{"id":3173,"date":"2018-11-29T23:52:15","date_gmt":"2018-11-30T02:52:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3173"},"modified":"2018-11-29T23:52:23","modified_gmt":"2018-11-30T02:52:23","slug":"o-que-vai-ser-do-esporte-em-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/11\/29\/o-que-vai-ser-do-esporte-em-2019\/","title":{"rendered":"O QU\u00ca VAI SER DO ESPORTE EM 2019?"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; Jornalista<\/p>\n<p>Qual ser\u00e1 o tratamento que Jair Bolsonaro vai dar ao esporte no seu governo? Esta \u00e9 a pergunta que vem sendo feita pela comunidade esportiva. Em seus pronunciamentos, o capit\u00e3o da reserva tem deixado claro que pretende fazer um enxugamento na m\u00e1quina administrativa, reduzindo os minist\u00e9rios, de 29 para 15. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que o Minist\u00e9rio do Esporte seja transformado numa \u00a0secretaria, subordinada \u00e0 pasta da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura. Comenta-se tamb\u00e9m na ida do Esporte, juntamente com Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, para o Minist\u00e9rio da Cidade.<\/p>\n<p>Circulou h\u00e1 alguns dias nas redes sociais a not\u00edcia de que o ex-deputado mineiro Gustavo Perrella seria indicado para o minist\u00e9rio. O ex-diretor do Atl\u00e9tico Mineiro teve em 2013 o seu helic\u00f3ptero apreendido pela Pol\u00edcia Federal, transportando 443 quilos de coca\u00edna. A culpa recaiu sobre o piloto, que era funcion\u00e1rio do gabinete de Perrella.<\/p>\n<p>Onyx Lorenzoni, membro do primeiro time do militar, lembra que uma das preocupa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo governante do Brasil \u00e9 o de cobrir um d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio de R$ 159 bilh\u00f5es, sem deixar de colocar como prioridades a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, a sa\u00fade e a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Colocar o Brasil entre os dez pa\u00edses com grande potencial nos esportes ol\u00edmpicos foi a pretens\u00e3o dos governos do PT. Os programas direcionados pelo Planalto para formar atletas de alto rendimento e os volumosos recursos \u2013 quase 50 bilh\u00f5es de reais investidos pelos governos federal e fluminense e pela iniciativa privada -, destinados \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da XXXI Olimp\u00edada, em 2016, no Rio de Janeiro, resultaram apenas num 13\u00ba lugar, com 19 medalhas (sete de ouro, seis de prata e seis de bronze).<\/p>\n<p>Terminados os Jogos do Rio, dirigentes e atletas passaram a conviver com a incerteza em rela\u00e7\u00e3o aos futuros eventos internacionais, especialmente a Olimp\u00edada de T\u00f3quio, em 2020.<\/p>\n<p>Nesta d\u00e9cada, o esporte brasileiro foi manchado por esc\u00e2ndalos financeiros, com repercuss\u00e3o internacional. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva n\u00e3o escondia o orgulho de trazer para o pa\u00eds, num per\u00edodo de dois anos, os dois maiores espet\u00e1culos esportivos do planeta: a Copa do Mundo e a Olimp\u00edada. Conseguiu, mas com o sacrif\u00edcio do povo, que vai pagar a conta dessas farras por muito tempo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do enorme rombo nas contas da na\u00e7\u00e3o e do Estado fluminense, a Copa e os Jogos deixaram um doloroso legado, que ainda n\u00e3o foi devidamente apurado pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. H\u00e1 evidentes sinais de superfaturamento na constru\u00e7\u00e3o e reforma de 12 est\u00e1dios, quatro a mais do exigido pela FIFA. Alguns deles foram transformados em \u201celefantes brancos\u201d. Delegados africanos foram corrompidos na elei\u00e7\u00e3o do Rio para sede dos Jogos de 2014.<\/p>\n<p>As diretorias do COB (seu ex-presidente, Carlos Arthur Nuzman, ficou detido por poucos dias) e da CBF foram afastadas pelo COI e FIFA, respectivamente. V\u00e1rias confedera\u00e7\u00f5es tiveram repasses de verbas suspensas. Seus dirigentes s\u00e3o acusados de malversa\u00e7\u00e3o do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>A \u00fanica pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o foram feitas pela Justi\u00e7a norte-americana: o presidente da CBF, Jos\u00e9 Maria Marin, al\u00e9m de pagar multa de US$ 4,55 (aproximadamente R$ 16 milh\u00f5es), passar\u00e1 os pr\u00f3ximos quatro anos numa pris\u00e3o americana.<\/p>\n<p><!--more-->O ministro do Esporte, desde abril, Leandro Cruz, revela que as\u00a0 verbas or\u00e7ament\u00e1rias de sua pasta v\u00eam encolhendo desde 2015, e a tend\u00eancia \u00e9 de uma maior redu\u00e7\u00e3o se o minist\u00e9rio for transformado numa secretaria do MEC. \u201cA capacidade de interlocu\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. Um (o ministro) se dirige ao presidente da Rep\u00fablica e aos colegas; o outro (o secret\u00e1rio) aos servidores do segundo escal\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Bolsas<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio do Esporte tem como atribui\u00e7\u00e3o acompanhar o cumprimento de duas importantes leis, consideradas como base de sustenta\u00e7\u00e3o de atletas e entidades (clubes, confedera\u00e7\u00f5es e federa\u00e7\u00f5es). A Lei de Incentivo ao Esporte (Lei 11.438\/2006) permite que pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas destinem, de 1% a 6%, em projetos esportivos, parte do que pagariam de Imposto de Renda.<\/p>\n<p>O outro pilar financeiro da pasta \u00e9 a Lei 10.264, sancionada em 16 de julho de 2001, conhecida como Lei Agnelo Piva. Fonte permanente de recursos, a legisla\u00e7\u00e3o determina que 2% da arrecada\u00e7\u00e3o bruta das loterias em opera\u00e7\u00e3o no Brasil, descontadas as premia\u00e7\u00f5es, sejam repassados para os Comit\u00eas Ol\u00edmpico e Paral\u00edmpico, para a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Clubes (CBD), al\u00e9m dos desportos escolar e universit\u00e1rio. No ano ol\u00edmpico de 2016 as entidades beneficiadas receberam R$ 220 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio tem tamb\u00e9m como fun\u00e7\u00e3o administrar os programas Bolsa Atleta e Bolsa P\u00f3dio, cuja manuten\u00e7\u00e3o esteve amea\u00e7ada logo depois dos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio, em virtude da redu\u00e7\u00e3o dos recursos governamentais e a fuga de patrocinadores. Contudo, a Portaria n\u00ba 250, de 9 de agosto \u00faltimo, assinada pelo ministro Leandro Cruz, contempla com a Bolsa P\u00f3dio (Lei 12.29\/2011) 127 atletas ol\u00edmpicos e paral\u00edmpicos, inseridos entre os 20 melhores do mundo em suas modalidades de competi\u00e7\u00e3o, e candidatos em potencial \u00e0 conquista de medalhas\u00a0 em torneios internacionais. As ajudas mensais por um ano variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por m\u00eas. Atletas do jud\u00f4 t\u00eam sido os maiores beneficiados.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Bolsa Atleta atende a um universo maior de esportistas, compreendendo os de base, paral\u00edmpicos, estudantis e ol\u00edmpicos. No ano passado chegou a inscrever 5.830 atletas, com maior predomin\u00e2ncia de competidores do atletismo, da nata\u00e7\u00e3o, do handebol e do tiro. Aqueles que s\u00e3o amparados pelo programa recebem de R$ 370 a R$ 1.300 mensais durante um ano.<\/p>\n<p>For\u00e7as Armadas<\/p>\n<p>Entre os 19 brasileiros que conquistaram medalhas nos Jogos\u00a0 de 2016, 13 eram militares, inscritos no Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), mantido desde 2008 pelo Minist\u00e9rio da Defesa, em parceria com o Minist\u00e9rio do Esporte. Esse bom desempenho tem sido usado pelos que defendem a continuidade do programa, visando os Jogos Mundiais Militares de 2019 na China \u2013 em 2011, no Rio, o Brasil ficou em 1\u00ba lugar, e, em 2015, na Coreia\u00a0 do Sul, foi superado somente pela R\u00fassia \u2013 e a Olimp\u00edada de 2020, no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O PAAR contempla hoje 627 alistados nas For\u00e7as Armadas entre soldados e terceiros-sargentos, atletas de 27 modalidades ol\u00edmpicas, fazendo jus aos mesmos direitos \u00a0dos militares da ativa. Na condi\u00e7\u00e3o de tempor\u00e1rios (oito anos de perman\u00eancia na caserna), eles t\u00eam permiss\u00e3o de conseguir outros meios de ajuda.<\/p>\n<p>Defesa e Esporte tamb\u00e9m administram o Programa For\u00e7as no Esporte (Profesp), beneficiando 23.500 crian\u00e7as e adolescentes, de 6 a 18 anos, em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, em 97 localidades do pa\u00eds, incluindo Salvador e Feira de Santana. Os alunos recebem material esportivo e alimenta\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o orientados por professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica.<\/p>\n<p>Se, por um lado, o programa do Minist\u00e9rio da Defesa vem sendo bem administrado e colhendo bons resultados, por outro lado tem sido muito discutida, inclusive por uma comiss\u00e3o especial no Congresso, a continuidade da ajuda das estatais (Banco do Brasil, Caixa Econ\u00f4mica, Furnas, Petrobras, Correios, BNDES, Eletrobr\u00e1s, Infraero e Furnas).<\/p>\n<p>A recess\u00e3o econ\u00f4mica e o baixo rendimento do pa\u00eds em alguns esportes, como basquete, nata\u00e7\u00e3o e t\u00eanis, aliados aos comprovados atos de corrup\u00e7\u00e3o de dirigentes que se perpetuam nas presid\u00eancias das entidades esportivas, t\u00eam levado as estatais a reduzir ou suspender esses aux\u00edlios. A prud\u00eancia manda que se aguarde uma manifesta\u00e7\u00e3o do governo que toma posse no primeiro dia de 2019.<\/p>\n<p>Muito se questiona sobre o patroc\u00ednio que a Caixa vem dando desde 2012 a 24 clubes profissionais, das s\u00e9ries A (de R$ 25 milh\u00f5es a R$ 6 milh\u00f5es) e B (de R$ 4 milh\u00f5es a R$ 1,5 milh\u00e3o) do Campeonato Brasileiro. A verba para este ano foi de R$ 153 milh\u00f5es, que, convenhamos, seria melhor aplicada em obras de car\u00e1ter social.<\/p>\n<p>A Caixa refuta, afirmando que, \u201cnosso patroc\u00ednio \u00e9 refletido no bom desempenho dos clubes, al\u00e9m de representar a inclus\u00e3o da cultura brasileira, usando o futebol como elemento de integra\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-econ\u00f4mica\u201d. Sobre a ajuda ao Esporte Clube Bahia, que recebeu R$ 6 milh\u00f5es, mesmo valor dado ao Vit\u00f3ria, o banco assim se manifesta: \u201c\u00c9 com orgulho que patrocinamos o primeiro campe\u00e3o do Brasil e o dono da melhor torcida do pa\u00eds. D\u00e1-lhe, Bah\u00eaa!\u201d<\/p>\n<p>Times dos presidentes<\/p>\n<p>Natural de Glic\u00e9rio, munic\u00edpio situado a 443 kms. da capital paulista, com 4.500 habitantes, Bolsonaro \u00e9 descendente de italianos, primeiros colonizadores que chegaram \u00e0 regi\u00e3o. Esse seria o motivo de sua admira\u00e7\u00e3o pelo antigo Palestra It\u00e1lia, hoje Palmeiras. No domingo passado, o futuro ocupante da Presid\u00eancia cogitou em ir assistir seu time ganhar o Campeonato Brasileiro, no est\u00e1dio do Vasco, em S\u00e3o Janu\u00e1rio. A ideia foi descartada pelos respons\u00e1veis por sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Antigos companheiros de Lula garantem que ele era vasca\u00edno, mas, como planejava fazer carreira pol\u00edtica em S\u00e3o Paulo, virou corinthiano. J\u00e1 presidente, conseguiu que a FIFA vetasse o moderno Morumbi (est\u00e1dio do S\u00e3o Paulo) para abertura do Mundial de 2014, ao mesmo tempo em que pediu a Odebrecht que constru\u00edsse o Itaquer\u00e3o, que hoje representa para o Corinthians uma d\u00edvida superior a R$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; Jornalista Qual ser\u00e1 o tratamento que Jair Bolsonaro vai dar ao esporte no seu governo? Esta \u00e9 a pergunta que vem sendo feita pela comunidade esportiva. Em seus pronunciamentos, o capit\u00e3o da reserva tem deixado claro que pretende fazer um enxugamento na m\u00e1quina administrativa, reduzindo os minist\u00e9rios, de 29 para 15. 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