{"id":3148,"date":"2018-11-20T00:42:16","date_gmt":"2018-11-20T03:42:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3148"},"modified":"2018-11-20T00:44:23","modified_gmt":"2018-11-20T03:44:23","slug":"a-la-roja-vai-para-o-armario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/11\/20\/a-la-roja-vai-para-o-armario\/","title":{"rendered":"A &#8220;LA ROJA&#8221; VAI PARA O ARM\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>Colega e amigo Jeremias. Depois de ler seu elucidativo coment\u00e1rio sobre a revanche dos saudosistas da ditadura\u00a0 no Brasil, voltei ao meu tempo de inf\u00e2ncia e juventude, quando ouvia de parentes e de membros mais antigos da comunidade galega de Salvador relatos assustadores sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), vencida pelos nacionalistas liderados pelo general Francisco Franco, apoiado pelo nazismo de Adolf Hitler e o fascismo de Benito Mussolini.<\/p>\n<p>Um milh\u00e3o de espanh\u00f3is, a maioria civis, morreu durante o conflito, milhares deles v\u00edtimas dos bombardeios alem\u00e3es a cidades do Pa\u00eds Basco \u2013 o massacre em La Guernica est\u00e1 imortalizado na tela do pintor espanhol Pablo Picasso, exposta no Museu de La Reina, em Madri -, e outras centenas, torturadas e mortas nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, para onde foram enviadas. Os prisioneiros que permaneceram em territ\u00f3rio espanhol eram obrigados a trabalhar, sem remunera\u00e7\u00e3o, em obras p\u00fablicas, como a constru\u00e7\u00e3o de ferrovias.<\/p>\n<p>Ponto de encontro de nost\u00e1lgicos do regime ditatorial e atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, o Valle de los Ca\u00eddos, localizado a 40 kms. de Madri para servir de sepultura ao militar, foi erguido entre 1940 e 1958 gra\u00e7as a explora\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra de centenas de republicanos. No gigantesco monumento est\u00e3o tamb\u00e9m enterrados 33.872 nacionalistas mortos na Guerra Civil.<\/p>\n<p>Com o objetivo de eliminar por completo o que restou do autoritarismo, o presidente do governo espanhol, o socialista Pedro S\u00e1nchez, pretende ainda este ano exumar os restos mortais de Franco e entreg\u00e1-los \u00e0 fam\u00edlia. Est\u00e1tuas est\u00e3o sendo demolidas em todo o pa\u00eds, inclusive a principal delas, erguida na cidade galega de Ferrol, onde o general nasceu.<\/p>\n<p>Sob o bord\u00e3o \u201cCaudilho da Espanha pela gra\u00e7a de DEUS\u201d \u2013 por que os ditadores est\u00e3o sempre fazendo refer\u00eancias (2\u00ba Mandamento: \u201cN\u00e3o tomar seu santo nome em v\u00e3o\u201d) ao Criador em suas falas? -, o general\u00edssimo, como fazia quest\u00e3o de ser chamado, com a vit\u00f3ria pelas armas governou a Espanha, com m\u00e3o de ferro, at\u00e9 a sua morte em 20 de\u00a0 novembro de 1975. As Cortes Franquistas, criadas por ele, se mantiveram no poder at\u00e9 1977.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, Franco sobreviveu aos seus \u201cmestres\u201d: Mussolini foi fuzilado pelos compatriotas em 28 de abril de 1945; Hitler e sua mulher Eva Braun suicidaram-se dois dias depois. Enquanto o nazismo \u00e9 criminalizado em muitos pa\u00edses, o fascismo est\u00e1 cada vez mais vivo. Seu an\u00e1logo, o franquismo, plantou a semente do \u00f3dio em v\u00e1rias regi\u00f5es da Espanha. Esse sentimento floresceu no Pa\u00eds Basco e, mais frondosamente, na Catalunha, cujas popula\u00e7\u00f5es foram as mais oprimidas por Francisco Franco. Hoje se alimentam do desejo de se tornarem independentes do governo espanhol.<\/p>\n<p>Com as benesses concedidas por Franco, o Real Madri foi escolhido pela FIFA como o maior clube do s\u00e9culo XX, conquistando na \u00e9poca dezenas de t\u00edtulos mundiais, europeus e espanh\u00f3is. Foi mais um componente no clima de revolta dos catal\u00e3es, que se transporta para os est\u00e1dios nos jogos entre Barcelona e Real Madri.<\/p>\n<p>Salvador foi escolhida como uma das cidades brasileiras para sediar um centro de aprendizado, em n\u00edvel universit\u00e1rio, da l\u00edngua, cultura e hist\u00f3ria do pa\u00eds ib\u00e9rico, dentro da linha franquista. O Instituto de Cultura Hisp\u00e2nica funcionava no Vale do Canela, com apoio da Universidade Federal da Bahia, e o respaldo financeiro do governo espanhol,<\/p>\n<p>O fanatismo religioso; o autoritarismo; o nacionalismo exacerbado; o militarismo, o corporativismo nos moldes fascistas, a desigualdade social; o desapre\u00e7o \u00e0 sa\u00fade dos mais pobres; a censura \u00e0 imprensa; a imposi\u00e7\u00e3o de sua doutrina nas escolas, desde as primeiras letras; a persegui\u00e7\u00e3o aos homossexuais, imigrantes, comunistas e judeus. Essa era a tem\u00e1tica da ideologia franquista.<\/p>\n<p>Prezado colega, por medida de seguran\u00e7a dei um \u201cdescanso\u201d \u2013 espero que por pouco tempo \u2013 \u00e0 minha camisa oficial da \u201cLa Roja\u201d, adquirida na \u201ctienda\u201d da Federa\u00e7\u00e3o Espanhola de Futebol. O vermelho no Brasil \u00e9 a cor do pecado. Ningu\u00e9m deseja ser agredido covardemente por um fan\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u00c9 meu amigo, pelo meu artigo j\u00e1 recebi coment\u00e1rios agressivos. O cara simplesmente me chamou de anci\u00e3o.<\/p>\n<p>Para mim n\u00e3o \u00e9 depreciativo. Pior \u00e9 o cara que j\u00e1 nasce anci\u00e3o e escravo, sem viver, sem conhecer, sem sentir, nem dar o m\u00ednimo valor para a liberdade. Ali\u00e1s, ele n\u00e3o sabe nem o que \u00e9 isso. N\u00e3o tem hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista Colega e amigo Jeremias. Depois de ler seu elucidativo coment\u00e1rio sobre a revanche dos saudosistas da ditadura\u00a0 no Brasil, voltei ao meu tempo de inf\u00e2ncia e juventude, quando ouvia de parentes e de membros mais antigos da comunidade galega de Salvador relatos assustadores sobre a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), vencida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3148"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3148"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3152,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3148\/revisions\/3152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}