{"id":2987,"date":"2018-08-18T00:16:26","date_gmt":"2018-08-18T03:16:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2987"},"modified":"2018-08-18T00:16:37","modified_gmt":"2018-08-18T03:16:37","slug":"as-curiosidades-do-mundo-grego-filosofias-e-sabedorias-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/08\/18\/as-curiosidades-do-mundo-grego-filosofias-e-sabedorias-iii\/","title":{"rendered":"AS CURIOSIDADES DO MUNDO GREGO &#8211; FILOSOFIAS E SABEDORIAS (III)"},"content":{"rendered":"<p>P\u00cdSISTRATO \u2013 A democracia ateniense era dividida em tr\u00eas partidos: o da Plan\u00edcie, conservador, aristocr\u00e1tico e latifundi\u00e1rio; o da Costa, dos ricos comerciantes; e o da Montanha, do proletariado urbano e rural.<\/p>\n<p>Um dia um senhor deste \u00faltimo partido se apresentou ao Are\u00f3pago (Conselho) e disse ter sido v\u00edtima de um ataque dos inimigos do povo. Mostrou seus ferimentos e pediu 50 homens para lhe proteger.<\/p>\n<p>Apesar de velho, chamaram S\u00f3lon para dar sua posi\u00e7\u00e3o. Vendo naquilo uma grande mal\u00edcia de segundas inten\u00e7\u00f5es, e percebendo que n\u00e3o lhe davam ouvidos, desabafou indignado: S\u00f3is sempre os mesmos. Individualmente, cada um de v\u00f3s age como raposa, mas coletivamente, s\u00f3is um bando de patos.<\/p>\n<p>O cara astuto era Pis\u00edstrato, tamb\u00e9m de fam\u00edlia aristocr\u00e1tica e primo de S\u00f3lon que o conhecia muito bem. Ele sabia que a democracia sempre pende para a esquerda, por isso inventara suas ambi\u00e7\u00f5es no proletariado. Ao inv\u00e9s de 50, Pis\u00edstrato reuniu 400 homens. Apoderou-se da Acr\u00f3pole e proclamou a ditadura, naturalmente para o bem do povo.<\/p>\n<p>O partido \u201cA Costa\u201d coligou-se com a \u201cPlan\u00edcie\u201d, derrubaram o tirano e obrigaram a fugir, mas logo voltou. Conta Her\u00f3doto que um dia se apresentou, \u00e0s portas da cidade, um carro imponente e nele vinha uma linda mulher, com armas e o escudo de Palas Atena. Quando os batedores anunciaram que a deusa viera restaurar o ditador, o povo se inclinou. Foi ai que Pis\u00edstrato apareceu com seus homens. Uma alian\u00e7a tornou a exilar o ditador.<\/p>\n<p>Tr\u00eas anos depois, em 546, voltou pela terceira vez e restaurou o regime at\u00e9 sua morte. Pouco modificou da Constitui\u00e7\u00e3o de S\u00f3lon e optou por elei\u00e7\u00f5es livres, sem culto \u00e0 personalidade. Submeteu-se ao controle do Senado. Tinha do povo simpatia. Chamavam-no de tirano, mas no sentido de fortaleza. Possu\u00eda charme e falava com bons modos e calma. Sua pol\u00edtica foi a de produ\u00e7\u00e3o. Construiu modernas e poderosas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O homem de ferro instituiu uma comiss\u00e3o para recolher e ordenar a Il\u00edada e a Odisseia que Homero deixara esparsas em epis\u00f3dios fragment\u00e1rios. Evitou a guerra e deu a Atenas a posi\u00e7\u00e3o de capital moral da Gr\u00e9cia. Criou os jogos pan-hel\u00eanicos como ponto de encontro. Fugiu das tenta\u00e7\u00f5es do poder absoluto, mas cedeu seu lugar para os filhos H\u00edpias e Hiparco.<\/p>\n<p>MILC\u00cdADES E ARISTIDES \u2013 Pelos anos 490 a.C., seiscentos navios e duzentos mil soldados persas se apresentaram \u00e0s portas da Gr\u00e9cia para invadi-la. Ao lado da pequena Plateia, apenas Atenas mandou seus poucos soldados se juntarem aos vinte mil homens do ex\u00e9rcito de Milc\u00edades, que tinha pouca tradi\u00e7\u00e3o militar.<\/p>\n<p>No dia da batalha, na plan\u00edcie de Maratona, quem estava no turno era Aristides, que renunciou da miss\u00e3o a favor do colega, por considerar que tinha menos capacidade de atuar. Os soldados persas eram valentes, individualmente, mas n\u00e3o tinham ideias de manobra coletiva. No confronto, Dario perdeu sete mil homens contra pouco menos de duzentos de Milc\u00edades, conforme narram os historiadores. Mandado anunciar a vit\u00f3ria em Atenas, o soldado Fed\u00edpoda fez vinte milhas correndo. Depois de dada a not\u00edcia, caiu morto, com o pulm\u00e3o estourado.<\/p>\n<p>Cheio de medalhas, o general transformou-se em almirante e pediu setenta navios que os levou a Paros. L\u00e1 exigiu cem talentos. O governo chamou de volta e obrigou a restituir s\u00f3 a metade. Milc\u00edades n\u00e3o teve tempo porque morreu antes.<\/p>\n<p>Restou Aristides, homem justo e honesto, tanto que depois da batalha teve a incumb\u00eancia de guardar as tendas dos vencidos. Dentro delas havia not\u00e1vel riqueza e ele a entregou ao governo. Passou sua juventude combatendo a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e o peculato dos funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em seu caminho dopou com Tem\u00edstocles, orador brilhante que lhe fizera intrigas, propondo ostracismo para seu colega Aristides. Conta que na vota\u00e7\u00e3o, um campon\u00eas analfabeto pediu a Aristides que escrevesse na lousa sua aprova\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de Tem\u00edstocles. \u201cPor que queres mandar Aristides para o ex\u00edlio? Fez-te algum mal? \u2013 perguntou o pr\u00f3prio Aristides. N\u00e3o me fez nada \u2013 respondeu &#8211; mas estou farto de ouvi-lo chamar de justo. Aristides sorriu de rancor e marcou contra ele mesmo o voto daquele homem.<\/p>\n<p>No ato da condena\u00e7\u00e3o, disse: Espero atenienses, que n\u00e3o tenham mais ocasi\u00e3o de se recordarem de mim, Atenas estava com os persas novamente \u00e0s portas, conduzidos por Xerxes, em 485 a.C., com mais de dois milh\u00f5es de homens e mil e duzentos navios.<\/p>\n<p>Dessa vez Esparta, com seu rei Le\u00f4nidas, e seu ex\u00e9rcito de 300 homens, se juntou a Atenas, Os trezentos sozinhos teriam vencido os dois milh\u00f5es, se traidores n\u00e3o tivessem guiado os inimigos por uma senda desconhecida, \u00e0s costas de Le\u00f4nidas, que caiu com 298 dos seus, depois de ter causado 20 mil mortes. Dos dois, um se suicidou de vergonha, e o outro resgatou a honra caindo em Plateia. Foi escrito em sua l\u00e1pide: Vai estrangeiro, dize a Esparta que n\u00f3s ca\u00edmos em obedi\u00eancia \u00e0s suas leis.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao ataque a Atenas, conta que um deputado prop\u00f4s a rendi\u00e7\u00e3o e foi morto na Assembleia. Sua mulher e seus filhos foram lapidados pelas mulheres. Os persas saquearam uma cidade vazia. N\u00e3o podendo opor-se aos colegas que queriam a fuga, Tem\u00edstocles mandou um escravo informar do plano da retirada a ser executado na noite imediata. Se a mensagem fosse descoberta, ele passaria por traidor.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Xerxes rodeou o inimigo para n\u00e3o o deixar fugir. Com sua ast\u00facia, Tem\u00edstocles consegui obrigar os gregos a lutar, Xerxes em terra assistiu a cat\u00e1strofe da sua frota com a morte de seus marinheiros por afogamento. Assim, Atenas e a Europa foram salvas, em Salamina, em 480 a.C.<\/p>\n<p>TEM\u00cdSTOCLES E EFIALTES \u2013 Ap\u00f3s a batalha naval, o almirante mandou outro escravo informar Xerxes de que conseguira dissuadir os colegas da persegui\u00e7\u00e3o da frota vencida. O persa deixou na Gr\u00e9cia 300 mil homens aos cuidados de Mard\u00f4nio. Houve um ano de tr\u00e9gua. Depois come\u00e7ou a luta sob o comando de Paus\u00e2nias, rei de Esparta, com 100 mil homens. Mard\u00f4nio perdeu 260 mil e Paus\u00e2nias 59 mil.<\/p>\n<p><!--more-->Tem\u00edstocles continuou a montar suas arma\u00e7\u00f5es para se dar bem. Organizou uma confedera\u00e7\u00e3o entre as cidades gregas (Atenas Estado-chefe) e pediu navios a Atenas. Refor\u00e7ou sua frota e conseguiu cercar a cidade at\u00e9 o Porto de Pireu. Ao mesmo tempo, tomou a iniciativa dos tratados de paz com Xerxes e prop\u00f4s anistia aos exilados em troca de uma recompensa. Embolsou a grana e deixou-os no ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Diante de suas trapa\u00e7as, a Assembleia recorreu ao ostracismo. Tem\u00edstocles retirou-se rico para Argos. Mesmo assim, Esparta o denunciou como traidor. Sabendo disso, o estrategista procurou ref\u00fagio na corte de Artaxerxes que lhe deu pens\u00e3o alta e ouvia seus conselhos e orienta\u00e7\u00f5es para que a P\u00e9rsia retomasse a luta contra Atenas. A morte o alcan\u00e7ou aos 65 anos, em 459 a.C.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, Atenas se debatia em meio a intrigas entre dois partidos: O oligarca, de C\u00edmon (filho de Milc\u00edades), e o democr\u00e1tico, de Efialtes, pobre incorrupt\u00edvel e idealista. Os dois eram \u00edntegros e tinham car\u00e1ter, mas Efialtes saiu \u00e0 frente e resolveu atacar a pr\u00f3pria aristocracia. Denunciou na Assembleia as tramoias urdidas por senadores e sacerdotes. Muitos foram condenados \u00e0 morte e outros ao ex\u00edlio, s\u00f3 que o denunciante foi assassinado em 461 a.C.<\/p>\n<p>Com trag\u00e9dia e tudo, a democracia saiu triunfante com a sucess\u00e3o de P\u00e9ricles e in\u00edcio da civiliza\u00e7\u00e3o grega, do Parten\u00e3o, de Fidas, S\u00f3focles, Eur\u00edpedes, S\u00f3crates, Arist\u00f3teles e Plat\u00e3o que em dois s\u00e9culos deram \u00e0 humanidade o que outros n\u00e3o conseguiram em mil\u00eanios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P\u00cdSISTRATO \u2013 A democracia ateniense era dividida em tr\u00eas partidos: o da Plan\u00edcie, conservador, aristocr\u00e1tico e latifundi\u00e1rio; o da Costa, dos ricos comerciantes; e o da Montanha, do proletariado urbano e rural. 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