{"id":3546,"date":"2019-04-11T23:09:58","date_gmt":"2019-04-12T02:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3546"},"modified":"2019-04-11T23:10:15","modified_gmt":"2019-04-12T02:10:15","slug":"julio-cesar-e-o-triunvirato-que-levou-roma-a-uma-guerra-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/04\/11\/julio-cesar-e-o-triunvirato-que-levou-roma-a-uma-guerra-civil\/","title":{"rendered":"J\u00daLIO C\u00c9SAR E O TRIUNVIRATO QUE LEVOU ROMA A UMA GUERRA CIVIL"},"content":{"rendered":"<p>macariojeremias@yahoo.com.br<\/p>\n<p>O grande general calculista e ardiloso Caio J\u00falio C\u00e9sar combateu v\u00e1rios inimigos, como Pompeu; subjugou o Senado; imp\u00f4s suas leis e reformas; dominou o poder com m\u00e3o de ferro; e terminou sendo assassinado por gente que vivia ao seu lado. Depois da sua morte, isto por volta dos anos 40 a.C., o reino foi dividido por ambiciosos que levaram Roma a uma guerra civil. Ali nasceu a ideia de mudar o imp\u00e9rio para o Oriente.<\/p>\n<p>L\u00e9pido, Marco Ant\u00f4nio (astuto n\u00e3o confi\u00e1vel) e Ot\u00e1vio, o Otaviano Augusto (sobrinho ou filho de J\u00falio C\u00e9sar) formaram um triunvirato de intrigas e acordos n\u00e3o cumpridos que levaram Roma a uma guerra civil entre seus ex\u00e9rcitos. Ot\u00e1vio levou a melhor contra Ant\u00f4nio que queria o trono, conservando Roma no seu n\u00edvel de imp\u00e9rio mundial.<\/p>\n<p>Quem conta essa hist\u00f3ria em seus detalhes, mostrando as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas e econ\u00f4micas da \u00e9poca \u00e9 o pesquisador e historiador M. Rostovtzeff em \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d.\u00a0 Indro Montanelli tamb\u00e9m d\u00e1 a sua vers\u00e3o de uma forma mais empolgante, destacando as figuras \u00edmpares de J\u00falio C\u00e9sar e Ot\u00e1vio, com algumas curiosidades a mais. Vamos aos fatos desses personagens que se imortalizaram na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O \u00f3dio partid\u00e1rio<\/p>\n<p>De acordo com Rostovtzeff, Roma e a It\u00e1lia viviam o \u00f3dio partid\u00e1rio entre o grupo popular (democratas) e os aristocratas que odiavam o Senado. Os dist\u00farbios eram fortes entre a multid\u00e3o de escravos. A tentativa de melhorar as condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas dos cidad\u00e3os foi esquecida. A Constitui\u00e7\u00e3o do Senado e de Sila tinha muitos inimigos.<\/p>\n<p>Entre aqueles que ambicionavam o lugar de Sila havia um homem jovem e h\u00e1bil chamado Pompeu. Conquistara sua posi\u00e7\u00e3o gra\u00e7as ao seu desempenho nos per\u00edodos revolucion\u00e1rios. Combateu ao lado de Sila durante a guerra civil anterior. Pela sua atua\u00e7\u00e3o, foi enviado \u00e0 Sic\u00edlia e \u00e0 \u00c1frica para combater os ex\u00e9rcitos democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Ao voltar, recebeu o nome de \u201cO Grande\u201d, e a honra da marcha triunfal, recebido como her\u00f3i, mesmo sem ter direito a ela por n\u00e3o ser magistrado, nem ter sido vencedor do inimigo estrangeiro numa guerra justa (bellum iustum). Quando Sila morreu, Pompeu estava na It\u00e1lia, comandando um ex\u00e9rcito, e o Senado o usou para esmagar a tentativa revolucion\u00e1ria de L\u00e9pido. Pompeu exigiu um comando na Espanha para combater Sert\u00f3rio. A guerra na Espanha arrastou-se por sete anos, de 78 a 72 a.C.<\/p>\n<p>Diante das crises no Leste e no Oriente, Pompeu e Crasso se juntaram para enfrentar o Senado, atraindo os cavaleiros (homens de neg\u00f3cios) e os democratas. Isso mostra como os programas pol\u00edticos e a ideia do bem comum foram superados pela ambi\u00e7\u00e3o pessoal dos chefes militares. O Senado foi obrigado a ceder. Pompeu e Crasso foram c\u00f4nsules em 70\u00aa.C. A anarquia pol\u00edtica que Sila contornara, voltou a reinar em Roma.<\/p>\n<p>Em 67 a.C., com apoio dos tribunos, Pompeu recebeu poderes extraordin\u00e1rios para eliminar os piratas no Mediterr\u00e2neo e realizou a tarefa com \u00eaxito, tanto que substituiu L\u00faculo no comando contra Mitridates no Leste. Em pouco tempo conseguiu o controle total sobre todo o Leste. Em seguida, anexou as prov\u00edncias orientais de Roma como partes do reino s\u00edrio, incluindo a Jud\u00e9ia e Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p>Em Roma, os democratas, cujo l\u00edder pol\u00edtico era J\u00falio C\u00e9sar, tentavam acabar com a Constitui\u00e7\u00e3o de Sila, mas pairava a amea\u00e7a de uma segunda ditadura quando Pompeu voltasse. Ele foi um coadjutor de Sila. O Senado tamb\u00e9m desconfiava dele. Encontraram em S\u00e9rgio Catilina, aristocrata arruinado, homem de ambi\u00e7\u00e3o que possu\u00eda grande influ\u00eancia sobre os jovens nobres empobrecidos e sobre a ral\u00e9 da sociedade em Roma, um instrumento para aumentar a agita\u00e7\u00e3o. Na verdade, ele queria ser c\u00f4nsul.<\/p>\n<p><!--more--> O mediador entre o Senado e os cavaleiros (homens de neg\u00f3cios) foi M. T\u00falio C\u00edcero, advogado brilhante que atacava os juris senatoriais e a m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o nas prov\u00edncias. Era um homem perigoso e se colocou contra Catilina que tentou, por v\u00e1rias vezes, conquistar o consulado, como em 64 a.C., ao lado dos democratas.<\/p>\n<p>Tinham necessidade dele porque tentavam aprovar um projeto apresentado pelo tribuno Serv\u00edlio Rulo que reafirmava a lei agr\u00e1ria de Caio Graco, a qual determinava o estabelecimento de um fundo para aquisi\u00e7\u00e3o de terras na It\u00e1lia a serem distribu\u00eddas aos veteranos e ao proletariado da capital.<\/p>\n<p>Foi formada uma comiss\u00e3o de dez membros para confiscar e vender tudo o que fosse considerado propriedade do Estado. Pela cl\u00e1usula, poderia dispor de todos os distritos da Gr\u00e9cia e \u00c1sia Menor, reconquistada por Roma, atrav\u00e9s de Sila, ao derrotar Mitridades, bem como outras possess\u00f5es conquistadas por Pompeu no Oriente. Feita a opera\u00e7\u00e3o, a comiss\u00e3o deveria iniciar a compra de terras na It\u00e1lia, principalmente daqueles com t\u00edtulos duvidosos. A distribui\u00e7\u00e3o deveria come\u00e7ar pela Camp\u00e2nia onde seriam formadas col\u00f4nias de cidad\u00e3os romanos favorecidos pelos membros da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o historiador Rostovtzeff, o que a lei propunha era o sacrif\u00edcio nas prov\u00edncias em troca de um benef\u00edcio duvidoso para a plebe romana. At\u00e9 os pequenos camponeses da Camp\u00e2nia seriam sacrificados. Para contestar esta proposta, o Senado apresentou C\u00edcero para o consulado contra Catilina.<\/p>\n<p>C\u00edcero foi eleito, e sua primeira tarefa foi derrotar, em 63 a.C., a lei de Rulo. Ai, C\u00e9sar e Crasso retiraram o apoio a Catilina que insistiu e foi novamente derrotado. Ent\u00e3o, ele recorreu a um grupo de aventureiros pol\u00edticos e iniciou uma forte campanha em Roma em favor da anarquia. Convocou adeptos na Etr\u00faria. Seu plano era levantar uma revolta.<\/p>\n<p>Seus partid\u00e1rios em Roma deveriam come\u00e7ar o massacre dos magistrados e senadores, atear fogo na cidade e assumir o controle. Os veteranos de Sila deveriam marchar da Etr\u00faria e organizar um novo governo. Descoberta a trama, Catilina foi obrigado a deixar Roma a fim de formar seu ex\u00e9rcito. Os demais cabe\u00e7as foram presos e executados sem julgamento, por proposta de Cat\u00e3o e apoio de C\u00edcero. O pequeno ex\u00e9rcito de Catilina foi derrotado e ele tombou em batalha.<\/p>\n<p>Pompeu era esperado em Roma e julgavam que retornaria como ditador, s\u00f3 que entrou na cidade, em fins de 62 a.C., como cidad\u00e3o e sem ex\u00e9rcito. Ao chegar, sua decep\u00e7\u00e3o foi grande quando percebeu que os partidos (senadores e democratas) eram seus inimigos. Seus principais rivais eram J\u00falio C\u00e9sar e Crasso. O primeiro resolveu desaparecer e ser propretor na Espanha.<\/p>\n<p>Ao voltar, em 60. a.C.,\u00a0 formou com Pompeu e Crasso, um acordo que se tornou conhecido como o Primeiro Triunvirato. C\u00e9sar eleito c\u00f4nsul, em 59 a.C.,\u00a0 deveria ser parte executiva da coaliz\u00e3o. Colocou em pr\u00e1tica todas as medidas determinadas pelos tr\u00eas. Os veteranos de Pompeu ficaram nos dom\u00ednios do Estado, em Camp\u00e2nia, ou em terra italiana, comprada com o dinheiro trazido do Oriente.<\/p>\n<p>C\u00e9sar ficou com o governo das G\u00e1lias Cisalpina e Transalpina pelo prazo de cinco anos. Para ele, foi de import\u00e2ncia vital. Foi l\u00e1 que conseguiu reputa\u00e7\u00e3o militar, um ex\u00e9rcito devotado e recursos materiais ilimitados. Como sucessor de M\u00e1rio, se p\u00f4s \u00e0 grande tarefa de destruir os b\u00e1rbaros ocidentais que amea\u00e7avam Roma.<\/p>\n<p>O novo \u201cDion\u00edsio\u201d e novo \u201cAlexandre\u201d penetrara no Oriente e foi glorificado pelos historiadores gregos da \u00e9poca. Sua miss\u00e3o era por fim \u00e0 luta com os celtas que haviam tomado Roma no passado. \u00a0A anexa\u00e7\u00e3o da G\u00e1lia exigiu de C\u00e9sar nove anos de guerra dif\u00edcil. Primeiro foi contra os helv\u00e9cios da Su\u00ed\u00e7a e depois os germanos, no Reno. Dominados, surgiu um movimento nacional na G\u00e1lia. Os rebeldes perceberam que a amizade com Roma significava escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>C\u00e9sar cercou os gauleses, em Al\u00e1sia, e impusera uma derrota decisiva. Sua miss\u00e3o foi cumprida e conseguiu reputa\u00e7\u00e3o militar, ex\u00e9rcito e dinheiro. Enquanto C\u00e9sar estava na G\u00e1lia, Roma \u201cpegava fogo\u201d com violentas revoltas pol\u00edticas. Suas vit\u00f3rias inquietavam o Senado e aos seus amigos Pompeu e Crasso que lutava para esmagar os motins de ruas.<\/p>\n<p>Em 56 a.C., C\u00e9sar convocou uma confer\u00eancia, em Luca, no norte da It\u00e1lia, onde reconciliou os dois rivais e refor\u00e7ou o triunvirato. Pompeu e Crasso seriam c\u00f4nsules, em 55, e depois governariam as prov\u00edncias da Espanha e S\u00edria. C\u00e9sar ficou com a G\u00e1lia por cinco anos. Crasso foi derrotado numa campanha contra os partos na S\u00edria. Seus soldados foram mortos em Carras, feitos prisioneiros e ele pr\u00f3prio assassinado.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es entre C\u00e9sar e Pompeu se complicaram. Em 54 a.C., com o falecimento da sua mulher\u00a0 C. J\u00falia, Pompeu permaneceu em Roma. O Senado foi for\u00e7ado a aprovar sua elei\u00e7\u00e3o como c\u00f4nsul, \u00fanico com poderes de ditador. Pompeu trouxe suas tropas para a cidade e restaurou a ordem.<\/p>\n<p>O dilema de Pompeu era ser o primeiro homem de Roma para evitar uma luta armada se entrasse em choque com a oligarquia governamental. Sua posi\u00e7\u00e3o se tornou mais dif\u00edcil pela necessidade de partilhar seu poder com C\u00e9sar, e o receio de que ele viesse algum dia tomar o primeiro lugar no Estado.<\/p>\n<p>Quando terminou a tarefa de C\u00e9sar na G\u00e1lia e ele queria voltar a Roma e concorrer as elei\u00e7\u00f5es consulares, as rela\u00e7\u00f5es com Pompeu tornaram-se agudas \u00a0C\u00e9sar desejava um novo comando, e ai Pompeu, que tinha consci\u00eancia de sua inferioridade, n\u00e3o seria mais o primeiro homem. O ex\u00e9rcito de C\u00e9sar estava no norte da It\u00e1lia, e o de Pompeu longe na Espanha. C\u00e9sar era abertamente contra o Senado que n\u00e3o era popular entre os soldados, e apelou para Pompeu.<\/p>\n<p>Quando, em 49 a.C. ocorreu o rompimento, a vantagem militar estava a favor de C\u00e9sar. Ao atravessar o Rubic\u00e3o, o rio que limitava sua prov\u00edncia, Pompeu foi obrigado a deixar a It\u00e1lia e tinha como op\u00e7\u00e3o retornar \u00e0 Espanha, ou organizar um ex\u00e9rcito no Oriente, e traz\u00ea-lo de volta \u00e0 It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Caso fosse para o Leste, colocaria C\u00e9sar entre dois fortes ex\u00e9rcitos, com esperan\u00e7a de cortar o abastecimento da It\u00e1lia, deixando seu inimigo \u00e0 fome, utilizando da grande frota do Senado, tanto na It\u00e1lia como no Oriente. O plano n\u00e3o teve \u00eaxito. C\u00e9sar foi mais r\u00e1pido no gatilho; tinha poder dentro do seu partido, e n\u00e3o fazia caso dos poucos senadores que permaneciam em Roma. Aproveitou do tempo que Pompeu se preparava no oeste da Gr\u00e9cia, e destruiu seu ex\u00e9rcito na Espanha, mas n\u00e3o aconteceu o mesmo na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Em 49 a.C., a vantagem estava com Pompeu com imenso ex\u00e9rcito, recursos pecuni\u00e1rios e uma poderosa frota. C\u00e9sar, ent\u00e3o, resolveu transferir a guerra para a Gr\u00e9cia. Desembarcou seu ex\u00e9rcito em Apol\u00f4nia. Pompeu rompeu as linhas e C\u00e9sar foi obrigado a retirar-se para as plan\u00edcies de Tess\u00e1lia. Com a insist\u00eancia do Senado na batalha, Pompeu foi derrotado, mas dispunha de uma frota na \u00c1frica e apoio do Egito atrav\u00e9s de Ptolomeu XIV. O rei, temendo complica\u00e7\u00f5es, mandou mat\u00e1-lo \u00e0 trai\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>C\u00e9sar seguiu seu rival at\u00e9 Alexandria. Foi ent\u00e3o que o conquistador, por pouco n\u00e3o foi destru\u00eddo ao participar de uma luta din\u00e1stica entre o rei e sua irm\u00e3 Cle\u00f3patra que teve apoio de C\u00e9sar de olho em suas car\u00edcias e no abastecimento. O ex\u00e9rcito e a popula\u00e7\u00e3o de Alexandria ficaram com o rei e sitiaram C\u00e9sar no Pal\u00e1cio. Este fugiu e foi para \u00c1sia Menor acertar contas com Farnaces, filho de Mitridates.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os remanescentes de Pompeu e a frota senatorial se reuniram na \u00c1frica. Foi este ex\u00e9rcito que C\u00e9sar enfrentou, em 47 a.C. Seu g\u00eanio militar decidiu a batalha de Tapsos e a resist\u00eancia do Senado foi quebrada. Uma tentativa dos filhos de Pompeu, de formar um ex\u00e9rcito na Espanha, obrigou C\u00e9sar a uma nova batalha em Munda, em 45, onde os \u00faltimos sobreviventes das for\u00e7as senatoriais foram derrotados e mortos. C\u00e9sar ficou sem rival e escolheu um novo Senado, e ainda com um ex\u00e9rcito bem treinado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>macariojeremias@yahoo.com.br O grande general calculista e ardiloso Caio J\u00falio C\u00e9sar combateu v\u00e1rios inimigos, como Pompeu; subjugou o Senado; imp\u00f4s suas leis e reformas; dominou o poder com m\u00e3o de ferro; e terminou sendo assassinado por gente que vivia ao seu lado. 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