{"id":3349,"date":"2019-01-29T23:26:01","date_gmt":"2019-01-30T02:26:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3349"},"modified":"2019-01-29T23:26:14","modified_gmt":"2019-01-30T02:26:14","slug":"no-pais-das-tragedias-anunciadas-o-humano-e-a-natureza-nada-valem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2019\/01\/29\/no-pais-das-tragedias-anunciadas-o-humano-e-a-natureza-nada-valem\/","title":{"rendered":"NO PA\u00cdS DAS TRAG\u00c9DIAS ANUNCIADAS, O HUMANO E A NATUREZA NADA VALEM"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre assim, a m\u00eddia faz seu espet\u00e1culo no foco das desgra\u00e7as dos desesperados que choram pelas suas v\u00edtimas, os governos e os famosos emitem suas condol\u00eancias e pareceres cr\u00edticos, os camisas amarelas coxinhas e os mortadelas vermelhos trocam farpas, arrotando cada um seu besteirol, os t\u00e9cnicos d\u00e3o vastas explica\u00e7\u00f5es, muitos rezam e uns poucos se revoltam indignados com o descaso. No embalo, fiscais intensificam as vistorias e depois relaxam o trabalho.<\/p>\n<p>Em pouco tempo, os mortos s\u00e3o esquecidos, os parentes que ficam penam desamparados nos seus vales de l\u00e1grimas das burocracias, a Justi\u00e7a se arrasta como lesma, a natureza falece e os culpados n\u00e3o s\u00e3o punidos porque vivemos numa terra de ningu\u00e9m, ali\u00e1s, s\u00f3 dos fortes, onde nada \u00e9 levado a s\u00e9rio. Os iludidos acham que as coisas v\u00e3o mudar, e ai outras cat\u00e1strofes batem em nossas portas e levam mais um monte de gente. Tudo se repete com o mesmo bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1 de sempre e assim vivemos de trag\u00e9dias acompanhadas das impunidades. Os respons\u00e1veis t\u00eam o poder de se tornarem invis\u00edveis perante a \u201clei\u201d, tamb\u00e9m opaca.<\/p>\n<p>Claro que, no momento, estou me referindo a Brumadinho, mas esquecemos das trag\u00e9dias que o povo brasileiro convive no seu dia a dia, como as dos corredores das mortes nos hospitais, as trag\u00e9dias das filas da sa\u00fade e do INSS de idosos doentes, as da educa\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria, as trag\u00e9dias das injusti\u00e7as praticadas contra os pobres, as da usurpa\u00e7\u00e3o dos direitos civis, especialmente contra as minorias, as trag\u00e9dias das matan\u00e7as contra mulheres, as da viol\u00eancia bruta e cruel dos bandidos, as trag\u00e9dias do tr\u00e2nsito que matam mais de 60 mil por ano, as dos homic\u00eddios (o mesmo n\u00famero), as trag\u00e9dias da profunda desigualdade social, as da fome, das crian\u00e7as desnutridas, dos casebres em favelas subumanas, as trag\u00e9dias da extrema pobreza e de tantas outras.<\/p>\n<p>AS TRAG\u00c9DIAS SEM REPARA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A folha corrida das trag\u00e9dias no Brasil daria para ir do Oiapoque ao Chu\u00ed, e em nenhuma delas houve uma repara\u00e7\u00e3o justa das perdas. Tudo come\u00e7a com o jeitinho safado brasileiro de fazer armengues, de superfaturar obras que viram fonte de propinas e corrup\u00e7\u00e3o, de se fazer vistas grosas para o mal feito e mais barato, sem contar a incompet\u00eancia de indicados pol\u00edticos que nada entendem do cargo que exercem. Claro que entram tamb\u00e9m o por fora e as rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas com o poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>H\u00e1 s\u00e9culos aqui chegaram as multinacionais neste para\u00edso perdido onde tudo \u00e9 permitido, para explorar com facilidades fiscais e outras benesses, as nossas riquezas naturais, deixando um rombo passivo de desastres ao meio ambiente, sem falar de vidas humanas, com o papo de trazer o progresso e mais empregos. Sempre se portaram como deuses da salva\u00e7\u00e3o, dando aos pobres algumas migalhas sociais como esp\u00e9cie de cala boca.<\/p>\n<p><!--more--> No Congresso Nacional existem as bancadas dos interesses, como mais esta da minera\u00e7\u00e3o, que fazem seus lobbies e at\u00e9 compram parlamentares para afrouxar as leis e n\u00e3o aprovar outras mais rigorosas. \u00c9 a retribui\u00e7\u00e3o com juros e corre\u00e7\u00e3o pelas \u201cdoa\u00e7\u00f5es\u201d de campanhas. As empresas adotam o m\u00e9todo do menor custo; falseiam fiscaliza\u00e7\u00f5es e com isso lucram mais, colocando o capital acima do humano e do meio ambiente. Elas nem est\u00e3o ai para o choro e o ranger de dentes que podem vir depois das trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>Mesmo diante de um hist\u00f3rico de destrui\u00e7\u00e3o criminosa, como no caso dos desmatamentos e do uso indiscriminado de agrot\u00f3xicos (o maior do mundo), o novo governo do capit\u00e3o manda facilitar os licenciamentos de abertura de novas \u00e1reas agr\u00edcolas. Coloca um ministro do Meio Ambiente pau mandado do Minist\u00e9rio da Agricultura da bancada rural. al\u00e9m de indicar um \u201cdefensor das florestas\u201d ligado aos ruralistas que lucram bilh\u00f5es \u00e0 custa dos subs\u00eddios do povo brasileiro. \u00c9 um dos setores mais subsidiados, junto com o financeiro.<\/p>\n<p>Os desastres no campo, caso das derrubadas das florestas, s\u00e3o menos impactantes, mas criam um futuro de horror des\u00e9rtico e matan\u00e7a dos rios. Vez por outra d\u00e3o algumas manchetes na imprensa e ningu\u00e9m derrama l\u00e1grimas. A morte \u00e9 bem mais lenta e, por isso, mais dolorosa e de exterm\u00ednio. Como n\u00e3o h\u00e1 uma como\u00e7\u00e3o nacional, pouco d\u00e3o import\u00e2ncia para a derrubada das matas e a elimina\u00e7\u00e3o das nascentes.<\/p>\n<p>Agora virou modo no Brasil. Basta fazer qualquer critica ao governo, a\u00ed aparecem uns imbecis sem argumentos, para falar dos malfeitos do PT e at\u00e9 da Venezuela. N\u00e3o passam disso. N\u00e3o conseguem ir mais al\u00e9m e ficam grudados no retrovisor, sem vis\u00e3o no que est\u00e1 em frente e o que pode vir. Dizem frases de efeito e todos aplaudem as diretrizes, sem contestar. Ainda respondem que n\u00e3o t\u00eam vi\u00e9s ideol\u00f3gico. \u00c9 o mesmo que dizer que n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico. S\u00f3 em afirmar que n\u00e3o \u00e9, j\u00e1 est\u00e1 fazendo pol\u00edtica, mas n\u00e3o sabem disso, ou d\u00e3o uma de \u201cJo\u00e3o sem bra\u00e7o\u201d. N\u00e3o estou aqui dizendo que a trag\u00e9dia de Brumadinho \u00e9 culpa do novo governo.<\/p>\n<p>Como disse antes, a lista de trag\u00e9dias no Brasil \u00e9 enorme, como queda de viadutos (Belo Horizonte durante a Copa), em S\u00e3o Paulo (dois recentes), ciclovias no Rio de Janeiro, o fogo da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, os inc\u00eandios dos museus Nacional (Rio) e da Imagem (SP), pr\u00e9dios e casar\u00f5es antigos nas grandes capitais, deslizamentos de encostas com milhares de mortes em Santa Catarina, na regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, em Salvador e outros centros, vazamento de \u00f3leo da Petrobr\u00e1s e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas no mar e nos rios, inclusive de uma norueguesa no Par\u00e1, rompimentos das barragens de min\u00e9rios de Fund\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas anos e agora a de Brumadinho (MG), deixando centenas de mortes e um estrago de terror na natureza, isto s\u00f3 para citar as mais recentes.<\/p>\n<p>Aqui, bem perto de n\u00f3s, temos como exemplo, a minera\u00e7\u00e3o Boquira e a Cobrac (companhia de minera\u00e7\u00e3o de chumbo), em Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, controladas por uma multinacional francesa, que deixaram milh\u00f5es de toneladas de chumbo em torno dessas cidades e at\u00e9 hoje n\u00e3o ressarciram as v\u00edtimas que foram contaminadas. Perto de Vit\u00f3ria da Conquista, em Bom Jesus da Serra, uma mina de amianto envenenou centenas de fam\u00edlias e nunca foram amparadas para minorar seus sofrimentos. O meio ambiente foi todo destru\u00eddo onde elas atuaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre assim, a m\u00eddia faz seu espet\u00e1culo no foco das desgra\u00e7as dos desesperados que choram pelas suas v\u00edtimas, os governos e os famosos emitem suas condol\u00eancias e pareceres cr\u00edticos, os camisas amarelas coxinhas e os mortadelas vermelhos trocam farpas, arrotando cada um seu besteirol, os t\u00e9cnicos d\u00e3o vastas explica\u00e7\u00f5es, muitos rezam e uns poucos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3349"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3349"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3349\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3350,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3349\/revisions\/3350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}