{"id":3154,"date":"2018-11-27T00:32:56","date_gmt":"2018-11-27T03:32:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3154"},"modified":"2018-11-27T00:33:09","modified_gmt":"2018-11-27T03:33:09","slug":"os-80-anos-de-vidas-secas-e-o-lancamento-do-projeto-cd-sarau","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/11\/27\/os-80-anos-de-vidas-secas-e-o-lancamento-do-projeto-cd-sarau\/","title":{"rendered":"OS 80 ANOS DE &#8220;VIDAS SECAS&#8221; E O LAN\u00c7AMENTO DO PROJETO &#8220;CD SARAU&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Foi uma noite memor\u00e1vel o \u00faltimo \u201cSarau Colaborativo\u201d de 2018 que teve como tema \u201cOs 80 Anos do Livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos\u201d, realizado no s\u00e1bado (dia 24\/11), no Espa\u00e7o Cultural A Estrada, com a participa\u00e7\u00e3o dos frequentadores mais ass\u00edduos e visitantes que abrilhantaram o evento at\u00e9 altas horas da madrugada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7547.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3155\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7547.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7547.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7547-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como sempre acontece, o pessoal foi chegando logo cedo a partir das 20 horas para a confraterniza\u00e7\u00e3o, mas o tema do escritor alagoano, que fala sobre o retirante sertanejo e sua fam\u00edlia que fogem da seca e sofrem com a opress\u00e3o do patr\u00e3o das terras, foi a estrela do Sarau que \u00e9 aberto com um debate, seguido de cantorias de violas, causos e declama\u00e7\u00f5es de poemas, geralmente autorais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7551.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-3156\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7551-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7551-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7551.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m da explana\u00e7\u00e3o do livro, da obra e da vida do autor nordestino feita pelo jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio, a noite cultural reservava outras novidades, como o show dos m\u00fasicos e compositores Mano di Sousa, Baducha, Dorinho, Gabiru e Marta Moreno que deixaram todos animados com apresenta\u00e7\u00f5es bem ecl\u00e9ticas em termos de g\u00eaneros e estilos.<\/p>\n<p>Outro grande momento do \u201cSarau A Estrada\u201d, que completou oito anos de exist\u00eancia, foi o lan\u00e7amento do projeto do \u201cCD Sarau\u201d que, na verdade, significa o registro hist\u00f3rico dessa atividade e est\u00e1 sendo elaborado por uma comiss\u00e3o com muito carinho e cuidado.<\/p>\n<p>O CD \u00e9 todo autoral e obedece ao mesmo formato do Sarau. Na abertura conta como tudo o que aconteceu desde 2010, com um pequeno grupo com o nome de \u201cVinho Vinil\u201d, para celebrar com amigos os antigos discos que muitos denominam, de \u201cbolach\u00f5es\u201d. O processo se evoluiu para noites culturais com diversidades.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7564.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3157\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7564-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7564-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7564.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O material que ainda se encontra em fase de conclus\u00e3o, j\u00e1 cont\u00e9m 20 faixas gravadas entre m\u00fasicas, causos e poemas, intercalados com composi\u00e7\u00f5es, letras e textos de artistas locais frequentadores, ou que j\u00e1 estiveram em nosso Sarau em outras oportunidades.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que fique claro que o nosso evento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de comidas e bebidas, para jogar \u201cconversa fora\u201d. Todos s\u00e3o acompanhados de um tema principal, n\u00e3o somente ligado \u00e0 literatura. Aqui j\u00e1 discutimos sobre Geraldo Vandr\u00e9, o poeta Castro Alves, o Nordeste de Gonzag\u00e3o, seus costumes e folclore, Raul Seixas, Os Movimentos Revolucion\u00e1rio de 1968, Educa\u00e7\u00e3o no Brasil, Forma\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o de Vit\u00f3ria da Conquista at\u00e9 os tempos atuais, dentre outros na \u00e1rea da pol\u00edtica e at\u00e9 da economia, sem a danada da partidariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7581.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3158\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7581.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7581.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7581-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Neste do \u00faltimo s\u00e1bado, dia 24, que mais uma vez contou com a presen\u00e7a de membros da Academia de Letras de Vit\u00f3ria da Conquista, o papo s\u00e9rio foi sobre \u201cVidas Secas\u201d, de Graciliano Ramos, cujo livro entrou para a hist\u00f3ria do cinema atrav\u00e9s de Nelson Pereira dos Santos. Como nos outros saraus, todos contribuem no enriquecimento do tema atrav\u00e9s da troca de conhecimentos, num verdadeiro interc\u00e2mbio cultural.<\/p>\n<p>A ideia para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 agregar jovens estudantes ao nosso Sarau que sempre recebe visitantes convidados pelo grupo de frequentadores. A cultura tem que expandir e nada melhor que incorporar jovens que tamb\u00e9m t\u00eam sede de cultura. Vamos continuar abrindo com um tema, mas outras novidades v\u00e3o surgindo, como a conclus\u00e3o final do CD, e at\u00e9 a proposta j\u00e1 lan\u00e7ada de um document\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7586.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3159\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7586.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7586.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/IMG_7586-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sobre o livro (traduzido para 14 l\u00ednguas), que versa sobre a seca, como diz o pr\u00f3prio t\u00edtulo, vida e obras do escritor, adiantamos alguns t\u00f3picos da pesquisa feita pelo jornalista Jeremias Mac\u00e1rio nessa primeira publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VIDA, OBRA E MEM\u00d3RIA DO AUTOR.<\/p>\n<p><!--more-->Nasceu em 27 de outubro de 1892, em Quebrangulo, Alagoas.<\/p>\n<p>Seu pai Sebasti\u00e3o Ramos e sua m\u00e3e Maria Am\u00e9lia se mudaram para a fazenda \u201cPitadinho\u201d, em Bu\u00edque, Pernambuco, em 1895, mas perderam tudo com a seca. Montam um com\u00e9rcio na vila S\u00e3o Domingos.<\/p>\n<p>Graciliano Ramos de Oliveira come\u00e7a seus primeiros exerc\u00edcios de leitura em 1898, com seis anos.<\/p>\n<p>No ano de 1899, a fam\u00edlia se muda para Vi\u00e7osa, Alagoas.<\/p>\n<p>Em 1904, Graciliano publica o conto \u201cPequeno Pedinte\u201d em \u201cO Dil\u00faculo\u201d, jornal do seu internato de estudo, com 12 anos.<\/p>\n<p>Em 1905, o escritor muda-se para Macei\u00f3, para estudar no Col\u00e9gio 15 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Em 1906 redige o peri\u00f3dico \u201cEcho Vi\u00e7oaense\u201d e publica sonetos na revista carioca \u201cO Malho\u201d, sob pseud\u00f4nimo de Feliciano de Oliven\u00e7a.<\/p>\n<p>No ano de 1909 colabora com o Jornal de Alagoas e publica o soneto \u201cC\u00e9ptico\u201d, como Almeida Cunha.<\/p>\n<p>De 1910 a 1914 ajuda o pai na casa comercial \u201cA Sincera\u201d em Palmeira dos \u00cdndios.<\/p>\n<p>Em 1914 embarca num navio para o Rio de Janeiro onde ingressa no \u201cCorreio da Manh\u00e3\u201d, como revisor, e colabora com outros jornais do Nordeste, inclusive em o \u201cA TARDE\u201d. Seus textos terminam compondo a\u00a0 obra p\u00f3stuma \u201cLinhas Tortas\u201d.<\/p>\n<p>Em 1915 retorna para Palmeira dos \u00cdndios devido a morte de seus tr\u00eas irm\u00e3os e um sobrinho, v\u00edtimas da peste bub\u00f4nica. Em Palmeira, casa-se com Maria Augusta de Barros (quatro filhos)<\/p>\n<p>No ano de 1817 assume a loja da fam\u00edlia \u201cA Sincera\u201d, de produtos de fazenda, cal\u00e7ados e perfumarias.<\/p>\n<p>Em 1920 morre sua esposa Maria Augusta, e em 1921 passa a colaborar com o seman\u00e1rio \u201cO \u00cdndio\u201d.<\/p>\n<p>Em 1928 toma posse como prefeito de Palmeira dos \u00cdndios (eleito em 27) e casa-se com Helo\u00edsa Leite de Medeiros (quatro filhos).<\/p>\n<p>Dois anos depois, em 1930, renuncia ao cargo de prefeito, em 10 de abril. Em maio muda-se com a fam\u00edlia para Macei\u00f3 onde assume o cargo de diretor da Imprensa Oficial de Alagoas. Publica artigos no Jornal de Alagoas.<\/p>\n<p>Em 1931 demite-se do cargo de diretor da Imprensa. No ano seguinte de 32 come\u00e7a a escrever \u201cS\u00e3o Bernardo\u201d.<\/p>\n<p>Em 1933 publica seu primeiro livro \u201cCaet\u00e9s\u201d, iniciado em 1925 e conclu\u00eddo em 28, mas revisto v\u00e1rias vezes. No mesmo ano de 33 inicia \u201cAng\u00fastia\u201d e \u00e9 nomeado secret\u00e1rio Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de Alagoas (diretor de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica).<\/p>\n<p>No ano de 34 publica \u201cS\u00e3o Bernardo\u201d. Em mar\u00e7o de 1936 \u00e9 preso em Macei\u00f3 e levado num navio para o Rio de Janeiro. No mesmo ano, sai a publica\u00e7\u00e3o de \u201cAng\u00fastia\u201d.<\/p>\n<p>Em 1937 \u00e9 libertado no Rio de Janeiro. Escreve \u201cA Terra dos Meninos Pelados\u201d, premiado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em g\u00eanero infantil.<\/p>\n<p>No ano de 1938 publica \u201cVidas Secas\u201d (80 anos), premiado em 1962 pela Funda\u00e7\u00e3o William Faulkner. No ano seguinte, \u00e9 nomeado Inspetor Federal de Ensino Secund\u00e1rio do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Em 1940 traduz \u201cMem\u00f3rias de um Negro\u201d, do norte-americano Booker Washington.<\/p>\n<p>Em 1942 publica \u201cBrand\u00e3o entre o Mar e o Amor\u201d, em conjunto com Raquel de Queiroz, Jos\u00e9 Lins do Rego, Jorge Amado e An\u00edbal Machado.<\/p>\n<p>No ano de 1944 publica \u201cHist\u00f3rias de Alexandre\u201d e, no ano seguinte, \u201cInf\u00e2ncia\u201d quando se filia ao Partido Comunista Brasileiro, em 1945.<\/p>\n<p>Em 1946 \u201cHist\u00f3rias Incompletas\u201d e em 1947 \u201cIns\u00f4nia\u201d. Traduz, em 1950, \u201cA Peste\u201d, de Albert Camus, e em 1951 \u00e9 presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Escritores.<\/p>\n<p>Em 1952 viaja para Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, Fran\u00e7a, Tchecoslov\u00e1quia e Portugal.<\/p>\n<p>Morre em mar\u00e7o de 1953, no Rio de Janeiro. No mesmo ano \u00e9 lan\u00e7ada a obra p\u00f3stuma de \u201cMem\u00f3rias do C\u00e1rcere\u201d, e em 1954 \u201cViagem\u201d. Em 1962 \u2013 \u201cLinhas Tortas\u201d e \u201cViventes das Alagoas\u201d. Em 1980, sua esposa Helo\u00edsa doa o acervo do marido para o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Em 1992 \u2013 publica\u00e7\u00e3o de \u201cCartas de Amor a Helo\u00edsa\u201d. Realizou em vida cerca de 20 publica\u00e7\u00f5es de livros, fora artigos e coment\u00e1rios em jornais.<\/p>\n<p>Seus livros foram traduzidos para 16 l\u00ednguas (14 de \u201cVidas Secas\u201d), destacando o alem\u00e3o, franc\u00eas, espanhol, sueco, dinamarqu\u00eas, turco, flamengo, polon\u00eas, b\u00falgaro, tcheco, romeno e holand\u00eas.<\/p>\n<p>Graciliano Ramos aborda a quest\u00e3o da seca que depois de 80 anos continua exterminando planta\u00e7\u00f5es, animais e escorra\u00e7ando os sertanejos nordestinos em retirada para outros lugares. O pr\u00f3prio autor de \u201cVidas Secas\u201d foi um retirante em vida.<\/p>\n<p>Sobre o livro, a vida do escritor, os lugares por onde passou com sua fam\u00edlia, seu cargo na prefeitura de Palmeira dos \u00cdndios, seus acervos e sua mem\u00f3ria, o \u201cEstado de S\u00e3o Paulo\u201d fez uma s\u00e9rie de reportagens publicadas no in\u00edcio deste ano (2018) nos textos de Felipe Resk e Guilherme Sobota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi uma noite memor\u00e1vel o \u00faltimo \u201cSarau Colaborativo\u201d de 2018 que teve como tema \u201cOs 80 Anos do Livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos\u201d, realizado no s\u00e1bado (dia 24\/11), no Espa\u00e7o Cultural A Estrada, com a participa\u00e7\u00e3o dos frequentadores mais ass\u00edduos e visitantes que abrilhantaram o evento at\u00e9 altas horas da madrugada. 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