{"id":342,"date":"2014-07-17T23:50:03","date_gmt":"2014-07-18T02:50:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=342"},"modified":"2014-07-17T23:55:21","modified_gmt":"2014-07-18T02:55:21","slug":"sobre-nossas-ferrovias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/07\/17\/sobre-nossas-ferrovias\/","title":{"rendered":"SOBRE NOSSAS FERROVIAS"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O MIGUEL-AREIA-MUTU\u00cdPE<\/p>\n<p>Em novembro de 1901 foi entregue o primeiro trecho da Estrada S\u00e3o Miguel &#8211; Areia, a partir do entroncamento com a linha Tram-Road de Nazar\u00e9, terminando na Estrada Nova Laje (72 quil\u00f4metros), com posto telef\u00f4nico, linhas telegr\u00e1ficas e outras instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fego foi inaugurado pelo Governador do Estado, Severino dos Santos Vieira. Al\u00e9m de autoridades, o trem inaugural de duas locomotivas de 16 carros transportou mil passageiros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Sucateados-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-345\" alt=\"Sucateados - C\u00f3pia\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Sucateados-C\u00f3pia.jpg\" width=\"550\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Sucateados-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Sucateados-C\u00f3pia-300x197.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nossas ferrovias foram sucateadas no Brasil<\/p>\n<p>A partir desta data, o trecho S\u00e3o Miguel &#8211; Areia, de propriedade do Governo, mas trafegado pela Tram-Road, obrigava os passageiros a fazerem baldea\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Miguel, pois os trens de uma estrada n\u00e3o podiam trafegar pela linha de outra.<\/p>\n<p>Sob a chefia do engenheiro Frederico Pontos, em janeiro de 1905 foi inaugurado o tr\u00e1fego no Ponto de Mutum que hoje \u00e9 a cidade de Mutu\u00edpe. J\u00e1 em janeiro de 1906 \u00e9 inaugurada a Esta\u00e7\u00e3o de Jequiri\u00e7\u00e1 e aberto ao tr\u00e1fego p\u00fablico no quil\u00f4metro 46, numa dist\u00e2ncia de 11 quil\u00f4metros de Mutum, contando com a presen\u00e7a do Governador Jos\u00e9 Marcelino de Souza. Em setembro do mesmo ano, o Governo aprova o prolongamento da Estrada at\u00e9 Santa In\u00eas.<\/p>\n<p>Em julho de 1906 foi dada a primeira ordem de servi\u00e7o para o corte de prolongamento da via de Areia at\u00e9 Jequi\u00e9. Em novembro do mesmo ano, foi entregue a Estrada de Areia no quil\u00f4metro 58, ou 131 de Nazar\u00e9, com ato presidido pelo Governador Jos\u00e9 Marcelino de Souza. A obra atravessou diversos problemas de ordem financeira a mol\u00e9stias end\u00eamicas nas margens dos rios, demandando sete anos de execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0A linha Areia &#8211; Jequi\u00e9, a cargo do engenheiro Portela Passos, tinha\u00a0 uma extens\u00e3o de 127 quil\u00f4metros. A estrada foi dividida em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es: Areia a Santa In\u00eas, Santa In\u00eas a Toca da On\u00e7a e Toca da On\u00e7a a Jequi\u00e9. A Esta\u00e7\u00e3o no Arraial de Santa In\u00eas foi entregue em 18 de dezembro de 1908 pelo governador Jo\u00e3o Ferreira de Ara\u00fajo Pinho. O trecho a partir da\u00ed ficou parado por muitos anos por falta de recursos, mas o Governo procurou se empenhar para dar continuidade ao servi\u00e7o devido a import\u00e2ncia econ\u00f4mica da estrada para a Bahia.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1906, o Governo mudou o nome de Tram-Road para Estrada de Ferro Nazar\u00e9 que foi arrendada ao engenheiro Jer\u00f4nimo Teixeira de Alencar Lima, mas o decreto governamental 785, de mar\u00e7o de 1910, rescindiu o contrato que vigorou por tr\u00eas anos, passando depois a Ferrovia ao regime da administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>Em dezembro do ano seguinte o Governo aprovou o regulamento para o servi\u00e7o da Estrada de Nazar\u00e9 que passou a ter o nome de Estrada de Ferro \u201cDr. Alexandre Jos\u00e9 de Barros Bittencout\u201d. N\u00e3o importando o nome, a Estrada modificou a fisionomia social e toda estrutura econ\u00f4mica da regi\u00e3o sudoeste da Bahia.<\/p>\n<p>Com empr\u00e9stimo realizado em Paris, em 1909, o Governo colocou em execu\u00e7\u00e3o o plano do prolongamento da via at\u00e9 Jequi\u00e9. Logo foram publicados editais para a constru\u00e7\u00e3o de Santa In\u00eas a Toca da On\u00e7a (Jaguaquara) &#8211; 37 quil\u00f4metros).<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o desse trecho foi iniciada em janeiro de 1911. Em 19 de junho de 1912 o Governo \u00e9 autorizado por lei a fazer a obra at\u00e9 Jequi\u00e9 e o ramal de Aratu\u00edpe. Em agosto, foi baixado decreto para o prolongamento de Toca da On\u00e7a a Jequi\u00e9. O decreto tamb\u00e9m determinava construir uma linha de Nazar\u00e9 a Salinas da Margarida ou Ca\u00e7\u00f5es, com liga\u00e7\u00e3o para a cidade de Cachoeira, passando por Maragojipe.<\/p>\n<p>TOCA DA ON\u00c7A A JEQUI\u00c9 (1927)<\/p>\n<p>Depois de interven\u00e7\u00f5es e in\u00fameras fiscaliza\u00e7\u00f5es devido ao andamento lento da obra, o trecho somente foi inaugurado em 10 de janeiro de 1914. Foi aberto o tr\u00e1fego at\u00e9 a Esta\u00e7\u00e3o Toca da On\u00e7a, ou Jaguaquara, com o nome de Ara\u00fajo Pinho. O ato foi presidido pelo Governador Jos\u00e9 Joaquim Seabra.<\/p>\n<p>Ainda em janeiro de 1914, pesadas chuvas provocaram inunda\u00e7\u00f5es dos rios Jequiri\u00e7\u00e1, Ribeir\u00e3o e Corta-M\u00e3o, danificando a linha de Laje para Jequiri\u00e7\u00e1 e outros lugares, numa extens\u00e3o de 105 quil\u00f4metros. Ap\u00f3s v\u00e1rios transtornos com as chuvas, o Governo, finalmente, autoriza, em agosto de 1915, prosseguir a constru\u00e7\u00e3o da via at\u00e9 Jequi\u00e9 (65 quil\u00f4metros). Mesmo assim, somente em fevereiro de 1916, o governador J.J. Seabra bate a primeira estaca para o prolongamento da estrada.<\/p>\n<p>Diante das dificuldades de aquisi\u00e7\u00e3o de material devido a I Guerra Mundial, as obras foram suspensas entre 1917\/18. Depois de diversos problemas com os empreiteiros e engenheiros, em julho de 1920 o Governo abriu concorr\u00eancia para arrendamento da estrada.<\/p>\n<p>Em setembro de 1920, o Estado contraiu com o arrendat\u00e1rio um empr\u00e9stimo de cinco milh\u00f5es de cruzeiros, para atender as despesas da obra de Jequi\u00e9 e montar uma linha telegr\u00e1fica at\u00e9 Vit\u00f3ria da Conquista. Em 1921 foi nomeada uma comiss\u00e3o para fiscalizar os servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Durante a constru\u00e7\u00e3o desse trecho ocorreram muitos problemas e diversos contratos foram reincididos. Cortada por terreno montanhoso e de dif\u00edcil acesso, a linha sofreu interrup\u00e7\u00f5es, mas nela foram constru\u00eddas as primeiras pontes de cimento armado Bahia.<\/p>\n<p>Em 1925, a Estrada de Ferro Nazar\u00e9 comemorou seu jubileu.<\/p>\n<p>Pelo decreto de janeiro de 1926, o arrendamento da Cia. Estrada de Ferro Nazar\u00e9 passa para a Cia. Via\u00e7\u00e3o Sudoeste da Bahia. Finalmente em janeiro de 1927 abrem-se ao tr\u00e1fego as esta\u00e7\u00f5es da Casca (quil\u00f4metro 197; Caatingas \u2013 219 e Baix\u00e3o \u2013 quil\u00f4metros 236, contados de Nazar\u00e9, com a chegada do primeiro trem, um comboio de oito classes, saindo de Jaguaquara com a comitiva do desembargador Br\u00e1ulio Xavier, representando o governador Francisco Marques\u00a0 de G\u00f3es Calmon.<\/p>\n<p>Ainda nessa \u00e9poca, a produ\u00e7\u00e3o de cacau e de caf\u00e9 de Jequi\u00e9 era transportada no lombo de burros at\u00e9 a Esta\u00e7\u00e3o de Jaguaquara.<\/p>\n<p>Numa extens\u00e3o de 159 quil\u00f4metros, em 1927 toda linha de Nazar\u00e9 at\u00e9 Santa In\u00eas estava precisando de reparos. A situa\u00e7\u00e3o era prec\u00e1ria. Ent\u00e3o o Governo fez contrato com a Estrada Nazar\u00e9 que transferiu para a Via\u00e7\u00e3o Sudoeste o refazimento da linha..<\/p>\n<p>No trecho Jaguaquara-Jequi\u00e9, espanh\u00f3is, italianos, argentinos, alem\u00e3es e franceses trabalharam em algumas obras de arte. No dia 12 de outubro de 1927 as locomotivas 10 e 31 do servi\u00e7o de lastro e assentamento de trilhos entraram em Jequi\u00e9.<\/p>\n<p>Foi um momento de triunfo. Finalmente, em 15 de novembro do mesmo ano, um trem especial entregou ao tr\u00e1fego a liga\u00e7\u00e3o com Jequi\u00e9 no quil\u00f4metro 261 a partir de Nazar\u00e9, sendo de 64 quil\u00f4metros a dist\u00e2ncia de Jaguaquara. O ato foi presidido pelo governador Francisco de G\u00f3es Calmon. No dia seguinte entrou o primeiro trem de passageiros, procedente de Nazar\u00e9, com oito carros.<\/p>\n<p>Esse trecho foi o mais dif\u00edcil, no que diz respeito aos estudos, volume de servi\u00e7o e obst\u00e1culos, numa regi\u00e3o rochosa, desprovida de \u00e1gua. H\u00e1 nele gigantescos cortes de pedra, como o \u201cZebu\u201d (granito) e outros na localidade de Santa Rosa. A constru\u00e7\u00e3o foi uma epop\u00e9ia durante doze anos e coube \u00e0 Via\u00e7\u00e3o Sudoeste da Bahia terminar todo trabalho.<\/p>\n<p>Jequi\u00e9, encravada nas sesmarias Borda da Mata, est\u00e1 localizada na conflu\u00eancia dos rios de Contas e Jequiezinho, sede da antiga fazenda do Brigadeiro Jos\u00e9 de S\u00e1 Bittencout e C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Em toda extens\u00e3o de Nazar\u00e9 at\u00e9 Jequi\u00e9, os oper\u00e1rios tiveram que enfrentar febres, \u00falceras, s\u00edfilis, varicela, verminoses, gripes e outras mol\u00e9stias, chegando a provocar muitas mortes. A alimenta\u00e7\u00e3o resumia-se no feij\u00e3o, arroz, farinha, toucinho, carne seca, chouri\u00e7a, peixe salgado, cebola, a\u00e7\u00facar, rapadura, caf\u00e9, p\u00e3o e bolacha. Grande parte da comida vinha do Piau\u00ed, Pernambuco, Cear\u00e1 e regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O MIGUEL-AREIA-MUTU\u00cdPE Em novembro de 1901 foi entregue o primeiro trecho da Estrada S\u00e3o Miguel &#8211; Areia, a partir do entroncamento com a linha Tram-Road de Nazar\u00e9, terminando na Estrada Nova Laje (72 quil\u00f4metros), com posto telef\u00f4nico, linhas telegr\u00e1ficas e outras instala\u00e7\u00f5es. O tr\u00e1fego foi inaugurado pelo Governador do Estado, Severino dos Santos Vieira. 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