consigo mesmo e seu pr\u00f3ximo. O ideal estoico era a ataraxia, o equil\u00edbrio perfeito da alma. Atingindo este ideal, o homem nem temer\u00e1 a morte.<\/p>\n<p>Essa teoria filos\u00f3fica, moral e religiosa, racionalista em sua ess\u00eancia, era muito difundida entre as classes superiores da sociedade romana. O pensamento dos homens voltava-se para os mist\u00e9rios da vida futura, e eles buscavam na filosofia e na religi\u00e3o uma resposta \u00e0s suas perguntas. No entanto, grande n\u00famero de pessoas religiosas de origem grega se inclinava para o neopitagorismo.<\/p>\n<p>A decora\u00e7\u00e3o de t\u00famulos romanos do per\u00edodo de Augusto e, mesmo depois, mostra a influ\u00eancia das ideias neopitag\u00f3ricas. Virg\u00edlio, por exemplo, com suas poesias, foi um grande int\u00e9rprete da alma na \u00e9poca. Muitos, por\u00e9m, procuravam mais gozar a vida, seguindo o epicurismo materialista. Uma onda religiosa invade cada vez mais cora\u00e7\u00f5es e conquista vit\u00f3rias sobre o racionalismo e a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A DIVINIZA\u00c7\u00c3O E O CULTO A AUGUSTO<\/p>\n<p><!--more--> O processo se evidencia no culto divino dos imperadores, como no caso antigo a Alexandre, o Grande. Nem a religi\u00e3o, nem a filosofia estabeleciam uma distin\u00e7\u00e3o entre o divino e o humano. Da\u00ed a cren\u00e7a num Messias (encarna\u00e7\u00e3o do poder divino em forma de homem) a fim de salvar a humanidade. H\u00e9rcules e Apolo eram os salvadores lend\u00e1rios. Os livros sibilinos falam da possibilidade de que eles voltariam \u00e0 terra.<\/p>\n<p>Acreditava-se que uma crise maior faria voltar o homem-deus, o Salvador, um deus sofrendo pelo homem, ou at\u00e9 mesmo um conquistador divino do mal. inundando de luz a escurid\u00e3o. A \u201cQuarta Ecloga\u201d, de Virg\u00edlio e algumas odes de Hor\u00e1cio mostravam isso.<\/p>\n<p>Os sobreviventes da guerra civil se alimentavam dessas ideias. Aquela coisa da paz depois da tempestade denotava interfer\u00eancia divina. Era f\u00e1cil ligar esse milagre \u00e0 pessoa de Augusto e encar\u00e1-lo como encarna\u00e7\u00e3o divina, o Salvador. Era visto como novo Apolo que dominara os poderes das trevas. Nas profecias sibilinas, o Messias voltara, trazendo nova era na hist\u00f3ria humana, nova idade de ouro (saeculum novum aureum). Augusto, como criador da paz e da prosperidade, lembrava o bondoso deus Merc\u00fario.<\/p>\n<p>O templo de Apolo no Palatino, ao lado da sua resid\u00eancia; o tempo de Venux Genetrix no f\u00f3rum de C\u00e9sar (origem divina da Casa Juliana); o tempo de Marte, o Vingador, no f\u00f3rum de Augusto (hist\u00f3ria da origem de Roma); a cerim\u00f4nia dos Jogos Seculares (fim da confus\u00e3o e in\u00edcio de nova era); os altares da Paz e da Fortuna, no Campo de Marte, tudo se adequava \u00e0s ideias de esperan\u00e7a de Roma na idade augustina. Em toda parte, se via a figura de Augusto como pessoa, religi\u00e3o e Estado. Era o culto ao poder divino do Estado<\/p>\n<p>A estas representa\u00e7\u00f5es divinas, acrescenta-se mais uma fonte de grandeza de Roma, o genius, o poder criador divino pertencente a Augusto, o chefe da fam\u00edlia romana. Dessa cren\u00e7a m\u00edstica num Messias e a de um genius, nasceu o culto de Augusto, ligado ao do Estado. No Oriente, Augusto passou a ser a encarna\u00e7\u00e3o da divindade, como imagem da deusa Roma. Na It\u00e1lia e nas cidades das prov\u00edncias, o culto do genius de Augusto inclu\u00eda-se entre os objetos de venera\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e nas uni\u00f5es das comunidades romanizadas da Espanha, G\u00e1lia e \u00c1frica.<\/p>\n<p>Nas classes governantes, entretanto, essa tend\u00eancia n\u00e3o era considerada como porto na terra. Os contempor\u00e2neos de Augusto estavam mais voltados para encontrar a Idade de Ouro no passado do que no presente ou no futuro. A poesia de Virg\u00edlio idealiza, por exemplo, a \u00e9poca distante em que Roma estava firme. A grande hist\u00f3ria de L\u00edvio, \u201cDa Funda\u00e7\u00e3o da Cidade\u201d mostra o mesmo esp\u00edrito das obras sobre a constitui\u00e7\u00e3o primitiva de Roma.<\/p>\n<p>A PRESERVA\u00c7\u00c3O DOS RITOS PRIMITIVOS<\/p>\n<p>Ao lado do movimento liter\u00e1rio estava o ato de Augusto restaurando os santu\u00e1rios em ru\u00ednas e salvando do esquecimento os ritos primitivos. Ele iniciou tamb\u00e9m a restaura\u00e7\u00e3o da moralidade p\u00fablica e as leis sobre o casamento. A educa\u00e7\u00e3o dos jovens nobres e o treinamento f\u00edsico militar era copiados do passado. Os jovens mostravam suas habilidades nos jogos troianos. Os exerc\u00edcios dos mo\u00e7os eram realizados no Campo de Marte, como na Roma antiga<\/p>\n<p>As constru\u00e7\u00f5es novas surgem lado a lado com as restaura\u00e7\u00f5es, uma nova arte para ao Imp\u00e9rio, triunfo para a cidade imperial. Roma, a cidade de um povo soberano, torna-se a verdadeira capital do mundo onde o passado republicano combina-se com o mon\u00e1rquico. Augusto deu aten\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o da velha cidade, ao F\u00f3rum, ao Capit\u00f3lio com seus templos. Dominando o F\u00f3rum, foi constru\u00edda a resid\u00eancia no Palatino para o princeps, perto de Apolo e no santu\u00e1rio de Vesta. Eram preservadas as rel\u00edquias de Roma sob os reis.<\/p>\n<p>L\u00e1 estavam a cabana de R\u00f4mulo, a caverna das Lupercais. Augusto perpetuou sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria e a de seu pai divinizado em v\u00e1rios edif\u00edcios novos. O principal centro de opera\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o do imperador foi o Campo de Marte, uma nova cidade onde predominavam os edif\u00edcios sagrados. Ficavam ali, o Altar da Paz, da Fortuna e o Mausol\u00e9u do Imperador e sua fam\u00edlia. Pr\u00f3ximos estavam o Pante\u00e3o de Agripa, os banhos palacianos para o povo e os teatros de Marcelo, seu sobrinho, e o de Pomp\u00e9ia.<\/p>\n<p>A idade de Augusto produziu dignos rivais de C\u00edcero e Catulo, entre os quais se destaca o grupo do imperador atrav\u00e9s de Mecenas, amante da literatura e da arte. Eram os poetas da corte, como Virg\u00edlio com a \u201cEneida\u201d e Hor\u00e1cio que glorificam Augusto. A grandeza de Roma e Augusto foi o principal tema do poema. Hor\u00e1cio reconhece no imperador um criador de uma nova era.<\/p>\n<p>A maioria dos poetas procurou evitar poemas longos e s\u00e9rios sobre assuntos pol\u00edticos. Preferiram os detalhes pessoais e fazer cr\u00edticas ao resto do mundo em tom de desprezo e ironia, como em \u201cS\u00e1tiras\u201d e \u201cEp\u00edstolas\u201d, de Hor\u00e1cio. Ningu\u00e9m escreveu algo para concorrer com o hino dedicado a Venus, feito pelo cr\u00edtico Lucr\u00e9cio. Toda obra desses poetas repete o mesmo refr\u00e3o \u2013 vive e goza tua vida, com exce\u00e7\u00e3o de Virg\u00edlio. A Roma augustana viveu uma grande atividade criadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As linhas principais de Augusto no seu principado foram seguidas pelos seus sucessores Tib\u00e9rio Cl\u00e1udio Nero, Cal\u00edgula, Cl\u00e1udio, Nero, os quatro imperadores do ano 69 a.C. (Galba, Oto, Vit\u00e9lio e Fl\u00e1vio Vespasiano), Tito, Domiciano, Caio Nerva, Marco Trajano, P\u00fablio \u00c9lio Adriano (os dois espanh\u00f3is), Antonino Pio, Marco Aur\u00e9lio e C\u00f4modo, seu filho. Durante o reinado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3699"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3701,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3699\/revisions\/3701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}