{"id":3631,"date":"2019-05-06T23:11:33","date_gmt":"2019-05-07T02:11:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3631"},"modified":"2019-05-06T23:11:43","modified_gmt":"2019-05-07T02:11:43","slug":"augusto-o-imperador-romano-que-controlou-o-senado-e-o-exercito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/05\/06\/augusto-o-imperador-romano-que-controlou-o-senado-e-o-exercito\/","title":{"rendered":"AUGUSTO, O IMPERADOR ROMANO QUE CONTROLOU O SENADO E O EX\u00c9RCITO"},"content":{"rendered":"<p>Depois da guerra civil no triunvirato de J\u00falio C\u00e9sar, Pompeu e Crasso, o sobrinho, ou filho de C\u00e9sar divinizado, Otaviano Augusto, mesmo tendo recusado os poderes extraordin\u00e1rios, controlou o Senado, o ex\u00e9rcito, as prov\u00edncias, restaurou o reino e fortaleceu como absoluto o imp\u00e9rio romano, introduzindo inova\u00e7\u00f5es e deixando um grande legado para seus sucessores. Governou como rei por mais de 40 anos e restabeleceu a paz.<\/p>\n<p>Enfrentou a ambi\u00e7\u00e3o de Marco Ant\u00f4nio e, pela sua obra, foi chamado de imperator Caesar Divi Filius (o imperador filho do divino C\u00e9sar). A princ\u00edpio, ignorou o desejo que o corpo de cidad\u00e3os tinha de manter sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada no imp\u00e9rio, e a alta posi\u00e7\u00e3o atingida pelas duas classes dominantes da comunidade, os senadores e os cavaleiros (homens de neg\u00f3cios), conforme descreve o historiador M. Rostovtzeff, no livro \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 40 e 30 a.C., as camadas mais altas n\u00e3o desejavam abrir m\u00e3o de suas posi\u00e7\u00f5es privilegiadas e serem colocadas em p\u00e9 de igualdade com a popula\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias. Falava mais alto o orgulho nacional da It\u00e1lia. Otaviano derrotou Ant\u00f4nio compreendendo este sentimento e se comprometeu manter o predom\u00ednio pol\u00edtico da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Sangue novo e restaura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Estado romano necessitava de sangue novo e de restaura\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o um novo Estado sobre as ru\u00ednas do antigo. Roma n\u00e3o estava morta, e ele tinha a miss\u00e3o de renovar sua antiga gl\u00f3ria, mantendo sua posi\u00e7\u00e3o privilegiada. Os primeiros dois anos que se seguiram ao t\u00e9rmino da guerra civil foram dedicados por Otaviano \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de medidas.<\/p>\n<p>Agora ele era o chefe do Estado romano, sem contesta\u00e7\u00e3o para administr\u00e1-lo. Suas primeiras provid\u00eancias foram restabelecer as fileiras mais altas da sociedade e o corpo de cidad\u00e3os, bem como, restaurar a pr\u00f3pria cidade. Em 29 a.C. reexaminou a rela\u00e7\u00e3o dos senadores e expulsou 190 membros, em parte admitidos por C\u00e9sar, mas que n\u00e3o pertenciam \u00e0 classe senatorial. O Senado voltou a representar a mais alta nobreza romana.<\/p>\n<p>Um ano antes, Augusto tomou uma s\u00e9rie de medidas para purificar o quadro de cidad\u00e3os e assegurar a predomin\u00e2ncia de romanos e italianos. Incentivou que todos os cidad\u00e3os casassem e tivessem fam\u00edlias, e que o sangue fosse puramente italiano. Foi proibido o casamento com libertos e \u00a0\u00a0adotadas medidas para evitar a contamina\u00e7\u00e3o das classes superiores. Os senadores foram proibidos de se casarem com escravas libertas. Em 28 a.C. Otaviano iniciou sua tarefa de restaurar a capital. N\u00e3o abandonou os poderes extraordin\u00e1rios de que gozava como chefe militar, em virtude do seu juramento de fidelidade.<\/p>\n<p>Era h\u00e1bito em Roma acrescentar Otavianus ao nome de Caio J\u00falio C\u00e9sar. Preferia o t\u00edtulo honor\u00edfico de imperator, conferido pelo ex\u00e9rcito, puramente militar. O nome Otaviano foi aceito para distingui-lo dos outros. Nas prov\u00edncias, esse t\u00edtulo ligou-se \u00e0 ideia de natureza universal e ilimitada de seu poder. Ele pertencia \u00e0 fam\u00edlia dos Ot\u00e1vios.<\/p>\n<p><!--more-->Conservou, por\u00e9m, o nome de C\u00e9sar por ter herdado deste o direito de comandar o ex\u00e9rcito. Ap\u00f3s a morte, C\u00e9sar foi divinizado, e seu sucessor chamava-se filho de C\u00e9sar divinizado. Mesmo com poderes especiais, Augusto preferiu exercer o cargo de c\u00f4nsul, para o qual era eleito anualmente ap\u00f3s 31 a.C.<\/p>\n<p>Esta elei\u00e7\u00e3o, como a de outros magistrados, era feita pelo povo atrav\u00e9s das assembleias populares. Governava o Estado, mas agia atrav\u00e9s do Senado e da assembleia popular. Nos dois anos de transi\u00e7\u00e3o, Otaviano corou seu trabalho e restaurou a velha ordem de coisas. Em 27 a.C. proclamou a restaura\u00e7\u00e3o da antiga Constitui\u00e7\u00e3o. Ganhou a posi\u00e7\u00e3o de chefe do Senado e Primeiro Cidad\u00e3o, nascendo dali a forma de governo chamado \u201cprincipado\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 sua antiga denomina\u00e7\u00e3o de Imperator Caesar Divi Filius recebeu o t\u00edtulo de Augusto, antigamente s\u00f3 aplicado a certos deuses, significando aumentador e criador de algo diferente e melhor. Passou a ser considerado restaurador, aumentador do Estado, investido da mais alta autoridade. Em nome de Otaviano, passou a ser chamado de Augusto.<\/p>\n<p>Sobre a nova Constitui\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio. Sila, Pompeu e C\u00e9sar foram os primeiros que ajudaram a colocar novos alicerces neste edif\u00edcio. Augusto, no entanto, teve mais habilidade e sabia aprender com o passado. Ele foi, na verdade, o restaurador da Constitui\u00e7\u00e3o, conforme testemunhou seu sucessor Tib\u00e9rio Cl\u00e1udio Nero. Para alguns historiadores, ele instituiu uma monarquia.<\/p>\n<p>Augusto renunciou aos poderes extraordin\u00e1rios, mas o pr\u00f3prio Senado devolveu a ele o poder militar. Por dez anos recebeu as atribui\u00e7\u00f5es proconsulares em todas as prov\u00edncias onde haviam ex\u00e9rcitos aquartelados. Sua liga\u00e7\u00e3o com o ex\u00e9rcito era profunda. Parte dos homens que lutaram com Augusto e Ant\u00f4nio foi desmobilizada, mas 250 mil continuaram nas fileiras protegendo as prov\u00edncias.<\/p>\n<p>Na medida do poss\u00edvel, o ex\u00e9rcito permanecia neutra em quest\u00f5es pol\u00edticas, como nos tempos de C\u00e9sar e Ant\u00f4nio. Era formado por cidad\u00e3os romanos e habitantes do imp\u00e9rio em geral, e os melhores das prov\u00edncias atingiam o posto de centuri\u00e3o\u00a0 que podia chegar ao Senado.<\/p>\n<p>Na \u00f3tica de Augusto, no entanto, o Estado por ele governado devia ser um Estado no qual a It\u00e1lia e os cidad\u00e3os romanos eram os senhores, e os habitantes das prov\u00edncias, apenas servos e s\u00faditos. O ex\u00e9rcito romano tornou-se uma for\u00e7a permanente, n\u00e3o apenas de fato. Seu n\u00facleo era formado pelas legi\u00f5es de cidad\u00e3os romanos, servindo por um per\u00edodo de 16 anos, fixado em 63 a.C., e aumentado para 20 anos em 52 a.C., mas nem todos eram desligados.<\/p>\n<p>Legi\u00f5es formadas por cidad\u00e3os romanos<\/p>\n<p>A necessidade de proporcionar terras ou dinheiro e de conservar homens experientes levaram Augusto a manter nas fileiras soldados cujo tempo de servi\u00e7o j\u00e1 expirara. Foi conservado o princ\u00edpio de que as legi\u00f5es deviam ser formadas por cidad\u00e3os romanos. Eram constitu\u00eddas de naturais da It\u00e1lia e cidad\u00e3os romanos das prov\u00edncias.<\/p>\n<p>As legi\u00f5es do ex\u00e9rcito permanente n\u00e3o ficavam aquarteladas na It\u00e1lia, mas nos lugares onde havia luta, como nas prov\u00edncias da G\u00e1lia, da Espanha, na regi\u00e3o do Dan\u00fabio, na S\u00edria, Egito e na \u00c1frica, para proteger as fronteiras contra povos guerreiros. Vivendo em campanha, os soldados estavam proibidos de se casar, uma contradi\u00e7\u00e3o com as leis de Augusto ao estabelecer que todo cidad\u00e3o deveria constituir fam\u00edlia. Os centuri\u00f5es representavam a disciplina e a tradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o ficavam sempre nas mesmas legi\u00f5es, e sempre eram removidos por motivos pol\u00edticos. Todos oficiais pertenciam \u00e0s classes privilegiadas. Alguns tribunos eram eleitos e outros nomeados pelo imperador.<\/p>\n<p>Acima dos centuri\u00f5es estavam os comandantes de legi\u00f5es, membros da classe senatorial, com t\u00edtulos de questor ou pretor. O comando supremo de qualquer ex\u00e9rcito estava nas m\u00e3os dos legados do imperador, nas prov\u00edncias imperiais, e dos proc\u00f4nsules nas provinciais senatoriais. N\u00e3o permaneciam mais de um ano em seus postos. Oficiais, centuri\u00f5es e soldados recebiam um treinamento preliminar antes de entrar nas fileiras. Os meninos e jovens das classes senatoriais e equestres frequentavam um curso em Roma. Recebiam o t\u00edtulo de pr\u00edncep iuventuti. Caio e L\u00facio, netos de Augusto, nascidos de sua filha J\u00falia com Agripa foram os primeiros a receber este t\u00edtulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da guerra civil no triunvirato de J\u00falio C\u00e9sar, Pompeu e Crasso, o sobrinho, ou filho de C\u00e9sar divinizado, Otaviano Augusto, mesmo tendo recusado os poderes extraordin\u00e1rios, controlou o Senado, o ex\u00e9rcito, as prov\u00edncias, restaurou o reino e fortaleceu como absoluto o imp\u00e9rio romano, introduzindo inova\u00e7\u00f5es e deixando um grande legado para seus sucessores. 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