{"id":3452,"date":"2019-03-13T09:40:21","date_gmt":"2019-03-13T12:40:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3452"},"modified":"2019-03-13T09:40:38","modified_gmt":"2019-03-13T12:40:38","slug":"as-guerras-punicas-e-o-general-que-encurralou-os-romanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/03\/13\/as-guerras-punicas-e-o-general-que-encurralou-os-romanos\/","title":{"rendered":"AS GUERRAS P\u00daNICAS E O GENERAL QUE ENCURRALOU OS ROMANOS"},"content":{"rendered":"<p>A primeira guerra p\u00fanica, nome usado pelos romanos que chamavam os cartagineses de \u201cPoeni\u201d, ou fen\u00edcios, durou de 264 a 241 a.C.. Findou quando em 242 Lut\u00e1cio Catulo derrotou os cartagineses no mar. A C\u00f3rsega e a Sardenha tornaram-se romanas em 238 a.C. Logo os gauleses foram definitivamente destru\u00eddos. Dos embates com Cartago, Roma saiu mais fortalecida pol\u00edtica e em termos econ\u00f4micos com a expans\u00e3o de seu territ\u00f3rio no sul da It\u00e1lia (Sic\u00edlia), na \u00c1frica e na G\u00e1lia.<\/p>\n<p>Mas, de 218 a 201acontece a segunda guerra p\u00fanica com o general cartagin\u00eas An\u00edbal que, com seus \u201ctanques de elefantes\u201d, atravessa os Alpes e encurralou os romanos em Ticino e Tr\u00e9bia. Por pouco n\u00e3o entrou na capital. Foi o calcanhar de Aquiles de Roma. Duas lutas de tit\u00e3s da hist\u00f3ria que s\u00f3 teve um final em 202 a.C.. com a derrota de An\u00edbal por Cipi\u00e3o, em Zama.<\/p>\n<p>PRIMEIRA UNIFICA\u00c7\u00c3O DA IT\u00c1LIA<\/p>\n<p>Dois historiadores Indro Montanelli, \u201cHist\u00f3ria de Roma\u201d e M. Rostovtzeff, com o mesmo t\u00edtulo falam desse per\u00edodo de guerras que deixou milhares de mortes e consolidou a primeira unifica\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia. Cada um ao seu estilo em suas pesquisas mostra a grande habilidade do general cartagin\u00eas que enfrentou os ex\u00e9rcitos romanos ao lado de seus leais soldados e aliados.<\/p>\n<p>Rostovtzeff relata a \u00e1rdua guerra que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da confedera\u00e7\u00e3o italiana, Roma tornou-se uma das mais fortes pot\u00eancias do mundo civilizado. N\u00e3o tanto em n\u00fameros, o ex\u00e9rcito romano se destacava pela sua organiza\u00e7\u00e3o, solidariedade, capacidade e o orgulho patri\u00f3tico do seu povo. Quando Roma derrotou Pirro, um dos mais bem dotados reis hel\u00eanicos, os estadistas come\u00e7aram a observar a for\u00e7a da Maced\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Egito foi o primeiro a estabelecer rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Roma, em 273 a.C., e na Gr\u00e9cia, a liga das comunidades livres passou a ver na nova pot\u00eancia uma poss\u00edvel aliada. Cartago foi afetada pela pol\u00edtica externa de Roma no Mediterr\u00e2neo. Por isso, renovou, em 348 a.C., o tratado comercial com\u00a0 Roma, celebrado em fins de do s\u00e9culo VI. O acordo foi transformado em 279 a.C. durante a guerra com Pirro numa alian\u00e7a militar contra o inimigo comum.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o modificou quando todos os portos do sul da It\u00e1lia foram anexados ao imp\u00e9rio romano e quando os interesses de N\u00e1poles e Tarento, rivais de Cartago, tornaram-se tamb\u00e9m os de Roma. \u00c9 claro que Roma j\u00e1 estava de olho nos gregos sicilianos que sempre lutaram contra Cartago. Mass\u00edlia era outra inimiga grega que Cartago temia.<\/p>\n<p>Diante do quadro de beliger\u00e2ncia, as rela\u00e7\u00f5es entre gregos sicilianos e tribos nativas italianas, bem como a tomada de Messana pelos mercen\u00e1rios samnitas, levaram a um choque entre Roma e Cartago. As for\u00e7as eram quase id\u00eanticas. Seus poderios eram baseados numa comunidade de cidad\u00e3os, num ex\u00e9rcito numeroso e bem treinado com seus aliados.<\/p>\n<p>De um lado estavam os etruscos, samnitas, \u00fambrios e gregos italianos, enquanto Cartago contava com os berberes, ou l\u00edbios, e os n\u00famidas, vizinhos tribut\u00e1rios. Os cartagineses tinham cavalaria melhor e em maior n\u00famero. Sua infantaria tamb\u00e9m estava bem armada. Possu\u00eda ainda um bom n\u00famero de mercen\u00e1rios treinados na escola hel\u00eanica e \u201celefantes armados\u201d, coisa que Roma desconhecia.<\/p>\n<p><!--more-->Em t\u00e1ticas, passadas pelos generais hel\u00eanicos, Cartago era superior a Roma. Tinha uma frota poderosa de navios e muita riqueza. No entanto, na luta em terra, os romanos gozavam de v\u00e1rias vantagens e n\u00e3o tinham mercen\u00e1rios em suas fileiras, os quais podiam falhar e trair nos momentos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>A guerra come\u00e7ou em 264 a.C., com um pretexto sem relev\u00e2ncia, conforme relata Rostovtzeff. Os samnitas, que tomaram Messana, viviam da pilhagem das cidades gregas. H\u00ederon, tirano de Siracusa, sitiou Messana e uma parte dos habitantes pediu socorro a Cartago.<\/p>\n<p>Acontece que a maioria dos samnitas buscou ajuda de Roma, que encarou como declarar guerra contra Cartago. H\u00ederon e Cartago se aliaram, mas n\u00e3o conseguiram tomar Messana. H\u00ederon abandonou seu aliado e passou-se ao lado dos romanos que prometeram soberania e independ\u00eancia de Siracusa. A guerra na Sic\u00edlia arrastou-se por 23 anos.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Roma na primeira guerra p\u00fanica foi, em parte, a alguns erros cometidos pelo advers\u00e1rio. Cartago n\u00e3o conseguiu impedir que o ex\u00e9rcito romano atravessasse da It\u00e1lia para a Sic\u00edlia.<\/p>\n<p>Os romanos constru\u00edram uma grande frota e equiparam seus navios com pontes para abordar os barcos inimigos, o que era do desconhecimento dos cartagineses. Roma expulsou o inimigo de muitas cidades sicilianas. Encorajada pelos \u00eaxitos, mandou, em 256 a.C., um forte ex\u00e9rcito \u00e0 \u00c1frica. Seu plano era tomar Cartago de um s\u00f3 golpe. A tentativa, comandada por At\u00edlio R\u00e9gulo, quase se consolidou. A cidade resistiu e, com a ajuda do general espartano Xantipo, o ex\u00e9rcito de R\u00e9gulo foi derrotado, mas parte retornou para a Sic\u00edlia.<\/p>\n<p>A guerra na Sic\u00edlia continuou, e Roma sofreu v\u00e1rias derrotas. Chegou a ficar quase sem frota, mas a qualidade da infantaria a levou \u00e0 vit\u00f3ria. Os cartagineses foram recuando, mas o jovem general Am\u00edlcar Barca, pai de An\u00edbal, n\u00e3o desistiu da luta. Na \u00faltima fase, Roma concordou em condi\u00e7\u00f5es brandas de paz. Cartago entregou certa soma em dinheiro e suas possess\u00f5es sicilianas.<\/p>\n<p>OS AMOTINADOS<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a paz, Cartago teve de enfrentar os amotinados mercen\u00e1rios que, ao voltarem para a \u00c1frica, n\u00e3o receberam seus sal\u00e1rios. Berberes e certas cidades fen\u00edcias se juntaram a eles. Am\u00edlcar Barca esmagou a revolta e restaurou a ordem no Imp\u00e9rio Cartagin\u00eas, chegando a estender sua influ\u00eancia at\u00e9 a Num\u00eddia.<\/p>\n<p>Os estudos de Indro Montanelli v\u00e3o mais al\u00e9m e mostram que o motim dos mercen\u00e1rios terminou em massacre. Eles tiveram apoio do povo subjugado e dos escravos. Foi a\u00ed que os ricos comerciantes pediram ajuda a Am\u00edlcar. Conta o historiador que os amotinados chegaram a enterrar vivos 700 cartagin\u00eases.<\/p>\n<p>Am\u00edlcar convocou os jovens e atacou com 10 mil homens contra 40 mil dos inimigos. Acossou-os num vale e esperou que morressem de fome. Os mercen\u00e1rios comeram os cavalos, os prisioneiros e depois os escravos. Ao final mandaram o soldado Esp\u00e9dio pedir paz, mas Am\u00edlcar o crucificou. O l\u00edder Mat\u00e3o foi morto a chicotadas.<\/p>\n<p>Foi a mais \u00edmpia guerra de toda hist\u00f3ria durante tr\u00eas anos, segundo o historiador greco-romano Pol\u00edbio. Quanto a Cartago, seus mercados na It\u00e1lia e na G\u00e1lia, suas prov\u00edncias na Sic\u00edlia, Sardenha e C\u00f3rsega estavam perdidos. As duas \u00faltimas eram celeiros de Cartago e forneciam cobre, ferro e outros metais, segundo Indro,<\/p>\n<p>Roma tamb\u00e9m lambia suas feridas. Os l\u00edgures e os il\u00edrios saqueavam as costas, mas se tornaram vassalos depois de cinco anos de lutas, entre 258 a.C. a 233. Os gauleses tamb\u00e9m se preparavam para guerrear com 50 mil homens de infantaria e 20 mil de cavalaria. Combatiam nus, com colares e amuletos. O Senado tremeu e agradou aos deuses enterrando duas v\u00edtimas vivas de gauleses.<\/p>\n<p>Na guerra, os deuses ficaram contentes, e 40 mil gauleses foram mortos e 10 mil prisioneiros. Toda It\u00e1lia at\u00e9 nos Alpes (G\u00e1lia Cisalpina) passou a pertencer a Roma. Os romanos ainda destru\u00edram os l\u00edgures e a Il\u00edria, da rainha Teuta. Depois puseram os p\u00e9s no Adri\u00e1tico at\u00e9 o Oriente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira guerra p\u00fanica, nome usado pelos romanos que chamavam os cartagineses de \u201cPoeni\u201d, ou fen\u00edcios, durou de 264 a 241 a.C.. Findou quando em 242 Lut\u00e1cio Catulo derrotou os cartagineses no mar. A C\u00f3rsega e a Sardenha tornaram-se romanas em 238 a.C. Logo os gauleses foram definitivamente destru\u00eddos. 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