{"id":3020,"date":"2018-09-10T22:42:18","date_gmt":"2018-09-11T01:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=3020"},"modified":"2018-09-10T22:42:27","modified_gmt":"2018-09-11T01:42:27","slug":"as-curiosidades-do-mundo-grego-na-revolucao-dos-filosofos-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/09\/10\/as-curiosidades-do-mundo-grego-na-revolucao-dos-filosofos-v\/","title":{"rendered":"AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO NA REVOLU\u00c7\u00c3O DOS FIL\u00d3SOFOS (V)"},"content":{"rendered":"<p>SOFISTAS &#8211; Com o tempo tomou significado depreciativo, mas na Gr\u00e9cia, o termo \u201csofistas\u201d significava mestres da sabedoria. Assim foi Prot\u00e1goras de Abdera, que em Atenas fundou uma escola. Os sofistas prezavam a argumenta\u00e7\u00e3o e a dial\u00e9tica, coisas que hoje s\u00e3o vistas como sofisma. Um dos que se refugiava no sofisma era S\u00f3crates, conforme enfatiza o autor Indro Montanelli em seu livro \u201cHist\u00f3ria dos Gregos\u201d.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que Prot\u00e1goras foi o inventor do m\u00e9todo socr\u00e1tico. O que mais preocupava a mente dos gregos era o problema da origem das coisas. Tanto assim que quase todos seus livros se intitulavam \u201cDa Natureza\u201d, que procuram esclarecer a forma\u00e7\u00e3o do mundo e as leis que a regem. O bem e o mal, e o pr\u00f3prio deus n\u00e3o passavam de verdades subjetivas, sujeitos a contesta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Prot\u00e1goras respondeu que sim. Diante disso, o governo o expulsou. Confiscou seus bens e queimou seus livros em pra\u00e7a p\u00fablica. Embarcou para a Sic\u00edlia e tudo indica que morreu num naufr\u00e1gio. Dizia n\u00e3o acreditar em deus. Deixou esse germe da d\u00favida no seio do povo ateniense.<\/p>\n<p>Em seu lugar ficou G\u00f3rgias. Seu ceticismo se resumia em \u201cnada existe fora do que o homem pode perceber com os sentidos; se alguma coisa existisse, nunca a perceber\u00edamos; e mesmo que a consegu\u00edssemos perceber, n\u00e3o o conseguir\u00edamos comunicar aos outros\u201d.<\/p>\n<p>Antes de morrer, G\u00f3rgias teve o bom senso de gastar todo o seu patrim\u00f4nio. Depois deles vieram muitos sofistas menores. Eles estimularam o esp\u00edrito dial\u00e9tico. Ensinaram os atenienses a raciocinar por esquemas l\u00f3gicos e contribu\u00edram para forma\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua precisa.<\/p>\n<p>Sem eles, o S\u00f3crates n\u00e3o teria se tornado no que se tornou. Fundaram o \u201cClube do Diabo\u201d onde se dedicavam a solenes comilan\u00e7as nos dias em que o calend\u00e1rio recomendava jejum. S\u00f3crates condenava essa atitude por parte dos sofistas, no sentido de suprimir a tradi\u00e7\u00e3o e as supersti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na verdade, eles lan\u00e7aram as bases do grande conflito filos\u00f3fico, que dura at\u00e9 hoje, entre o idealismo e o materialismo. Um deles foi Parm\u00eanides com seu sarcasmo e mordacidade. Implicava com todos, especialmente com Pit\u00e1goras, a quem acusava de histerismo. Inverteu a tese de Her\u00e1clito, para quem tudo passa e se transforma. Na sua \u00f3tica, tudo permanece, e a transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas ilus\u00e3o de nossos sentidos. Nada come\u00e7a, nada \u201cse torna\u201d, nada se \u201cacaba\u201d.<\/p>\n<p>O seu aluno Zen\u00e3o o vulgarizou num livro de paradoxos, quando disse que a flecha que voa, na realidade est\u00e1 parada no ar, porque a cada instante de sua aparente corrida, ela ocupa um ponto parado no espa\u00e7o. Logo, sua par\u00e1bola nada mais \u00e9 do que o engano dos nossos sentidos. Segundo ele, o corredor mais veloz n\u00e3o pode ultrapassar uma tartaruga, porque toda vez que alcan\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o dela, ela j\u00e1 a passou.<\/p>\n<p>Leucipo foi outro que veio de Mileto para El\u00e9ia pelo ano de 435 a.C. e, depois, em Abdera, abriu uma escola para desenvolver o conceito do n\u00e3o ser, do v\u00e1cuo. A cria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de v\u00e1cuo e de \u00e1tomos. A alma, por exemplo, n\u00e3o passa de uma combina\u00e7\u00e3o de \u00e1tomos.<\/p>\n<p><!--more-->O conceito materialista desenvolveu-se ainda melhor com Dem\u00f3crito. Aproveitou a heran\u00e7a do pai para viajar pelo mundo (Egito, Eti\u00f3pia, \u00cdndia) e dizia que a p\u00e1tria de um homem sensato \u00e9 o mundo. Para ele, \u00e9 mais sensato conquistar a verdade do que um trono.<\/p>\n<p>Em Atenas, onde viveu muito tempo isolado, se ocupava de escrever tratados de medicina, astronomia, matem\u00e1tica, m\u00fasica, f\u00edsica e outras \u00e1reas. Na opini\u00e3o de estudiosos, foi o maior dos pensadores antigos, superando at\u00e9 Arist\u00f3teles e Plat\u00e3o. J\u00e1 velho, voltou para Abdera e escreveu \u201cO Grande Mundo\u201d.<\/p>\n<p>Dizem que ultrapassou os cem anos. Um dia percebeu que estava morrendo e disse \u00e0 irm\u00e3. Ela respondeu que n\u00e3o devia fazer isso por aqueles dias, pois teria que ir ao templo para as festas de Tesmof\u00f3ria. Dem\u00f3crito afirmou que poderia ir sossegada, mas que todas as manh\u00e3s ela trouxesse um pouco de mel para passar em suas narinas, respirando a fragr\u00e2ncia. Sobreviveu at\u00e9 o final das festas. \u201cAgora posso mesmo ir\u201d.<\/p>\n<p>Muito estudioso da filosofia, Emp\u00e9docles, aluno de uma escola dos pitag\u00f3ricos, concentrou-se na transmigra\u00e7\u00e3o das almas. Descobriu ter uma alma de peixe por ser grande nadador; a de um p\u00e1ssaro porque corria como uma flecha. Revelou seus sofrimentos a pessoas fora do col\u00e9gio e foi expulso porque era proibido. Convencido de que era um divino, p\u00f4s-se a percorrer o mundo, com sand\u00e1lias douradas, manto de p\u00farpura e coroa de louros na cabe\u00e7a, oferecendo-se como m\u00e9dico e adivinho. Dizia ser irm\u00e3o de Apolo.<\/p>\n<p>Foi mais engenheiro, revolucion\u00e1rio e poeta, do que um fil\u00f3sofo. Na velhice, jogou fora as sand\u00e1lias douradas, se despiu de toda pompa e se tornou um franciscano. Transformou-se num penitente que convidava os homens \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o antes da reencarna\u00e7\u00e3o, renunciando ao matrim\u00f4nio e as favas, como Pit\u00e1goras.<\/p>\n<p>S\u00d3CRATES \u2013 Agrade\u00e7o a deus ter nascido grego e n\u00e3o b\u00e1rbaro, homem e n\u00e3o mulher, livre e n\u00e3o escravo. Mas lhe agrade\u00e7o, sobretudo, ter nascido no s\u00e9culo de S\u00f3crates \u2013 escreveu Plat\u00e3o. Arist\u00f3xenos de Taranto ouviu, certa vez, o pai dizer que S\u00f3crates era um beberr\u00e3o ignorante, cheio de d\u00edvidas e v\u00edcios. Realmente, a \u00fanica educa\u00e7\u00e3o que cultivava era militar e esportiva.<\/p>\n<p>No ver\u00e3o e no inverno vestia sempre a mesma t\u00fanica surrada e remendada. De prop\u00f3sito, levantava o cotovelo com frequ\u00eancia. Xantipa, sua mulher, dizia que ele n\u00e3o se lavava.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o lhe dar um tost\u00e3o e passar dias e noite fora de casa, Xantipa resolveu denunciar o marido no Tribunal por neglig\u00eancia dos seus deveres. S\u00f3crates, no lugar de se defender a si mesmo, defendeu a mulher perante o juiz e dos seus disc\u00edpulos. Disse que, como mulher, tinha toda raz\u00e3o. Afirmou ainda que ela merecia um marido melhor que ele.<\/p>\n<p>Foi absolvido e voltou aos seus h\u00e1bitos extra dom\u00e9sticos. Frequentava o sal\u00e3o intelectual de Asp\u00e1sia, amante de P\u00e9ricles, bem como a casa de Teodata, a mais c\u00e9lebre prostituta de Atenas. Todos estavam acostumados com seus p\u00e9s descal\u00e7os.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo dizia n\u00e3o ter ideias e pedia a todos que o ajudassem a procura-las. Julgo-me o mais s\u00e1bio dos homens, porque sei que nada sei. Procurava fazer mais perguntas que dar respostas. Um dia inverteu, mas desistiu. Dizem que a com\u00e9dia sat\u00edrica de Arist\u00f3fanes teve, em parte, responsabilidade em sua condena\u00e7\u00e3o de morte.<\/p>\n<p>Para inventar a filosofia, necessitou afirmar o direito \u00e0 d\u00favida, o que significou abalar todas as f\u00e9s. Criticou a democracia e foi idealista como Plat\u00e3o, l\u00f3gico como Arist\u00f3teles, c\u00e9tico como Euclides, epicurista como Aristipo e aventureiro da pol\u00edtica como Alcib\u00edades, Ao morrer, reconheceu que a democracia tinha raz\u00e3o de o matar e pronunciou um ato de f\u00e9 democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>ANAX\u00c1GORAS \u2013 Deixou Claz\u00f4menos e foi para Atenas em 480 a.C. Se espantou com o atraso da cidade nos estudos cient\u00edficos. Atenas s\u00f3 progredira na geometria. Na astronomia, dava os primeiros passos. Cada cidade tinha o seu calend\u00e1rio e marcava o in\u00edcio do ano quando lhe agradasse. Seguia a divis\u00e3o de S\u00f3lon, separando o ano em 12 meses de 30 dias.<\/p>\n<p>Em Tebas, o pitag\u00f3rico Filolau pregava que a terra n\u00e3o era o centro do universo, mas apenas mais um planeta que girava em torno de um fogo central. Anax\u00e1goras era mais curioso pelas coisas celestes. Na \u00e9poca, novas ideias j\u00e1 circulavam a respeito do c\u00e9u. Dem\u00f3crito de Abdera dizia que a via l\u00e1ctea era apenas uma poeira de estrelas. Emp\u00e9docles insinuava que a luz dos astros demorava certo tempo para chegar at\u00e9 n\u00f3s. Parm\u00eanides que a terra fosse redonda.<\/p>\n<p>De qualquer forma, dois mil\u00eanios ap\u00f3s, foram eles que ajudaram a Cop\u00e9rnico e Galileu fundar suas afirma\u00e7\u00f5es em bases experimentais. Todos os astr\u00f4nomos que andavam pela Gr\u00e9cia divagavam, sem elementos de prova. Como pai da astronomia e inventor da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, Anax\u00e1goras foi assim. Afirmou que os outros planetas eram habitados, como a terra, por homens em tudo semelhantes a n\u00f3s, que constroem casas e cidades e aram a terra com bois.<\/p>\n<p>Dizia que o cosmo se formara do caos a partir de um turbilh\u00e3o que, com sua for\u00e7a centr\u00edfuga, separara os quatro elementos fundamentais: o fogo, o ar, a \u00e1gua e a terra. Determinou que o rel\u00e2mpago \u00e9 proveniente de um atrito, e o trov\u00e3o pela colis\u00e3o das nuvens. Ele nunca cita Zeus, como se este nada tivesse a ver com toda a evolu\u00e7\u00e3o. Em seu tratado \u201cSobre a Natureza\u201d introduziu um \u201cnous\u201d (uma mente), como pai do turbilh\u00e3o que dera origem ao universo.<\/p>\n<p>Os atenienses o apelidaram de \u201cnous\u201d e assim o chamavam quando passava nas ruas. Ol\u00e1, \u201cnous\u201d, ser\u00e1 que amanh\u00e3 vai fazer bom tempo? Frequentava o sal\u00e3o de Asp\u00e1sia. Contam que certo dia, durante um sacrif\u00edcio, chegou \u00e0s m\u00e3os dos sacerdotes um carneiro com um chifre s\u00f3. Viram nisso algo de sobrenatural. Anax\u00e1goras decapitou o animal e demonstrou que crescera um chifre s\u00f3 porque o c\u00e9rebro se desenvolvera no centro, e n\u00e3o nos lados da testa..<\/p>\n<p>Anax\u00e1goras foi acusado de impiedade diante de um tribunal de inquisi\u00e7\u00e3o que passou a investigar seu livro, admirado pela classe culta de Atenas. Diz uma vers\u00e3o que P\u00e9ricles, quando viu o caso perdido, mandou que o velho mestre fugisse. Outra vers\u00e3o conta que P\u00e9ricles o defendeu diante dos jurados. Depois de o ver condenado organizou a evas\u00e3o. Refugiou-se em L\u00e1mpsaco, no Helesponto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SOFISTAS &#8211; Com o tempo tomou significado depreciativo, mas na Gr\u00e9cia, o termo \u201csofistas\u201d significava mestres da sabedoria. 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