{"id":3633,"date":"2019-05-10T15:17:31","date_gmt":"2019-05-10T18:17:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3633"},"modified":"2019-05-10T15:18:04","modified_gmt":"2019-05-10T18:18:04","slug":"os-inimigos-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/05\/10\/os-inimigos-da-cultura\/","title":{"rendered":"OS INIMIGOS DA CULTURA"},"content":{"rendered":"<p>Como na ditadura civil-militar de 1964, estamos agora a acompanhar o amorda\u00e7amento da cultura, do livre pensar e do avan\u00e7o das pesquisas no pa\u00eds, sobretudo atrav\u00e9s do corte de recursos na educa\u00e7\u00e3o das universidades e institutos federais de tecnologia. Isso constitui a volta dos inimigos da cultura, especialmente na \u00e1rea de humanas quando o governo federal do capit\u00e3o-presidente despreza os ensinos de filosofia e sociologia nas escolas.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que tudo hoje est\u00e1 sendo feito \u00e0s claras ainda num regime que se diz democr\u00e1tico, sem quase nenhuma rea\u00e7\u00e3o dos agentes do conhecimento, como professores e estudantes, mas tamb\u00e9m dos brasileiros em geral que n\u00e3o se sentem indignados. As medidas, chamadas de contingenciamento, provocaram algumas manifesta\u00e7\u00f5es isoladas, e o povo cada vez mais vai sendo tratado como manada.<\/p>\n<p>PROFUNDO SONO<\/p>\n<p>Com a decad\u00eancia na \u00e1rea educacional que vem se deteriorando h\u00e1 quase um s\u00e9culo pelos governantes que n\u00e3o querem uma na\u00e7\u00e3o instru\u00edda, o pa\u00eds caiu num profundo sono, principalmente por parte dos intelectuais e dos artistas que preferiram, comodamente, o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Mesmo com a liberdade de express\u00e3o ainda nas m\u00e3os, os artistas que ainda det\u00e9m certo n\u00edvel de conte\u00fado em seus trabalhos, por exemplo, \u00a0recolheram-se em seus ninhos como se nada de grave estivesse acontecendo no Brasil.<\/p>\n<p>Observei este fen\u00f4meno no recente Festival da M\u00fasica, na pequena cidade de Nova Reden\u00e7\u00e3o, na Chapada Diamantina, do qual participei em parceria com um m\u00fasico local. Das 24 apresenta\u00e7\u00f5es, apenas uma ou duas letras abordaram a quest\u00e3o pol\u00edtica e social do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O fato desse sil\u00eancio acontece nas esferas mais altas. Enquanto isso, os inimigos da cultura aproveitam a crise financeira e de identidade do brasileiro para mutilar ainda mais a cultura que j\u00e1 vive numa terra arrasada de lixo em praticamente todas as linguagens art\u00edsticas. A grande maioria das obras lan\u00e7adas \u00e9 med\u00edocre e descart\u00e1vel, tanto na literatura como na m\u00fasica e no teatro, principalmente.<\/p>\n<p>O \u201cINSITAR\u201d DO SR, MINISTRO<\/p>\n<p>Diz o ditado que o povo tem o governo que merece, e \u00e9 dele que aparecem dois ministros da Educa\u00e7\u00e3o que nem sabem falar e escrever o portugu\u00eas corretamente. O \u00fanico princ\u00edpio \u00e9 acabar com uma ideologia de esquerda e impor outra de extrema, com sede vingativa de puro exterm\u00ednio, sem olhar as consequ\u00eancias futuras para estas gera\u00e7\u00f5es de jovens e as novas que v\u00eam por a\u00ed.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o primeiro ministro que se enrolou em suas atrapalhadas declara\u00e7\u00f5es, o seu substituto continuou na \u201carte\u201d de lan\u00e7ar pedradas a torto e a direito, n\u00e3o somente na nossa l\u00edngua mater. Sem o saber e sem o p\u00e3o, o povo submisso como gado nem est\u00e1 a\u00ed para defender e lutar por uma educa\u00e7\u00e3o e uma cultura de qualidades.<\/p>\n<p>Recentemente, o pr\u00f3prio ministro da Educa\u00e7\u00e3o, ao mandar um de seus recados a seus opositores de esquerda pelas redes sociais, escreveu a palavra incitar com \u201cs\u201d, ao inv\u00e9s do \u201cc\u201d. \u00c9 uma vergonha, sr. Ministro! Deveria antes ter consultado o dicion\u00e1rio, ou aos seus \u201cassessores\u201d, para n\u00e3o cometer o \u201cassassinato\u201d contra a nossa l\u00edngua.<\/p>\n<p>A palavra incitar, sr, ministro, vem do latim \u201cincitare\u201d, e significa mover, instigar \u2013 incitar oper\u00e1rios \u00e0 greve, estimular, desafiar, provocar \u2013 andam&#8230; os belicosos mouros &#8230; os fortes portugueses incitando (Luis de Cam\u00f5es) \u2013 incitar c\u00e3es, enfurecer-se, irritar-se.<\/p>\n<p>\u00c9 triste, mas a verdade \u00e9 que estamos atravessando uma longa era de trevas na cultura. Com o deslumbre das novas tecnologias, ningu\u00e9m quer mais saber de ler, de estudar, de pesquisar e de pensar. Na ignor\u00e2ncia, passamos o tempo comendo lixo e mais lixo, e \u00e9 dessa falta de conhecimento e instru\u00e7\u00e3o que se aproveitam os inimigos da cultura para deixar o povo ainda mais anestesiado.<\/p>\n<p>Os malucos querem mesmo \u00e9 que todo mundo ande armado nas ruas, como se estiv\u00e9ssemos no faroeste americano do bang-bang. Para o capit\u00e3o Boz\u00f3 e sua turma, a seguran\u00e7a se resume em todos andarem com armas na cintura, a pol\u00edcia ter a ordem de abater e o fazendeiro o direito de matar. N\u00e3o existem planos e projetos, a n\u00e3o ser acabar de vez com a cultura e o saber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como na ditadura civil-militar de 1964, estamos agora a acompanhar o amorda\u00e7amento da cultura, do livre pensar e do avan\u00e7o das pesquisas no pa\u00eds, sobretudo atrav\u00e9s do corte de recursos na educa\u00e7\u00e3o das universidades e institutos federais de tecnologia. 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