{"id":3464,"date":"2019-03-15T23:21:02","date_gmt":"2019-03-16T02:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3464"},"modified":"2019-03-15T23:21:20","modified_gmt":"2019-03-16T02:21:20","slug":"a-vinganca-de-amilcar-e-anibal-o-brilhante-general-da-antiguidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/03\/15\/a-vinganca-de-amilcar-e-anibal-o-brilhante-general-da-antiguidade\/","title":{"rendered":"A VINGAN\u00c7A DE AM\u00cdLCAR E AN\u00cdBAL, O BRILHANTE GENERAL DA ANTIGUIDADE"},"content":{"rendered":"<p>Para Cartago, a sa\u00edda foi aumentar suas possess\u00f5es na Espanha. A tarefa foi novamente confiada a Am\u00edlcar que levou seus \u201cle\u00f5es\u201d, seu genro Asdr\u00fabal, seus pr\u00f3prios filhos An\u00edbal, Asdr\u00fabal e Mag\u00e3o. Na igreja fez jurar, em frente ao altar de Baal-Haman, que se vingariam. Resolveram transformar a Espanha numa base para enfrentar Roma.<\/p>\n<p>De acordo com Indro, Am\u00edlcar recrutou ind\u00edgenas, escavou as minas e extraiu ferro para construir as armas. Monopolizou o com\u00e9rcio para se autofinanciar, mas a morte\u00a0 surpreendeu-o durante combate com uma tribo rebelde. Seu genro Asdr\u00fabal ficou em seu lugar durante oito anos e construiu uma nova cidade com o nome de Cartagena. Quando morreu sob o punhal de um assassino, An\u00edbal foi aclamado comandante aos 26 anos. Foi o mais brilhante chefe militar da antiguidade, no mesmo plano de Napole\u00e3o.<\/p>\n<p>Recebeu do seu pai uma educa\u00e7\u00e3o perfeita. Sabia hist\u00f3ria, grego e latim. Tito L\u00edvio conta que era sempre o primeiro a entrar na batalha e o \u00faltimo a sair. Armou infinitas ciladas diab\u00f3licas contra os romanos. Al\u00e9m de mestre na estrat\u00e9gia, era bom diplomata e perito em espionagem. Para Roma declarar guerra, atacou Sagunto, em 218 a.C. Ao deixar o irm\u00e3o Asdr\u00fabal no posto para vigiar o porto de Sagunto, atravessou o Ebro com 30 elefantes, 50 mil soldados de infantaria e nove mil de cavalaria.<\/p>\n<p>No Caminho, enfrentou os gauleses e tr\u00eas mil soldados recusaram acompanh\u00e1-lo na travessia dos Alpes. An\u00edbal dispensou mais sete mil que se mostraram hesitantes. Assim, iniciou sua escalada. H\u00e1 quem diga que passou pelo monte Genebra, e no cansa\u00e7o perdeu muitos homens, inclusive contra os guerrilheiros celtas. Iniciou a descida ainda mais dif\u00edcil para o elefantes at\u00e9 chegar \u00e0 plan\u00edcie do P\u00f3, com 26 mil homens. Conseguiu apoio de outros gauleses, colocando em fuga os romanos de Cremona e de Plac\u00eancia.<\/p>\n<p>O Senado reconheceu que a segunda guerra p\u00fanica era mais perigosa. Convocou 300 mil homens, 14 mil cavalos e confiou parte deles ao primeiro dos muitos Cipi\u00f5es, mas perdeu a batalha. Roma enviou outro ex\u00e9rcito e sofreu nova derrota. An\u00edbal tornou-se senhor de toda G\u00e1lia Cisalpina. Ai entrou em cena Caio Falm\u00ednio com 30 mil homens.<\/p>\n<p>Com um jogo de escaramu\u00e7as, atraiu o inimigo para uma plan\u00edcie \u00e0s margens do Trasimeno, com suas cavalarias. Entre os romanos, quase ningu\u00e9m ficou vivo, nem mesmo Flaminio. Roma entrou em p\u00e2nico. O pretor Marco Pomp\u00f4nio reconheceu que a situa\u00e7\u00e3o era grave, mas nem tudo estava bem com An\u00edbal. Seu maior problema era o reabastecimento. Mandou para casa, livres, os prisioneiros n\u00e3o-romanos.<\/p>\n<p>Roma continuou formando um bloco e s\u00f3 restou a An\u00edbal desviar sua tropa para o Adri\u00e1tico em busca de terras mais hospitaleiras. Seus soldados estavam cansados, e ele sofria de um grave tracoma. Os gauleses come\u00e7aram a desertar. An\u00edbal enviou mensageiros \u00e0 Cartago pedindo refor\u00e7os, mas foi negado. Apelou para seu irm\u00e3o Asdr\u00fabal, mas ele estava envolvido na Espanha.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o, retomou sua marcha em dire\u00e7\u00e3o ao sul, mas se deparou com Quinto F\u00e1bio M\u00e1ximo, nomeado ditador que armou ciladas e ficou na espera de vencer o inimigo pela fome, mas foram os romanos que entraram em cansa\u00e7o. Foram nomeados dois consules Ter\u00eancio Varr\u00e3o, o plebeu, e Em\u00edlio Paulo, o aristocrata, que queriam um processo r\u00e1pido contra An\u00edbal, com o emprego de 80 mil soldados de infantaria e seis mil de cavalaria.<\/p>\n<p><!--more-->Com 20 mil veteranos, 15 mil gauleses desleais e 10 mil cavaleiros, An\u00edbal superou aliviado numa batalha gigantesca, em Canas. O Barca atraiu os romanos para um terreno plano. Depois se alinhou, colocando os gauleses no centro, certo de que iriam debandar. Varr\u00e3o lan\u00e7ou-se dentro do buraco e as asas de An\u00edbal fecharam-se sobre ele. Paulo Em\u00edlio combateu ferozmente e caiu com mais 40 mil romanos, entre os quais 80 senadores. Varr\u00e3o e Cipi\u00e3o fugiram para Roma<\/p>\n<p>NA VERS\u00c3O DA HIST\u00d3RIA DE M. ROSTOVTZEFF<br \/>\nAos poucos grandes cidades portu\u00e1rias, como C\u00e1diz e tribos fen\u00edcias, muitos pela for\u00e7a, tornaram-se aliadas e tribut\u00e1rias de Cartago. Roma, que tinha outras frentes de batalhas com invasores piratas que saqueavam seu litoral, passou a entender que tudo isso significava uma nova guerra contra Cartago, em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p>Essa campanha, colocou, pela primeira vez, Roma em contato com as pot\u00eancias dominantes da Gr\u00e9cia, como a Maced\u00f4nia, a Liga Et\u00f3lia e a Aqu\u00e9ia, resultando em alian\u00e7as com comunidades gregas, v\u00edtimas dos piratas. Uma colis\u00e3o com a Maced\u00f4nia era inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o no norte da It\u00e1lia, era necess\u00e1rio evitar a progress\u00e3o de Cartago na Espanha. Cartago aproximava-se dos Pirineus, havendo o risco de um atrito entre os cartagineses e gauleses das regi\u00f5es da Fran\u00e7a e It\u00e1lia. Uma estrat\u00e9gia foi formar uma alian\u00e7a com a comunidade grego-ib\u00e9rica de Sagunto, como uma base militar. Antes, em 226 a.C., houve um acordo com Asdr\u00fabal, fixando o rio Ebro como limite.<\/p>\n<p>De 236 a 228 a.C, Am\u00edlcar comandou o ex\u00e9rcito na Espanha. Quando Asdr\u00fabal morreu, em 221, An\u00edbal foi escolhido pelo ex\u00e9rcito como chefe. Ele come\u00e7ou a preparar uma nova guerra contra Roma e a elaborar um plano para a invas\u00e3o da It\u00e1lia. Concluiu seus preparativos em 219 a.C. Antes disso procurou proteger a retaguarda na Espanha.<\/p>\n<p>Sagunto foi utilizada nas opera\u00e7\u00f5es e tomada ap\u00f3s um s\u00edtio de oito meses. Roma declarou guerra. Antecipando-se ao plano romano de mandar um ex\u00e9rcito para atacar Cartago e outro \u00e0 Espanha, An\u00edbal marchou pelos Pirineus, pela G\u00e1lia e, atravessando os Alpes, penetrou na It\u00e1lia, contando com o apoio prometido pelos gauleses, com intuito de fazer uma paz em condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a Cartago.<\/p>\n<p>N\u00e3o fazia parte do seu plano tomar Roma, cercada como estava com um anel de col\u00f4nias fortificadas e fortalezas latinas. An\u00edbal agiu t\u00e3o r\u00e1pido que n\u00e3o deu tempo aos romanos organizar um ex\u00e9rcito na Sic\u00edlia com destino \u00e0 \u00c1frica. N\u00e3o conseguiram impedir que o invasor penetrasse na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quando An\u00edbal chegou e foi refor\u00e7ado pelos gauleses, em 217 a.C., era tarde para pensar em invadir a \u00c1frica. Roma teve que mandar todos seus homens para o Norte da It\u00e1lia. A \u00e1rdua travessia dos Alpes causou pesadas perdas ao ex\u00e9rcito de An\u00edbal, especialmente aos seus tanques, os elefantes armados, mas os gauleses compensaram as derrotas.<\/p>\n<p>An\u00edbal penetrou no Sul da It\u00e1lia onde n\u00e3o seria dif\u00edcil receber refor\u00e7os de Cartago. Grandes ex\u00e9rcitos romanos foram derrotados nos rios Ticino e Tr\u00e9bia, no Norte, e no lago Trasimeno, no Centro. No Sul, em Canas, em 216, houve uma batalha decisiva que representou a derrota completa dos romanos e a morte de milhares de cidad\u00e3os. An\u00edbal tornou-se senhor do Sul. Podia comunicar-se diretamente com Cartago e a Espanha e formar uma liga\u00e7\u00e3o com a Maced\u00f4nia.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a multid\u00e3o de soldados mortos n\u00e3o significava que Roma tivesse perdido sua causa e nem que a tarefa de An\u00edbal estivesse conclu\u00edda. Mas, quando os cartagineses passaram da Ap\u00falia a Camp\u00e2nia, e quando C\u00e1pua abriu suas portas para An\u00edbal, Siracusa mostrou-se uma aliada infiel e a Maced\u00f4nia celebrou um acordo com Cartago, um sentimento de depress\u00e3o recaiu sobre Roma.<\/p>\n<p>No entanto, os governantes do Estado estiveram \u00e0 altura da crise. Levaram\u00a0 toda a popula\u00e7\u00e3o \u00e0 luta, chegando a incluir at\u00e9 os escravos, a quem prometeram liberdade. Os aliados restantes intensificaram seus esfor\u00e7os. Os latinos permaneceram fi\u00e9is e muitas outras cidades italianas preferiram o dom\u00ednio romano ao do forasteiro semita.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de An\u00edbal come\u00e7ou a ficar embara\u00e7osa e suas for\u00e7as n\u00e3o eram suficientes para um avan\u00e7o pelo L\u00e1cio onde teria que tomar muitas fortalezas at\u00e9 entrar em Roma. Enquanto esperava refor\u00e7os da \u00c1frica e da Espanha, An\u00edbal continuou a dominar os aliados de Roma, no Sul, no Centro e na Camp\u00e2nia.<\/p>\n<p>A guerra se transformou numa luta de exaust\u00e3o porque Roma modificou seus planos de campanha. Quinto F\u00e1bio seguiu os passos do invasor tentando salvar as cidades de Camp\u00e2nia e Sul da It\u00e1lia que ainda resistiam. O objetivo era isolar An\u00edbal e impedir que recebesse refor\u00e7os. Opera\u00e7\u00f5es foram iniciadas na Espanha e foram tomadas medidas contra Filipe V, da Maced\u00f4nia, para n\u00e3o invadir a It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Quando Filipe tentou tomar a cidade grega de Apol\u00f4nia, a fim de usar seu porto como base, a frota do Adri\u00e1tico correu em aux\u00edlio. Em 212 quando as vit\u00f3rias de Filipe na It\u00e1lia e a conquista do porto em Lisso, juntamente com a tomada de Tarento por An\u00edbal, tornavam a invas\u00e3o maced\u00f4nia inevit\u00e1vel, Roma fez uma forte coaliz\u00e3o na Gr\u00e9cia, chefiada pelos et\u00f3lios, prometendo dinheiro e apoio militar.<\/p>\n<p>Roma continuou com sua insist\u00eancia, e a vit\u00f3ria come\u00e7ou a aparecer com firmeza. Em 212, o c\u00f4nsul Marcelo tomou Siracusa, onde o ex\u00e9rcito romano teve de enfrentar as mais recentes descobertas do g\u00eanio grego Arquimedes, o maior engenheiro e matem\u00e1tico da antiguidade.<\/p>\n<p>Ele foi morto por um soldado romano porque n\u00e3o obedeceu a ordem do chefe romano para que ele comparecesse em seu quartel. Conta que Arquimedes estava desenhando mais um de seus inventos na praia e teria dito que ia depois. De pronto o soldado o matou. Um ano depois os cartagineses foram expulsos da Camp\u00e2nia e de C\u00e1pua.<\/p>\n<p>O sucesso ocorreu tamb\u00e9m na Espanha quando o jovem P\u00fablio Corn\u00e9lio Cipi\u00e3o assumiu o comando do ex\u00e9rcito espanhol. Cartago n\u00e3o pode ajudar An\u00edbal e teve que chamar \u00e0s pressas seu irm\u00e3o Asdr\u00fabal que conseguiu atingir a It\u00e1lia, mas n\u00e3o f\u00eaz jun\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as de An\u00edbal. Foi derrotado pelos romanos, em 207 a.C.. Com rela\u00e7\u00e3o a An\u00edbal, os romanos obrigaram a recuar para o sul. Com isso, Roma ent\u00e3o transferiu a guerra para a \u00c1frica enviando uma expedi\u00e7\u00e3o contra Cartago.<\/p>\n<p>An\u00edbal foi obrigado a deixar seu ex\u00e9rcito para defender sua p\u00e1tria. A guerra na \u00c1frica, tendo Cipi\u00e3o como general, come\u00e7ou em 204 e terminou ap\u00f3s uma s\u00e9rie de opera\u00e7\u00f5es, com a batalha de Zama, dois anos depois. An\u00edbal sofreu sua primeira derrota.<\/p>\n<p>A paz, conclu\u00edda em 201, obrigava Cartago ao pagamento de alta soma em dinheiro, a destruir seus navios de guerra e a aceitar a limita\u00e7\u00e3o de sua independ\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es externas. Sua supremacia comercial chegava ao fim e se transformou num Estado dependente da agricultura. Suas possess\u00f5es na Espanha passaram para as m\u00e3os romanas. Toda Sic\u00edlia virour uma prov\u00edncia neutra de Roma. Cartago ficou cercada de dependentes de Roma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Cartago, a sa\u00edda foi aumentar suas possess\u00f5es na Espanha. A tarefa foi novamente confiada a Am\u00edlcar que levou seus \u201cle\u00f5es\u201d, seu genro Asdr\u00fabal, seus pr\u00f3prios filhos An\u00edbal, Asdr\u00fabal e Mag\u00e3o. Na igreja fez jurar, em frente ao altar de Baal-Haman, que se vingariam. Resolveram transformar a Espanha numa base para enfrentar Roma. 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