{"id":3462,"date":"2019-03-15T02:19:24","date_gmt":"2019-03-15T05:19:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3462"},"modified":"2019-03-15T02:19:40","modified_gmt":"2019-03-15T05:19:40","slug":"castro-alves-e-glauber-os-indignados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/03\/15\/castro-alves-e-glauber-os-indignados\/","title":{"rendered":"CASTRO ALVES E GLAUBER, OS INDIGNADOS"},"content":{"rendered":"<p>Se vivos fossem, um teria 172 anos de vida (imposs\u00edvel para os tempos atuais) e o outro 80 anos (poss\u00edvel). Ambos, cada um no seu estilo e no seu temperamento, eram indignados com as injusti\u00e7as sociais, tanto no Brasil como na Am\u00e9rica Latina, h\u00e1 s\u00e9culos espoliados pelas elites capitalistas que sempre n\u00e3o aceitaram a distribui\u00e7\u00e3o justa de renda. Temos as piores desigualdades sociais.<\/p>\n<p>Estou falando dos baianos Ant\u00f4nio Frederico de Castro Alves, nascido em 14 de mar\u00e7o de 1847, e do cineasta Glauber Rocha, que tamb\u00e9m veio ao mundo em 14 de mar\u00e7o de 1939. Pouco lembrados e homenageados nos dias de hoje na Bahia e no Brasil que jogaram nossa cultura no lixo, para decantar e glorificar os deuses dos arrochas, dos pagodes e dos ax\u00e9s.<\/p>\n<p>Na minha idade, n\u00e3o deveria estar mais me desgastando com isso porque as pessoas de hoje, principalmente nossos jovens, n\u00e3o querem mais ouvir nem ler sobre estes personagens da nossa hist\u00f3ria e de outros tantos que foram \u00edcones da cultura e do saber. Lutaram bravamente pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais e se indignaram contra as mazelas dos nossos governantes.<\/p>\n<p>Acredito que nesta data de 14 de mar\u00e7o (ontem), nenhuma escola discutiu e prestou homenagens a esses dois ilustres baianos. Ali\u00e1s, o Brasil n\u00e3o merece os her\u00f3is que teve porque seus filhos n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria e pouco sabem sobre eles, nem o que fizeram pela na\u00e7\u00e3o. Hoje, o que mais se tem \u00e9 \u00f3dio e intoler\u00e2ncia. O maior argumento \u00e9 chamar o outro de idiota, burro e imbecil. S\u00e3o justamente estes rancorosos os mais desprovidos de conhecimento e leitura. S\u00e3o desprez\u00edveis.<\/p>\n<p>ACADEMIA DE LETRAS DE VIT\u00d3RIA DA CONQUISTA<\/p>\n<p>Mas, nem tudo est\u00e1 perdido. A Academia de Letras de Vit\u00f3ria da Conquista, fundada pelos nossos amigos Evandro Gomes e Roz\u00e2nia Brito nos brindaram com uma discuss\u00e3o sobre a vida de Castro Alves e, claro, citamos tamb\u00e9m o baiano Glauber Rocha, diretor de Deus e o Diabo na Terra do Sol, O Drag\u00e3o da Maldade, Terra em Transe e tantos outros filmes de den\u00fancias das injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>H\u00e1 172 anos, Castro Alves foi um defensor da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Nos dias atuais, continuaria bradando contra ela que ainda est\u00e1 entranhada entre nos. Falaria da explora\u00e7\u00e3o do trabalho pelo capital, da corrup\u00e7\u00e3o, das trag\u00e9dias anunciadas, da falta de educa\u00e7\u00e3o e da viol\u00eancia que mata mais de 60 mil pessoas por ano. Mesmo de origem coronelista e aristocr\u00e1tica, seria \u00a0um subversivo revolucion\u00e1rio como foi com seu condorismo grandiloquente nas poesias do negro quando fez \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d e \u201cVozes da \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>Do grotesco ao sublime da sua poesia dram\u00e1tica, foi considerado o Victor Hugo brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. \u201cOs Escravos\u201d e \u201cHinos do Equador\u201d foram suas maiores obras p\u00f3stumas. Em vida s\u00f3 escreveu \u201cEspumas Flutuantes\u201d quando nos seus \u00faltimos dias de vida veio do Rio de Janeiro para a Bahia num navio que soltava ondas flutuantes.<\/p>\n<p>Faleceu em 6 de julho de 1871, com apenas 24 anos, mas deixou um grande legado para o Brasil e para a humanidade. Foi contempor\u00e2neo de Rui Barbosa, Jos\u00e9 de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis, e aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, em S\u00e3o Paulo. Criou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista de Recife onde estudou Direito. Escreveu a pe\u00e7a &#8220;Gonzaga ou a Revolu\u00e7\u00e3o de Minas\u201d que trata da Inconfid\u00eancia Mineira.<\/p>\n<p>Manuel Bandeira, que de in\u00edcio n\u00e3o gostou de suas poesias, escreveu o pref\u00e1cio de \u201cPoesias Completas de Castro Alves \u2013 Espumas Flutuantes, Os Escravos (Navio Negreiro) e a Cachoeira de Paulo Afonso\u201d, da Ediouro.<\/p>\n<p>Num dos trechos disse o poeta pernambucano: \u201cVulgarmente melodram\u00e1tico na desgra\u00e7a, simples e gracioso na ventura, o que constitu\u00eda o genu\u00edno clima po\u00e9tico de Castro Alves era o entusiasmo da mocidade pelas grandes causas da liberdade e da justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 o que mais falta nos jovens e nos cidad\u00e3os de hoje que vivem encharcados de \u00f3dio e intoler\u00e2ncia, criando monstros e contribuindo para que o pa\u00eds n\u00e3o tenha um futuro. No final do texto, Bandeira assinalou que o poeta tinha a maior for\u00e7a verbal e a inspira\u00e7\u00e3o mais generosa de toda poesia brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se vivos fossem, um teria 172 anos de vida (imposs\u00edvel para os tempos atuais) e o outro 80 anos (poss\u00edvel). 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