{"id":3137,"date":"2018-11-14T00:45:57","date_gmt":"2018-11-14T03:45:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3137"},"modified":"2018-11-14T00:46:11","modified_gmt":"2018-11-14T03:46:11","slug":"as-curiosidades-do-mundo-grego-sabedorias-e-filosofias-ix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/11\/14\/as-curiosidades-do-mundo-grego-sabedorias-e-filosofias-ix\/","title":{"rendered":"AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO &#8211; SABEDORIAS E FILOSOFIAS (IX)"},"content":{"rendered":"<p>Por volta de 350 a.C. os ricos em Atenas se tornaram t\u00e3o antissociais que preferiam lan\u00e7ar seus bens ao mar a reparti-los com os pobres. Tinham mais \u00f3dio \u00e0 riqueza alheia do que compaix\u00e3o pela mis\u00e9ria pessoal. Arist\u00f3teles conta que existia um clube aristocr\u00e1tico que tinha como juramento agir contra a coletividade. Muitos se rebelaram contra as desordens, as sonega\u00e7\u00f5es, a corrup\u00e7\u00e3o e os abusos. Cada um procurava defender seus interesses, como no nosso pa\u00eds de hoje.<\/p>\n<p>EPAMINONDAS \u2013 Atenas, Tebas e Esparta ainda se mantinham em condi\u00e7\u00f5es de salvar uma Gr\u00e9cia desordenada e ensanguentada por volta de 400 a.C. As riquezas, segundo Arist\u00f3teles, se concentravam na classe patronal, que as guerras haviam reduzido a um pequeno n\u00famero. Esparta continuava prepotente e prevaricadora.<\/p>\n<p>Com um corpo de 12 mil mercen\u00e1rios espartanos, sob o comando do ateniense Xenofante, o rei persa Ciro foi derrotado e morto em Cunassa. O epis\u00f3dio encheu de orgulho a Gr\u00e9cia e convenceu Agesilau, rei de Esparta, de que a P\u00e9rsia era um grande imp\u00e9rio, mas de barro.<\/p>\n<p>Atenas e Tebas se uniram aos persas de Artaxerxes. Em Cnido, o almirante ateniense C\u00f4non destruiu a frota espartana em 394 a.C. Agesilau mandou oferecer todas as cidades gregas da \u00c1sia em troca da neutralidade. Em 387 houve a paz de Sardes. Chipre e toda \u00c1sia grega passaram a ser persas.<\/p>\n<p>Esparta continuou sendo a maior pot\u00eancia, mas sendo vista como traidora e imp\u00f4s governos olig\u00e1rquicos na pr\u00f3pria Be\u00f3cia. Com isso, o jovem Pel\u00f3pidas tramou uma conspira\u00e7\u00e3o e junto a outros assassinaram os ministros espartanos e reorganizaram a Confedera\u00e7\u00e3o da Be\u00f3cia. Pel\u00f3pidas proclamou a guerra santa, decretou mobiliza\u00e7\u00e3o geral e confiou o comando do ex\u00e9rcito a Epaminondas, um dos personagens mais complexos da antiguidade.<\/p>\n<p>Mesmo homossexual (na Gr\u00e9cia n\u00e3o era sin\u00f4nimo de efemina\u00e7\u00e3o), Epaminondas, de fam\u00edlia aristocr\u00e1tica, era sisudo e quieto desde menino. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, n\u00e3o gostava de guerra. Quando lhe ofereceram o comando respondeu: Pensem bem. Se fizerem de mim seu general, eu farei de voc\u00eas os meus soldados e, como tais, ter\u00e3o uma vida muito dura.<\/p>\n<p>Epaminondas dispunha de seis mil homens contra dez mil de Esparta. Com sua t\u00e1tica, colocou um grupo de trezentos jovens homossexuais em dupla que juraram fidelidade at\u00e9 a morte. Esparta foi derrotada. O general convenceu-se que poderia dar a Tebas o primado. Entrou no Peloponeso, libertou Messene e fundou Meg\u00e1polis.<\/p>\n<p>\u00d3dios e ci\u00fames impediram a unifica\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia. Atenas saudou a vit\u00f3ria contra Esparta, mas via com maus olhos o crescimento de Tebas, Chegou a coligar-se com o inimigo para derrubar Epaminondas. Deu-se a batalha de Mantin\u00e9ia em 362 a.C. e venceu outra vez, mas foi morto por Grilo, filho de Xenofante. Com ele, morreram os sonhos da hegemonia de Tebas.<\/p>\n<p>A DECAD\u00caNCIA DA \u201cPOLIS\u201d \u2013 Atenas voltou a sonhar com a supremacia e voltou a construir os antigos muros, se cuidando para n\u00e3o cair nos mesmos erros depois de P\u00e9ricles, mas n\u00e3o teve jeito. Criou nova Confedera\u00e7\u00e3o com col\u00f4nias submetidas a ela, adotando mesmos m\u00e9todos. Muitas cidades se rebelaram e veio a segunda Confedera\u00e7\u00e3o em 355, em meio a revoltas e repress\u00f5es.<\/p>\n<p><!--more-->O vocabul\u00e1rio de Atenas, como cita o autor do livro Hist\u00f3ria dos Gregos, Indro Montanelli, foi acrescido de tr\u00eas palavras: Pleonexia (mania de sup\u00e9rfluo), Chrematistike (febre de ouro) e Neoplutoi (nossos tubar\u00f5es). Plat\u00e3o dizia que havia duas Atenas, a dos pobres e a dos ricos em luta.<\/p>\n<p>Is\u00f3crates acrescentou que os ricos tornaram t\u00e3o antissociais que preferiam lan\u00e7ar seus bens ao mar a reparti-los com os pobres. Estes t\u00eam mais \u00f3dio \u00e0 riqueza alheia do que compaix\u00e3o pela mis\u00e9ria pessoal. Arist\u00f3teles conta que existia um clube aristocr\u00e1tico que tinha como juramento agir contra a coletividade.<\/p>\n<p>Era a legaliza\u00e7\u00e3o da desordem e dos abusos. As sonega\u00e7\u00f5es e a corrup\u00e7\u00e3o eram regras correntes. Todos procuravam gozar a vida e nada mais. Segundo Teopompo, j\u00e1 n\u00e3o havia mais uma fam\u00edlia est\u00e1vel e o desregramento n\u00e3o se limitava \u00e0s classes altas. Para encontrar uma pessoa \u00a0de boa esp\u00e9cie, seria preciso procur\u00e1-la no cemit\u00e9rio \u2013 dizia Is\u00f3crates.<\/p>\n<p>Na polis todos eram soberanos e s\u00faditos. Todos eram deputados de si mesmos. Todos iam ao parlamento defender seus interesses. Cada um, conforme o sorteio, competia presidir a uma pritania, uma sec\u00e7\u00e3o do Conselho de Estado. O agnosticismo pol\u00edtico era considerado um crime e uma imoralidade. O estado-maior n\u00e3o era de carreira. Os generais eram improvisados. Recebiam o cargo de acordo com a posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Cada qual era seu pr\u00f3prio comandante, seu pr\u00f3prio s\u00fadito, legislador, soldado, m\u00e9dico, sacerdote e fil\u00f3sofo. Xenofante, ex-aluno de S\u00f3crates, se tornou um aret\u00e9, isto \u00e9, um homem completo, capaz de discorrer sobre tudo, mas sem profiss\u00e3o definida.<\/p>\n<p>Ao profissional permitia-se o desenvolvimento da sua profiss\u00e3o. Assim fez Alcib\u00edades que se colocou a servi\u00e7o de Esparta e depois da P\u00e9rsia, s\u00f3 que foi condenado como traidor. Xenofante n\u00e3o pensou em trai\u00e7\u00e3o, mas em Atenas, como um homem de of\u00edcio ia aonde o of\u00edcio o chamasse. Sua obriga\u00e7\u00e3o era a compet\u00eancia.<\/p>\n<p>Os chamados \u201ct\u00e9cnicos\u201d n\u00e3o queriam saber de uma polis de limites estreitos, e foram eles que formaram a palavra Cosm\u00f3polis, um mundo n\u00e3o mais limitado por muros e cortado por autarquias nacionais. Muitos gregos come\u00e7aram a pensar em termos de Gr\u00e9cia, e n\u00e3o mais de Atenas, Tebas ou Esparta.<\/p>\n<p>Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles disseram que uma polis s\u00f3 \u00e9 bem governada quando os cidad\u00e3os s\u00e3o t\u00e3o poucos que todos se conhecem entre si. Isso j\u00e1 n\u00e3o acontecia nas polis gregas. O congresso impunha uma divis\u00e3o mais complexa, bem mais especializada do trabalho. A cidade-estado j\u00e1 n\u00e3o se ajustava \u00e0s novas necessidades da sociedade.<\/p>\n<p>DION\u00cdSIO DE SIRACUSA \u2013 No quarto s\u00e9culo antes de Cristo, Siracusa, a mais importante col\u00f4nia grega, continuou a se desenvolver ainda que em meio a turbul\u00eancias, entre per\u00edodos democr\u00e1ticos e totalit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Dion\u00edsio foi o tirano mais desapiedado e mais iluminado. De sua fortaleza de Ort\u00edgia dominou a cidade com m\u00e9todos stalinistas e crit\u00e9rios socialistas. Na distribui\u00e7\u00e3o de terras, n\u00e3o fazia distin\u00e7\u00e3o entre cidad\u00e3os e escravos. Quando os cofres do Estado estavam vazios, anunciava que o deus Dem\u00e9ter lhe aparecera em sonhos, pedindo a todas as mulheres que depositassem suas joias no templo. Todas obedeceram e que transgrediu a ordem, a pol\u00edcia aparecia para dissuadi-las.<\/p>\n<p>Para expulsar os cartagineses da ilha, mandou requisitar todos os mec\u00e2nicos gregos. Os que recusassem, mandava rapat\u00e1-los. A inven\u00e7\u00e3o da catapulta deixou-o exultante. Julgou que, com tal arma nas m\u00e3os, ningu\u00e9m mais poderia resistir-lhe. Mesmo com guerras de trinta anos, os gregos continuaram donos da Sic\u00edlia oriental e os cartagineses da ocidental.<\/p>\n<p>Quando o fil\u00f3sofo pitag\u00f3rico F\u00edncias, por ele condenado \u00e0 morte, lhe pediu um dia de licen\u00e7a para ir \u00e0 casa fora da cidade resolver um assunto pessoal, Dion\u00edsio consentiu. Vendo que F\u00edncias voltou a tempo, poupou-o da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por volta de 350 a.C. os ricos em Atenas se tornaram t\u00e3o antissociais que preferiam lan\u00e7ar seus bens ao mar a reparti-los com os pobres. Tinham mais \u00f3dio \u00e0 riqueza alheia do que compaix\u00e3o pela mis\u00e9ria pessoal. Arist\u00f3teles conta que existia um clube aristocr\u00e1tico que tinha como juramento agir contra a coletividade. 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