{"id":3040,"date":"2018-09-24T22:37:10","date_gmt":"2018-09-25T01:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3040"},"modified":"2018-09-24T22:37:22","modified_gmt":"2018-09-25T01:37:22","slug":"o-descaso-para-com-a-cultura-e-o-titulo-de-patrimonio-ao-cordel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/09\/24\/o-descaso-para-com-a-cultura-e-o-titulo-de-patrimonio-ao-cordel\/","title":{"rendered":"O DESCASO  PARA COM A CULTURA E O T\u00cdTULO DE PATRIM\u00d4NIO AO CORDEL"},"content":{"rendered":"<p>Pelo m\u00ednimo de aten\u00e7\u00e3o que nossos governantes e o setor empresarial d\u00e3o \u00e0 nossa raqu\u00edtica cultura, n\u00e3o basta o gesto de transformar uma linguagem art\u00edstica popular em patrim\u00f4nio cultural nacional como fizeram agora com a secular literatura de cordel, t\u00e3o cantada e decantada no Nordeste. N\u00e3o passa de mais uma atitude de embroma\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o fazendo alguma coisa pela nossa mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esse tipo de reconhecimento que sempre n\u00e3o sai de um documento de papel, seja de ordem material ou imaterial, n\u00e3o apaga os anos de abandono da cultura, mesmo porque essa pol\u00edtica ignorante de pa\u00eds atrasado subdesenvolvido j\u00e1 destruiu e eliminou do nosso mapa centenas e milhares de patrim\u00f4nios culturais, como agora aconteceu com o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/CUICA.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3041\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/CUICA.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/CUICA.jpg 450w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/CUICA-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o t\u00e3o rid\u00edculos que criaram tal de Ag\u00eancia Brasileira de Museus (Abram) no lugar do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), como se a troca de siglas, ou das letras \u201cA\u201d pelo \u201cI\u201d, fosse resolver o problema do setor. N\u00e3o t\u00eam a m\u00ednima vergonha na cara de dizerem que a ag\u00eancia vai reconstruir o museu e dar suporte \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de outras 27 institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Com atestado de mediocridade, sempre fazem isso com a maior cara de pau.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o aqui uma v\u00eania para reverenciar os grandes cordelistas cearenses Cego Aderaldo e Patativa do Assar\u00e9, este \u00faltimo um tit\u00e3 do Nordeste, destacando \u201cTriste Partida\u201d, composi\u00e7\u00e3o gravada pelo mestre \u201cGonzag\u00e3o\u201d. Homenagem merecida tamb\u00e9m ao alagoano Rodolfo Cavalcanti e aos baianos Jos\u00e9 Gomes, o Cu\u00edca de Santo Amaro e ao nosso Bule-Bule ainda com seu pandeiro nos batuques da vida.<\/p>\n<p>O Cu\u00edca vendia seus livros a pre\u00e7os populares por toda Salvador, fazendo ponto nas partes alta e baixa do Elevador Lacerda. Pela sua irrever\u00eancia, infernizando a vida de grandes personagens da sociedade, era sempre preso pela pol\u00edcia, tendo conseguido um salvo-conduto expedido pelo ent\u00e3o\u00a0 governador Ot\u00e1vio Mangabeira.<\/p>\n<p>Sou amante do cordel e dos repentistas desde menino quando via nas feiras estes cantadores e os papeizinhos mi\u00fados de versos recitados por nordestinos sertanejos, contando as hist\u00f3rias e est\u00f3rias do nosso povo. Seus causos sempre sacudiram minha imagina\u00e7\u00e3o, como numa viagem ao mundo dos mitos e das lendas. N\u00e3o \u00e9 de diploma que o cordel necessita, e essa a\u00e7\u00e3o n\u00e3o me empolga em nada.<\/p>\n<p>Esses impressos em pap\u00e9is de segunda ou terceira categoria sempre tiveram o car\u00e1ter noticioso, escritos por verdadeiros rep\u00f3rteres do povo, mas os acad\u00eamicos, com suas arrog\u00e2ncias de s\u00e1bios que nada sabem, sempre torceram a cara e trataram essa cultura popular como literatura de n\u00edvel inferior. Poucas vezes foi estudada nas escolas, nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o ou mestrado.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o \u00e9 esse t\u00edtulo isolado de patrim\u00f4nio cultural que vai mudar este cen\u00e1rio de desprezo, nem a mentalidade pol\u00edtica e acad\u00eamica a respeito da grande import\u00e2ncia que exerceu e ainda exerce o cordel na sociedade em geral. Prova disso \u00e9 que n\u00e3o houve at\u00e9 agora mudan\u00e7as pol\u00edticas no sentido de apoio integral com rela\u00e7\u00e3o a outras atividades culturais que tamb\u00e9m foram agraciadas, como o samba, o frevo, o acaraj\u00e9 e outras express\u00f5es.<\/p>\n<p>Fosse assim, nosso patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico, museus e monumentos estariam em \u00f3timos estados de conserva\u00e7\u00e3o. Muito pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o todos em ru\u00ednas e muitos desapareceram ou viraram cinzas. Ali\u00e1s, a nossa cultura se arde e \u00e9 consumida pelo constante fogo criminoso da irresponsabilidade. Em trajes esfarrapados e maltrapilhos, \u00e9 assim que vive hoje nossa triste hist\u00f3ria, sempre caminhando para ficar completamente nua pelos inc\u00eandios e desabamentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo m\u00ednimo de aten\u00e7\u00e3o que nossos governantes e o setor empresarial d\u00e3o \u00e0 nossa raqu\u00edtica cultura, n\u00e3o basta o gesto de transformar uma linguagem art\u00edstica popular em patrim\u00f4nio cultural nacional como fizeram agora com a secular literatura de cordel, t\u00e3o cantada e decantada no Nordeste. 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