{"id":3105,"date":"2018-10-24T00:13:40","date_gmt":"2018-10-24T03:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3105"},"modified":"2018-10-24T00:13:49","modified_gmt":"2018-10-24T03:13:49","slug":"curiosidades-do-mundo-grego-filosofias-e-sabedorias-parte-viii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/10\/24\/curiosidades-do-mundo-grego-filosofias-e-sabedorias-parte-viii\/","title":{"rendered":"CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO -FILOSOFIAS E SABEDORIAS (parte VIII)"},"content":{"rendered":"<p>GUERRA DO PELOPONESO \u2013 O imp\u00e9rio de Atenas se chamava Confedera\u00e7\u00e3o, mas, na verdade, o que existia mesmo era o controle comercial e pol\u00edtico dela subjugando as outras cidades sat\u00e9lites. Para come\u00e7ar, os cidad\u00e3os da Confedera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham os mesmos direitos. Quando existiam conflitos onde estava envolvido um ateniense, s\u00f3 os magistrados de Atenas tinham compet\u00eancia para julgar, conforme relata o autor de \u201cHist\u00f3ria dos Gregos\u201d, Indro Montanelli.<\/p>\n<p>Em 459 a.C. Atenas usara a frota para tentar expedi\u00e7\u00e3o ao Egito e expulsar os persas ali instalados. A frota de Atenas que devia servir \u00e0 causa comum, foi utilizada para esmagar uma revolta nos estados de Egina, Eub\u00e9ia e Samos. Esparta, de origem d\u00f3rica, guerreira, aristocr\u00e1tica e conservadora, que n\u00e3o era grande cidade cosmopolita, mas contava com muitos quarteis no interior do Peloponeso, encarava as repress\u00f5es como sinal de fraqueza.<\/p>\n<p>Diante dos conflitos entre os estados e uma aparente guerra, P\u00e9ricles realizou uma confer\u00eancia de c\u00fapula, tentando trazer toda popula\u00e7\u00e3o da \u00c1tica e o ex\u00e9rcito para dentro dos muros de Atenas. Esparta, no entanto, achou que aderir seria reconhecer a supremacia de sua rival. Muitos estados fizeram o mesmo e a c\u00fapula foi um fracasso.<\/p>\n<p>O problema era saber quem tinha a for\u00e7a de unificar a Gr\u00e9cia. Atenas era um povo j\u00f4nico, a democracia, a burguesia, o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria. Esparta, conservadora, totalit\u00e1ria e grosseira. Em 435, Corcira pediu para entrar na Confedera\u00e7\u00e3o e insurgiu-se contra Corinto. Tr\u00eas anos depois, Potid\u00e9ia, col\u00f4nia de Atenas, revoltou-se e pediu ajuda a Corinto. P\u00e9ricles mandou um ex\u00e9rcito contra ela, mas n\u00e3o conseguiu derrot\u00e1-la.<\/p>\n<p>Vendo o fracasso de Atenas, M\u00e9gara rebelou-se tamb\u00e9m e aliou-se com Corinto, que chamou Esparta. Atenas imp\u00f4s o bloqueio de M\u00e9gara e Esparta protestou. De um lado Atenas com seus confederados do J\u00f4nio, do Egeu e da \u00c1sia Menor. Esparta com todo Peloponeso (Corinto, Be\u00f3cia e M\u00e9gara).<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o grave, P\u00e9ricles chamou seu ex\u00e9rcito para dentro dos muros de Atenas, abandonando a \u00c1tica ao inimigo. Enfraquecido, a guerra ati\u00e7ou a ira de seus inimigos, como Cl\u00e9on, demagogo e corajoso, que acusou P\u00e9ricles de peculato e, como ele n\u00e3o deu conta dos fundos secretos, foi deposto e multado, exatamente quando a epidemia levou dele a irm\u00e3 e seus dois filhos leg\u00edtimos. Arist\u00f3teles diz que Cl\u00e9on subia \u00e0 tribuna e falava numa linguagem malcriada, grosseira e pitoresca. Arrependidos, logo depois os atenienses o repuseram P\u00e9ricles ao poder e deram cidadania ao filho que tivera com Asp\u00e1sia.<\/p>\n<p>A guerra que j\u00e1 durava por dez anos semeara a ru\u00edna por toda Gr\u00e9cia, sem solu\u00e7\u00e3o. Amea\u00e7ada por uma revolta dos escravos, Esparta sugeriu a paz e Atenas aderiu seguindo parecer dos conservadores, como o de N\u00edcias, cujo tratado de 421, de 50 anos, levou seu nome.<\/p>\n<p>ALCIB\u00cdADES \u2013 Aristocrata e conservador, N\u00edcias era o homem mais rico de Atenas e tinha suas extravagancias e supersti\u00e7\u00f5es, como a de nunca fazer nada nos dias nefastos. Para cortar o cabelo esperava a lua cheia. Quando o voo das aves indicava azar, pronunciava a f\u00f3rmula da esconjura\u00e7\u00e3o e repetia 27 vezes. Se ouvia o coaxar de um sapo, abandonava o Senado. Organizava e pagava do seu bolso as prociss\u00f5es para a colheita. Cada bocado que engolia invocava o nome de um morto da sua fam\u00edlia. Chegava a comer tendo diante de si uma tabuleta com o nome de todos seus antepassados.<\/p>\n<p><!--more-->Para combater este homem cheio de dinheiro, o egoc\u00eantrico Alcib\u00edades n\u00e3o olhava os meios. Mais por ambi\u00e7\u00e3o batera como her\u00f3i contra os espartanos. A quem diga que devia suas proezas a S\u00f3crates que o amava. Ele fazia parte do grupo de jovens que o mestre exercitava na arte do racioc\u00ednio. Vez por outra sumia para seguir prostitutas e mo\u00e7os de m\u00e1 fama. S\u00f3crates se desesperava e procurava-o como a um escravo fugitivo.<\/p>\n<p>Conta que um dia Alceb\u00edades deu uns tapas em Hip\u00f4naco, um dos mais ricos e poderosos. Dia seguinte foi \u00e0 casa do ofendido e despiu-se diante dele para que lhe desse boas vergastadas. No lugar, Hip\u00f4naco deu sua filha Hiparate em casamento. Um dia Hiparate fugiu de casa e citou o marido em tribunal para div\u00f3rcio. Ele compareceu e diante dos ju\u00edzes raptou-a. Ela teve que aceitar a condi\u00e7\u00f5es de esposa tra\u00edda.<\/p>\n<p>Esse violador de leis e mulheres, sedutor de cora\u00e7\u00f5es femininos e de massas eleitorais, era partid\u00e1rio da guerra, caminho para sua ambi\u00e7\u00e3o. Detestava a paz at\u00e9 mesmo porque ela trazia o nome de N\u00edcias.<\/p>\n<p>A GRANDE TARI\u00c7\u00c3O &#8211; Para escapar ao processo de seus malfeitos, Alcib\u00edades desertara e se colocou a servi\u00e7o de Esparta, onde se refugiara. Ele que vivia no luxo, jogou fora os sapatos e andava descal\u00e7o, com uma rude t\u00fanica nos ombros. Nutria-se de cebolas. O rancor por Atenas era tanto que nenhum sacrif\u00edcio lhe parecia demasiado para a vingan\u00e7a. Acabou se enamorando da rainha.<\/p>\n<p>Para se livrar da morte, embarcou como oficial da marinha numa frota para a \u00c1sia, s\u00f3 que um mensageiro lhe seguia com a miss\u00e3o de elimin\u00e1-lo. Em Sardes encontrou-se com um almirante persa e ofereceu, outra vez, seus servi\u00e7os contra Esparta. Enquanto isso, Atenas estava destro\u00e7ada e isolada. Esparta tomou suas minas de prata e firmou tratado com a P\u00e9rsia para aniquilar seu inimigo. Gregos pediram aux\u00edlio de b\u00e1rbaros para destruir outros gregos.<\/p>\n<p>O partido conservador organizou uma revolta, tomou o poder e entregou a um Conselho dos Quatrocentos. Ap\u00f3s uma revolu\u00e7\u00e3o houve um golpe de estado e destitu\u00edram o Conselho, substituindo por outro dos Cinco Mil. Houve uma revolta dos marinheiros que pediram a volta do governo democr\u00e1tico. O porto foi fechado e o povo come\u00e7ou a passar fome. A sa\u00edda foi pedir ajuda a Esparta para trazer mantimentos. Esparta pediu tempo e a popula\u00e7\u00e3o revoltou-se e ai os democratas voltaram ao poder.<\/p>\n<p>Depois de v\u00e1rias trai\u00e7\u00f5es e intrigas, Alceb\u00edades voltou \u00e0 p\u00e1tria em 410 a.C. Chefiou a frota e , durante tr\u00eas anos, infligiu uma s\u00e9rie de derrotas contra Esparta. Mais adiante, cometeu outro erro ao entregar a frota para Ant\u00edaco que foi trucidado pelos espartanos. Fugiu de novo para Bit\u00ednia.<\/p>\n<p>Sob o comando de Lisandro, Esparta imp\u00f4s severa derrota a Atenas, deixando o povo com fome. Para poupar os sobreviventes exigiu de Atenas derrubar os muros, repor no poder os conservadores e auxiliar Esparta em qualquer guerra futura. Era o ano de 404 a.C. Foi institu\u00eddo o Conselho dos Trinta na base da opress\u00e3o. Al\u00e9m dos mortos, cinco mil democratas foram mandados para o ex\u00edlio. Revogaram-se todas as liberdades e S\u00f3crates foi proibido de ensinar.<\/p>\n<p>A CONDENA\u00c7\u00c3O DE S\u00d3CRATES &#8211; \u00a0Seus advers\u00e1rios o incriminaram no plano moral e religioso. A acusa\u00e7\u00e3o inventada contra ele, em 399 a.C. era de impiedade p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o aos deuses e corrup\u00e7\u00e3o da juventude. O corpo de jurados era composto de 1.500 cidad\u00e3os. Na bancada estavam Plat\u00e3o e Xenofante.<\/p>\n<p>Dos tr\u00eas que levantaram acusa\u00e7\u00e3o contra ele, o Anito tinha motivos pessoais de rancor contra S\u00f3crates. Quando ele teve que ir para o ex\u00edlio por causa de suas ideias, seu filho preferiu ficar em Atenas com o mestre. Uma das cr\u00edticas contra ele foi de ter tido Alcib\u00edades como um de seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Mesmo aristocr\u00e1tico, no sentido intelectual, S\u00f3crates era pobre, vestia-se como mendigo e ningu\u00e9m podia apontar a m\u00ednima deslealdade contra o Estado. Fora excelente soldado. Para ele, as leis tinham de estar de acordo com a justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Para S\u00f3crates, o cidad\u00e3o exemplar era o que obedecia as ordens da autoridade, mas, antes de as receber e depois de as cumprir, devia examinar se a ordem era boa\u00a0 e se a autoridade formulara bem. Fundara todo seu m\u00e9todo\u00a0 em perguntas, \u201cTi Esti?\u201d (Que \u00e9 isto). Seu objetivo era preparar uma classe pol\u00edtica iluminada que governasse de acordo com a justi\u00e7a. Tinha na mente uma Noocracia, ou governo de s\u00e1bios, que exclu\u00edsse a ignor\u00e2ncia e a supersti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A plebe, que n\u00e3o sabia nada disso, odiava S\u00f3crates e seu modo de pensar. Arist\u00f3fanes, com sua rude maneira inculta de ver as coisas, foi o int\u00e9rprete deste protesto, por inveja. O pr\u00f3prio S\u00f3crates contribuiu para sua condena\u00e7\u00e3o, quando fez apologia de si mesmo, dizendo que os deuses lhe haviam confiado a miss\u00e3o de revelar a verdade. Mileto, um de seus acusadores, prop\u00f4s sua morte. O mestre respondeu pedindo para ser hospedado no Pritaneu, grande pal\u00e1cio daquela \u00e9poca. Indisp\u00f4s p\u00fablico, ju\u00edzes e jurados.<\/p>\n<p>Na vota\u00e7\u00e3o, 708 votaram a favor e 720 contra a pena de morte. Com a insist\u00eancia de Plat\u00e3o, o acusado declarou-se disposto a pagar uma multa de trinta minas, que os amigos dariam em seu lugar. Os jurados voltaram a se reunir e os condenat\u00f3rios tinham aumentado mais 80. S\u00f3crates foi posto no c\u00e1rcere.<\/p>\n<p>A Cr\u00edton que lhe disse: Morres sem o merecer, o mestre respondeu: Mas, se n\u00e3o o fizesse, eu o mereceria. A F\u00e9don: Tenho pena dos teus cachos de cabelo. Amanh\u00e3 ter\u00e1s que cort\u00e1-los em sinal de luto. Chegando o momento, tomou o veneno com m\u00e3o firme. Aos seus disc\u00edpulos que choravam, ele os consolou: Por que se desesperam? N\u00e3o sabiam que desde o dia em que nasci, a natureza me condenou \u00e0 morte? \u00c9 melhor morrer a tempo, com o corpo sadio, para evitar a decad\u00eancia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUERRA DO PELOPONESO \u2013 O imp\u00e9rio de Atenas se chamava Confedera\u00e7\u00e3o, mas, na verdade, o que existia mesmo era o controle comercial e pol\u00edtico dela subjugando as outras cidades sat\u00e9lites. Para come\u00e7ar, os cidad\u00e3os da Confedera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham os mesmos direitos. 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